sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Por determinação da Justiça, clássicos no RJ terão torcida única




FUTEBOL



Medida atinge Flamengo, Fluminense, Botafogo e Vasco. Federação terá que adequar regulamento para semifinal do Estadual, dia 25 de fevereiro, data do próximo clássico




Por
Rio de Janeiro



Após cenas de violência antes da partida entre Botafogo e Flamengo, pela 4ª rodada do Campeonato Carioca, os clássicos entre clubes do Rio de Janeiro passarão a ter torcida única. O juiz Guilherme Schiling, do Juizado Especial do Torcedor e dos Grandes Eventos do Rio, tomou a decisão nesta sexta-feira, em caráter liminar, mas o Governo do Estado afirmou que vai recorrer da decisão.

O próximo clássico previsto no Estadual será na semifinal da Taça Guanabara, no dia 25 de fevereiro.
De acordo com o regulamento do Campeonato Carioca, o mando de campo das semifinais da Taça Guanabara (disputadas em jogo único) são do time de melhor campanha de cada grupo na fase de classificação. O mesmo vale para a Taça Rio. Em relação às finais de cada turno, o regulamento explica que o mando de campo se dará por sorteio.

Entorno Engenhão Botafogo x Flamengo (Foto: Marcelo Baltar)
Registro de confusão nos arredores do Nilton 
Santos: clássicos terão torcida única no 
Rio de Janeiro (Foto: Marcelo Baltar)


Para evitar conflitos, apenas torcedores dos clubes com o mando de campo poderão ter acesso ao estádio. A Federação será obrigada a se adequar, com risco de multa de R$ 30 mil por dia em caso de descumprimento da medida judicial.

Na ação do Ministério Público do Rio ainda consta o pedido de proibição de distribuição de ingressos para torcidas organizadas. Os quatro grandes clubes, que já haviam opinado nesta quinta-feira, também se posicionaram após a notícia. Flamengo, Fluminense e Vasco foram contrários; o presidente do clube de São Januário ainda afirmou que não terá jogo caso a determinação siga em vigor.



Confira o posicionamento dos clubes e da Federação após a determinação:

Rubens Lopes, presidente da Ferj
Tomei conhecimento da decisão estabelecendo torcida única nos clássicos  sob pena de multa diária de R$ 30 mil e tendo, inclusive, que mudar o regulamento. Vamos cumprir enquanto a decisão estiver prevalecendo. Entretanto, continuamos com a opinião de que não é isso efetivamente que vai influir na violência nos estádios. No interior, a prevalência e a incidência de atos violentos são insignificantes estatisticamente. O grande problema está fora dos estádios, às vezes até a  quilômetros de distância quando acontecem atos de vandalismo. Então, eu imagino que essa medida não traga grandes contribuições. Pelo contrário. Pode acirrar uma insatisfação daqueles que são sociopatas, que não têm direção, sem limites, que podem fazer emboscadas para outras torcidas em trajetos, na saída ou chegada dos estádios. Penso que  a solução efetiva e eficiente deve sair de um entendimento com os envolvidos. Não só o judiciário. Mas Polícia Militar, Polícia Civil, Guarda Municipal,  clubes, com todas as pessoas envolvidas no planejamento para ver se conseguimos reduzir o risco. Há muito anos a Federação de Futebol do Rio luta pela paz no futebol. Já fizemos inúmeras reuniões sobre o assunto, debatemos inclusive no Tribunal de Justiça, que tem uma comissão constituída para  o assunto. Mas de qualquer forma é uma decisão judicial e vamos cumprir incontestavelmente no momento.

Carlos Eduardo Pereira, presidente do Botafogo
Recebi com muita surpresa essa informação no sentido que os clubes tenham sido colocados como réu, uma vez que existe toda uma rotina de preservação em todos os clássicos. Rotina essa que é feita com os clubes, federação, forças policias, torcidas organizadas. É uma logística amplamente divulgada e sempre realizada sem nenhum problema. O que ocorreu é que ela foi quebrada no último domingo. Por ter sido quebrada, ocorreram cenas lamentáveis de violência. Se querem fazer experiência de torcida única, o Botafogo nada tem contra qualquer iniciativa em favor do pleno desenvolvimento do esporte, da segurança das pessoas, está sempre disposto a colaborar. Mas não dessa maneira

Eduardo Bandeira de Mello, presidente do Flamengo
O Flamengo é totalmente contrário à implantação da torcida única nos estádios, porque entende que a medida não resolveria o problema da violência. Já vimos conflitos entre torcidas do mesmo time e conflitos entre torcidas em locais muito distantes do estádios. Nós defendemos a punição exemplar dos criminosos na pessoa física e a proibição do comparecimento desses desordeiros travestidos de torcedores aos estádios. Quanto à medida judicial de hoje, não nos resta outra atitude senão à de cumpri-la. Quando o Flamengo for notificado, avaliará a possibilidade de interpor um recurso,

Nota oficial do Fluminense
O Fluminense Football Club é contra a decisão da Justiça que determina torcida única em clássicos do Rio de Janeiro. A instituição sempre tratou os seus rivais como adversários, jamais como inimigos, e lamenta o fato de o show protagonizado nas arquibancadas estar cada vez mais comprometido. A torcida tricolor já proporcionou lindas festas ao longo dos últimos anos e elas ficam ainda melhores quando há coirmãos ao lado. Esperamos que a medida não seja definitiva e que o bom senso prevaleça, pois quem sai perdendo nessa situação é o verdadeiro torcedor.

Eurico Miranda, presidente do Vasco
Eu só quero saber uma coisa: que torcida vai para o jogo de definição? Quem vai determinar que é jogo de torcida única? Se tiver torcida única na final, não tem jogo, o Vasco não vai jogar, porque não há juiz que determine algo assim, está acima de qualquer raciocínio lógico. Tem uma coisa chamada raciocínio lógico. Não há como você cumprir essa determinação. Não quero nem entrar no mérito se é interessante ou não, isso é outra discussão, mas é algo que não existe.


FONTE:
http://globoesporte.globo.com/rj/futebol/noticia/2017/02/por-determinacao-da-justica-classicos-no-rj-terao-torcida-unica.html

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