terça-feira, 31 de julho de 2012

Oito rodadas depois, Herrera ainda lidera artilharia do Bota no Brasileiro


Argentino tem quatro gols, mesmo número de Andrezinho. Elkeson soma três e deve formar dupla de ataque com Rafael Marques contra o Palmeiras

Por Thales Soares Rio de Janeiro

Elkeson treino Botafogo (Foto: Thales Soares / Globoesporte.com)Elkeson e Rafael Marques: a dupla de ataque do
Botafogo (Foto: Thales Soares / Globoesporte.com)


Há um mês e meio, o Botafogo venceu o Internacional por 2 a 1, no Beira-Rio, pela quinta rodada do Campeonato Brasileiro. O time vivia seu melhor momento na competição. Naquele jogo, o argentino Herrera se despediu do clube, que defendia desde 2010, para jogar nos Emirados Árabes. Oito rodadas se passaram e ele ainda é o artilheiro do time, com quatro gols marcados, ao lado de Andrezinho, que chegou ao mesmo número apenas na vitória por 1 a 0 sobre o Figueirense, sábado, no Engenhão.


A situação deixa evidente a dificuldade do técnico Oswaldo de Oliveira em encontrar o seu novo finalizador. Tentou com Elkeson, que, feito um furacão, marcou três gols em dois jogos e parecia ser a solução. No entanto, passou em branco nos últimos quatro que disputou. Contratado para ocupar o espaço deixado por Herrera e Loco Abreu, emprestado ao Figueirense, Rafael Marques já atuou quatro vezes, sendo duas como titular, mas ainda não fez gols.
Na temporada, Herrera também é o principal goleador do time. Ele marcou 15 gols. O segundo ainda é o Loco Abreu, com 12, que se despediu do clube no dia 24 de junho, quando a Ponte Preta venceu o Botafogo por 2 a 1, no Engenhão, pelo Brasileiro. Elkeson vem em terceiro, com dez.


Contra o Palmeiras, quarta-feira, na Arena Barueri, na estreia do time na Copa Sul-Americana, a dupla de atacantes deve ter a chance de atuar junta pelo segundo jogo seguido. Elkeson mostra confiança em um bom resultado para aproveitar a vitória com o Figueirense, pelo Brasileiro, sábado, para embalar novamente na temporada.


Com certeza dá mais ânimo. O time vinha de quatro jogos sem vencer. Foi bom para dar tranquilidade e já voltar a pensar em coisas grandes. Vamos tentar ganhar na quarta-feira. A bola voltou a entrar. A equipe é forte e está se entrosando com os novos jogadores"
Elkeson

- Com certeza dá mais ânimo. O time vinha de quatro jogos sem vencer. Foi bom para dar tranquilidade e já voltar a pensar em coisas grandes. Vamos tentar ganhar na quarta-feira. A bola voltou a entrar. A equipe é forte e está se entrosando com os novos jogadores - disse Elkeson, em entrevista ao site oficial do Botafogo.


Apesar da expectativa do jogador, seu companheiro Rafael Marques ainda vive uma situação complicada. O atacante foi substituído no intervalo do jogo com o Figueirense. Durante o primeiro tempo, ele precisou ouvir os gritos de Loco Abreu, que deixou o clube depois de dizer que não se encaixava no sistema de jogo de Oswaldo de Oliveira.


- O Rafael está buscando entrosamento. Falta tempo de treinamento e a gente está conversando bastante. É esperar a oportunidade que os mesmos que estão vaiando irão aplaudi-lo quando fizer o gol. O torcedor é movido pela paixão e quer que o time ganhe. É normal que aconteça esse tipo de situação quando o jogador não acerta - explicou Renato.


Nos dois jogos que disputou como titular, Rafael Marques viveu situações distintas. Contra o Santos, em sua estreia, foi o jogador do Botafogo que mais finalizou, com três tentativas. Já na vitória sobre o Figueirense, não conseguiu arriscar uma sequer, enquanto Elkeson chutou quatro vezes ao gol.

FONTE:
http://globoesporte.globo.com/futebol/times/botafogo/noticia/2012/07/oito-rodadas-depois-herrera-ainda-lidera-artilharia-do-bota-no-brasileiro.html

Turbulência diária e sobrevivência: Cristóvão se define como equilibrista


Perto de completar um ano à frente do Vasco, técnico acredita estar perto do primeiro título e comemora sucesso do trabalho

Por Gustavo Rotstein Rio de Janeiro

cristovao borges vasco treino (Foto: Jorge William / Agência O Globo)Cristóvão celebra equilíbrio em meio a turbulências
(Foto: Jorge William / Agência O Globo)

As declarações são fortes. Cristóvão Borges fala temendo soar como soberba. Mas a maneira serena de se expressar mostra que tudo não passa de autoconfiança. Perto de completar um ano como técnico titular do Vasco – após substituir Ricardo Gomes, afastado em 28 de agosto por problema de saúde –, o baiano de 53 anos tomou gosto pelo desafio, pela pressão e pelo sucesso. Embora líder de uma campanha quase impecável no Campeonato Brasileiro, ele ainda não é unanimidade no clube, principalmente com a torcida. Em sua trajetória, os bons resultados estão lado a lado com problemas a serem resolvidos.


Cristóvão garante lidar com tudo isso da melhor maneira possível. Mesmo com a saída quase simultânea de Romulo, Diego Souza, Fagner e Allan, ele se orgulha de manter o Vasco competitivo e imune ao que define como “turbulências diárias”. Em pouco tempo como treinador, entendeu que precisa se alimentar das cobranças e responder a elas com bons resultados. Até o momento, sua missão é um sucesso.


Em entrevista ao GLOBOESPORTE.COM, Cristóvão admite que temeu pelo seu trabalho com a debandada de jogadores no Vasco. Por outro lado, comemora como um título o que, segundo ele, foram três semanas de provação no momento seguinte à negociação dos quatro jogadores. Por fim, define o seu trabalho à frente de um time de grande expressão.
- Treinador deveria se chamar equilibrista - resumiu.


A habilidade mostrada em pouco tempo de carreira dá a Cristóvão a confiança de acreditar que o carimbo de campeão está perto:


- Se não for agora, vai ser daqui a pouco.


GLOBOESPORTE.COM - O Vasco faz uma excelente campanha no Brasileiro, com sete jogos de invencibilidade e cinco sem sofrer gols, apesar das recentes perdas de jogadores importantes
. Como foi possível manter o alto nível?
Cristóvão Borges - Desde o início da temporada venho buscando o equilíbrio da equipe. Sabia que em algum momento isso aconteceria. No fim do ano passado nós trocamos alguns jogadores e chegaram outros com características diferentes. Por isso, o time precisou ser refeito. O Vasco sempre teve vocação ofensiva, mas agora tem mais força física. Aliás, a excelente preparação física é a base dessa reorganização tática. Está ficando do jeito que eu quero.
Que mudanças foram essas?
A Copa Sul-Americana e a Libertadores me confirmaram que havia a necessidade de aumentar nossa dinâmica e a intensidade do jogo. O grande alerta foi ver e jogar contra o Universidad de Chile. Falta essa dinâmica e essa intensidade no futebol brasileiro. Atualmente isso acontece aqui apenas em jogos pontuais. Estou muito feliz, porque os resultados vieram e a equipe se mantém sem levar gols. Um grande teste foi o clássico contra o Botafogo. Foi uma partida de alta intensidade, como imagino que deva ser o futebol brasileiro. Fomos bem e vencemos uma grande equipe.


As negociações de Romulo, Allan, Diego Souza e Fagner surpreenderam?


cristovão borges vasco x Botafogo (Foto: Wallace Teixeira / Agência Estado)Cristóvão orienta o Vasco: sonho do carimbo de
campeão (Foto: Wallace Teixeira / Agência Estado)

Sabia que as saídas eram inevitáveis. Terminamos a última temporada em alto nível, tivemos jogadores convocados para a Seleção e fomos para outro patamar. Eu contava com a saída do Romulo e do Dedé. Em relação ao Dedé, o que me aliviava era seu desejo de permanecer no Brasil. Mas tinha certeza de que o Romulo não ficaria. Meus amigos que moram fora do Brasil só falavam do Romulo. Todo europeu que vinha ver o Vasco jogar só falava dele.


Chegou a temer pelo futuro do seu trabalho no Vasco quando viu tantos jogadores deixarem o clube quase ao mesmo tempo?
Sabia que teria de achar soluções para as perdas. Desde o início do ano trabalhei pensando nisso. Mas nesse período me preocupei muito e tive dúvidas sobre a sequência do trabalho, sim. As últimas três semanas foram desafiadoras. Poderia acontecer o que aconteceu ou o trabalho poderia ter sido quebrado. Vínhamos de um jogo contra o Atlético-GO que foi o pior do Vasco sob o meu comando, apesar da vitória por 1 a 0. Naquela partida fizemos muitas coisas ruins. Foi assustador, mas serviu como alerta.


Como é possível manter o Vasco no rumo do sucesso convivendo com problemas como a desconfiança da torcida e a insatisfação declarada de jogadores com o banco de reservas?
Minha resposta é estar no Vasco esse tempo todo com um trabalho regular"
Cristóvão Borges

Mesmo com essa boa campanha, vivemos turbulências diárias. Isso não é fácil. Por isso, vejo a gente sobrevivendo. E qualquer turbulência, dependendo da administração dela, pode atrapalhar o trabalho. Por exemplo, nem sei explicar como sobrevivi a essa insistência de Juninho e Felipe não jogarem juntos. Inflaram algo que é simples de resolver e durante um tempo isso virou uma verdade. Isso não tem qualquer proveito para nós, mas tem proveito para as redes sociais e para enquetes. Também não tenho problemas com a insatisfação de jogadores, mas tem muita gente que valoriza demais. Nos grandes clubes, qualquer um pode ser reserva. É normal Juninho, Felipe e Diego Souza não ficarem satisfeitos. Mas isso acaba virando um monstro e se não for bem administrado, pode quebrar tudo. Claro que precisa ser noticiado, mas a repercussão acaba sendo a repercussão, e não o fato. Do jeito que nós sobrevivemos a isso, podemos fazer coisas boas.
Deve ser complicado em pouco tempo de carreira conseguir trabalhar todas essas situações...
Treinador deveria se chamar equilibrista. Todo dia alguém dá um beliscão na corda. Mas não reclamo, porque sou treinador do Vasco. Caso contrário, como diz o Felipão, deveria treinar o Bambala. O pior é quando você vai para a guerra de revólver. Mas quando você tem uma artilharia, tudo bem. Eu tenho um grande time. Então, apesar de qualquer problema, eu levo fé. O diferencial é o grupo de jogadores, que é sensacional. Tenho apoio e já mostrei que tenho capacidade. Então, estou pronto.


Por conta de tudo isso, acredita que ainda falta reconhecimento?
Não reclamo de nada. Minha resposta é estar no Vasco esse tempo todo com um trabalho regular. Acho difícil que haja algum outro time com a regularidade do Vasco neste período de um ano.
 Com 76% de aproveitamento no Brasileiro, vou reclamar de quê? Mas para mim é pouco. Eu quero mais. Eu quero muito.


Um título de campeão brasileiro serviria para consolidar sua carreira como treinador?
A carreira precisa de um carimbo de campeão. Estou no caminho. Se não for agora, vai ser daqui a pouco. Se mantiver esse ritmo, acho que vou chegar. Mas sei que isso custa, é trabalhoso. É difícil até para os experientes.

FONTE:
http://globoesporte.globo.com/futebol/times/vasco/noticia/2012/07/turbulencia-diaria-e-sobrevivencia-cristovao-se-define-como-equilibrista.html