Presidente do STJD diz que há "indícios de burla ou ao menos inobservância de normas expressas e diretas da Fifa" e de que negociação de VR3 foi internacional
As partidas entre Juazeirense e Vitória, marcada para
os dias 4 e 21 deste mês, pelas semifinais do Campeonato Baiano, estão
suspensas. Nesta quinta-feira, o Superior Tribunal de Justiça Desportiva
(STJD) decidiu acatar parcialmente o mandado de garantia feito pelo
Bahia na última
terça-feira acerca da polêmica em torno da escalação do zagueiro Victor
Ramos
na partida entre Vitória e Flamengo de Guanambi, pelas quartas de final
do
Campeonato Baiano.
Na decisão divulgada na noite
desta quinta-feira, o presidente do STJD, Caio César Rocha, diz que há
indícios de que normas da Fifa tenham sido burladas e de que a
negociação que levou Victor Ramos ao Vitória foi internacional (confira abaixo o que diz o documento).
Ele determina que as partidas sejam suspensas, mas deixa a cargo do
presidente do TJD-BA, Pedro Casali, a decisão final sobre a manutenção
desta suspensão. A questão é que a decisão do STJD foi divulgada durante
a noite, após a publicação de parecer do procurador-geral do TJD-BA,
Ruy João Ribeiro Gonçalves, favorável à manutenção do arquivamento
da causa, porque, segundo ele, o TJD não tem competência para julgar
atos da CBF. Nesta quinta à tarde, Pedro Casali já havia manifestado
parecer sobre pedido do Flamengo de Guanambi de paralisação do
Campeonato Baiano. Em seu parecer, Casali não acolheu o pedido. Procurado pela equipe de reportagem, o presidente do TJD-BA não atendeu às ligações.
O
GloboEsporte.com entrou em contato com o diretor-jurídico do Bahia,
Vitor Ferraz, que explicou que a partida está suspensa até que haja
um julgamento da questão. O STJD deve emitir a denúncia para uma
comissão
disciplinar, que avaliará o caso, que tramita em regime de urgência.
- Suspendeu a partida. Só a do Vitória. Agora tem que
distribuir para comissão disciplinar, para colocar na pauta. O prazo depende do
critério de distribuição, mas acho que será rápido. O caso está em urgência –
disse o diretor do departamento jurídico do Bahia, Victor Ferraz, em conversa
com o GloboEsporte.com.
A informação foi confirmada
pela assessoria de imprensa do Vitória. O GloboEsporte.com entrou em
contato com o presidente da Federação Bahiana de Futebol (FBF), Ednaldo
Rodrigues, com o presidente do Vitória, Raimundo Viana, e o
vice-presidente do clube, Manoel Matos, mas os três estavam em reunião e
não puderam atender os telefonemas da equipe de reportagem.
Escalação de Victor Ramos é pivô de polêmica
no Campeonato Baiano (Foto: Francisco
Galvão/EC Vitória/ Divulgação)
INDÍCIOS DE BURLA DE NORMAS DA FIFA E DECISÃO NO TJD
Na decisão divulgada nesta noite, o presidente
do STJD, Caio César Vieira Rocha, afirma que há indícios de que normas
da Fifa tenham sido burladas e que a questão não deve ser menosprezada. Segundo
ele, a causa é excepcional e “absolutamente peculiar”.
- Os fatos narrados são, ainda que num exame superficial,
bastante relevantes, e a questão não pode ser menosprezada, pois envolve pontos
graves que dizem respeito à boa governança desportiva, não só a nível nacional,
como também internacional.
Há indícios de burla ou ao menos inobservância de normas expressas e diretas da
Fifa – normas de observância obrigatória por parte de seus associados. (...) De
fato, estão presentes aqui o caráter de excepcionalidade, dada a circunstância
absolutamente peculiar do caso analisado, além de tratar de tema cuja análise é
de palmar importância e verdadeiro interesse para o desporto, especialmente
porque presente manifesto risco de descumprimento de normativas internacionais
atinentes ao regime de registro e transferência de atletas.
Em decisão, presidente do STJD diz que
há indícios de que normas da Fifa
tenham sido burladas (Foto:
Reprodução)
No
parecer, Caio César relata o caminho que levou Victor Ramos ao Vitória e diz
que há indícios suficientes de que se trata de uma transferência internacional.
Ele ainda cita casos semelhantes, ocorridos anteriormente, como o caso de
Kelvin, que pertence ao Porto e foi emprestado ao Palmeiras e, posteriormente,
ao São Paulo.
-
Nesta toada, verifica-se pelos documentos acostados pelo autor, que o atleta
Victor Ramos possui contrato definitivo com o clube Monterrey do México, tendo sido
contratado por empréstimo pelo Vitória até 31.12.2016. Ou seja, o atleta foi
contratado por empréstimo de um clube do México. Neste caso, parece ter pouca
importância que o atleta tenha sido emprestado ao Palmeiras, porque dito
empréstimo terminou em 31.12.2015, e o seu vínculo com o Vitória começou apenas
em março de 2016. Ou seja, após o término do vínculo, o atleta teve reativado
seu vínculo com o Monterrey, tanto é que consta do BID que o mesmo veio ao
Vitória diretamente por empréstimo do clube mexicano.
Não há, aparentemente, relação
entre Vitória e Palmeiras. Ao menos neste juízo superficial, que é exatamente o
mesmo juízo que deve orientar a Procuradoria em sua decisão de oferecer ou não
a denúncia, me parecem que há indícios suficientes, para não dizer evidências suficientes,
de que se trata de uma transferência internacional - escreveu.
Segundo
Caio César Vieira Rocha, há indícios suficientes para que seja oferecida
denúncia pelo procurador-geral do TJD-BA, que, mais cedo, já havia manifestado
parecer pelo arquivamento do caso.
Nada
pode contribuir mais para o descrédito do esporte do que a anulação de partidas
que tiveram a presença de torcedores que pensavam estar a assistir uma partida
válida.
O
presidente do STJD deixa a cargo do presidente do TJD-BA, Pedro Casali, a
responsabilidade pela definição final do caso. Ele suspende as partidas, mas
diz que a decisão sobre a manutenção da suspensão ficará a cargo do TJD.
-
Sendo assim, defiro em parte o pedido de suspensão da fase semifinal do
Campeonato Baiano de 2016, para suspender somente as partidas do dia 10.04.2016
e do dia 21.04.2016 entre Juazeirense e Vitória, mantendo-se, no entanto, a
realização das partidas entre Bahia e Fluminense de Feira de Santana previstas
para o dia 09.04.2016 e 20.04.2016. Referida suspensão deve perdurar até
julgamento pelo TJD/BA sobre eventual denúncia oferecida pelo Procurador Geral
do TJD/BA, cabendo ao TJD decidir se mantém ou não a suspensão das partidas.
RESUMO DO CASO
A polêmica em torno do zagueiro Victor Ramos teve início no
dia 26 de março, quando Flamengo de Guanambi e Vitória se enfrentaram pelas
quartas de final do Campeonato Baiano. Durante a partida, surgiu a denúncia de
que a escalação do zagueiro estaria em contradição com o parágrafo terceiro do
artigo 20 do estadual. O texto diz que, em caso de transferência internacional,
o atleta tem que ter o nome publicado no Boletim Informativo Diário (BID) da
Confederação Brasileira de Futebol (CBF) até o dia 16 de março. Victor Ramos,
que pertence ao Monterrey, do México, teve o nome publicado no dia 18 de março.
O Vitória, no entanto, alega que a negociação foi nacional. O argumento do Leão
é que, após o fim do empréstimo de Victor Ramos ao Palmeiras, em dezembro do
ano passado, o ITC não saiu do Brasil. A Federação Bahiana de Futebol (FBF) tem
a mesma a visão sobre o caso. A CBF, por meio do diretor de registro, Reynaldo Buzzoni concordou com o caráter nacional,
uma vez que o Monterrey deu uma autorização para a entidade brasileira
fazer uma transferência direta do Palmeiras para o Vitória
Na última terça-feira, o Bahia entrou com um mandado de
garantia no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) para pedir a
paralisação do Campeonato Baiano até a resolução do caso e para que o diretor
de registro e transferência da CBF corrija
a informação prestada sobre a transferência do zagueiro Victor Ramos.
No Tribunal de Justiça Desportiva da Bahia (TJD-BA), o
Flamengo de Guanambi entrou com denúncia sobre a situação do zagueiro, mas a
ação foi arquivada pelo Sub-Procurador Hélio Santos Menezes. Nesta
quinta-feira, o auditor presidente do TJD-BA, Pedro Paulo Casali, decidiu não
acatar o pedido do Beija-Flor do Sertão de paralisar o estadual. No
fim desta tarde, o Procurador Geral Substituto, Ruy João Ribeiro
Gonçalves Júnior, decidiu manter o arquivamento por entender que o
TJD-BA não tem competência para julgar atos da CBF.
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