segunda-feira, 28 de março de 2016

Cuca pede reforços e admite crise: "Tomara que seja o fundo do poço"



Técnico chega à quarta derrota consecutiva, prega união entre torcida e clube e rechaça "super time" ao ser questionado sobre elenco do Palmeiras




Por
Presidente Prudente, SP




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Cuca segue sem vencer no Palmeiras. Com a goleada por 4 a 1 sofrida para o Água Santa, neste domingo, em Presidente Prudente, o técnico chegou a quatro derrotas em quatro jogos disputados à frente do Verdão e admitiu: a crise, hoje, é uma realidade para a equipe.

– A culpa tem de ser dividida entre todos. Você tem de ter colhão, não é fácil. Eu me lembro quando jogava, é difícil. Os jogadores têm de ter auto-confiança voltada para eles. São passes fáceis que erramos, jogadas que geralmente são fáceis de cortar e tomamos gol. Isso tudo vai passar, mas temos de viver a verdade. Nosso momento é muito crítico – afirmou, em entrevista coletiva. 
Do ano passado para cá, o Palmeiras contratou 33 jogadores. Neste ano, foram oito reforços. Cuca não acredita que o elenco seja o ideal. O técnico pretende fazer ajustes no grupo ao longo da temporada.

– O pensamento tem de ser igual, não adianta pensar que tem um super time. Temos um bom time, vamos parar por aí. Requer ajustes, com o Alexandre (Mattos), o presidente em cima disso. Assumo toda a responsabilidade da derrota, o culpado maior sou eu, mas também não gosto de perder.




O técnico repudiou a invasão de torcedores organizados à Academia de Futebol durante o treino de sábado e pediu união ao clube em todos os âmbitos: desde a torcida, passando pela comissão técnica, até a diretoria, para encerrar a péssima fase atravessada atualmente.  
– O Palmeiras tem de pensar em conjunto, tem de se unir, fortalecer. Tem de entender que tem de melhorar com o que tem aqui e trazer mais jogadores para buscar título, que não vai ser de uma hora para outra, com toque de mágica. Vai ter de ter muito trabalho e compreensão de todas as partes: diretoria, comissão técnica e torcedor – argumentou o comandante. 
– Para entendermos esse momento horrível que estamos passando e tirarmos disso uma saída. Tomara que tenha chegado ao fundo do poço, porque de lá não passa. E se não chegou ainda, tem mais para ir. Talvez não agrade muita gente, mas eu falo de coração.

O Palmeiras volta a campo na próxima quinta-feira, às 20h30 (horário de Brasília), contra o Rio Claro, no estádio do Pacaembu. Restam três jogos pela primeira fase do Campeonato Paulista: o Verdão ainda encara Corinthians e Mogi Mirim. 

Cuca Palmeiras (Foto: José Luis Silva / Estadão Conteúdo)
Cuca no jogo deste domingo, em Presidente 
Prudente (Foto: José Luis Silva / Estadão 
Conteúdo)



Veja a coletiva na íntegra:

É hora de jogar como time pequeno?

– Você não pode pensar assim. Quando você está em um time grande, tem de ter a consciência de que a responsabilidade é sua de jogar na frente, marcar pressão, como nós fizemos no começo do jogo. O problema é que quando você vai perdendo gols, vai criando uma instabilidade emocional maior do que já está, perdendo a confiança.

O que está faltando ao time?
– Uma ou duas chances que o adversário tem estão entrando. Hoje foi assim. No primeiro tempo tiveram quatro chances e fizeram três gols. Jogamos com um volante mais fixo, que era o Thiago (Santos), um segundo que era o Arouca, então fomos mais precavidos para dar uma estabilidade maior para a defesa. E tomamos três gols. Depois, só com o Arouca, tomamos um. E ainda contra, na bola parada.

Erros do time
– Tomamos o gol quarta-feira do Roger, hoje mais um por marcar errado. Mudamos a marcação, colocamos por zona, e acabamos fazendo um auto gol. São coisas que, se você levar ao pé da letra, vai criando um estado anímico negativo, e o jogador vai se afundando. Por mais que eles tentem, o adversário explora bem, e a gente acabou perdendo gols. Fizemos tudo que podíamos em termos de troca, não tínhamos muitas opções em virtude de ter perdido jogadores para a seleção, por lesão e suspensos.

Atitude para o momento
– O que se pode dizer? Tem de ter equilíbrio. Eu sei o que posso fazer em termos de arrumar equipes. O pensamento tem de ser igual, não adianta pensar que tem um super time. Temos um bom time, vamos parar por aí. Requer ajustes, com o Alexandre, o presidente em cima disso. Assumo toda a responsabilidade da derrota, o culpado maior sou eu, mas também não gosto de perder. É ruim. Tivemos uma invasão ontem, acho um erro enorme, mas ainda bem que foi ontem. Já pensou se fosse amanhã? Não podemos só olhar um lado, os caras estão vendo que as coisas não andam, estamos quase na zona de rebaixamento do Paulista. Foi uma anormalidade, mas vieram com respeito, tentaram entender o que estava havendo com buchicho de divisão de grupo.

O que o clube deve fazer
– O Palmeiras tem de pensar em conjunto, tem de se unir, fortalecer. Tem de entender que tem de melhorar com o que tem aqui e trazer mais jogadores para buscar título, que não vai ser de uma hora para outra, com toque de mágica. Vai ter de ter muito trabalho e compreensão de todas as partes: diretoria, comissão técnica e torcedor.

Compreensão do grupo
– Para entendermos esse momento horrível que estamos passando e poder tirar disso uma saída. Tomara que tenha chegado ao fundo do poço, porque de lá não passa. E se não chegou ainda, tem mais para ir. Talvez não agrade muita gente, mas eu falo de coração.

Relação com a torcida e momento do time
– Foi o que falamos hoje na preleção: "Pessoal, hoje é Páscoa, é o nascimento do Cristo". Expliquei que significa o ovo. Passei que hoje era o dia de começar uma vida nova, mesmo com um time muito jovem. É o Erik, o Allione, João Pedro... São meninos, não podemos jogar a responsabilidade neles. Como eu disse para os caras da torcida: "Vocês querem jogar um peso nesses meninos maiores do que eles já têm? Vocês acham que brigando vão resolver alguma situação?" Temos de ser o mediador dessas situações, para que a torcida entenda esse momento ruim. Ficar sem a torcida é pior. Se ela se virar contra, vai ser pior. Uma coisa puxa a outra. Não é só problema de jogador, torcedor, técnico. São diversas coisas que, reunidas, levam a gente a fazer jogos ruins, em virtude da instabilidade emocional que o time vive. Toma o gol, tem um esforço enorme para fazer eles reagirem e entenderem que isso é do jogo. E bons jogadores que temos. Temos de recuperar a auto-estima para buscar alternativas para fortalecer. Tem de ver se o meu sentimento bate com a diretoria e da presidência, tomara que sim.

Algum jogo é exemplo?
– Não teve um jogo que você pegasse e dissesse: "O Palmeiras jogou bem". Contra o São Paulo foi o segundo tempo. As vitórias mesmo foram difíceis, complicadas. Não tem um problema pra você dizer: “É esse”. Tem se unir de dentro para fora, de fora para dentro, em todos os sentidos. E não é pouca coisa.

Mais sobre torcida
– Você tomar 4 a 1 de um Água Santa, que está beirando a zona de rebaixamento... Não posso querer que alguém sorria para mim. É natural, a gente mexe com a emoção de milhões de pessoas. Quando decepcionamos, como estamos decepcionando, vai ter uma reação. Temos de entender isso.

Legado de Marcelo Oliveira
– Seria covardia hoje eu me referir, jogar em um profissional a responsabilidade do fracasso que estou tendo. Se isso não está ocorrendo, é de forma interna que se resolve. Eles já fizeram grandes trabalhos, são de altíssimo nível. A culpa é nossa. É falta de tempo para treinar, de entender uma filosofia que estamos tentando por. Pode ser um erro meu insistir em alguma situações também, temos de assimilar. O mais importante é se unir. Na hora ruim é fácil culpar três, quatro. A culpa tem de ser dividida entre todas. Você tem de ter colhão, não é fácil. Eu me lembro quando jogava, é difícil. Os jogadores têm de ter auto-confiança voltada para eles. São passes fáceis que erramos, jogadas que geralmente são fáceis de cortar e tomamos gol. Isso tudo vai passar, mas temos de viver a verdade. Nosso momento é muito crítico.

Clássico contra o Corinthians
– O melhor jogo que tem é o clássico, porque é um divisor. Podia ser já. É outro mundo, outro universo. O jogador joga aquilo como deveria jogar os jogos de menor intensidade, com times do interior. Essa regularidade o Palmeiras não conquistou, mas jogos grande jogou quase todos bem e venceu a maioria deles. O que me preocupa é a falta de regularidade. Não adianta jogar meio tempo bom e alguns esporádicos momentos bem. Não temos constância de equipe equilibrada. Tem de dividir um pedacinho cada um, que dói menos.

Cuca Palmeiras (Foto: Cesar Greco/Ag Palmeiras/Divulgação)
Cuca entre os jogadores do Palmeiras neste 
domingo (Foto: Cesar Greco/Ag Palmeiras/
Divulgação)


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