segunda-feira, 20 de maio de 2013

Da lama ao caos: estádio da final do Potiguar ainda apresenta problemas


Ainda inacabado, Barretão tem bilheteria improvisada, lama na área técnica e quedas de energia constantes durante final entre América-RN e Potiguar

Por Augusto Gomesários
Nova bilheteria do Estádio Barretão, em Ceará-Mirim (Foto: Augusto Gomes)Nova bilheteria foi improvisada no Estádio Barretão,
que segue inacabado (Foto: Augusto Gomes)
Dez dias após a inauguração oficial, quandoforam constatadas várias falhas, o Estádio Barretão, na Grande Natal, recebeu neste domingo a final do Campeonato Potiguar. Com improvisos por todo lado, a construção, ainda inacabada, apresentou problemas antes, durante e depois do jogo entre América-RN e Potiguar de Mossoró, vencido pelos mossoroenses nos pênaltis.
Fora do estádio, o torcedor precisou enfrentar a lama para chegar à bilheteria. E dentro dele o lamaçal chegou quase à beira do campo. Também foi preciso superar a desorganização para assistir à partida. As quedas de energia dificultaram a impressão de ingressos, e muitos torcedores ficaram mais de 40 minutos na fila. Lá dentro, as extremidades das arquibancadas, ainda sem acabamento, apresentavam ferros expostos.
Diferentemente do jogo anterior, desta vez foram abertos mais portões de acesso - um dos poucos positivos do domingo. O módulo 2, que fica atrás de uma das traves, foi dividido para receber as torcidas. No lado americano, de forma improvisada, foram colocadas catracas exclusivas. Do lado do Potiguar, ao entrar no estádio, os mesmos ferros expostos e a aparência de obra inacabada chamaram a atenção, apesar dos 10 dias que a empresa proprietária teve para concluir o estádio. O Barretão já tinha sido liberado pela Confederação Brasileira de Futebol, pelo Corpo de Bombeiros e pela Polícia Militar para receber América-RN x Atlético-PR pela Copa do Brasil, no dia 9.
Lama dentro do estádio
Poça de lama foi formada na área técnica do Potiguar de Mossoró, no Barretão (Foto: Augusto Gomes)O técnico do Potiguar dobrou as calças para atravessar a enorme poça de lama (Foto: Augusto Gomes)
Devido às chuvas, uma enorme lagoa foi formada na área técnica destinada ao Potiguar. Durante o jogo, o treinador Celso Teixeira reclamou, mas dobrou as calças e atravessou a lama por muitas vezes para chegar mais perto do gramado e orientar seus jogadores. Mais perto da área vip,também havia muita lama e morros de areia e barro.
Acesso complicado
Estádio Barretão, em Ceará-Mirim: módulos não têm ligação (Foto: Augusto Gomes)Módulos são separados, mas torcedores pularam
grade com tranquilidade (Foto: Augusto Gomes)
O estádio possui dois módulos de arquibancadas, mas eles não têm ligação. Alguns torcedores aproveitaram a displicência dos policiais e dos seguranças particulares para pular a grade e se juntar a amigos do outro lado. Antes, se arriscaram em um barranco existente entre os dois módulos.
Do lado oposto, em outro barranco, torcedores que nem precisaram pagar ingresso tinham visão privilegiada do jogo. Próximo a eles, o médico da Federação Norte-rio-grandense de Futebol, Aelson Moacir Silva, reclamou da falta de comunicação com o lado externo do estádio, já que alguns torcedores passaram mal, e a única ambulância oferecida estava à beira do gramado.
Grades envergam
As grades que sustentam a tela de proteção das arquibancadas quebraram durante a comemoração do gol do América-RN, ainda no primeiro tempo. Alguns torcedores se arriscaram ao subir na grade e quase causaram um dano maior. Militares do Corpo de Bombeiros ainda tentaram isolar a área, mas, ao fim da disputa de pênaltis, alguns americanos, mais exaltados devido à derrota, voltaram a forçar o alambrado, que terminou bastante degradado.
Estádio Barretão: alambrado cedeu durante a final do Campeonato Potiguar (Foto: Augusto Gomes)Estádio Barretão: alambrado cedeu durante a final do Campeonato Potiguar (Foto: Augusto Gomes)
Sem energia
Antes da partida, as equipes de rádio sofriam com as constantes quedas de energia e tiveram muita dificuldade para transmitir a decisão. Sem espaço reservado, assim como na inauguração, os cinegrafistas das TVs ficaram amontoados e escondidos entre os torcedores.
Para o narrador Glauber Nascimento, o Barretão é um "canteiro de obras com duas traves e um gramado".
Acesso da torcida visitante ao Barretão; ferros expostos (Foto: Augusto Gomes)Torcida visitante se depara com este cenário ao entrar; ferros ainda expostos (Foto: Augusto Gomes)
Com a presença de muitas rádios do interior, algumas se posicionaram na área vip do estádio, que possui tendas à beira do gramado. O radialista Cesário Júnior também reclamou da falta de estrutura do Barretão.
- A verdade é que o Barretão ainda não está pronto. É um estádio que precisa melhorar muito, que realmente não está pronto para jogo nenhum. Faltou energia ontem várias vezes, dificultando nosso trabalho. Colocaram parte da imprensa do interior em tendas no meio da torcida do América, e, por pouco, um comentarista da nossa rádio não foi agredido por um torcedor - destacou.
Ainda devido à falta de energia, o árbitro Alício Pena Júnior e seus auxiliares não foram para os vestiários no intervalo. Os times também sofreram com este problema, mas a empresa que administra o estádio conseguiu solucionar a tempo.
Pelo Twitter, o presidente da FNF, José Vanildo, destacou que a entidade "lamenta as ocorrências negativas ocorridas na decisão do Barretão. Urgem imediatas providências e esclarecimentos técnicos convincentes".
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