sábado, 13 de dezembro de 2014

Após fim de maldição, Cruz Azul estreia para encerrar seca mexicana


Cementeros encerraram jejum de 16 anos sem títulos em 2013, vivem nova fase e são os candidatos a ser o primeiro time do país a chegar à decisão do Mundial


Por
Rabat, Marrocos
 

Quando conquistou o Campeonato Mexicano de Inverno de 1997, o Cruz Azul não imaginava que teria pela frente um longo período de seca. Um dos maiores clubes do país, dono da terceira torcida mais numerosa e recordista de títulos da Concachampions, o time acumulou, nos anos seguintes, sete vice-campeonatos em diversas competições. A fase só virou em 2013, com o título da Copa México, e melhorou com a conquista continental de 2014, que deu vaga ao Mundial de Clubes, pelo qual a Máquina Cementera estreia neste sábado, às 17h30 (de Brasília), no estádio Prince Moulay Abdellah, em Rabat, contra o Sydney Wanderers, pelas quartas de final. A missão, agora, é apagar os antigos fracassos do país e ser o primeiro finalista mexicano no torneio. O SporTV transmite o jogo ao vivo, e o GloboEsporte.com acompanha em Tempo Real.

A “maldição” do Cruz Azul teve de tudo. Finais perdidas nos últimos minutos, sequestro de um treinador, Rubén Omar Romano, em 2005, suspensão por escalar um jogador punido no antidoping (Carmona, em 2007). A lenda no México dá conta de que tudo começou com uma piada feita pelo atacante Paco Palencia após o título de 1997.

- Agora temos 17 anos para voltar a ser campeões – teria dito o jogador. 

Cruz Azul, comemoração, Copa México (Foto: Site Oficial do Cruz Azul)
Cruz Azul comemora o título da Copa México 
(Foto: Site Oficial do Cruz Azul)


o motim de loco abreu

O episódio mais inusitado da seca aconteceu em 2003. O Cruz Azul perdeu 10 jogos seguidos no Campeonato Mexicano, e a diretoria resolveu mudar as regras. Propôs aos atletas um acordo: eles só ganhariam 100% de seus salários se conquistassem, pelo menos, 30 pontos no restante do torneio. Onze jogadores, liderados por Loco Abreu, não aceitaram – entre eles, Palencia.

- Quando Loco Abreu esteve aqui, juntou diversos jogadores para exigir salários melhores. A diretoria decidiu, então, utilizar jogadores da categoria de base para completar o elenco. A torcida gostava dele, ele jogou bem, mas não foi muito relevante – explicou o jornalista mexicano Rubén Rangel.

Desde 1997, o Cruz Azul foi vice-campeão mexicano cinco vezes. A última, no Clausura de 2013, foi a mais dolorida: os cementeros perderam nos pênaltis para o rival América em maio. Mas a recuperação já havia começado. Um mês antes, o time havia conquistado a Copa México sobre o Atlante, pondo fim ao jejum do período “profetizado” por Palencia.


Coletiva Cruz Azul - Torrado e Luiz Fernando Tena (Foto: Felipe Schimidt)
Torrado e Tena em coletiva de imprensa no 
Marrocos (Foto: Felipe Schimidt)


carrasco do brasil comanda título continental

A recuperação definitiva veio em 2014. Com a chegada do técnico Luis Fernando Tena, campeão pelo clube da Concachampions em 1996 e 1997 e comandante do México na medalha de ouro na Olimpíada de Londres, em 2012, contra o Brasil, os cementeros voltaram a conquistar o continente - foi o sexto título na história. O que mudou?


- Na verdade, é o contrário. Não houve mudanças. Há um ano, o time perdeu a final contra o América quando parecia que seria campeão em pleno estádio Azteca. Creio que fizeram boas contratações. Mas ainda há um medo coletivo, chegam com a ideia de que sempre perdem as finais, e também há muito azar. Os jogadores que viveram isso por anos talvez passem isso para os  mais novos – analisou Rangel.

- Agora, damos mais importância a este torneio. Queremos chegar aqui e ter relevância. Sonhamos enfrentar o Real Madrid, que é o melhor time do mundo - resumiu Tena.


Pavone e Marco Fabián gol Cruz Azul (Foto: EFE)
Cruz Azul quer manter caminho das glórias 
(Foto: EFE)


Times fortes para superar fracassos mexicanos

No Mundial, o Cruz Azul chega com status de favorito para encarar o Sydney Wanderers, da Austrália. Tem em seu elenco nomes conhecidos, como os atacantes argentinos Pavone e Formica, o goleiro Corona e o meia Fabián, presentes na seleção olímpica que derrotou o Brasil em 2012.

Um dos mais experientes do elenco, o volante Torrado, desde 2005 no clube, acredita que a maldição não foi totalmente afastada – ainda é preciso conquistar o Campeonato Mexicano -, mas trata com naturalidade o assunto.

- Sabemos da importância e da responsabilidade dos jogadores. Nossa equipe sempre saiu como favorita ao título, sempre buscando ser campeã. Chegamos em muitas finais, conseguimos dois títulos, mas não da liga ainda. Estamos sempre buscando algo melhor – disse o jogador.

Se o fantasma não foi totalmente embora, o Cruz Azul tem a chance de afastá-lo mais um pouco neste sábado. Além disso, há também o retrospecto ruim dos times mexicanos, que nunca chegaram à final do torneio. Nos últimos três anos, o Monterrey foi o representante e conseguiu, no máximo, ser o terceiro colocado.

- Temos que aprender com as experiências que tiveram os times mexicanos. Não há rival fácil. Teremos de jogar um futebol quase perfeito para avançar à final – finalizou Torrado.

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