quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Lembra dele? Gil Baiano revela festa antecipada no título do Verdão em 93

Após 20 anos da conquista do Brasileiro, ex-lateral do Palmeiras lembra confiança na taça antes da final com o Vitória. Hoje vive em Bragança e procura time para treinar

Por São Paulo

Gil Baiano Palmeiras (Foto: Gazeta Press)Gil Baiano, no Palmeiras (Foto: Gazeta Press)
 
Roberto Carlos, César Sampaio, Mazinho, Edilson, Zinho, Edmundo, Evair... não faltavam jogadores de nome no Palmeiras na década de 90. Entre os inúmeros craques, um deles se diz honrado até hoje por ter participado do esquadrão alviverde e ainda ter sido titular na finalíssima do Brasileirão contra o Vitória, no dia 19 de dezembro de 1993: Gil Baiano. Com a lesão de Cláudio Guadagno, ele herdou a vaga de titular na decisão contra o Vitória e ajudou o Verdão a vencer por 2 a 0 no Morumbi, conquistando o título nacional.

Após exatos 20 anos, o lateral-direito do timaço do Palmeiras revela: o elenco já dava a conquista como confirmada depois da partida de ida, vencida por 1 a 0, na Fonte Nova, em Salvador. Concentrados em Atibaia, no interior de São Paulo, sob o comando de Vanderlei Luxemburgo, os jogadores tinham certeza do título. Tanto que já armavam a festa, mas eram repreendidos pelo exigente treinador. 

– O Vanderlei segurava, mas entre nós, jogadores, sabíamos que dificilmente perderíamos no Morumbi. Ninguém admitia que poderíamos perder o título em casa. Já falávamos de marcar a festa. A confiança e a qualidade do grupo me marcaram. Já dávamos o título como ganho. Mas o Vanderlei era muito seguro e batia na tecla de que tínhamos de respeitar – afirma o ex-lateral, que não se deu conta dos 20 anos da data.

Revelado na base do Guarani, Gil se diz realizado por ter atuado ao lado de tantos craques. À época, ele lembra que quando foi contratado do Bragantino para o Palmeiras tinha noção de que todos queriam estar no seu lugar, rodeado por estrelas. Mas antes de defender o time de 93, o lateral também deixou os torcedores alviverdes irritados. 

Falta de valorização no Bragantino
Especialista nas cobranças de falta e inspirado em Nelinho, do Cruzeiro, Gil Baiano era um dos destaques do time do Bragantino. Na equipe, ele abriu o caminho para a eliminação do Verdão no Paulista de 89. Justamente por isso, demorou a ganhar a confiança dos fãs quando foi negociado.
– O palmeirense é muito exigente e cobrava demais por eu ter ajudado a eliminar o time em partidas decisivas. Isso marcou muito. Tive dificuldade no começo com os torcedores por isso, mas depois foi tudo tranquilo. Infelizmente tive uma lesão que me atrapalhou, mas avalio como muito boa minha passagem pelo clube – afirma.

Gil Baiano Palmeiras (Foto: Gazeta Press) 
Gil Baiano, (à dir.), ao lado de Mazinho, pelo Palmeiras,
 na decisão contra o Vitória (Foto: Gazeta Press)
 
Gil Baiano só equipara a conquista de 93 com os feitos realizados pelo próprio Bragantino. Com o time do interior, ele foi campeão Paulista de 90, com o mesmo Luxemburgo, e vice Brasileiro de 91, sob o comando de Carlos Alberto Parreira, hoje coordenador da Seleção. Ter trabalhado com os dois, aliás, é motivo de orgulho. Ele só lamenta, porém, a falta de reconhecimento pelos feitos realizados no time do interior.

– Não é fácil bater em todos os grandes e disputar finais. Não é algo que acontece toda hora. A torcida em Bragança até nos parabeniza, mas falta o clube em si valorizar. Vejo o próprio Palmeiras e os outros times grandes reverenciando mais os ídolos. Sobre os treinadores, o Vanderlei era um cara mais exigente e incisivo, pedia atitude do time. Já o Parreira era mais tranquilo e gostava que o time trabalhasse mais a bola. São dois excelentes treinadores, com os quais tenho orgulho de ter trabalhado – diz.

Com passagens pela Seleção após a derrota na Copa do Mundo de 90, Gil Baiano compara o que ocorreu na época com a renovação implantada por Mano Menezes após a eliminação brasileira em 2010, para a Holanda, quando também foi feita uma renovação na safra dos atletas. Ele cita a forte concorrência com os laterais da época, como Cafu e Jorginho, entre outros, para justificar a ausência no tetra de 94, nos Estados Unidos. 

Gil Baiano em treino do Comercial (Foto: Gabriel Lopes / Comercial FC)Gil Baiano, em treino do Comercial, seu último clube (Foto: Gabriel Lopes / Comercial FC)
 
Treinador sem clube
Atualmente vivendo em Bragança Paulista, Gil Baiano tem 47 anos e virou treinador. Depois de pendurar as chuteiras, ele decidiu se afastar do futebol por oito anos. Nesse tempo, administrou uma quadra de futebol soçaite na terra da linguiça.
 
Após o período de descanso, voltou ao mundo da bola há três anos para comandar a equipe Sub-20 do Comercial de Ribeirão Preto e chegou a ser auxiliar-técnico do time profissional nesta temporada, quando a equipe conseguiu o acesso para a elite do Paulistão de 2014.

Mas, após um desgaste com a diretoria, deixou o clube do interior em novembro. Mesmo sem nunca ter comandado efetivamente uma equipe profissional, ele se diz preparado para tal desafio. 

– Houve um desgaste com o presidente e surgiram problemas internos. Eu não concordava com algumas coisas e saí. Agora vamos ver o que vai aparecer. Tenho experiência na base e cheguei a treinar o time profissional poucas vezes. Estou pronto para dar sequência e me considero apto a tocar o que surgir – diz.

 FONTE:
 http://globoesporte.globo.com/futebol/times/palmeiras/noticia/2013/12/lembra-dele-gil-baiano-revela-festa-antecipada-no-titulo-do-verdao-em-93.html

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