quarta-feira, 25 de setembro de 2013

'Xodó' de Guardiola, Rafinha torce por chance na Seleção: 'Estão me vendo'

Lateral se garante como titular em 'novo' Bayern após mudança da função de Lahm: 'Um técnico como ele me dar oportunidade é porque está gostando'

Por Direto de Munique, Alemanha


Os números estão a favor de Rafinha. Titular nos últimos cinco jogos do Bayern de Munique, o lateral-direito atravessa uma de suas melhores fases na carreira. As medalhas são muitas, quatro delas acumuladas desde maio e guardadas com carinho em casa. Os elogios? Cada vez mais frequentes por parte do técnico Pep Guardiola, uma espécie de "padrinho" neste novo time formado após a saída de Jupp Heynckes. Tudo isso o leva a acreditar que uma convocação para a seleção brasileira está próxima. De preferência a tempo de disputar a Copa do Mundo no Brasil.

Rafinha, porém, prefere adotar um perfil mais comedido. Sabe que a posição tem um dono (Daniel Alves), mas enxerga o posto de reserva ainda em aberto. Com Dunga, recebeu chances, mas viu Maicon ficar com a vaga para o Mundial da África do Sul. O mesmo pode acontecer em 2014.

- Nunca fui de pedir, ficar falando. Não gosto disso. Jogo todo o fim de semana aqui, sempre tem jogo. Se estão convocando "europeus" é certeza que estão me vendo. Vontade eu tenho. E muita. Mas prefiro fazer meu trabalho no Bayern como estou fazendo - disse o "xodó" de Pep, em entrevista ao GLOBOESPORTE.COM. Na quinta-feira, Luiz Felipe Scolari anunciará sua última lista do ano, para os amistosos contra Coreia do Sul e Zâmbia.

mosaico Rafinha (Foto: Editoria de arte / Globoesporte.com)
No último sábado, Rafinha novamente começou em uma vitória do Bayern de Munique. Melhor: não saiu de campo - fato que não ocorre desde a decisão da Supercopa Europeia contra o Chelsea, ainda em agosto. Um recado claro de Guardiola.

- Rafinha é um superjogador. Fiquei surpreso com o seu desempenho hoje e nos últimos meses - afirmou o catalão após os 4 a 0 sobre o Schalke, fora de casa.

O torcedor bávaro certamente estranhou, mas agora há de se acostumar. A presença constante de Rafinha como titular significa também que o capitão Philipp Lahm assumirá a fixa função de um camisa 6 alemão. O lateral-direito - e que também pode atuar na esquerda - da seleção nacional é o responsável por ligar a defesa ao ataque neste Bayern de Munique versão 2013/2014. E nem mesmo a recuperação do ídolo Bastian Schweinsteiger foi capaz de tirá-lo dali.

- Um treinador da qualidade dele me dar oportunidade é porque está gostando do meu trabalho. É bom reconhecer, já faz três anos que estou num time como o Bayern, um dos melhores do mundo. Não jogo com frequência porque o Philipp Lahm é capitão do Bayern e da seleção alemã, e um dos melhores laterais do mundo. Não é novidade pra ninguém que não estarei jogando todos os jogos. Olha a moral que ele tem, são dez anos jogando no Bayern. Não vou jogar sempre. Mas estou jogando bastante com ele no meio-campo - contou o jogador de 28 anos.

Com o contrato a se encerrar ao fim da temporada, Rafinha indicou que aceitaria uma possível oferta de renovação na hora.

- Uli Hoeness (presidente) disse que está satisfeito comigo. Pep Guardiola também não quer que eu vá. Por que, então, eu sairia? Estou no melhor time do mundo.

Confira abaixo outros trechos da entrevista:
Rafinha bayern de munique autógrafos (Foto: Arquivo Pessoal)Rafinha dá autógrafos para a torcida do Bayern ao fim do treino (Foto: Victor Canedo / Globoesporte.com)
 
GLOBOESPORTE.COM: após tanto tempo na Alemanha, como se sente morando aqui?
RAFINHA: Passei a maior parte da minha vida na Alemanha. Já são oito anos, vou para o nono. Fiquei oito meses na Itália. Foi algo que no começo não achei que daria certo, pela diferença, mudança radical, sair do Brasil com 18 para 19 anos, chegar aqui na Alemanha. É totalmente diferente. Idioma, cultura, temperatura, tudo conta contra, distinto do Brasil. E chegar, me firmar, me adaptar como me adaptei, foi surpreendente. Era o que queria, mas não imaginava conseguir criar uma raiz como criei. Hoje, depois do Cacau, acho que sou eu sou um dos que estão há mais tempo aqui. É claro, não é fácil. Não troco a minha Londrina por nada nesse mundo, mas é um país maravilhoso, tudo organizado, para viver, tudo correto, não tem problema com nada, segurança.

E o futebol alemão também tem lhe dado muito orgulho...
Todo jogo, da 1ª rodada até a 34ª, são com todos os bilhetes vendidos. Não tem estádio que dá menos de 50, 40 mil pessoas. É gratificante poder jogar essa liga. O primeiro contra o ultimo dá 60 mil no estádio. A liga ganhou muita força, vieram jogadores, treinadores. A Bundesliga está entre as melhores"
Rafinha, sobre o Campeonato Alemão

Quando cheguei, a Bundesliga não era tão badalada como é hoje. Naquela época tinha muito brasileiro conhecido: Dedê, Lincoln, Bordon, Kuranyi, todos há muito tempo no país. Mas não era do jeito que é hoje. De alguns anos para cá os alemães foram bem na Liga dos Campeões, o campeonato ganhou força. Olha o que virou hoje, é uma das melhores ligas do mundo. Todo jogo, da 1ª rodada até a 34ª, são com todos os bilhetes vendidos. Não tem estádio que dá menos de 50, 40 mil pessoas. É gratificante poder jogar essa liga. O primeiro contra o ultimo dá 60 mil no estádio. A liga ganhou muita força, vieram jogadores, treinadores. A Bundesliga está entre as melhores com certeza.

Essa evolução da Bundesliga também reflete na seleção alemã, muito poderosa. Você deve ter muito a falar sobre esse time, que é um dos favoritos para a Copa.


É engraçado. Quando jogava no Schalke, por cinco anos e meio, era contra o Bayern. Agora sou a favor deles. O Bayern é a seleção alemã, do goleiro ao atacante. Entra uma ou outra peça. O que eles fizeram há seis anos, o Brasil começou a fazer ano passado. Foi reformular, novos jogadores, mudar o time todo. No começo foi difícil, mas já faz seis, sete anos que estão jogando juntos. E o time está redondinho. Graças a Deus nossa Seleção começou a fazer isso, está indo bem. O que tenho para dizer, não preciso avisar, todo mundo está vendo. Eurocopa, Copa, sempre chegando nas finais. É favoritíssima junto com Brasil, Espanha, Itália, Holanda, Argentina. São esses que sempre chegam.

Rafinha bayern de munique autógrafos (Foto: Arquivo Pessoal)Rafinha nos tempos de seleção brasileira (Foto: Arquivo Pessoal)

Por falar em Seleção, você confia em ser chamado por Felipão ainda antes da Copa?

Eu vejo por outra forma: o Dunga me convocou em 2008, quase dez vezes, joguei uma partida contra a Suécia, participei das qualificações para a Copa, Olimpíadas. E nunca fui de pedir, ficar falando. Não gosto disso. Jogo todo o fim de semana aqui, sempre tem jogo. Se estão convocando "europeus" é certeza que estão me vendo. Vontade eu tenho. E muita. Mas prefiro fazer meu trabalho no Bayern como estou fazendo. Certeza que estão me observando. Desde o começo da temporada, atuei em quase todas as partidas. Só fiquei fora de uma. Não gosto de falar que quero isso, aquilo, mas estou fazendo o meu trabalho. Tenho que jogar primeiro, fazer o meu trabalho, e depois cabe ao treinador. Quando o Dunga me levou não fiz isso. Ele não falou nada e me convocou.

O fato de o Philipp Lahm atuar mais no meio-campo também contribui a favor...


As estatísticas:

Rafinha na temporada 2012/2013: 17 jogos (oito como titular)
 
Rafinha na temporada 2013/2014: oito jogos (seis como titular)
É verdade. Mas prefiro fazer o meu trabalho bem feito. Se for da vontade de Deus achar que tem que me convocar será uma honra. Estou tranquilo, jogando todas com o Guardiola, quarta e sábado. Um treinador da qualidade dele me dar oportunidade é porque está gostando do meu trabalho. É bom reconhecer, já faz três anos que estou num time como o Bayern, um dos melhores do mundo. Não jogo com frequência porque o Philipp Lahm é capitão do Bayern e da seleção alemã, e um dos melhores laterais do mundo. Não é novidade pra ninguém que não estarei jogando todos os jogos. Olha a moral que ele tem, são dez anos jogando no Bayern. Não vou jogar sempre. Mas estou jogando bastante com ele no meio-campo.

Além disso, no que influenciou a chegada de um treinador como o Guardiola?

A trajetória do Pep dispensa comentários. Não tem nem o que falar o que ele fez no Barcelona. O time era muito bom, claro, os jogadores também, mas o sistema que ele implantou lá foi fenomenal. É um treinador de muita qualidade, que está implementando o sistema dele aqui. Para nós é maravilhoso. No ano passado ganhamos tudo, tríplice coroa, uma temporada maravilhosa, e agora chega um treinador dessa qualidade para nos motivar ainda mais. Ele vai trazer mais coisas para o nosso time conquistar mais títulos. Aqui a gente vive de título. Todo ano tem que ganhar. A gente até brinca porque é o único time do mundo que o empate é derrota. Tem que ser só vitória, a cobrança é enorme. Há três anos que estamos aqui e tem que estar ganhando sempre.

Rafinha, Pizarro e Ribéry gol Bayern (Foto: AP)Rafinha comemora gol do Bayern no último sábado com Pizarro e Ribéry: fé no francês (Foto: AP)

O fato de ele chegar falando alemão impressionou? Como é nos treinos?
Fala em alemão mesmo. Está surpreendendo todo mundo aí. Tudo direitinho. Às vezes pergunta algo para o Pizarro quando não sabe, ou para nós, para o Dante. Ele fala e a gente traduz alguma coisa. Mas está se dando muito bem para orientar, falar de futebol. Já está fera.

E o que falar de Franck Ribéry?
Está sempre conosco, com o Dante, Pizarro, Alaba, Shaqiri. Então é uma pessoa normal, cara que não é de agora, três, quatro anos que merece esse prêmio (melhor da Europa na última temporada). Quando ele joga no Bayern é uma coisa em campo, quando não está, é outra. É peça-chave para nós. Não à toa que vem demonstrando isso tem tempo. Dispensa comentários. Fora do campo tem um coração enorme, grande amigo que pude fazer no Bayern. A prova está aí, melhor jogador da Europa, títulos, gol na final da Supercopa. É um grande amigo que tenho no clube, está sempre ajudando, brincando. Também é um pouco folgado (risos). Mas merece. Não é de agora, não. E se continuar do jeito que está tem tudo para ganhar a Bola de Ouro. O Messi é o melhor jogador do mundo, está na cara, todo mundo sabe. Mas na temporada passada o Ribéry foi melhor. Faz seis, sete anos que o Messi está no mesmo nível, não vai existir um jogador para fazer igual. O Cristiano Ronaldo é outro. Esses três aí estão em outro planeta. O Robben, Xavi, Iniesta. Estão em outro mundo, um patamar diferente. E se continuar nessa pegada até dezembro o Ribéry vai ganhar a Bola de Ouro.

Como é estar num clube que tem um histórico tão bom com brasileiros?

Jogador brasileiro é sempre bem visto. Não importa se é na Espanha, França, China, Tailândia, qualquer lugar. É o país do futebol, nós temos o Rei do futebol. Quando um brasileiro se firma no time grande o reconhecimento é maior. A gente teve Luiz Gustavo, eu, Dante, sempre jogando, conquistando títulos. Veio a tríplice coroa. Agora a Supercopa, que nenhum alemão havia conquistado. Por isso que o pessoal tem um carinho enorme. Lúcio, Zé Roberto, Paulo Rink, Élber, Paulo Sérgio. Eles fizeram história aqui no Bayern.

Rafinha bayern de munique autógrafos (Foto: Arquivo Pessoal)Rafinha se surpreendeu com o alemão de Pep Guardiola (Foto: Arquivo Pessoal)

Qual é o limite para este Bayern?
Esse é o diferencial do clube grande. Fomos campeões da Champions. Acabou o jogo e achamos que teríamos a maior festa do mundo. Sair, tomar cerveja, festejar por uns três dias. A primeira coisa que o Rummenigge (chefe-executivo) falou no vestiário: "pode tomar cerveja, durma bem, mas já acorde com outro pensamento. Nós temos uma final no sábado, não tem festa, não. Temos que conquistar esse último título que é a Copa da Alemanha""
Rafinha sobre a mentalidade do Bayern

Esse é o diferencial do clube grande. Fomos campeões da Champions. Acabou o jogo e achamos que teríamos a maior festa do mundo. Sair, tomar cerveja, festejar por uns três dias. A primeira coisa que o Rummenigge (chefe-executivo) falou no vestiário: "pode tomar cerveja, durma bem, mas já acorde com outro pensamento. Nós temos uma final no sábado, não tem festa, não. Temos que conquistar esse último título que é a Copa da Alemanha". Se fosse em outro lugar, iria desfilar em carro de bombeiro, fazer tudo. E todo mundo foi dormir. Aí você vê a mentalidade diferente. Ganhamos a tríplice coroa. Nenhum time conquistou isso na Alemanha. E aí contratou o Guardiola, Thiago Alcântara, Mario Götze. Contrataram mais ainda para trazer mais qualidade e poder continuar ganhando.

Não à toa o Bayern certamente estará mais visado nesta Liga dos Campeões...

O difícil não é ganhar, e sim se manter no topo. A Liga dos Campeões é muito difícil. Para chegar à final este ano eu tive a felicidade de disputar a minha sétima Champions, com duas finais. É difícil o caminho para chegar lá. Pode pegar uma equipe da Inglaterra que em fevereiro está bem. Uma equipe da Espanha, que está melhor em março. Uma da Itália, em abril, maio. O caminho é muito difícil, é longo, mas o time que a gente tem, a mentalidade do clube, com certeza o Bayern entra com pensamento de chegar o mais longe possível.
É o favorito. Somos os atuais campeões. Respeito os outros times, mas todo o ano tem. Então todo ano tem que entrar para ser campeão. Juventus, Real Madrid, Barcelona, Manchester United, Milan, o PSG... Todos vão querer ganhar esse ano.

E você conseguiu ser campeão. É o auge da sua carreira?

É fascinante. Joguei Mundial Sub-20, participei de eliminatórias, joguei pela Seleção. Mas essa competição dispensa comentários. Quando toca aquela música, eu vou sentir saudade quando voltar ao Brasil, parar de jogar. Pois esse momento é único. Quando fui campeão, beijei aquela taça, peguei a orelhuda (risos). É gratificante. Foram 40 ou 41 brasileiros que ganharam. Daqui a dez anos, 15 anos, olhar lá a lista e ver o seu nome será histórico. Quando parar de jogar vai cair a ficha.

FONTE:
http://globoesporte.globo.com/futebol/futebol-internacional/futebol-alemao/noticia/2013/09/xodo-de-guardiola-rafinha-torce-por-chance-na-selecao-estao-me-vendo.html

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