quarta-feira, 8 de abril de 2015

Em quatro meses, São Paulo vai da euforia à frustração; veja os motivos

Dentro e fora de campo, clube não se acerta, problemas aumentam... e ano que parecia promissor se transforma em pesadelo ainda no primeiro semestre


Por
São Paulo
 
Quatro meses. Tempo em que o São Paulo saiu da euforia para o desânimo. O vice-campeonato brasileiro do ano passado, a manutenção do elenco e a contratação de reforços deram ao torcedor a certeza de que o ano prometia para o Tricolor. De que o jejum de títulos importantes poderia ser quebrado. Mas, com apenas quatro meses, o time que começou mal não esboça reação, não tem padrão de jogo e acaba de perder seu treinador.

Para piorar, o elenco está cada vez mais pressionado pela sequência de resultados ruins e pelas constantes ameaças de membros de torcidas organizadas.

ENQUETE: 
quem deve ser o técnico do São Paulo?

Estádio do Morumbi (Foto: Marcos Ribolli)
Estádio do Morumbi vazio, no jogo contra o 
São Bento: sinal dos tempos... (Foto: 
Marcos Ribolli)


O ano tricolor começou na primeira fase do Paulistão. Mas o primeiro grande teste veio no dia 18 de fevereiro, na derrota para o Corinthians. Vieram mais três clássicos, com duas derrotas e um empate - e nenhum gol marcado até o momento contra os grandes rivais do estado.

Na Libertadores, o sorteio colocou a equipe num grupo difícil, e hoje, faltando duas rodadas, o time ocupa a segunda colocação, na briga direta com o San Lorenzo por uma vaga.
O GloboEsporte.com enumera abaixo os motivos da crise do Tricolor:


saída de kaká

Kaká São Paulo (Foto: Site Oficial / saopaulofc.net)
Kaká deixou o São Paulo em dezembro e se 
transferiu para o Orlando CIty (Foto: 
Site Oficial / saopaulofc.net)


É unânime nos lados do Morumbi que foi a presença de Kaká o motivo da reação do time no segundo turno do Campeonato Brasileiro - o Tricolor chegou a brigar pelo título com o Cruzeiro. Todos sabiam que o meia iria embora no final do ano para o Orlando City, mas ninguém esperava tamanha queda de rendimento da equipe. Dentro de campo, o São Paulo perdeu um cara que ajudava muito taticamente, era inteligente e, que acima de tudo, tinha postura de líder, como Rogério Ceni. Fora das quatro linhas, o ambiente piorou após a saída do jogador.


saúde de muricy

Muricy Ramalho, Botafogo-SP X São Paulo (Foto: Rogério Moroti / Futura Press)
Atrapalhado pelos problemas de saúde, Muricy 
não conseguiu arrumar o Tricolor (Foto: 
Rogério Moroti / Futura Press)


Desde o começo da temporada, Muricy não foi o Muricy que todos conheciam. Depois de ter sido internado com uma arritmia em setembro de 2014, ele voltou ao hospital logo em janeiro por causa de uma diverticulite. O treinador passou a evitar os excessos, mudou de postura na linha lateral e pouco falava com os jogadores. Ele simplesmente não conseguia mais fazer o time reagir.. A gota d'água foi a derrota para o Botafogo, no último domingo. No dia seguinte, ele disse que precisava se cuidar e, em comum acordo com a diretoria, acabou indo embora.


fragilidade tática

Além dos problemas de saúde enfrentados por Muricy, alguns jogadores não estavam satisfeitos com o trabalho do treinador. A fragilidade tática da equipe, a falta de padrão e as constantes mudanças desagradavam. Muricy não achou um time ideal. Outras queixas eram quanto aos métodos de treinamento aplicados pelo ex-técnico, que costumava dar muito trabalho em campo reduzido, cruzamentos e finalizações. Coletivos eram raros. A alegação era de que ele estava ultrapassado e isso explicaria o desempenho nos clássicos contra o Corinthians (de Tite) e Palmeiras (de Oswaldo de Oliveira).


queda de rendimento

Paulo Henrique Ganso, São Paulo (Foto: Igor Amorim / saopaulofc.net)
Ganso caiu muito de rendimento em relação 
ao futebol mostrado em 2014 (Foto: 
Igor Amorim / saopaulofc.net)


Além do trabalho de Muricy não ter rendido, o que também atrapalhou foi que as principais peças da equipe não renderam o esperado. Rogério Ceni falhou nos clássicos contra os principais rivais. Paulo Henrique Ganso é o jogador mais criticado pela torcida, cansada da apatia mostrada pelo jogador nas partidas. Luis Fabiano, que atualmente se recupera de uma contratura na coxa esquerda, é outro em baixa. Ele fez três gols no ano e tem deixado a desejar nos jogos decisivos. Os volantes Souza e Denilson também não rendem o melhor futebol.


reforços não vingam

Carlinhos São Paulo Bruno São Paulo (Foto: Marcos Ribolli)
Contratados, Carlinhos e Bruno haviam sido 
barrados por Muricy Ramalho por deficiência 
técnica (Foto: Marcos Ribolli)


Com a base de 2014 mantida, Muricy Ramalho pediu a contratação de reforços para a atual temporada. Chegaram: os laterais Bruno e Carlinhos, os zagueiros Breno e Dória, os volantes Thiago Mendes e Wesley, e os meias Daniel e Centurión. Dos que estrearam (Daniel, Wesley e Breno ainda não foram utilizados), ninguém rendeu o esperado. Bruno e Carlinhos, que começaram como titulares absolutos, haviam sido barrados por Muricy. Centurión, que custou R$ 14 milhões, já foi multado pela diretoria por ter se reapresentado com atraso da Argentina. 


crise política

Carrossel Aidar X Juvenal - São Paulo (Foto: Editoria de arte)

Se dentro de campo as coisas não vão bem, fora andam ainda pior. O atual presidente, Carlos Miguel Aidar, e o antecessor, Juvenal Juvêncio, trocam acusações a todo instante. Em um dos episódios mais quentes dessa guerra fria, a namorada do mandatário, Cinira Maturana, foi acusada pela oposição de receber comissões. O vice de futebol, Ataíde Gil Guerreiro, é criticado por gente de dentro do clube, insatisfeita com seus métodos de trabalho. Muricy e Aidar também trocaram farpas via imprensa. Constantemente, o clube está em ebulição.


problemas financeiros

O São Paulo sofre para manter as contas em dia. O clube está sem patrocinador e, para não ver a situação piorar, recorreu a empréstimos bancários. Somente em juros, são pagos R$ 2,8 milhões por mês. Os direitos de imagem e dos jogadores chegaram a atrasar no começo do ano. Um novo empréstimo foi feito e tudo foi quitado. O próximo débito é de aproximadamente R$ 3 milhões ao técnico Muricy Ramalho, valor correspondente a metade dos salários que ele receberia até o final do contrato. 


FONTE:
http://glo.bo/1JnLaZx

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