quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Lédio Carmona chama título do River de "sensacional" e destaca "frieza"

Comentaria afirma que argentinos mostraram capacidade de jogar após primeiro gol: "O River Plate mostrou que sabe jogar melhor a Libertadores, um jogo decisivo"



Por
Rio de Janeiro



O River Plate levou sua fanática torcida a loucura em um Monumental de Nuñez lotado ao conquistar sua terceira Taça Libertadores da América na história. A vitória na noite desta quarta-feira foi sobre o Tigres-MEX, por 3 a 0. Considerando o contexto recente do clube, que não sentia o sabor da conquista continental havia 19 anos e teve que jogar a segunda divisão argentina há quatro, o comentarista Lédio Carmona declarou que a conquista é "sensacional" (assista ao vídeo).

- Sensacional. E foi salvo duas vezes pelo próprio Tigres. O River só venceu um jogo na fase de grupos. Empatou as duas vezes com o Tigres (na fase de grupos). Cambaleou, só que o Tigres salvou o River Plate - afirmou.

Integrantes do Grupo 6, River e Tigres empataram por 1 a 1 e por 2 a 2 nas duas vezes que se enfrentaram. Os mexicanos avançaram em primeiro, com 14 pontos, fazendo até aquele momento a segunda melhor campanha, só perdendo para o Boca que somava 18. Já a equipe argentina se classificou em segundo, com sete pontos. Foi a menor pontuação dentre os que jogaram as oitavas de final. 

River x Tigres - decisão da Libertadores (Foto: JUAN MABROMATA / AFP)
River Plate levanta Taça Libertadores após 
19 anos (Foto: JUAN MABROMATA / AFP)


Funes Mori, Carlos Sánchez e Lucas Alario foram os autores dos três gols do River. Lédio destacou que o tento de Alario, que foi o primeiro do jogo, aos 44 do primeiro tempo, foi o mais decisivo por conta do fator "pressão". O comentarista também elogiou a frieza e a experiência da equipe argentina.

- Jogou a pressão para o Tigres, que teria que sair de qualquer maneira no primeiro tempo, com toda a defesa amarelada com exceção do lateral-esquerdo (Torres Nilo, que depois também recebeu cartão amarelo). Mas estavam todos com os nervos à flor da pele. E o River ficou com a vantagem dentro de casa. Os argentinos souberam jogar com a vantagem, foram mais frios, mais experientes. Mostrou que sabe jogar melhor a Libertadores, um jogo decisivo - disse.


Desta maneira, o River ratifica sua classificação para o Mundial de Clubes, em dezembro, no Japão. O clube argentino estava garantido pelo fato de o Tigres ser um convidado na Libertadores. Por ser um membro da Concacaf, o time mexicano disputa sua vaga através da competição continental organizada pela entidade envolvendo times da América Central e do Norte.


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Por
Buenos Aires, Argentina


Os minutos que antecederam o início da partida entre River e Tigres, na final da Libertadores, foram de pirotecnia. Enquanto os jogadores entravam em campo, fogos estalavam no céu, a fumaça cobria o gramado do Monumental de Núñez, e a torcida argentina explodia em cânticos. Mas logo o elemento mudou: foi a água que deu o tom da vitória por 3 a 0 dos Millonarios, que conquistaram pela terceira vez a maior competição da América do Sul. 

Torcedor do River comemora título da Libertadores (Foto: EFE)
Mesmo com chuva, torcedor do River vai à 
rua comemorar (Foto: EFE)


Bastou a bola rolar para que a chuva começasse. Ela chegou tímida, mas logo aumentou de volume. Na falha organização da Conmebol, os jornalistas tiveram dificuldades para trabalhar, tentando proteger seus equipamentos da água que caía sem dó na tribuna. Nas arquibancadas, porém, quanto mais chuva descia, mais os torcedores se sentiam à vontade. 

Eles não pararam de cantar. Variaram na intensidade e na empolgação, é verdade, mas apoiaram com fé. Pouquíssimas vezes foi possível escutar o murmúrio coletivo de desaprovação – apenas em momentos em que os jogadores realmente falhavam com a bola nos pés. 

River x Tigres - decisão da Libertadores (Foto: CHARLY DIAZ AZCUE/AFP)
Torcida do River acende sinalizadores 
durante o jogo (Foto: AFP)


Quando o Tigres teve sua primeira grande chance no primeiro tempo, com Aquino, um ligeiro silêncio se fez. E aí, o estrondo foi maior: como se comemorassem um gol, os torcedores gritaram ainda mais alto. 

- O Monumental não influenciou. É normal. Motiva a equipe deles, mas não nos influenciou - garantiu o zagueiro Juninho.

- Não pesou. Jamais. O bonito do futebol é isso. Todos que jogam futebol querem momentos como esse - completou o atacante Rafael Sobis.

Torcedor do River apoia o time no Monumental de Núñez (Foto: EFE)
Torcedor do River apoia o time no 
Monumental de Núñez (Foto: EFE)


Nem alagamento tira a alegria

A chuva não atrapalhou. Os hinchas rasgaram os balões que usaram para fazer uma bela festa antes do jogo e usaram como protetores. Não temiam a água. E, por coincidência, quando começaram a pedir ao River para “poner huevos”, ter mais garra em campo, saiu o primeiro gol, com Alario, de cabeça. 

A partir daí, foi só alegria. O Tigres pouco ameaçou. Os gols seguidos de Sánchez e Funes Mori foram a deixa para a comemoração se iniciar de vez. O repertório foi variado: desde provocações ao rival Boca Juniors à música-tema desta conquista da Libertadores – aquela que diz que o técnico Marcelo Gallardo os levará pela mão ao Japão. 

Torcedor do River comemora título da Libertadores (Foto: EFE)
Torcedor do River comemora título da 
Libertadores (Foto: EFE)


Mas nem tudo foi elogiável. Na confusa evacuação do estádio, muitos torcedores passavam pelo interior do Monumental de Núñez e encontravam a zona mista do Tigres. Alguns se limitaram a provocar, lembrando o fato de os mexicanos terem treinado no centro de treinamento do Boca Juniors. Alguns foram mais além, falaram mais alto e despertaram a ira do volante argentino Pizarro, que quase partiu para cima deles. 

- Isso é normal. Argentino é assim mesmo. O importante é a gente seguir em segurança para casa – minimizou Juninho. 

Quando, enfim, deixavam o estádio, os torcedores se deparavam com um temporal. Raios rasgavam os céus, e a água começava a se acumular nas ruas. Algumas delas, próximas ao Monumental, ficaram alagadas. Era como se toda aquela chuva viesse para lavar a alma dos torcedores, cujas lágrimas pelo rebaixamento em 2011 devem ter tido o mesmo volume da alegria de 2015. Do estádio, a festa se estendeu ao Obelisco, tradicional ponto de comemoração das torcidas em Buenos Aires. 

Torcedores do River festejam título da Libertadores no Obelisco (Foto: EFE)
Torcedores do River festejam título da 
Libertadores no Obelisco (Foto: EFE)


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