sábado, 18 de julho de 2015

Peso do ouro: França mira a medalha olímpica, e Rippel desbanca top do tiro

Nadador teria sido bronze com 59s21 em Londres, e atirador vence líder do ranking mundial. Etiene conquista 1º ouro da natação feminina, e Júlio garante vaga extra



Por
Toronto, Canadá

 
O desempenho do Brasil no Pan sempre dá esperança aos torcedores em relação às medalhas nas Olimpíadas no ano seguinte. Especialmente desta vez, quando os Jogos de 2016 serão disputados no Rio de Janeiro. Pensando nisso, o GloboEsporte.com analisa cada medalha de ouro da delegação verde-amarela em Toronto 2015 dando o peso que cada uma delas tem no cenário mundial. Em caso de esporte ou prova não olímpica, o atleta ficará sem avaliação.

Peso do ouro - Felipe França - Natação - 100m peito (Foto: GloboEsporte.com)

A dedicação à prova dos 100m peito está rendendo frutos. O título do Pan era esperado, mas o tempo de 59s21 é excelente. Foi o terceiro melhor do mundo em 2015. Não para por aí. Tanto nas Olimpíadas 2012 quando no Mundial de Barcelona em 2013, o brasileiro teria sido bronze. E incomodando mais os dois principais concorrentes ao pódio, o sul-africano campeão olímpico Cameron van der Burgh e o australiano campeão mundial Christian Sprenger. Ambos que se cuidem, porque França está chegando...

Peso do ouro - Cássio Rippel - Tiro Esportivo - Carabina deitado 50m (Foto: GloboEsporte.com)

Rippel não venceu de qualquer um. Ele teve pela frente o americano Michael McPhail, líder do ranking mundial da prova e vencedor de duas etapas da Copa do Mundo disputadas neste ano em Munique, na Alemanha, e Fort Benning, nos EUA. E Cássio, 18º do ranking, vem crescendo campeonato a campeonato. Chegou à final e ficou em quinto na mesma etapa alemã que o atirador dos Estados Unidos dominou. A pontuação de 207.7 foi boa, mas, para subir ao lugar mais alto do pódio no Rio 2016, precisa melhorar.

Peso do ouro - Etiene Medeiros - Natação - 100m costas (Foto: GloboEsporte.com)

Enfim chegou o primeiro ouro da natação feminina do Brasil. E não foi a única barreira atravessada pela atleta. Ela baixou de 1 minuto seu tempo, marcando 59s61 em Toronto. Isso é muito significativo. Ainda falta para chegar ao pódio em Olimpíadas e Mundial, classificação à final em ambas as competições é quase uma certeza nadando da mesma maneira. Ela teria sido oitava em Londres 2012 e quinta em Barcelona 2013. Está no caminho para voos maiores. Diminuindo ainda mais o tempo, começa a vislumbrar um lugarzinho no pódio.

Peso do ouro - Júlio Almeida - Tiro Esportivo - Pistola 50m (Foto: GloboEsporte.com)

Fora de sua especialidade - que é a pistola de ar 10m -, o brasileiro brilhou. Não tinha atletas de tanto renome quanto na prova de Cássio, mas havia equilíbrio. O cubano Grau, que foi prata, e o americano Mowrer, quinto colocado, estão próximos de Júlio no ranking mundial da prova de pistola 50m. De quebra, Almeida ainda assegurou a 10ª vaga para o Brasil no Rio 2016 numa prova de tiro esportivo em que ainda não havia representante. É claro que ainda falta para chegar a uma medalha ou mesmo a uma final olímpica, mas Júlio é certeiro.

 Confira o calendário de todos os eventos do Pan de Toronto
 Confira o quadro de medalhas do Pan

Acompanhe a série Peso do Ouro:
Dia 1 - Érika Miranda (judô)
Dia 2 - Charles Chibana (judô), Felipe Wu (tiro esportivo) e Marcel Stürmer (patinação)
Dia 3 - Tiago Camilo (judô) e Isaquias Queiroz (canoagem)
Dia 4 - Arthur Zanetti (ginástica artística), Leonardo de Deus (natação), Isaquias Queiroz (canoagem), Luciano Correa (judô), David Moura (judô) e Revezamento 4x100m livre (natação)
Dia 5 - Fernando Reis (levantamento de peso), João de Lucca (natação), Thiago Simon (natação) e Revezamento 4x200m livre (natação)
Dia 6 - Joice Silva (luta olímpica) e Brandonn Almeida (natação)


FONTE:
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“Vai, Thiagooo!”: mãe prepara pulmão e coração para o grito do recorde

Dona Rose promete soltar a voz nas arquibancadas do Centro Aquático de Toronto e embalar o filho rumo ao esperado título de maior medalhista pan-americano da história



Por
Direto de Toronto, Canadá



O adolescente Thiago Pereira morria de vergonha dos gritos estridentes da mãe. O tradicional “Vai, Thiagooo!” vindo das arquibancadas de qualquer competição nunca passou despercebido. Às vezes, os amigos da piscina questionavam: “Você já explicou para sua mãe que isso é só uma eliminatória?”. Sim, ele explicou. De nada adiantava. Toda orgulhosa, Dona Rose nunca deixou de berrar durante as provas - até com os replays, ela mesma admite. É assim desde o seu primeiro Pan. Assim será até o último. Vinte e uma medalhas pan-americanas depois, a voz ainda está boa, forte, firme. Como o filho. Juntos, um na água e outro na arquibancada, formam uma dupla e tanto. O Centro Aquático de Toronto presenciará mais um desses encontros neste sábado. Provavelmente, o mais especial deles. Do fundo da alma, a mãe promete arrancar o berro mais alto e emocionante de todos, aquele que o empurrará rumo ao título de maior medalhista da história da competição.

- Tenho que agradecer muito a Deus por ainda ter voz, coração, ainda ter saúde para gritar. É uma emoção estar no meu quarto Pan com a garganta afiada. Estou firme. Eu sei que ele está tendo um esforço muito maior do que aquele menino de 17 anos. Então, vou gritar muito porque ele vai precisar de muita energia. Eu peço à torcida brasileira que todo mundo venha com uma energia positiva, porque essa é uma conquista para o Brasil.  


Dona Rose, confere atenta o placar, ao lado da nora Gabriela Pauletti (Foto: Satiro Sodré/SSPress)
Dona Rose confere atenta o placar, ao lado da 
nora Gabriela Pauletti (Foto: Satiro Sodré/SSPress)


Dona Rose é daquelas torcedoras fanáticas. Dessas que se vestem em homenagem ao ídolo, viajam para onde for atrás dele, tietam e berram. Como berram... Quando o filho vai para o palco, neste caso, a piscina, fica difícil de controlar os gritos e a emoção. Mesmo depois de tantos títulos e medalhas a torcida continua igual: firme e forte. Ou até mais intensa, como nos Jogos Pan-Americanos de Toronto. O incentivo dessa vez tem um toque especial. Dono de 21 medalhas, Thiago está em busca do título de maior medalhista da história da competição. Após os três pódios no Canadá até agora, ele só precisa ficar entre os três primeiros colocados nas duas provas que disputa nesta sexta (200m medley 4x100m medley) para ultrapassar o ex-ginasta cubano Érick Lopez, dono de 22.  

Rose Vilela, Mãe Thiago Pereira 2007 (Foto: Globoesporte.com)Com o "Vai, Thiago!" tinindo, Rose foi atração no Pan do Rio em 2007 (Foto: Globoesporte.com)


- Estou muito feliz. Não tem como não olhar para trás, não tem como não olhar para aquele menino de 2003, com 17 anos. A gente jamais poderia supor que, 12 anos depois, a gente estaria aqui esperando para vê-lo ser o maior medalhista de todos os tempos. É uma emoção muito grande. Ele é o mesmo menino de coração, mas agora um homem. Não tenho nem o que dizer. Eu não podia deixar de estar aqui nesse momento especial da vida dele e da minha vida também.

Dona Rose foi responsável pelas primeiras braçadas de Thiago, em Volta Redonda, cidade onde ele nasceu. Aos 2 anos, o menino deu um enorme susto ao cair sem querer na piscina da casa de seu tio. Foi o suficiente para a mãe decidir que ele precisava aprender a nadar o quanto antes. Ela só não podia imaginar que sua iniciativa renderia tantos frutos, transformando o filho em dos principais ídolos esportivos do país. 

Aos 12 anos, Thiago já começava a se destacar entre os meninos de sua idade. Incentivado pela mãe, passou a levar o esporte a sério. O passo mais importante foi quatro anos depois, quando resolveu trocar Volta Redonda por Belo Horizonte e se dedicar para valer à carreira de atleta. O menino despontou, foi convocado para os Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo, em 2003 e fez história. Foi lá que o adolescente de 17 anos foi apresentado ao mundo, garantindo as duas duas primeiras medalhas. Foi lá também que o grito “Vai, Thiagoooo” ganhou força e passou a ser peça fundamental nas conquistas do nadador.

Esposa e mãe prestigiam Thiago no PPan de Toronto (Foto: Satiro Sodré/SSPress)
Thiago conta com a força extra da esposa e da 
mãe em Toronto (Foto: Satiro Sodré/SSPress)


Sem cobertura, o enorme Parque Aquático Maria Lenk tinha tudo para dificultar a vida de Dona Rose na edição seguinte, no Rio 2007. Ela provou, porém, que não há nada que lhe impeça de ser ouvida quando o filho está na piscina. Foi na competição disputada “em casa” que a mãe do campeão ficou famosa. O “Vai, Thiagoooo” embalou todos os seis ouros, uma prata e um bronze. A calorosa torcida brasileira se envolveu, engrossando o coro. 

- A carreira dele se deve muito ao Pan. Eu sei que a medalha olímpica foi muito, muito esperada. Mas para ele se tornar o queridinho, essa identificação com o brasileiro, foi nos Jogos Pan-Americanos. Santo Domingo foi o grande boom para a torcida brasileira. E claro que 2007 fortaleceu muito isso.

INFO - Thiago PEreira medalhas (Foto: Editoria de Arte)INFO - Thiago PEreira medalhas (Foto: Editoria de Arte)


Outras oito medalhas viriam na edição seguinte, em Guadalajara 2011. Novamente com seis ouros, uma prata e um bronze. Foi no México também que começou a quebrar recordes, tornando-se o maior medalhista de ouro do Brasil na competição, com 12 no total. O marco mais importante, porém, está próximo de acontecer. Depois de faturar dois ouros e um bronze em Toronto, o brasileiro só precisa de mais duas medalhas para virar o maior medalhista pan-americano de todos os tempos. Como em todas as outras vezes, Dona Rose estará na arquibancada, caprichando no grito mais importante de todos. 

- Ele finge que não gosta, mas gosta. Quando era mais menino, ele tinha vergonha. Eu tinha a sensação de que, quando ele era pequeno, nadava rápido para eu parar de gritar. “Minha mãe é louca e tal”. E os amigos falavam para ele me explicar quando era só eliminatórias, que eu não precisava ficar gritando. Ele falava: “Mas não adianta, ela torce até no replay”. E eu torço mesmo.

O Mister Pan já sabe a quem dedicar o título de maior medalhista da história da competição.
- Minha mãe, Dona Rose, foi quem começou isso tudo. Foi a pessoa que me colocou na natação, quem me apoio desde pequeno e quem me apoia até hoje. Nas grandes competições está sempre ao meu lado, independentemente do resultado, seja bom ou ruim. Ela estará sempre em primeiro lugar.


FONTE:
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