Com a força de
Leal, time sai perdendo para o Campinas na decisão, vê estreante dar
trabalho no último set, mas conquista quarto título nacional e fecha
temporada perfeita
Por Danielle Rocha
Direto de Brasília
(OBS. DO BLOG:
VEJA O VÍDEO CLICANDO NO
LINK DA FONTE NO FINAL DA
MATÉRIA ABAIXO)
A
missão não era fácil. Faltava derrubar um gigante. O maior de todos,
aquele que já havia erguido cinco troféus nos cinco campeonatos que
disputou na temporada (Mineiro, Copa Brasil, Supercopa, Sul-Americano e
Mundial). Aquele que foi campeão do mundo e só precisava de mais uma
vitória para ter um ano perfeito. O Campinas não se intimidou. Saiu na
frente com a vontade de quem disputava sua primeira final de Superliga,
mas não conseguiu conter o ímpeto de Leal. Quando o Cruzeiro mais
precisou, quando se viu sob forte pressão, o cubano naturalizado
brasileiro fez o time respirar. E o caminho que parecia complicado se
abriu. Neste domingo, no ginásio Nilson Nelson, em Brasília, o time
mineiro escreveu uma nova página em sua história, vencendo a partida por
3 sets a 1 (23/25, 25/23, 25/15 e 30/28) e faturando o terceiro título
seguido na competição (o quarto no total) e o sexto no ano. O terceiro
colocado foi o Taubaté.
- Foi uma temporada sensacional.
Estou muito feliz por todos os títulos.
Nenhum time briga tanto como um nosso. Estão todos de parabéns - disse
Leal, o maior pontuador (22 acertos) e eleito o melhor jogador da
partida.
Cruzeiro levanta o troféu de tetracampeão da
Superliga masculina (Foto: Douglas Magno
/ DM Press / SADA Cruzeiro)
O JOGO
Wallace
subia e o duplo estava montado bem na sua frente. O xará do Campinas
freava o oposto do Cruzeiro e apontava o dedo para o céu. O time
paulista estava atento sem deixar o adversário fugir no placar (6/6).
William acionava Leal e Eder na tentativa de desgarrar, mas um ponto era
o máximo que conseguiam. Até que Leal começava também a tirar proveito
do saque, arrancava um ace e fazia Alexandre Stanzioni pedir tempo
(13/10). Na volta, forçava de novo e aumentava a diferença. Do outro
lado, Wallace Martins reagia. Freava o ataque da equipe celeste e via os
rivais cometerem erros em sequência (14/13). O jogo estava de novo
equilibrado.
Leal foi o destaque do Cruzeiro na conquista do tetra (Foto: Douglas Magno/DM Press/SADA Cruzeiro)
Marcelo
Mendez fazia a inversão: William e Wallace davam lugar a Fernando e
Alan. Pouco depois os titulares voltavam à quadra. O Campinas seguia
dando trabalho e chegava ao empate (19/19). Lucas Lóh queria mais.
Colocava a bola no chão e conseguia a virada. A frente aumentava com um
erro de Wallace no ataque (21/19). Mas as falhas mudavam de lado, e o
Cruzeiro deixava tudo igual (22/22). A equipe paulista insista. Lóh
fazia 24/23, e o romeno Olteanu fechava o set para o Campinas: 25/23.
Marcelo
Mendez conversava com seu time. Na lateral da quadra, enquanto
esperavam a retomada da partida, os jogadores também tentavam arranjar
uma solução para voltar aos trilhos. Mas encontrava resistência. O
levantador Demian Gonzalez distribuía bem as jogadas, e seus
companheiros correspondiam. O Cruzeiro tinha dificuldade na recepção e
pagava o preço (6/4). A torcida tentava acordar os atuais campeões.
Pedia a virada e ela vinha (7/6). A essa altura, a equipe já vibrava
mais. Leal soltava o braço, e Isac conseguia um ace logo em seguida
(12/9). O respiro durava pouco tempo.
O Campinas empatava (12/12). E não
demorava para retomar o comando do marcador (15/14). O Cruzeiro se
recuperava e ia para a segunda parada técnica em vantagem (16/15). Só
que os debutantes na final não se entregavam. Faziam boas defesas e
tiravam proveito dos erros de saque time de Leal & Cia. Daquela
linha, Wallace Martins conseguia um ace e colocava a equipe paulista na
frente (21/20). Leal consertava tudo. O líbero Serginho pedia o apoio da
arquibancada (22/21). Luizinho se redimia da falha no contra-ataque e
parava Leal com um bloqueio (23/23). Wallace e Eder, com um ace,
colocavam fim ao sufoco: 25/23.
O jogo do Cruzeiro passou a
fluir como de costume. O Campinas trocava as peças na tentativa de se
aproximar no placar (11/8). De nada adiantava. Os comandados de Marcelo
Mendez encontravam espaços e engrenavam uma sequência de três pontos
seguidos. O jogo ficava mais falado. O Campinas reclamava da arbitragem.
O Cruzeiro fazia o mesmo e mantinha a parcial sob controle (19/13). Do
outro lado, Maurício Souza pedia calma aos companheiros. Mas Gonzalez se
estranhava com Leal na rede. Não gostava da comemoração do ponteiro,
que dava de ombros e cravava outra bola na quadra adversária. O set ia
para a conta do Cruzeiro: 25/15.
O Campinas jogava pelo
tie-break. Dois saques de Lucas Lóh davam a vantagem aos estreantes
(10/8). O Cruzeiro empatava. Mesmo com câimbras na perna direita, Leal
não parava de pontuar. Depois de ter recebido atendimento médico, teve
seu nome gritado pela torcida (13/11). Os adversários respondiam com a
virada promovida pelo central Maurício (16/15). O saque de Luizinho na
rede deixava tudo igual. Os comandados de Stanzioni reagiam e abriam
novamente (20/18). Marcelo Mendez parava o jogo. Isac e Leal seguiam
direitinho as orientações e faziam 20/20. Após um bom rali, novo empate.
E outro e outro e outro (24/24). Uma pancada de Leal dava o match point
ao Cruzeiro. O Campinas salvava. Wallace aparecia e criava nova
oportunidade de fechar. Nada feito. Vini deixava o banco para sacar.
Errava. Leal fazia o mesmo (28/28). Filipe fazia o ponto. E desta vez,
contando com um ataque para fora de Lucas Lóh, os campeões de tudo
puderam finalmente comemorar: 30/28.
MELHORES DO CAMPEONATO
Maior pontuador – Escobar (Minas)
Melhor ataque – Wallace (Cruzeiro)
Melhor bloqueio – Maurício (Campinas)
Melhor levantador – William (Cruzeiro)
Melhor saque – Giovanni (Bento Vôlei)
Melhor recepção – Filipe (Cruzeiro)
Melhor defesa – Serginho (Cruzeiro)
FONTE:
http://globoesporte.globo.com/volei/noticia/2016/04/cruzeiro-passa-sufoco-reage-com-forca-de-leal-e-e-campeao-de-tudo.html