sábado, 19 de março de 2016

Dani Alves põe MSN no topo de tudo o que viu: "Mais velozes e mais furiosos"



FUTEBOL ESPANHOL



Em entrevista exclusiva, lateral critica imprensa espanhola: "Me veem como um rival". E afirma que Messi poderia competir com Pelé se fossem da mesma época; vídeo




Por
Barcelona, Espanha



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Daniel Alves tem um perfil que é raro no futebol de hoje. Com personalidade forte, não se furta de dar sua opinião sincera sobre qualquer que seja o tema. Barcelona, seleção brasileira, Messi, Neymar, polêmicas... E junte a isso a história do lateral-direito dentro de campo. Titular absoluto do Barça desde que chegou, em 2008, ele já integrou cinco vezes a seleção do mundo eleita pela Fifa. O resultado dessa soma: uma boa entrevista.

Bastante simpático, Daniel recebeu o GloboEsporte.com para uma bate-papo exclusivo na Ciutat Esportiva Joan Gamper (CT do Barcelona, em catalão). E, dentre os temas abordados, analisou o excelente momento vivido pelo trio MSN. Ele diz nunca ter visto algo como essa parceria formada por Messi, Suárez e Neymar.

- Tive outros companheiros que formaram trios incríveis também, mas como esse eu nunca tinha coincidido. Acho que eles são os mais velozes e mais furiosos (risos). Coincidi com outros jogadores que também se destacaram bastante aqui, mas esse é o melhor que já conheci - disse.

Daniel Alves Barcelona (Foto: Ivan Raupp)
Daniel Alves é titular absoluto do Barça desde 
2008, quando chegou (Foto: Ivan Raupp)


Por falar em Messi, o argentino vive grande fase, como de costume, e ganhou no início do ano o prêmio de melhor jogador do mundo pela quinta vez. Está a dois gols de chegar à marca de 500. Muitos o comparam a Pelé. Dani Alves não gosta de comparações, mas acredita que essa relação está longe de ser um absurdo. O brasileiro, por sinal, é quem mais deu assistências para o gênio argentino até hoje: 40.

- Se você pega o Messi e coloca naquela época, de repente ele poderia competir com o Pelé. Mas são épocas distintas, diferentes, e acredito que todo jogador teve sua importância. E as comparações nunca são boas, nem com Messi, nem com Pelé, nem com outros jogadores.

O camisa 6 do Barça também detalhou sua difícil relação com a imprensa espanhola, detonou o mundo "prostituído e interesseiro" do futebol e reforçou que pretende encerrar a carreira no Brasil. O Bahia, clube que o revelou, é destino certo. E o São Paulo, time do coração, também pode fazer parte da rota.

Veja a seguir a entrevista com Daniel Alves na íntegra:
GloboEsporte.com: Você saiu do Brasil com 19 anos. Pensa em voltar no fim da carreira e jogar em um clube brasileiro?Daniel Alves: Já falei em outras ocasiões que o encerramento da minha carreira vai ser no Bahia. De repente dou uma passadinha no São Paulo. Senão, vai ser direto lá no Bahia mesmo.
As pessoas não gostam de ter rivais, e a grande maioria da imprensa aqui me vê como um rival, porque normalmente não me calo para certo tipo de coisa, sempre falo a minha verdade"
Daniel, sobre relação com imprensa espanhola

No São Paulo? Por quê?Sou são-paulino (risos). Sou tricolor desde faz tempo.

Você está com 32 anos, ainda tem muito gás. Pensa em jogar futebol até quando?Penso em jogar futebol até meu corpo sentir que pode competir em alto nível. No momento em que meu corpo deixar de sentir isso, acredito que é o momento de parar. Tem uma coisa que sempre penso: não quero que o futebol encerre a minha carreira. Eu tenho que encerrar a carreira no futebol.

O Messi está a dois gols de chegar aos 500 na carreira, e você é o cara que mais deu assistência para ele: 40. Dá para se sentir parte desse sucesso estrondoso do Messi?Acredito que todos os jogadores que fazem parte do Barça e que coincidiram com ele têm que se sentir parte. Para o Messi fazer gol, a bola tem que ser recuperada em algum momento. Em algum espaço do campo, a bola tem que ser passada para a finalização dele, mesmo que às vezes ele invente só. Então, botamos 50% que ele faz sozinho, e o resto tem que suceder alguma coisa para isso. Acredito que não só eu, como outros companheiros também, o Andrés (Iniesta), o Xavi no seu momento, eles deram muitas assistências para o Messi. Todos nos sentimos parte desse grande êxito dele.

O Messi é o melhor do mundo hoje a acaba de vencer sua quinta Bola de Ouro. Já existem comparações entre ele e Pelé. Você acha isso um exagero ou o Messi está quase lá?Não gosto de comparações. Acredito que todo jogador teve sua época, seu destaque, fez a diferença no seu tempo. E esse momento é do Messi, essa década é dele, como já foi do Pelé no momento dele. Só não acredito que esses jogadores durem para sempre. Não acredito que o Pelé até hoje é o melhor jogador da história do futebol. Acredito que o Pelé foi no seu momento, até mesmo porque agora o Pelé já não joga mais (risos). Mas acredito que o Maradona foi o melhor no seu tempo, pode ter sido, o Beckenbauer também, o Platini... Todos esses jogadores foram, já não são, porque vieram outros jogadores que marcaram suas épocas também. Por isso eu não gosto de comparações, porque acredito que todo jogador marcou sua época e ficou aí. O problema é que existem muitos egos, e os jogadores antigos querem continuar sendo jogadores, querem entrar nessa discussão de que "ah, esse não é melhor do que eu". Acredito que foi o melhor no seu momento. Agora há outros que são melhores, até porque houve evolução do futebol. Se você pega o Messi e coloca naquela época, de repente ele poderia competir com o Pelé. Mas são épocas distintas, diferentes, e acredito que todo jogador teve sua importância. E as comparações nunca são boas, nem com Messi, nem com Pelé, nem com outros jogadores.

Daniel Alves Barcelona (Foto: Ivan Raupp)Com um tênis de cada cor: estilo (Foto: Ivan Raupp)


O Neymar, por sua vez, caminha para ser o melhor do mundo em breve. Você acha que ele pode atingir esse feito mesmo jogando ao lado do Messi no Barcelona, no mesmo time?Acredito que sim, pela qualidade, pelo destaque que vem tendo e pelo diferencial que vem marcando dentro da nossa equipe. Mas é uma coisa que não decido eu, nem outros companheiros. São votos de outros jogadores e treinadores, e a única coisa que recomendo é que continue desfrutando do que faz e amando o que faz, assim com certeza as coisas individuais virão. É evidente que tem que ganhar coisas coletivas.

Neymar quer jogar Copa América e Olimpíadas. Enquanto isso, CBF e Barcelona negociam essa questão. Você acha que ele deveria jogar as duas? O que recomenda ao Neymar?O Neymar tem 24 anos, pode jogar o ano todo que não se cansa. Tenho uma opinião pessoal: se for para escolher, eu escolheria as Olimpíadas sem dúvida alguma. Ele ainda vai jogar um monte de Copa América. As Olimpíadas, de repente, não tantas. Mas não posso decidir nem pelo Barça nem pela Seleção, muito menos pelo Ney. O Ney quer jogar tudo, até poker, imagina o resto (risos).

O Dunga foi o primeiro treinador que te chamou para a seleção brasileira. Como você avalia o trabalho dele nessas duas passagens pelo cargo?Quem sou eu para avaliar... Foram etapas diferentes, e ele está em busca de melhorar como treinador e gestor de grupo. As pessoas debatem muito sobre ele, mas a primeira passagem dele foi muito exitosa, exceto na Copa do Mundo, onde fomos eliminados (nas quartas, pela Holanda). Mas acredito que aí está o profissional, o caráter. Independentemente do que aconteça, da dificuldade pela qual tivemos que passar, temos sempre que procurar ser melhores e fazer nosso trabalho diferente, com mais dedicação e inteligência para poder melhorar e, como consequência disso, fazer com que o grupo seja saudável.

Você está no Barcelona desde 2008 e sempre foi titular absoluto. O rendimento é indiscutível. Mesmo assim, a imprensa espanhola sempre te coloca na barca do Barcelona. Por que isso?Por isso que eu digo que indiscutível não é, porque discutem bastante sobre mim (risos). Mas acredito que move muito interesse. As pessoas não gostam de ter rivais, e a grande maioria da imprensa aqui me vê como um rival, porque normalmente não me calo para certo tipo de coisa, sempre falo a minha verdade. Sempre tento defender a minha verdade, e não as mentiras que colocam para vender jornais e serem populares. Essa é uma das coisas que menosprezo de verdade, quando você quer se destacar inventando mentiras, inventando situações, aí me tira do meu eu. Sou uma pessoa que gosta de defender o coletivo. Posso criticar o meu país, mas você não pode criticar o meu país. Você não sabe, nunca viveu, não conhece. É a minha forma. Eu posso criticar porque conheço, sei das irregularidades. Mas que não conhece só pode opinar. Criticar não pode.
Quero fazer tudo, menos fazer parte do futebol. Cada vez está mais sujo, mais prostituído, as pessoas se movem muito por interesse. Eu sou pouco interesseiro"
Daniel, sobre aposentadoria

A imprensa já te colocou no Chelsea e no PSG. De fato você já esteve perto de sair do Barcelona?Eu já joguei em um monte de clube e não saí daqui ainda (risos). Espero que continue assim, jogando em um monte de clube pela imprensa e continuar fazendo minha história aqui dentro desse clube tão grande e tão desejado por inúmeros jogadores. Sou consciente de que sou um privilegiado de coincidir com tantos fenômenos. Acredito também que tenho minha parcela nos êxitos dessa equipe.

Já sabe o que vai fazer quando parar de jogar futebol?Quero fazer tudo, menos fazer parte do futebol. Cada vez está mais sujo, mais prostituído, as pessoas se movem muito por interesse. Eu sou pouco interesseiro. O único interesse que tenho é conseguir tudo que almejo, todos os benefícios da minha vida através do meu trabalho, da minha dedicação, em tudo que eu fizer, seja no futebol, seja na vida. Quero sempre colher se eu plantar. Se eu não plantar, pode passar para outro.

Sobre o trio MSN: você já jogou com grande jogadores, mas já viu um trio tão poderoso como esse?Tive outros companheiros que formaram trios incríveis também, mas como esse eu nunca tinha coincidido. Acho que eles são os mais velozes e mais furiosos. Coincidi com outros jogadores que também se destacaram bastante aqui, mas esse é o melhor que já conheci.

Daniel Alves gol Barcelona x Villanovense (Foto: AFP)
Daniel Alves comemora gol pelo Barcelona 
(Foto: AFP)


Você já esteve em um grupo tão unido como esse?Não.

Esse é o diferencial?Esse é o diferencial.

E dá para comprar os trabalhos de Luis Enrique e Guardiola? O Luis Enrique já está no nível do Guardiola?Dá para comparar, apesar de eu não gostar de comparar. Todos tiveram seu tempo e sua época, e todos têm o seu destaque.


FONTE:
http://globoesporte.globo.com/futebol/futebol-internacional/futebol-espanhol/noticia/2016/03/dani-alves-poe-msn-no-topo-de-tudo-o-que-viu-mais-velozes-e-mais-furiosos.html

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