sábado, 3 de outubro de 2015

Brasil freia história de Cartagena, bate Colômbia e decide o Sul-Americano


Na terra da primeira cidade do país a conseguir independência do Império espanhol, seleção não cala 1.500 torcedores, mas vai lutar pelo 11º título seguido contra o Peru




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Direto de Cartagena, Colômbia

Natália Brasil x Colômbia vôlei Sul-Americano (Foto: Fabio Leme)
Natália sobe alto para marcar um dos seus 13 
pontos no jogo, ela foi a principal pontuadora 
da semifinal (Foto: Fabio Leme)


Em 1811, Cartagena se tornava a primeira cidade colombiana a expulsar os espanhóis e anunciar sua independência. O cartageneiro Rafael Nuñez, 75 anos mais tarde, escreveu a primeira carta constitucional do país. Há quem diga na região que “tudo de bom na Colômbia, começa em Cartagena”. Assim, a capital do estado de Bolívar ganhou de seus habitantes o apelido de “o local das boas notícias”. Com esse espírito, cerca de 1.500 torcedores lotaram o Coliseu Northon Madrid para empurrar suas jogadoras em uma missão quase tão difícil à de expulsar o Império espanhol: jogar com uma equipe praticamente sub-23 e derrotar as atuais bicampeãs olímpicas.

- Eles estão investindo bastante no trabalho de base, estão tentando, têm jogadoras com biotipo bastante interessante, a principal jogadoras deles não está aqui. É um país que tem história esportiva e gosta. Se continuar trabalhando com o biotipo que tem, pode melhorar muito no futuro. Vimos jogadoras bastante habilidosas, como o caso da Amanda (2), a Ivone, se trabalhar mais forte, vai poder melhorar seu jogo, ela pega forte, ataca forte, bem como a oposta número três, que ataca com muita velocidade na saída da rede. A Colômbia, das últimas vezes que eu vi, melhorou. É por aí - declarou Zé Roberto.

Tudo valia para mais um capítulo da bela história, cornetas, surdos e muitas vaias foram armas contra o Brasil. Só que, desta vez, os guerreiros banhados pelo mar do Caribe não fizeram a diferença. A tranquila vitória por 3 sets a 0 (25/16, 25/12 e 25/12) deu ao time de Zé Roberto a vaga na decisão do Sul-Americano diante das peruanas – que mais cedo venceram a Argentina no tie-break. Para os colombianos, a derrota soou como um aprendizado para próximas batalhas. De pé, aplaudiram seu povo, especialmente as cinco atletas naturais de Cartagena, e também se renderam às rainhas do vôlei mundial, que tiveram em Natália sua principal pontuadora, com 13 acertos.

- Para a gente é um campeonato importante, último do ano, importante que a gente jogue bem. O maior respeito que a gente pode ter com o adversário é levando a sério o jogo. Acho que isso a gente fez com todos e vamos enfrentar o Peru amanhã com força total também - declarou Natália.
Neste sábado, às 21h (de Brasília), a seleção vai em busca do seu 11º título consecutivo na competição. O adversário será o Peru, maior rival do continente até a década de 90. Essa será a 22ª final entre os dois países, em 31 edições – a peruanas levam vantagem 12 a 9.

COLOMBIANAS LUTAM, MAS NÃO SÃO PÁREO

Sul-Americano feminino de vôlei, Brasil x Colômbia (Foto: Fabio Leme)
Fabiana se impõe na rede e força erro de colombiana (Foto: Fabio Leme)


O início com Natália na vaga de Mari Paraíba e Léia na de Camila Brait foi promissor. Em pouco tempo, as brasileiras mostraram aos fanáticos e empolgados colombianos que não seria o dia do “si, se puede” (sim, se pode). Com bolas nas mãos, Dani Lins imprimiu velocidade e variou as jogadas. Sheilla mostrou categoria em toque no fundo. O ataque colombiano sofreu com a defesa (6/1). Porém, bastaram dois pontos seguidos das donas da casa, para a torcida inflamar. As guerreiras bolivarenses diminuíram a diferença (9/6). O calor da arquibancada passou à quadra, e os dois lados ficaram afoitos e trocaram bolas até o 20º ponto. Na reta final, Dani procurou mais suas centrais, Fabiana e Juciely tiveram êxito, e o Brasil fechou a parcial em alta (25/16).

A terra das boas notícias viu sua seleção equilibrar o segundo set (3/3) A passagem de Gabi pelo saque quebrou a recepção e a confiança da Colômbia (10/3). O tempo pedido pelo técnico anfitrião surtiu efeito parcialmente (12/8), mas Natália mostrou que não é uma visitante muito educada e, com três pancadas, retomou a larga diferença para o Brasil (16/8). A ponteira foi o nome da fácil segunda parcial, que ainda teve as entradas de Roberta e Monique na inversão e Mari Paraíba no bloqueio e saque (25/12).

Cabisbaixas? Que nada. A seleção colombiana e sua torcida mostraram o porquê da história escrita com muito sacrifício. A inferioridade técnica parecia um mero detalhe em quadra. Nem os seis pontos seguidos das brasileiras, que tinham Carol e Adenízia no meio, calaram o Coliseu Northon Madrid e fizeram sua equipe jogar a toalha (9/3). Um ponto era o bastante para o povo explodir (17/9). Mas, nessa altura, a vibração era mais empolgação do que fé no milagre. Um novo capítulo da história de Cartagena não foi escrito 204 anos depois. A tropa brasileira mostrou ser mais forte e avançar à decisão do Sul-Americano (25/12).


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