segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Fracasso na Copa, retorno de Dunga e Neymar artilheiro: o 2014 da Seleção

Ano tem goleada de 7 a 1 para a Alemanha, em Belo Horizonte, contratação de técnico para recolher os cacos e um craque comandando a reconstrução da equipe


Por
Rio de Janeiro

 
neymar dunga brasil x japão (Foto: Getty Images)Após a Copa, Dunga retornou à Seleção e tem Neymar como principal estrela (Foto: 
Getty Images)


Do otimismo exagerado ao massacre para a Alemanha na semifinal da Copa. De Luiz Felipe Scolari e Carlos Alberto Parreira com "uma mão na taça" ao retorno de Dunga. O ano de 2014 para a seleção brasileira foi da euforia à desilusão do 7 a 1 até encerrar com um quê de esperança. O time nacional deixou o favoritismo do Mundial disputado em casa para um insosso quarto lugar, com direito a dez gols em dois jogos. E projeta um 2015 mais bem sucedido graças ao retorno do capitão do tetra de 1994.

A missão no ano que se aproxima é de reconstrução de imagem e da recuperação da autoestima. Pontos que o novo comandante sabe muito bem como trabalhar. Em junho, o primeiro compromisso: a Copa América do Chile. Mas como foi 2014 para o time canarinho? 

O primeiro compromisso foi na África do Sul. De volta ao Soccer City após a Copa de 2010, o Brasil enfrentou os donos da casa e venceu por 5 a 0, com três gols de Neymar. Era o prenúncio de que a Seleção poderia fazer um bom Mundial a partir de junho. Mas nem foi o resultado da partida que mais chamou a atenção. O menino Ayo Dosumu invadiu o gramado e conquistou o carinho de nomes como Neymar e David Luiz. O garoto foi levantado pelo grupo da seleção brasileira com um verdadeiro troféu.


Sem mais amistosos, restava ao técnico Luiz Felipe Scolari convocar a Seleção para a Copa. No dia 7 de maio, o treinador revelou os nomes dos 23 atletas que iriam disputar o Mundial. O grupo iniciou a preparação no fim do mesmo mês e fez dois amistosos antes de iniciar a a competição: triunfo por 4 a 0 sobre o Panamá, em Goiânia, e 1 a 0 diante da Sérvia, em São Paulo.

O desempenho diante dos sérvios já mostrava que o Brasil não andava bem das pernas. E o resultado não poder ser outro na Copa do Mundo. Após atuações de altos e baixos na primeira fase, onde venceu Croácia (3 a 1) e Camarões (4 a 1) e não saiu do zero diante do México, a Seleção de Felipão passou a ter dificuldades no mata-mata. 

Comemoração da Alemanha contra o Brasil  (Foto: Agência Reuters)
Jogadores da Alemanha comemoram mais um 
gol sobre a Seleção em partida válida pela 
semifinal da Copa (Foto: Agência Reuters)


Julio César e a trave evitaram uma eliminação precoce contra o Chile, nas oitavas de final, no Mineirão. Após empate por 1 a 1 no tempo normal, Maurício Pinilla acertou a trave no último minuto da prorrogação e quase colocou a equipe rival na fase seguinte. Nos pênaltis, o goleiro se destacou e o Brasil avançou para encarar a Colômbia.

Diante dos colombianos, vitória por 2 a 1, com os gols de Thiago Silva e David Luiz. James Rodríguez descontou para os rivais. Mas a partida selou o fim da Copa do Mundo para o principal jogador do Brasil. Após uma entrada desleal de Camilo Zuñiga, Neymar sofreu uma fratura na vértebra e não pôde mais participar do torneio. O camisa 10 do time canarinho chegou a deixa a Granja Comary de helicóptero para realizar a recuperação em casa.

A partir daí, o Brasil não se encontrou mais no torneio. Sofreu uma das maiores goleadas de sua história. Levou 7 a 1 da Alemanha, em Belo Horizonte. Para piorar, o ex-jogador Ronaldo ainda viu o alemão Miroslav Klose quebrar o recorde de gols em Copas do Mundo: 16 contra 15 do Fenômeno. Na decisão do terceiro lugar, outro fiasco. Derrota por 3 a 0 para a Holanda e nenhum tipo de reação. Era o fim da segunda era Felipão.


No dia 17 de julho, quatro dias após a Alemanha conquistar a Copa do Mundo, a CBF anunciou a contratação de Gilmar Rinaldi para ser o coordenador de seleções da entidade. Na semana seguinte, a entidade acertou o retorno de Dunga, que havia comandado a equipe nacional de 2006 a 2010. Logo em sua apresentação, o treinador deu o tom do que queria ver em seus comandados após o fiasco no torneio disputado no Brasil.

- É uma grande felicidade. Vamos trabalhar juntos com as categorias de base, com o Gallo, e a coordenação do Gilmar. A CBF está nesse planejamento há dois anos e vamos dar sequência. Não precisamos fazer dessa Copa do Mundo terra arrasada, há coisas que podem ficar. A gente viu na Copa que é importante o talento, mas o planejamento também. Como é importante o marketing, mas que o resultado dentro de campo também.

Carrossel Filipe Luis e Miranda Seleção Brasil (Foto: GloboEsporte.com)Filipe Luís e Miranda tornaram-se pilares da nova Seleção de Dunga (Foto: GloboEsporte.com)


E Dunga conseguiu recuperar a autoestima da equipe. Apostou na renovação, colocou Neymar como capitão e viu a equipe dar conta do recado. Em seis partidas sob o seu comando, o Brasil venceu todas e sofreu apenas um gol. No meio do caminho, ainda precisou dar o exemplo. Após se atrasar na reapresentação da Seleção após uma folga, o lateral-direito Maicon, atualmente no Roma, foi desligado da delegação e retornou à Itália.

Mas o problema de Maicon não foi o único que precisou ser contornado. Nos dois últimos amistosos do ano, em novembro, o zagueiro Thiago Silva revelou estar chateado com a perda da braçadeira de capitão e da titularidade para Miranda. As declarações causaram certo mal estar, logo contornado pela comissão técnica após um papo com o defensor.

- Quando se é claro e franco, tudo é mais simples. No dia seguinte (ao desabafo), o Thiago Silva nos procurou e fizemos a reunião. Foi simples e claro. Ele expôs o motivo dele, tinha dado uma entrevista à imprensa, e dissemos que o melhor lugar, se as coisas tinham saído diferentes, era falar novamente com os jornalistas. Ele foi lá e falou o que ele achava que era importante - contou Gilmar Rinaldi, em entrevista ao GloboEsporte.com.

Neymar e Thiago Silva braçadeira de capitão Brasil x Áustria (Foto: Reuters)
Neymar entrega a braçadeira de capitão para 
Thiago Silva dias após declarações do defensor 
(Foto: Reuters)


Até o momento, em três convocações, Dunga chamou 40 jogadores e utilizou 30. Apenas seis atletas estiveram em todos os jogos: Miranda, Filipe Luís, Willian, Luiz Gustavo, Oscar e Neymar. O camisa 10 e o lateral esquerdo foram os únicos que estiveram em campo durante os 90 minutos das seis partidas.

- Não tivemos a oportunidade na Copa, mas demonstramos que estávamos em alto nível e tínhamos condições de fazer parte dos 23 daquele grupo. A prova disso são as atuações que estamos tendo nesse pós-Copa – disse Miranda, lembrando que ele e Filipe Luís não foram chamados por Luiz Felipe Scolari para a disputa da Copa.


Os seis jogadores acabaram tornando-se os pilares da equipe de Dunga. E foi justamente sob o comando do novo treinador que Neymar desandou a marcar gols. Foram sete nos seis primeiros compromissos. Números que o colocaram como o sétimo maior artilheiro da história da seleção brasileira, com 42 gols. Pelé lidera a lista, com 95. Os números foram fornecidos pela CBF.
- É meu melhor momento. Mas eu quero mais, não quero parar por aqui não. Quero estar sempre sendo melhor do que hoje - disse o jogador, que marcou pela última vez com a amarelinha na vitória por 4 a 0 sobre a Turquia, no dia 14 de novembro (assista aos gols no vídeo acima).

E é justamente no momento de Neymar, escolhido para ser o novo capitão da equipe nacional, e no bom desempenho de Dunga à frente da Seleção que os torcedores brasileiros querem esquecer o 2014 para projetar um 2015 melhor.


FONTE:
http://glo.bo/13OyRWJ

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