terça-feira, 8 de abril de 2014

Sindicato apoia greve, e operários do Parque Olímpico fazem passeata

Grupo de trabalhadores simpatizantes ao Sindicato da Construção Leve fecha parte da via Abelardo Bueno; outros seguem querendo o Sindicato da Construção Pesada


Por Rio de Janeiro


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O panorama não mudou. Depois de uma segunda-feira tumultuada, com tiros e correria nas obras do Parque e da Vila Olímpica dos Jogos de 2016, os operários continuam sem trabalhar no local. Nesta terça-feira, os grevistas voltaram a bater ponto, às 6h30m, mas sem retomar as obras. Agora, o movimento passa a ser oficialmente coordenado pelo sindicato da construção leve, que vai protocolar a greve junto ao Ministério do Trabalho com as assinaturas colhidas no canteiro de obras, provas das condições de trabalho e reivindicações. Por enquanto, o único ponto de concordância com a concessionária Rio Mais, responsável pelos trabalhos, foi em relação à produtividade. Os demais pedidos não foram atendidos.

Greve no Parque Olímpico  (Foto: Thierry Gozzer)
Parte dos operários sai em passeata na 
Avenida Embaixador Abelardo Bueno 
 (Foto: Thierry Gozzer)

Por volta das 7h da manhã, os operários que apoiam o Sindicato da Construção Leve saíram em passeata pela Avenida Aberlado Bueno, fechando uma das faixas na direção da Ayrton Senna, uma das principais rotas de saída da Barra da Tijuca. A outra parte dos operários, que quer o Sindicato da Construção Pesada como representante dos trabalhadores, não participou da passeata, apenas permanecendo em greve na frente do local das obras.

- O sindicato leve é o único que pode nos apoiar legalmente e abraçou a nossa causa. Inclusive, pedindo tudo que nós havíamos pedido através da construção pesada. Então temos que fazer a greve unidos para que nós possamos conseguir todos os direitos - disse o operário Marcos Vinícius Alves, da comissão de greve. 


Greve no Parque Olímpico  (Foto: Thierry Gozzer)
Outra parte, que não concorda com o 
Sindicato da Construção Leve, montou 
acampamento em frente à obra
(Foto: Thierry Gozzer)

Os operários pedem aumento de salário, do tíquete de alimentação, plano de saúde também para a família, horas extras de 100%, programa de produtividade, folgas de campo a cada 90 dias, entre outros benefícios. Além disso, alguns desejam que o Sindicato da Construção Pesada (Sitraicp) passe a representá-los junto às empreiteiras responsáveis pelas obras do Parque e da Vila Olímpica. Atualmente, os funcionários da obra recebem tíquete de R$ 180, que será ampliado para R$ 200 em setembro, de acordo com o aprovado na campanha salarial de março. Agora, porém, o Sindicato da Construção Leve acena com a intenção de lutar pelo valor de R$ 300 para os operários. Alguns operários, entre eles serventes, receberiam apenas uma passagem por dia, mesmo morando em regiões distantes, como Duque de Caxias.

Greve no Parque Olímpico  (Foto: Thierry Gozzer)
Operários recebem instruções do 
sindicato antes da passeata 
 (Foto: Thierry Gozzer)



Greve no Parque Olímpico  (Foto: Thierry Gozzer)
Polícia foi acionada para acompanhar a 
manifestação (Foto: Thierry Gozzer)

Parte dos operários, porém, não querem ser representados pela Construção Leve. Seguem preferindo o Sindicato da Construção Pesada, mesmo a obra do Parque Olímpico sendo enquadrada, por lei, ao outro sindicato.

- Estamos há quase dois anos aqui na obra e nunca fomos ajudados pelo Sindicato da Construção Leve. Agora que começamos a paralisação eles aparecem para nos apoiar? - frisou um dos operários que não acompanharam a passeata, mas que preferiu manter-se em anonimato.

Durante a manhã, antes da passeata, um dos pontos tocados pelo Sindicato da Construção Leve e muito debatido pelos operários era relacionado a um funcionário que teria sido demitido na segunda-feira. Conhecido na obra como "Mamão", ele seria uma dos nomes atuantes na greve e segundo os operários, teria sido coagido por seguranças a assinar sua demissão dentro do Parque Olímpico. Os operários querem que "Mamão" seja recontratado pela Rio Mais.

Greve no Parque Olímpico  (Foto: Thierry Gozzer)
Operários discutem entre si na porta do 
Parque Olímpico (Foto: Thierry Gozzer)

Greve não tem ligação com a Construção Pesada
Com a greve de quase 3 mil trabalhadores, todas as obras do Parque Olímpico estão paralisadas. A interrupção do trabalho começa a prejudicar, inclusive, o fornecimento de materiais para as obras. A concessionária reconhece apenas o Sindicato da Construção Leve como representante legítimo dos trabalhadores, e o próprio presidente do Sindicato da Construção Pesada, Nilson Dias, garantiu que a paralisação no Parque e na Vila Olímpica não tem ligação com a greve geral convocada a partir da meia-noite desta segunda para as obras da Transcarioca, Transolímpica, entre outras obras de infraestrutura.  

Na segunda-feira, a concessionária Rio Mais lamentou a confusão no Parque Olímpico e prometeu uma ação. A Rio Mais garante que segue negociando com o Sindicato da Construção Leve, único representante legal dos operários, e espera uma solução em breve. A concessionária ainda não se posicionou sobre a greve nesta terça-feira.

Operários Parque Olímico Rio 2016 (Foto: Thierry Gozzer)
Operários do Parque Olímpico Rio 2016 
recebem informativo do Sindicato da 
Construção Leve (Foto: Thierry Gozzer)

Parque Olímpico (Foto: Thierry Gozzer)
Obras seguem paralisadas nesta terça-
feira (Foto: Thierry Gozzer)


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