domingo, 22 de janeiro de 2017

A GANGUE DE TEMER VELANDO TEORI E O SORRISO DE SERRA RESUMEM A TRAGÉDIA BRASILEIRA



FONTE:
http://www.diariodocentrodomundo.com.br/a-gangue-de-temer-ao-lado-do-caixao-de-teori-e-o-sorriso-de-serra-resumem-a-tragedia-brasileira-por-kiko-nogueira/



Cármen Lúcia evitou fotos com Michel no funeral




"Morreu, mesmo?"
“Morreu, mesmo?”


“Às vezes, quase sempre, em política e judiciário, o criminoso está presente no velório”. Teori Albino Zavascki

José Serra dando risada e a gangue de Temer reunida em torno do caixão no velório de Teori Zavascki.
Poucas imagens são tão emblemáticas da tragédia brasileira quanto essas.
Serra, citado na Lava Jato como destinatário de 23 milhões de reais que teriam sido pagos por meio de caixa dois em contas no exterior, tenta influenciar a escolha do novo ministro do STF.
Temer aparece mais de 40 vezes em delação da Odebrecht. Os acordos fechados com o MPF atingiriam em cheio a cúpula do PMDB.
Michel está achando que é uma espécie de cobra coral favorecida pelos deuses. Seus cúmplices se acercam do chefe, na expectativa de mais algum acidente pavoroso que os favoreça.
Segundo reportagem da Folha, a presidente do Supremo Carmen Lúcia não quis sair ao lado do presidente nos jornais (e de um sujeito como Eliseu Padilha, o sincero, que afirmou que o “ganhou tempo” com a morte de Teori).
Carmen pediu para ser fotografada apenas ao fim da cerimônia. A OAB defende que ela homologue todas as delações, como forma de honrar a memória do colega.
Recai sobre a turma de Michel uma suspeição. Eles sabem disso.
Independentemente se houve ou não a mão deles, são os grandes beneficiados — e não escondem em declarações e imagens.
Michel, covarde que foge de funerais, confirmou sua presença no de Teori de bate pronto porque sabia que estaria a salvo de qualquer coisa parecida com povo e porque queria passar, sutilmente, seu recado.
Nunca foram companhias toleráveis em quermesses. Em enterros, melhor fugir.
Fez certo Carmen em sair correndo. Infelizmente nós não temos como fazer o mesmo.
Beleza interior
Beleza interior
Acompanhe as publicações do DCM no Facebook. Curta aqui.
Sobre o Autor
Diretor-adjunto do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas.






Lava Jato entrega Petrobras aos Estados Unidos, por Emanuel Cancella



FONTE:
http://jornalggn.com.br/noticia/lava-jato-entrega-petrobras-aos-estados-unidos-por-emanuel-cancella






Por Emanuel Cancella
*Coordenação do Sindipetro-RJ e da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP) e autor do livro “A outra face de Sérgio Moro”
Lava Jato, segundo a mídia, virou uma unanimidade nacional! Isso é caçoar da inteligência dos brasileiros, talvez fazendo alusão ao escritor e dramaturgo Nelson Rodrigues que dizia que “Toda unanimidade é burra”, entretanto a sociedade já começa a enxergar a verdade e vai perceber que juiz Sérgio Moro pode até ser herói nacional, mas dos EUA.
Aliás, o governo americano o premiou e as suas principais revistas também, Time e Fortune, o exaltaram. Fizeram isso pelos excelentes serviços prestados ao povo americano, entre tantos:
1 - Moro chamou os procuradores americanos para investigar a Petrobrás, legitimando a espionagem, contra o Brasil.
2 - Os tribunais americanos estão de olho no petróleo brasileiro e querem destruir a Petrobrás e conta com a ajuda incondicional da Lava Jato. Eles assim defendem que a causa da queda das ações da Petrobrás foi a corrupção. Mas isso é uma grande farsa até porque as ações de petroleiras despencaram no mundo todo, não só no Brasil.
E Moro, colaborando com a tese deles, mandou os ladrões da Petrobrás testemunharem, nos tribunais americanos, em favor dos gringos.  Moro, os americanos e o mundo sabem que a queda das ações foi uma tramoia dos EUA e da Arábia Saudita, quando aumentaram drasticamente a oferta de petróleo no mercado, fazendo com que o preço do barril do petróleo de US$ 140 fosse para US$ 30. Os EUA fizeram isso para prejudicar os países produtores, como Rússia, Irã, Brasil e Venezuela. Parece que no Brasil funcionou.  
3 - Lava Jato e a mídia, incansavelmente, trabalham para desmoralizar a Petrobrás, com o intuito, único e exclusivo, de facilitar sua entrega aos americanos. A Lava Jato fornecia, como num reality show, diariamente informações denegrindo a Petrobrás e o governo Dilma, preparando terreno para o golpe e para a entrega de nossas riquezas. Assim a Globo concedeu a Moro o prêmio de “Homem que faz a diferença”.  
4 - Nunca quiseram acabar com a corrupção, pois Moro só mostrou a corrupção nos governos do PT, de Lula e Dilma, na Petrobrás. E não mostrou as barbáries cometidas pelos tucanos, isto porque eles fazem parte da panelinha dos que  querem entregar nosso petróleo. A corrupção no governo tucano de Fernando Henrique Cardoso, na Petrobrás, jamais foi mostrada pela Lava Jato, nem com FHC reconhecendo e seu livro, Diários da Presidência, que havia corrupção em seu governo, na Petrobrás. E, com certeza, era infinitamente maior do que no período de Lula e Dilma, só que eles não deixam investigar. O Filho de FHC já foi citado em corrupção na Petrobrás pelo ex-diretor da empresa, o preso Nestor Cerveró, e pelo operador do PMDB, Fernando Baiano. E Moro faz ouvido de Mercador (1,2)!  
5 - Agora o tucano Pedro Parente está fazendo um feirão com os ativos da Petrobrás. Parece comercial de televisão “Parente ficou Doido”, pois entrega tudo, como vender petróleo do pré-sal do campo de Carcará, sem licitação, a preço de um refrigerante, quando preço do petróleo no mercado internacional está acima de US$ 55 o barril. E a Lava Jato finge que não vê!
O golpe foi dado com  a ajuda dos americanos no Brasil, mas a mídia e os golpistas não aceitam a palavra golpe, inclusive a ministra Rosa Weber interpelou a presidenta Dilma para explicar por que chamou o golpe de “Golpe”. (3).
E, por ordem dos golpistas, não podemos nem  falar de golpe e também não podemos fazer criticas nem ao juiz Sérgio Moro e nem à Lava Jato. Elogiar pode! Como se não bastasse o MPF não quer nem que a Polícia Federal faça críticas a Lava Jato (4).  
Eu denunciei, em novembro de 2016, ao MPF, a omissão da Lava Jato em relação ao governo tucano de FHC e à gestão do Pedro Parente na Petrobrás (5). Em dezembro fui intimado pelo MPF, atendendo a pedido do juiz Sérgio Moro, por possível crime contra honra do servidor público (6).
Três meses depois veio a resposta da minha denuncia mandando que eu reenviasse a denúncia seguindo um passa passo lá deles. Nem precisaria de denúncia pois se estão destruindo o patrimônio público, pois envolve a Petrobrás, creio o MPF deveria agir de ofício. E o feirão continua de vento em popa!
No golpe militar, que durou 21 anos, proibiam também de falar ou  escrever determinadas palavras e muitos textos teatrais e músicas foram censurados por isso. No golpe de 2016 é proibido falar ou escrever a palavra golpe, bem como criticar o juiz Moro e a Lava Jato. Detalhe, destruir o país, pode!      

OAB defende que Cármen Lúcia homologue delações imediatamente




FONTE:
http://jornalggn.com.br/noticia/oab-defende-que-carmen-lucia-homologue-delacoes-imediatamente






Da Agência Brasil


Após deixar o velório do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki, em Porto Alegre, o presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Claudio Lamachia, defendeu que a presidente da Corte, ministra Cármen Lúcia, considere assumir, de imediato, o processo de homologação das delações premiadas de executivos da Odebrecht.
Para o presidente da OAB, é preciso atender ao desejo da sociedade brasileira de que a Lava Jato seja conduzida com celeridade no STF, “até mesmo em nome da memória do ministro Teori e do trabalho que estava fazendo”.
“Se poderia pensar numa ideia de que a própria ministra Cármen Lúcia cumprisse essa etapa que falta no processo, de homologação ou não das delações premiadas”, afirmou Lamachia.
O ministro Teori Zavascki estava prestes a homologar 77 delações premiadas de executivos da empreiteira Odebrecht. São depoimentos concedidos após um acordo da empresa com o Ministério Público Federal (MPF) que garante vantagens aos delatores, como o abrandamento de pena em troca de detalhes sobre o mega-esquema de corrupção na Petrobras.
Por trazer citações a dezenas de políticos com foro privilegiado, os depoimentos foram entregues a Teori Zavascki, relator da Lava Jato no STF, em dezembro, para que ele pudesse homologá-los, isto é, decidir se poderiam ser considerados válidos como prova. O gabinete do ministro trabalhava no recesso do Judiciário para que as homologações pudessem ocorrer rapidamente, possivelmente no início de fevereiro.
“A própria ministra Cármen Lúcia e os membros da Corte Surprema podem refletir sobre a continuidade, agora, momentânea e imediata, dessas coletas e dos depoimentos testemunhais daqueles delatores, ou seja , dos colaboradores”, defendeu Lamachia.
Ontem (20), o presidente da OAB já havia divulgado uma nota em que defendia a redistribuição “imediata” dos processos da Lava Jato para outro relator no STF, afirmando que aguardar para que o sucessor de Teori assuma a operação serviria “apenas para agravar o ambiente político-institucional do país”.
O regimento interno do STF permite que a presidente Cármen Lúcia ordene, em casos excepcionais, a redistribuição de qualquer tipo de processo, passados 30 dias de ausência do ministro-relator original.
Antes desse prazo, caberia ao ministro Luiz Roberto Barros, que entrou no STF imediatamente antes de Teori, decidir sobre atos emergenciais relacionados aos inquéritos da Lava Jato no Supremo. Entretanto, como o Judiciário encontra-se em recesso, tal prerrogativa recai sobre a presidente da Corte, ministra Cármen Lúcia.
O ministro Teori Zavascki morreu na última quinta-feira (19) após o avião em que ele e mais quatro pessoas viajavam cair no mar próximo a Paraty, no litoral sul do Rio de Janeiro.

Réu, Padilha é acusado de receber milhões de universidade do RS



FONTE:
http://jornalggn.com.br/noticia/reu-padilha-e-acusado-de-receber-milhoes-de-universidade-do-rs



Resultado de imagem para eliseu padilha investigado


ornal GGN - O ministro da Casa Civil de Michel Temer, Eliseu Padilha, é alvo de investigação na Justiça Federal do Rio Grande do Sul por pagamentos milionários de uma universidade privada. Padilha é réu, acusado de obter benefícios junto à Universidade Luterana do Brasil, quando era deputado federal.
 
O atual ministro teria recebido R$ 3,9 milhões (que equivalem a R$ 7 milhões hoje) da instituição por meio de duas de suas empresas, a Rubi e Fonte, sem a prestação dos serviços de consultoria.
 
Por Felipe Bachtold
 
 
Da Folha de S. Paulo
 
Pagamentos milionários de uma universidade privada do Rio Grande do Sul a empresas de consultoria do ministro Eliseu Padilha (Casa Civil) estão no centro de uma ação de improbidade na qual ele é réu na Justiça Federal.
Padilha tenta suspender a tramitação do processo, em que ele é acusado de beneficiar a Ulbra (Universidade Luterana do Brasil) na época em que exercia mandato de deputado federal.
Duas empresas dele, chamadas Rubi e Fonte, receberam na década passada da instituição de ensino R$ 3,9 milhões (R$ 7 milhões em valores corrigidos). Uma auditoria na universidade não encontrou documentos comprovando a prestação de serviços de consultoria.
A defesa do ministro peemedebista argumentou, já na segunda instância federal, que o Ministério Público Federal não tinha competência para propor a ação e que o caso não envolvia a União.
Em outubro, os juízes do Tribunal Regional Federal rejeitaram pela segunda vez contestação do ministro. No mês passado, o tribunal determinou que o pedido de contestação fosse encaminhado a uma instância superior.
O ministro e testemunhas foram ouvidos no ano passado. As partes envolvidas já entregaram suas alegações finais na ação de improbidade, e o caso consta como pronto para sentença.
O Ministério Público Federal diz que o acordo entre uma universidade concessionária de serviço público e um deputado no exercício do mandato atenta contra 
a administração pública e acusa o hoje ministro de indicar pessoas para a concessão de bolsas.
Se for condenado, Padilha pode ser obrigado a devolver o dinheiro e a ter direitos políticos suspensos, a partir do momento em que não houver mais recursos.
FILANTROPIA
Na década passada, a universidade tentava reaver um certificado de filantropia que garante isenção de impostos.
No depoimento, Padilha disse que prestou consultoria para a implantação de polos de ensino à distância pelo país. O último contrato foi rompido em 2008.
Ele disse que, como tinha sido ministro anteriormente -comandou os Transportes no governo Fernando Henrique Cardoso- tinha experiência e sabia para que regiões direcionar as atividades da universidade.
O ministro confirmou que, em uma ocasião, chegou a pedir ao Conselho Nacional de Assistência Social que fosse colocado na pauta um processo que poderia beneficiar a Ulbra, mas diz ter feito isso "como parlamentar" em defesa dos interesses do Estado, de modo voluntário.
O recebimento dos valores por Padilha chegou a virar um inquérito no Supremo Tribunal Federal, arquivado em 2014 por falta de provas.
O despacho de arquivamento falava que era "notória a indefinição e generalidade" dos serviços contratados pela universidade, a ponto de nem o reitor saber informar a natureza do trabalho.
A Procuradoria-Geral da República, no entanto, não viu elementos que provassem tráfico de influência.
Na acusação que tramita no Rio Grande do Sul, o Ministério Público Federal questiona o fato de as notas fiscais emitidas pelas empresas na consultoria serem sequenciais.
Também afirma que o hoje ministro promoveu na Câmara uma homenagem para a Ulbra, na época em que sua consultoria era remunerada, e diz que ele articulou uma reunião entre representantes do Ministério da Fazenda e da universidade para discutir as dificuldades financeiras da instituição.
A Ulbra passou por uma grave crise e foi alvo de execução fiscal.
Também são réus na ação o ex-reitor Ruben Becker e um antigo sócio de Padilha, Luiz Alberto Rosa.
Por não envolver a esfera penal, esse tipo de ação pode tramitar na primeira instância e independe do foro privilegiado do ministro.
Um dos mais poderosos ministros de Temer, Padilha também se vê sob ameaça da Operação Lava Jato. Na delação do ex-executivo da OdebrechtCláudio Melo Filho, revelada em dezembro, ele foi citado 45 vezes.
OUTRO LADO
Procurada, a Casa Civil informou, via assessoria, que o posicionamento do ministro sobre o assunto está "nos autos do processo".
Na segunda instância, a defesa sustentou que a ação se baseia em provas que já foram consideradas nulas, como gravações telefônicas.
No depoimento, em 2016, Padilha disse que a lei não impede um deputado federal de exercer uma atividade de consultoria. Naquela época, disse o peemedebista, a universidade não era classificada como entidade beneficiária de assistência social.
O ministro afirmou que os serviços foram prestados à universidade e que a instituição conseguiu ampliar seus polos de ensino à distância no período em que atuou.
Suas atividades, disse na ocasião, eram de aconselhamento empresarial.
"Parte do que eu prestava era EAD [ensino à distância], a outra parte era aquilo que a universidade me demandasse do que poderia ser campo do meu conhecimento e que eu conhecesse, porque estive muitos anos em Brasília", disse ao juiz, em 2016.
Ele disse que estava com frequência em contato com o reitor e com professores, "da forma que eles exigiam".
Padilha negou ainda ter indicado pessoas para concessão de bolsas.
Folha procurou os advogados de Padilha no Estado, que não responderam.
O ex-reitor, em depoimento, disse que o acordo com o hoje ministro não teve participação sua e que assinou contratos porque era "obrigação" sua. Luiz Alberto Rosa negou irregularidades.

Temer quer financiar atuação de empresas estrangeiras no Brasil




FONTE:




Por Joana Rozowykwiat
 
Do Portal Vermelho 
 
 
O presidente Michel Temer diz que não há dinheiro para gastos sociais, mas quer financiar, com verbas públicas, a atuação de empresas estrangeiras no Brasil. Decreto assinado por ele, na semana passada, possibilita que o Tesouro e bancos públicos concedam crédito ao capital internacional para atuar agora em quase todos os setores econômicos. A benesse sinaliza o caráter antinacional e subalterno da gestão. 
 
Sem alarde, foi publicado no Diário Oficial da União o decreto Nº 8957, que amplia drasticamente os setores da economia considerados de "alto interesse nacional". Com isso, empresas de capital estrangeiro que atuam em quase todas as áreas poderão receber crédito e financiamento de fundos e bancos públicos brasileiros. O governo, que aposta num processo de privatização e internacionalização da economia, agora abre as portas para que isso seja feito, em praticamente todos os setores, com dinheiro público.

A mudança remete à Lei de Capitais Estrangeiros (Lei 4.131/1962). Tal norma determinou que o Tesouro Nacional e as entidades oficiais de crédito público da União e dos Estados só poderiam conceder e garantir empréstimos, créditos ou financiamentos a empresas estrangeiras quando estas atuassem em setores de atividades econômicas de “alto interesse nacional”.

Naquela época, com um projeto nacionalista em curso, pouquíssimas eram as áreas enquadradas nessa classificação, o que impedia abrir a maioria dos segmentos à concorrência estrangeira plena.

Em 1997, contudo, o então presidente Fernando Henrique Cardoso publicou o decreto Nº2233, que ampliava o escopo daquilo que era considerado “alto interesse nacional”. Isso facilitou o acesso do capital internacional aos recursos públicos em atividades específicas, como telefonia, setor automotivo, saneamento e algumas áreas de infraestrutura. Era parte do processo neoliberal de privatizações e abertura ao capital estrangeiro que tanto custou ao país.

Agora, com o decreto de Temer, a investida de FHC foi amplificada de forma gritante. Praticamente todos os setores da economia viraram de “alto interesse nacional”. De atividades ligadas a petróleo e gás natural, saúde e educação, até comércio, têxtil e tecnologias de informação e comunicação, quase tudo estará sujeito à participação estrangeira, com recursos subsidiados por bancos públicos.

De acordo com o doutor em economia Paulo Kliass, as mudanças contidas no decreto são “absurdas”. Para ele, não faz sentido que segmentos como o de têxteis, por exemplo, sejam considerados de “alto interesse nacional”, garantindo que estrangeiros possam receber verbas públicas para atuar nesse setor. “O decreto ampliou individualmente cada uma das áreas, abrindo por segmento, e incluiu novas áreas, que provavelmente foram objeto de lobby, como é o caso de petróleo e gás. A exceção agora são os setores que não se enquadram, é uma inversão completa”, diz.

Segundo ele, o ato de Temer torna ainda mais grave uma situação na qual vários setores estratégicos já estão abertos à concorrência do capital estrangeiro. “Já houve outras medidas que já autorizaram o capital estrangeiro a entrar, por exemplo, no petróleo, na saúde, na educação. O que o decreto faz é que, uma vez estando dentro, o capital estrangeiro tenha acesso a uma série de benesses que a legislação não permitia antes”, afirma.

A mudança ocorre em total sintonia com a estratégia da equipe econômica de Temer, que aposta todas as fichas da retomada do crescimento econômico através de licitações, concessões e privatizações nas áreas de infraestrutura e energia.

Vale lembrar que no ano passado, o Congresso aprovou projeto que pôs fim à exclusividade da Petrobras na exploração do pré-sal, abrindo as portas para empresas estrangeiras atuarem livremente na área. Desde que o presidente da estatal, Pedro Parente, assumiu o cargo, também ficou clara sua intenção de acabar com a política de conteúdo local na empresa. E, recentemente, a companhia abriu processo de licitação para a construção de uma unidade de processamento de gás natural no Rio de Janeiro, para o qual convidou apenas empresas estrangeiras. As nacionais ficaram de fora. São iniciativas que vão na mesma direção.

“Você está fazendo todo um esforço para o capital estrangeiro entrar no Brasil, porque, do ponto de vista desse governo, essa é a saída: aprofundar a privatização e a internacionalização. E, ainda por cima, para que eles se interessem pela gente, você oferece - além dos juros altos e das condições favoráveis nos processos licitatórios -, recursos do Tesouro, crédito facilitado do BNDES, do Bando do Brasil, da Caixa e do que mais for de instituição pública disponível. Tudo para facilitar a vida do capital estrangeiro”, ressalta o economista.

O agrado ao capital internacional acontece em detrimento das empresas nacionais e, principalmente, apesar do alegado sufoco fiscal pelo qual passa o país. “O governo diz: ‘não tenho dinheiro para saúde, educação, tem que fazer reforma da previdência senão o país não suporta, tem que ter a PEC do fim do mundo para 20 anos’. Mas, ao mesmo tempo, tem dinheiro para o BNDES financiar o fundo norte-americano, japonês ou europeu que quiser operar nesses setores que não têm nada de ‘alto interesse nacional’”, compara Kliass.

Segundo ele, trata-se claramente de um “processo de lobby para conseguir recursos público a custo barato, comprometendo o que seria mais importante, que seria o crédito público ir, não só para empresas nacionais, mas para áreas que sejam consideradas prioritárias e, não, para o comércio varejista, por exemplo”, completa.

Na avaliação do economista, se o governo acha que é importante a presença do capital estrangeiro no Brasil, deveria, ao menos, fazer com que ele traga seus próprios recursos ao país. “O que não pode é o Brasil, em meio a um esforço fiscal enorme, uma crise, oferecer benesses para um capital localizado fora daqui, que vai levar embora todo o seu retorno, na forma de remuneração de seu acionista que está lá fora e, não, aqui dentro”, condena.

Kliass chama a atenção para a contradição na ação governamental pós-golpe. “Você está facilitando crédito público em um momento de contração fiscal, em que todas as áreas sociais do orçamento estão comprometidas, mas você libera geral nessas áreas que não são de maneira nenhuma consideradas de alto interesse nacional, do ponto de vista da segurança estratégica do país. E, principalmente, você está dando esse recurso para um residente no exterior e, não, ajudando a recuperar a economia brasileira com agentes nacionais, o que seria importante num momento de crise como a gente está vivendo”, reitera.

Na prática, as mudanças promovidas por Temer atendem aos interesses do capital estrangeiro e vão no sentido de reduzir o papel do Estado. “É a opção que o governo está fazendo: privatização, desmonte do Estado e internacionalização da economia. O que antes era capital nacional, área sob responsabilidade do Estado, passa a ser atributo do capital privado e, de preferência, do capital privado internacional. Então, se esse povo precisa de dinheiro e quero que eles venham para cá, vou oferecer todas as condições – ainda que seja prejudicando a soberania nacional, prejudicando o país e a maioria da população”, avalia Kliass.

Os governos do PT costumam receber muitas críticas por conta da adoção da chamada política dos “campeões nacionais” – por meio da qual o governo concedeu crédito subsidiado para fortalecer empresas brasileiras.

“Você pode até fazer a crítica da forma como isso foi feito. Só que, agora, se inverte. O governo brasileiro vai dar dinheiro para os “campeões internacionais”. É um absurdo! Vai uma empresa brasileira pedir recurso público ao governo norte-americano! Ou ao governo da França! Eles não dão, porque esses países têm um projeto nacional. O governo norte-americano defende a economia norte-americana. E nós, aqui, assumimos o papel subalterno, bajulador, e estamos oferecendo recursos públicos brasileiros, de um país em crise, para o capital internacional. Tem sentido?”, questiona o economista. 

Serra retoma a entrega de Alcântara aos Estados Unidos, por J. Carlos de Assis




FONTE:
http://jornalggn.com.br/noticia/serra-retoma-a-entrega-de-alcantara-aos-estados-unidos-por-j-carlos-de-assis



Por J. Carlos de Assis

Foto-montagem: CartaCapital


Acordei nesta manhã com a notícia de que o Governo brasileiro está negociando secretamente um acordo com os Estados Unidos para utilização da Base de Alcântara. Para quem não sabe, Alcântara é a localização mais estratégica do mundo, do ponto de vista miliar e político, para lançamento de foguetes. Um acordo secreto, conforme noticiado, daria aos americanos enormes vantagens. Em primeiro lugar, atenderia a seu desejo explícito de não deixar o Brasil desenvolver uma tecnologia própria de foguetes. Em segundo lugar, impediria um eventual acordo brasileiro com outra potência na área, por exemplo, a Rússia.
O Governo brasileiro tentou desenvolver tecnologia de foguetes num acordo com a Ucrânia que, tendo sido uma das repúblicas soviéticas, estava em condições de oferecer uma parceria vantajosa ao Brasil. Como se sabe, só a Rússia, como herdeira dos soviéticos, tem tecnologia aeroespacial comparável à dos EUA, o que de alguma forma compartilhava com a Ucrânia. Entretanto, a Ucrânia sofreu um golpe de Estado comandado pelos americanos, que exigiram o fim do acordo com o Brasil, conforme informações do WikiLeaks. Além disso, em 2003, Alcântara sofreu um acidente devastador destruindo instalações e dezenas de vidas.

O “acidente” de Alcântara nunca foi claramente explicado. Só interessava aos EUA. Considerando que os americanos tem tecnologia suficiente para invadir o Palácio Planalto e o prédio da Petrobrás para coletar informações, não pode ser atribuído exclusivamente aos teóricos da conspiração a ideia de que houve, sim, um atentado para evitar o desenvolvimento tecnológico brasileiro na área de foguetes. Os que sofrem do “complexo de vira-latas” podem subestimar essa considerações dizendo que um país como os EUA, forte e rico, jamais se preocuparia em bloquear o desenvolvimento de uma nação tão insignificante como o Brasil.
Entretanto, como explicar os telegramas do embaixador americano na Ucrânia manifestando sua oposição ao acordo com o Brasil? Mais do que isso: por que a Ucrânia se desinteressou do acordo tão logo assumiu um novo governo apoiado num golpe nazista direcionado contra a Rússia, que os neoconservadores americanos consideram inimiga? Tudo isso é muito suspeito. E mais suspeito ainda é a pouca informação que a sociedade brasileira teve a respeito. Aparentemente as autoridades americanas “ajudaram” nas investigações para esclarecer o acidente ficando na confortável situação de acobertar o que lhes interessava.
Agora, colhendo os frutos do “acidente”, os americanos obtiveram do ministro das Relações Exteriores, José Serra, a sugestão de retomar o acordo de forma próxima do que foi rejeitado pelo Governo Lula antes do acordo com a Ucrânia. A sujeição é total. Perderemos a soberania sobre a base. Nada de parceria tecnológica. O comando pleno das instalações passa a ser dos Estados Unidos – naturalmente, de suas Forças Armadas. Todos os resultados financeiros serão de propriedade americana. De um lado estará o patriotismo de Trump, do outro nossa subjugação total a uma potência estrangeira. Aos oficiais da Força Aérea Brasileira restará cuidar do serviço de limpeza, juntando-se aos oficiais do Exército e da Marinha que estão cuidando dos presídios.


TUCANOS VÃO EM CANA QUANDO MICHELZINHO VOLTAR DE HARVARD



FONTE:
https://www.conversaafiada.com.br/politica/tucanos-em-cana-quando-michelzinho-voltar-de-harvard



Morte de Teori será usada para destruir a Lava Jato

FilaDeEspera.jpg
O excelente repórter Mario Cesar Carvalho - um dos sobreviventes dessa categoria que foi extinta com a queda do cometa da eleição do Lula, em 2002 - mostra na Fel-lha que "atraso da Odebrecht terá efeito cascata na Lava Jato".
"Delações de OAS, Andrade e Camargo (onde abundam - não mexa, revisor! - tucanos e roedores do Palácio do Planalto), além do processo no TSE, serão afetados."
Também deve atrasar a ação que corre no TSE sobre as contas da chapa Temer-Dilma, prevê Mario Cesar.
(E, aí, corre-se o risco, gravíssimo, de não dar tempo de o Ministro Gilmar Mendes participar da votação, porque ele deixa a presidência do TSE, onde se comporta com invejável e Republicana isenção, em abril de 2017.)
(Há também o risco de até lá ele não se recuperar da crise de labirintite que o aflige em Lisboa.)
Portanto, o Governo do "MT", segundo a lista de alcunhas da Odebrecht, seguirá imaculado até o fim.
E os peemedebistas e tucanos só serão julgados quando Michelzinho voltar de Harvard com um PhD!
Em tempo: quem sabe ele não se beneficiará do sistema de bolsas em Harvard financiado pelo caridoso Jorge Paulo Lemann, sócio da filha do Padim Pade Cerra numa sorveteria?
PHA
Folha.jpg

O QUE O MORO FOI FAZER NO VELÓRIO?​



FONTE:
https://www.conversaafiada.com.br/brasil/o-que-o-moro-foi-fazer-no-velorio-200b


Juiz fazer pronunciamento em velório? Não é uma esculhambação?

Velorio.jpeg
cachalote, aquele em quem o professor Belluzzo identificou traços do "sábio idiota", foi a Porto Alegre para o velório do Ministro Teori.
"Nem tudo está perdido", disse Moro, de forma enigmática.
"Tudo", o que?
A prisao do Lula para que não seja candidato em 2017 ou 18?
Ou a jurisprudência do "não vem ao caso", no caso de tucanos gordos?
Será que o Moro encontrou no velório o Careca, o "MT", da lista de alcunhas da Odebrecht?
Encontrou aquele que o ACM chamava de Eliseu 'Quadrilha'?
Sorriu, saudou e saiu, ou os cumprimentou efusivamente, como faz quando encontra o Mineirinho na festa da QuantoÉ?
Moro teria feito no velório "um pronunciamento"!
"Pronunciamento" em velório, assegura a Fel-lha.
De fato, isso aqui virou - como diz o Ricardo Melo - uma esculhambação: juiz fazer "pronunciamento" político em velório.
Já não bastam os pronunciamentos políticos que ele emite em sentenças...
Moro disse que Teori era um herói!
"Herói" por que?
Porque nao fazia política.
Porque não iria ao velorio do Moro?
Porque mandou desqualificar aquele ato criminoso do Moro - o vazamento de um telefonema da Presidenta da República com o cidadão Luis Inacio Lula da Silva?
Crime que, em qualquer país medianamente civilizado, o desqualificaria para continuar a "julgar"?
O Juiz Moro, por acaso, mantinha relações de amizade com o Ministro Teori e ninguém sabia?
O que, apenas, justificaria sua ida ao enterro.
Porque se não era amigo do Ministro Teori e, portanto, jamais seria convidado para tomar assento naquele avião, se não fosse, não tinha nada que ir ao velório.
Ou será que foi fazer política?
A mesma política que exemplarmente tenta punir?
PHA

LAVA JATO DO TEORI NÃO É A DO MORO


FONTE:
https://www.conversaafiada.com.br/brasil/lava-jato-do-teori-nao-e-do-moro


Janio: Lava Jato e Globo fizeram o país da bandalheira

Doutor.jpg
Conversa Afiada reproduz notável, irretocável artigo de Janio de Freitas, na Fel-lha, a mesma Fel-lha em que o Elio Gaspari usa a morte do Teori para inocentar a Operação Condor e seu Mestre, o Geisel, dos assassinatos de JK e Jango.
Fazer o que?
Lava Jato que existe não é a desejada por Teori

As mortes, as incógnitas da Lava Jato, a alteração perigosa na formação do Supremo –tudo isso em um só desastre, e a esta fase do Brasil ainda pareceu pouco. Com motivo justificado pelo próprio acúmulo do desastre, o pasmo foi depressa sucedido por suspeitas, apesar da ausência de indício imediato. Hoje em dia, suspeitas são o mais típico sentimento dos brasileiros.

As suspeições que se tornaram públicas foram acompanhadas de um curioso pormenor: com poucas exceções, foi evitada a palavra definidora do suposto –atentado. Os pedidos de investigação criteriosa, especial, meticulosa, indispensável, e por aí, jorraram com rapidez, entre o exótico pudor vocabular e o impulso dado pelas circunstâncias.

Teori Zavascki era, sim, passível de sofrer um atentado. Embora o Brasil não tenha tradição em atentados políticos fora dos períodos ditatoriais, como a têm os Estados Unidos e alguns países latino-americanos.

Havia o risco e a consciência dele: além do seu recolhimento natural, o relator da Lava Jato contava com proteção pessoal constante. 

As possibilidades de atentado no avião seriam remotas e propensas a outras causas, como sugerem as condições do desastre sob chuva forte, visibilidade reduzida, sem copiloto, últimos dois quilômetros de voo. Ainda assim, só uma perícia competente dará a resposta.

Mas o acréscimo aos males do desastre não espera por ela. Aqui e fora. Lá, Rodrigo Janot e Henrique Meirelles, submetidos ao frio suíço, esquentaram suas declarações com dados interessantes.

O primeiro não só negou que a Lava Jato afaste investidores, como sustentou que "é justamente o contrário. Atrai investidores porque gera segurança jurídica".

Entre os possíveis méritos da Lava Jato não há contribuição alguma para a segurança jurídica. Os "investidores" só vêm buscar o lucro fácil dos juros nas alturas e as pechinchas nas "liquidações" de empresas, de jazidas de petróleo e de partes da Petrobras.

Ao inverso do que Janot propaga, o escândalo que associou Lava Jato e imprensa/TV fez do Brasil, ao olhar do mundo, o país da bandalheira. A mudança do tratamento ao Brasil é drástica, o que se pode confirmar a cada dia tanto na imprensa estrangeira como na internet.

Agora, com um acréscimo arrasador: a presunção de assassinato com atentado político. Como meio de atrasar ou desviar processos da Lava Jato, a mesma que, segundo Janot, "traz segurança jurídica".

Henrique Meirelles, por sua vez, disse lá que o crescimento econômico estará de volta já ao fim do primeiro trimestre, fim de março. O problema da segurança jurídica, vê-se, começa pela que falta às afirmações das chamadas autoridades brasileiras. Lá e cá.

Entre as louvações à memória de Teori Zavascki, a de Sergio Moro teve a relevância de atribuir ao ministro a existência da Lava Jato.

Mas a que existe não é, por certo, a Lava Jato desejada por Teori Zavascki. Foram muitas as suas críticas aos "vazamentos" dirigidos.

Não escondeu suas irritações com vários procedimentos de Moro, sobretudo com a gravação e divulgação de conversa da então presidente Dilma com Lula, que o ministro trancou sob sigilo de justiça.

Na véspera do recesso judicial, Teori Zavascki fez a exceção de uma breve entrevista: criticou a Lava Jato, aborrecido com o "vazamento" de delações da Odebrecht.

Para dar sentido ao que disse, Sergio Moro precisaria corrigir o criticado por Teori Zavascki.

Seria então a Lava Jato de quem, disse Moro, a fez existir. Mas talvez não fosse mais a Lava Jato de Sergio Moro.

Crise na UERJ: Safatle rebate Barroso


FONTE:
https://www.conversaafiada.com.br/brasil/crise-na-uerj-safatle-rebate-barroso


"É o fracasso da sociedade"

Mendonda.jpeg
Conversa Afiada reproduz o artigo do professor Vladimir Safatle, na Fel-lha:
O problema da UERJ é a expressão crua do fracasso da sociedade do país

A Universidade Estadual do Rio de Janeiro, uma das mais importantes universidades do país, com cinco campi e 35 mil alunos, está ameaçada de fechar por falta de repasse de verbas. O início de suas aulas foram adiadas devido à ausência absoluta de condições.

Já no ano passado, vimos a cena desesperada de alunos e professores arrecadando cestas básicas para oferecer a funcionários com meses sem receber salários.

Longe de ser um caso isolado, a UERJ é apenas o exemplo mais dramático da situação da educação brasileira pública. Um país que leva universidades ao ponto de fechamento, sem causar nenhuma indignação social efetiva, é um país arruinado. Por isso, há de se dizer que o problema da UERJ não é apenas de seus professores e alunos. Ele é a expressão crua do fracasso puro e simples da sociedade brasileira.

Há dias, um ministro do Supremo Tribunal Federal, o sr. Roberto Barroso, achou por bem tecer considerações sobre o problema afirmando que deveríamos repensar o sistema público de ensino, de preferência apelando a um modelo de financiamento privado. No que ele expressa a opinião de alguns, para quem a educação deve aceitar não ser mais uma prioridade efetiva dos Estados, pois dinheiro não há.

É impossível não ver certa ironia em um representante do Poder Judiciário -o mesmo poder que recebeu, no meio da crise econômica que assola o país, aumento de seus salários monárquicos (causando um impacto de R$ 4,7 bilhões a menos só em 2017)-, falar que há de se aceitar que o Estado não tenha R$ 1,1 bilhão para garantir o orçamento de uma das nossas mais importantes universidades.

Alguém poderia começar por tentar explicar o que era, de fato, mais prioritário ao país: aumentar salários de desembargadores, juízes e afins ou garantir o funcionamento de nosso sistema público de ensino, levando a União a financiar universidades públicas (mesmo que estaduais) combalidas. Como se vê, o problema não é a falta de dinheiro. O problema é: para quem o Estado é, de fato, um Estado mínimo.

Mas tenhamos uma visão de conjunto. No mesmo momento em que o sistema de pesquisa e ensino brasileiro é desmontado, recebemos, graças a Oxfam, a notícia de que as oito maiores fortunas do mundo equivalem aos rendimentos de, simplesmente, metade da população mais pobre do planeta. Alguém poderia se perguntar o que esses dois fatos têm em comum. Eu diria: há uma relação profunda de causa e efeito.

Para que possamos chegar à situação repugnante de oito pessoas terem uma riqueza equivalente ao trabalho da metade mais pobre da população do planeta é necessário, ao menos, dois fenômenos.

Primeiro, uma desqualificação do trabalho manual e seus frutos, com claros interesses de espoliação. Não é apenas a concentração imoral de renda que choca, mas o caráter fictício do valor, que faz do trabalho manual, fundamental para a reprodução material da sociedade global, algo pago apenas no limite da sobrevivência da mão de obra.

Para que essas pessoas sejam ricas, é necessário que o trabalho que está na base da produção seja brutalmente desvalorizado.

Isso pode chegar ao extremo. Lembrem como um dos oito afortunados é dono da Zara, a mesma empresa denunciada, inclusive no Brasil, por se aproveitar de trabalho escravo. Assim se fazem as fortunas.

Um comentarista afirmou, com um tom de condescendência, que Bill Gates (outro afortunado) usa sua fortuna para programas de eletrificação na África. Bem, mas os africanos não precisam da filantropia de Bill, eles precisam apenas de preço justo para seus produtos.

O segundo fenômeno em questão é a demissão do Estado de sua responsabilidade social. Warren Buffett (outro afortunado) chegou a escrever artigos anos atrás dizendo que milionários como ele deveriam pagar mais impostos e que não conseguia entender por que era tão bem tratado pelo fisco do seu país.

Bem, Warren, enquanto pessoas como você são agraciadas, principalmente no Brasil, com o sorriso cúmplice do fisco e dos governos, universidades públicas são fechadas por falta de verba. Mas há sempre aqueles que se identificam com o agressor e julgam que nada disso vale uma batida de panela.