sábado, 18 de julho de 2015

Aline, após gesto: "Brasil sofreu com os militares, mas precisa ser otimista"

Bronze na luta olímpica, Aline Silva presta continência durante a cerimônia do pódio, revela orgulho por fazer parte da Marinha e diz que país precisa pensar para a frente



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Direto de Toronto, Canadá

 
Bronze na luta olímpica estilo-livre, a brasileira Aline Silva repetiu o gesto de outros atletas brasileiros e prestou continência enquanto a bandeira do Brasil subia na cerimônia do pódio em Toronto. Atleta do peso até 75kg, a paulista é mais uma integrante do Programa de Alto Rendimento dos Ministérios da Defesa e do Esporte no Time Brasil. Aos 29 anos está há quase dois na Marinha. Treinada dentro das regras militares, Aline desde os 18 anos sonhava em seguir carreira, mas a rotina de treinos nunca ajudou. Por isso, ela disse estar orgulhosa pelo ato, lembrou que a ditadura militar fez o Brasil sofrer demais, mas alertou que é hora de pensar para a frente e unir cada vez mais o militarismo ao esporte.

- As pessoas precisam entender o que isso significa para os atletas, é um apoio muito grande. Se meu clube me mandar embora, tenho onde correr. Tenho estrutura no Cefan (Centro de Treinamento da Marinha, no Rio), tenho um salário. Tudo bem que o Brasil sofreu muito com os militares, mas é hora de pensar para a frente. Os atletas precisam disso, os jovens precisam disso. Poder olhar para os policiais com respeito e mudar um pouco essa política no Brasil. Unir o esporte com o militarismo é um bom caminho. Vamos ser um pouco mais otimistas. Sou muito realizada. Me realizei entrando para a Marinha - disse Aline.


Aline Silva com a medalha de bronze do Pan-Americano (Foto: Divulgação/ COB)
Aline Silva com a medalha de bronze do Pan-
Americano (Foto: Divulgação/ COB)


Antes da lutadora, diversos outros atletas do Brasil prestaram continência ao símbolo nacional. Todos fazem parte do  Programa de Alto Rendimento dos Ministérios da Defesa e do Esporte. A atitude gerou debate no Brasil e muitos falaram em gesto político. O Comitê Olímpico do Brasil (COB), chegou a emitir uma nota dizendo-se orgulhoso do ato dos atletas, segundo a entidade um ato de respeito ao país e aos preceitos militares, e descartou qualquer ligação política. Aline também relembrou de quando foi para a Marinha.

- Sou muito orgulhosa de estar na Marinha. É um sonho resgatado. No judô, aos 18, pensava em fazer prova para entrar na Aeronáutica. Não consegui estudar por conta dos treinos e meu sonho passou. Aos 27 anos, ouço que a Marinha estava abrindo edital e eu tinha chance de entrar. Quando entrei, fiz todo aquele treinamento de incorporação, aprender a rotina militar. Regras. É demais. Um sonho. Para mim, hoje, é reconhecer e ter conquistado mais um dos meus sonhos - disse a lutadora.

Com apenas oito lutadores na chave pan-americana, Aline Silva começou já nas quartas de final. Mas deu azar no chaveamento da luta olímpica estilo-livre. Ela pegou logo a atual líder do ranking mundial, a americana Adeline Gray. Perdeu em dois minutos e teve que torcer para a rival. Caso Adeline chegasse até a briga pelo ouro, ela teria automaticamente o direito de disputar o bronze contra a lutadora derrotada por Gray. E assim foi. Aline encarou a portorriquenha Ana Gonzalez e venceu, ficando com o bronze. A brasileira, porém, está de olho é em Adeline, e diz que ela não é imbatível.


- Ninguém é imbatível. O esporte te ensina isso. Nada é impossível. O campeão é aquele que não parou. É trabalhar que posso chegar lá - garante a brasileira.

Aline Silva bronze luta olímpica Pan-Americano 2015 (Foto: Geoff Burk/Reuters)
A brasileira levou o bronze ao vencer 
a portorriquenha Ana González 
(Foto: Geoff Burk/Reuters)


FONTE:

Angélica capricha no carão e aposta em samba e dança sexy na ginástica

Brasileira se dedica às interpretações para agradar juízes na ginástica rítmica. Depois de se apresentar no arco e na bola, será a vez da fita e das maças, neste sábado



Por
Direto de Toronto, Canadá


Angélica Kviecznski em sua apresentação no arco, no Pan de Toronto (Foto: Ricardo Bufolin / CBG)Angélica Kviecznski em sua apresentação no arco, no Pan de Toronto (Foto: Ricardo Bufolin / CBG)


As horas “perdidas” na frente do espelho imitando as atrizes de novela na infância trouxeram frutos para a Angélica Kviecznski. Hoje, o principal nome do ginástica rítmica do Brasil tem como trunfo em suas apresentações justamente a interpretação. É assim, apostando no carão, que a bela atleta espera subir ao pódio dos Jogos Pan-Americanos de Toronto. Na primeira parte da disputa, na sexta-feira, a brasileira terminou sem terceiro no geral e se classificou para as finais de dois aparelhos (arco e bola). Para a segunda parte do individual, neste sábado, preparou um repertório variado, com direito a vanerão (dança típica do Rio Grande do Sul), samba e coreografia sexy.

- Meu sonho sempre foi fazer teatro, eu adoro interpretar. Sempre gostei. Desde pequena, ficava na frente do espelho, imitando o que passava nas novelas. Ganhei até um curso de poesia porque interpretei muito bem – contou, orgulhosa, a ginasta. 

Confira a galeria de caras e bocas do Pan

As expressões faciais e corporais durante as coreografias ajudam a passar para os juízes a história da música. A ginasta de 23 anos está sempre bem atenta a isso ao montar suas coreografias e, principalmente, na hora de apresentá-las. 

- Você tem que interpretar o que a música pede, tem que passar para arbitragem e para o público toda a história da música. Ela é muito importante. Talvez a parte mais difícil seja escolher a música certa. Eu estudo a história toda da música, monto uma coisa na minha cabeça e tento passar isso. E isso sem falar no amor. Tudo que se faz com amor é muito melhor - disse Angélica, que terá a companhia de Nathália Gáudio nas apresentações deste sábado.


Angélica Kviecznski em sua apresentação no arco, no Pan de Toronto (Foto: Ricardo Bufolin / CBG)
Angélica Kviecznski em sua apresentação no 
arco, no Pan de Toronto (Foto: 
Ricardo Bufolin / CBG)


Foi assim, apostando na interpretação, que Angélica faturou quatro medalhas nos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara 2011. A bela jovem nascida na cidade de Toledo, no Paraná, foi prata nas maças e bronze no arco, na bola e no individual geral (o primeiro do Brasil). Nesta sexta-feira, Angélica começou sua trajetória em Toronto, no individual geral. Apesar de reclamar com a arbitragem de uma de suas notas, a ginasta completou a primeira parte da disputa (arco e bola) em terceiro lugar. Neste sábado, será a vez das maças e da fita. 

- As coreografias são muito boas. Na bola e no arco, as coreografias foram mais dramáticas, mas as de sábado vão ser mais alegres. Nas maças, é um vanerão, com samba, bem brasileiro. Já a série de fita é mais sexy – contou Angélica. 

Angélica Kviecznski em sua apresentação no arco, no Pan de Toronto (Foto: Ricardo Bufolin / CBG)
Angélica Kviecznski em sua apresentação 
no arco, no Pan de Toronto 
(Foto: Ricardo Bufolin / CBG)


A roupa e a maquiagem também prometem estar impecáveis neste sábado mais uma vez. Angélica faz questão de acordar cinco horas antes da competição para começar a se produzir com calma. O cuidado não é por simples vaidade. Os detalhes da pintura no rosto também são importantes para ajudar a marcar as expressões durante a apresentação. 

- Fica bonito e marca mais a expressão do rosto. Como a gente tem que fazer muitas expressões, isso é importante. Essa parte é um grande diferencial meu para as outras ginastas que estão aqui. E a maquiagem acaba auxiliando nisso de interpretar a série.


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