sexta-feira, 1 de julho de 2011

Cajá abre as portas do Guangzhou para Conca: 'Seria um ótimo reforço'

Clube tem história curiosa: foi comprado por magnata, deixou a segunda divisão, superou manipulação de resultados e virou referência na Ásia

Por Thiago Barros e Fábio Lima Rio de Janeiro

Renato Cajá Guangzhou Evergrande china (Foto: Divulgação/Site Oficial)Renato Cajá é um dos destaques do Guangzhou
Evergrande na China (Foto: Divulgação/Site Oficial)

O Guangzhou Evergrande, atual líder do Campeonato Chinês, que deve confirmar a contratação do meia Conca, do Fluminense, por US$ 12 milhões (R$ 18,8 milhões), pretende elevar o futebol chinês a um patamar nunca antes imaginado. E para isso está investindo forte no mercado sul-americano. Antes de Conca, o clube também levou Muriqui, hoje ídolo da torcida, e um dos principais jogadores do Botafogo no último ano, o apoiador Renato Cajá.

Antes rival, agora o brasuca abre as portas da equipe para o possível novo companheiro. De acordo com o apoiador, a chegada do argentino seria mais uma prova de que o Guangzhou está no caminho certo para buscar o título chinês e a vaga na próxima Liga dos Campeões da Ásia.
- Vi aqui as notícias, mas até agora não temos muitas informações. Normalmente, alguém vai ao Brasil negociar, e até agora o que lemos, principalmente pela imprensa brasileira, foi que isso teria acontecido. Seria um ótimo reforço, claro, vem sendo há dois ou três anos o melhor jogador do Brasil, tem muita qualidade e vai reforçar bastante o time. Com certeza a equipe vai evoluir ainda mais com o Conca - analisou Cajá, em entrevista exclusiva ao GLOBOESPORTE.COM.
Conca na partida do Fluminense contra o Atlético-PR (Foto: Alexandre Cassiano / Ag. O Globo)Conca na partida do Fluminense contra o Atlético-PR: despedida? (Foto: Alexandre Cassiano / Ag. O Globo)

O meio-campista lembra ainda que o clube está investindo não só em estrangeiros, como também em jogadores conhecidos no futebol chinês e na estrutura para proporcionar boas condições de trabalho aos atletas.
- Já temos grandes jogadores, como o Muriqui e o Paulão, por exemplo, além de outros reforços da seleção chinesa, estamos liderando o campeonato e acredito que temos tudo para seguir rumo ao nosso objetivo de buscar uma vaga na Champions League daqui e, quem sabe, o título. O clube está investindo bastante, mais até do que nós esperávamos, e está tendo o retorno dentro de campo. Eles nos dão todo o suporte necessário, com estrutura, financeiramente, e isso é muito bom - avaliou.
O início não foi fácil, mas hoje não tenho do que reclamar"
Renato Cajá

Se mudar do Brasil para a China não deve ser missão fácil, mas Cajá já se diz totalmente adaptado ao futebol chinês e à cultura do país, onde há o costume, por exemplo, de dar um puxão de orelha - literalmente - nos jogadores mais novos que vacilam nos treinamentos.
- O início não foi fácil, mas hoje não tenho do que reclamar. A vida aqui está sendo muito boa e fico muito feliz por ter vindo para a China. Só agradeço por estar aqui, ainda mais com tantos brasileiros, o que ajuda na adaptação e também na hora de querer conversar, falar usando o nosso idioma... Mas já estou acostumado. Até queria esclarecer que algumas pessoas podem ter interpretado mal a questão dos puxões de orelha, que falei em outra entrevista, mas isso é normal aqui, não é uma agressão, nem nada - completou.

O "Conto de Fadas" vivido pelo Guangzhou
O clube foi comprado em fevereiro de 2010 pela companhia Evergrande, liderada pelo magnata Xu Jiayin, o 200º homem mais rico do mundo, de acordo com a revista "Forbes" e, desde então, não parou de crescer. Em 2010, o time teve que jogar a Segunda Divisão como punição por ter pagado 200 mil yuans chineses (R$ 48,7 mil) para garantir uma vitória no campeonato de 2006. E as primeiras grandes aquisições chegaram  justamente para a disputa da segundona: o brasileiro Muriqui e o meia Sun Xiang, primeiro chinês a disputar uma partida de Liga dos Campeões da Europa na história (pelo PSV), foram os destaques da campanha que levou o time de volta à elite sem sustos.
Guangzhou Evergrande time conca china (Foto: Divulgação/ Site oficial)Muriqui: sucesso de vendas no clube chinês, com
camisas e máscaras (Foto: Divulgação)

Para 2011, foram contratados o meia Renato Cajá, ex-Botafogo, o zagueiro Paulão, ex-Grêmio, e o atacante Cléo, ex-Partizan, da Sérvia. Sob o comando da Evergrade, o clube foi modernizado. O escudo ganhou um design futurista, com o desenho de um tigre saindo do fogo, a logomarca da empresa, e o slogan "seja o melhor para sempre". O investimento no marketing teve como base os astros brasileiros. Máscaras de Muriqui e Cléo podem ser compradas no site oficial, assim como uma camisa com a caricatura do atacante ex-Avaí.

Atualmente, o Guangzhou Evergrande lidera o Campeonato Chinês, tem média de público de cerca de 50 mil torcedores e fará uma das maioras contratações da história do futebol asiático se acertar mesmo com Conca, eleito melhor jogador da última edição do Brasileirão. O sucesso, porém, gerou rivalidades fora das quatro linhas. Outros clubes chineses são comandados por investidores até mais ricos que Xu Jiayin e conglomerados maiores que a Evergrande. Contudo, nenhum dos rivais recebeu tanto investimento. Os adversários costumam criticar o projeto alegando que o dinheiro não se transformará em títulos.

FONTE:
http://globoesporte.globo.com/futebol/futebol-internacional/noticia/2011/07/caja-abre-portas-do-guangzhou-para-conca-seria-um-otimo-reforco.html

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