segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Zinho diz que Z-4 assusta: 'Estamos preocupados com a turma de baixo'


Diretor de futebol lista justificativas para a má fase do time, dá respaldo
ao trabalho de Dorival Júnior e descarta apressar o retorno de Adriano

Por Richard Souza Rio de Janeiro

O Flamengo procura explicações para a má fase. Sem vencer há cinco rodadas no Brasileirão e com três derrotas nos últimos três jogos, o time parou nos 27 pontos, ocupa apenas a 13ª posição na tabela e está em crise - tem um jogo a menos. Na volta ao Rio neste domingo, após o revés por 3 a 0 diante do Coritiba, o diretor de futebol do clube, Zinho, reconheceu que de algumas rodadas para cá passou a olhar mais para a zona rebaixamento do que para o G-4. Hoje, o Rubro-Negro está a 12 pontos da área de classificação da Libertadores e sete à frente do Palmeiras, que abre o Z-4.
- A gente não está bem nesse momento, mas a gente se reergueu com a chegada do Dorival. Demos uma arrancada boa e até sonhamos chegar ao G-4. Hoje estamos preocupados com a turma de baixo. Nada melhor do que se calar e trabalhar muito, aceitar a cobrança, a pressão, é normal. O torcedor tem que ficar preocupado, chateado, e cobrar mesmo. E nós temos que trabalhar muito, os jogadores em campo precisam desempenhar o melhor futebol para que o Flamengo volte a reencontrar o caminho da vitória. É um trabalho em conjunto, estou muito chateado, muito preocupado com o momento, mas sabendo que a gente teve um momento bom na competição, então podemos voltar a ter. É ter a cabeça no lugar, aguentar a pressão, a cobrança.Tem que ter personalidade para aguentar isso e assumir a responsabilidade, cada um fazer a sua parte. A gente está deixando a desejar, por isso os resultados não vieram.

Zinho partida Flamengo jogo Coritiba (Foto: Joka Madruga / Ag. Estado)Zinho cabisbaixo no Couto Pereira, após terceira derrota seguida do Fla (Foto: Joka Madruga / Ag. Estado)

O dirigente lista justificativas para o momento crítico, inclusive ligadas diretamente ao trabalho dele.
A sequência de resultados ruins gera intranquilidade, a falta de confiança. Sabemos que não temos o melhor time do campeonato, mas também não temos o pior. "
Zinho, sobre o momento negativo do Fla

- Todo mundo tem parcela de responsabilidade pelo rendimento ruim nesse início de segundo turno. Estava tudo caminhando dentro daquilo que a gente estava organizando, valorizando os jogadores mais jovens, a chegada do Dorival foi muito boa para essa mudança de atitude. A sequência de resultados ruins gera intranquilidade, a falta de confiança. Sabemos que não temos o melhor time do campeonato, mas também não temos o pior. Cheguei para começar o campeonato, e você formar uma equipe, montar um elenco dentro do campeonato, não é o correto. Por isso estamos oscilando. A gente credita isso também a perda de vários jogadores. Perdemos o Cáceres para a seleção paraguaia, perdemos o González (convocado pelo Chile). O Airton se machucou, o Renato se machucou. São jogadores mais experientes, com mais personalidade para segurar o momento difícil. São várias situações. Falta mais qualidade? Falta. Mas também a gente tem que ser coerente. A análise do torcedor, de nós da direção, dos próprios jogadores, é de que várias situações fizeram desse início de segundo turno ruim.

Zinho acha que até o afastamento da equipe do Engenhão prejudica o time. Os dois jogos que fez como mandante no returno, contra Sport e Ponte Preta, foram disputados no estádio Raulino de Oliveira. O diretor também admite que jogadores importantes da equipe não estão rendendo o esperado.
Não é momento para falar disso (risco de demissão). Mesmo porque estava tudo andando bem. Estamos buscando jogadores para ajudar. A luta vai continuar, o trabalho vai continuar, não vamos nos entregar em momento algum, mesmo porque o campeonato ainda está aberto"
Zinho, dando respaldo ao trabalho de Dorival

- Iniciamos o segundo turno jogando fora da cidade do Rio de Janeiro. Volta Redonda é um lugar legal e tal, mas você viaja. Isso é ruim para a equipe. Jogamos o segundo turno todo fora da cidade do Rio de Janeiro e com desfalques, o Dorival nunca montando a mesma equipe. Isso atrapalhou um pouco aquilo que estava sendo formado na reta final do primeiro turno. E a queda de produção de jogadores importantíssimos que não estão jogando tudo que podem jogar. Isso é creditado a uma pressão, uma cobrança, falta às vezes personalidade, confiança, mas eu estou acreditando que com trabalho, empenho, com a união desse grupo, vamos conseguir a recuperação. Não podemos arrumar culpado num momento em que as coisas não estão bem.

Dorival Júnior tem o respaldo do dirigente, apesar de os resultados serem piores que o do antecessor. Com igual número de partidas, o aproveitamento da equipe com o treinador é inferior ao de Joel Santana.

- Não é momento para falar disso (risco de demissão). Mesmo porque estava tudo andando bem. Então nós também estamos nos mexendo para buscar, dentro da medida do possível, reforços. A grande dificuldade que eu tive de buscar a contratação, o jogador. A gente continua trabalhando nesse sentido. O torcedor tem que entender isso. Estamos buscando jogadores para ajudar. A luta vai continuar, o trabalho vai continuar, não vamos nos entregar em momento algum, mesmo porque o campeonato ainda está aberto

Momento negativo não vai antecipar volta de Adriano

Apesar de reconhecer que o momento é de crise, Zinho descarta acelerar o processo de recuperação do atacante Adriano. O Imperador tem evoluído nos treinos, mas ainda não tem precisão de estreia.

- Acho que o Adriano tem que voltar quando estiver inteiro, em condições. Colocar o atleta sem condições, de uma forma que ele não renda, que seja ruim para ele e para o desenvolvimento da equipe, não adianta.
O Flamengo volta a jogar na próxima quarta-feira, contra o Santos, na Vila Belmiro. Os jogadores estão de folga neste domingo, inclusive Adriano, e vão retomar os treinos na tarde desta segunda, às 15h30m, no Ninho do Urubu.

FONTE:
http://globoesporte.globo.com/futebol/times/flamengo/noticia/2012/09/zinho-admite-z-4-assusta-estamos-preocupados-com-turma-de-baixo.html

Mais dourado, Brasil fecha os Jogos com brilho na piscina e nas pistas


Com 21 medalhas de ouro, país faz sua melhor campanha em Paralimpíadas; confira os destaques da competição, que chegou ao fim neste domingo

Por GLOBOESPORTE.COM Londres

A alquimia nem sempre é a mais óbvia. Cada medalha de ouro dos Jogos Paralímpicos de Londres, assim como as olímpicas, é feita com apenas 1,34% de ouro, 92,5% de prata, 6,16% de cobre - e 100% de um esforço sobre-humano. O Brasil colheu 21 delas ao longo de 11 dias de competição na terra da Rainha e volta para casa com a campanha mais vitoriosa de sua história. A meta de ficar em sétimo lugar no quadro geral está cumprida, com 43 medalhas no total - 14 pratas e oito bronzes. O hábito de subir no pódio todo dia deve-se muito à natação e ao atletismo, mas não despreza a bocha, o futebol de 5, a esgrima, o judô e o goalball. Tem metal nobre à vontade para todos.

Paralimpíadas medalhistas Brasil (Foto: Fernando Maia/CPB)Os medalhistas brasileiros reunidos em Londres: melhor campanha do país (Foto: Fernando Maia/CPB)

Com seis ouros de Daniel Dias e três de Andre Brasil, a natação volta de Londres como esporte brasieiro mais vitorioso - sem contar quatro pratas e um bronze. As 14 medalhas no total só perdem para o atletismo, que ganhou 18, sendo sete douradas. Os outros títulos paralímpicos do país vieram na bocha, em dose tripla, no futebol de 5 e na esgrima. Após superar Pequim 2008 (47 medalhas, 16 ouros), a meta agora é o milagre da multiplicação dos números para fazer mais bonito ainda dentro de casa, daqui a quatro anos, nas Paralimpíadas do Rio de Janeiro. Enquanto o novo ciclo começa, confira os destaques da edição 2012.

Amarradão paralimpíadas daniel dias (Foto: Getty Images)
Daniel Dias, uma usina de ouros

A piscina do Centro Aquático de Londres ficou pequena para ele. Nas seis provas individuais que disputou nas Paralimpíadas de 2012, Daniel Dias não quis saber de variar: faturou o ouro em todas. Foi o melhor do mundo nos 50m peito SB4 e em cinco provas da categoria S5: 50m borboleta, 50m costas, 50m livre, 100m livre e 200m livre. Com 15 medalhas em duas edições dos Jogos, sendo dez ouros, ele superou o nadador Clodoaldo Silva e a corredora Ádria Santos como maior medalhista paralímpico da história do país. O mais assustador é saber que a história ainda não acabou. Aos 24 anos, Daniel está apenas abrindo mais um ciclo olímpico, que vai terminar no Rio em 2016.

Amarradão paralimpíadas alan fonteles (Foto: Getty Images)
Alan Fonteles, o paraense de 20 anos que derrubou a lenda

Era noite de domingo em Londres, e Oscar Pistorius, a maior estrela dos Jogos, corria sozinho para o ouro nos 200m rasos T44. Quase sozinho. Com uma arrancada espetacular na reta final, um paraense de 20 anos correu como nunca e desbancou a lenda para ganhar um ouro histórico. E assim o mundo foi apresentado a Alan Fonteles. As próteses que impulsionaram sua reação foram alvos de críticas de Pistorius. E Pistorius foi alvo de críticas do planeta inteiro, que ameaçou vê-lo como mau perdedor. No dia seguinte, o sul-africano pediu desculpas, e tudo voltou ao normal: nas outras três provas, chegou à frente do brasileiro e fechou sua campanha com dois ouros e uma prata.
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Amarradão paralimpíadas terezinha guilhermina (Foto: Getty Images)
Terezinha Guilhermina e a maior lição de todas

Se há quem veja no atleta-guia apenas um coadjuvante nas competições de atletismo, Terezinha Guilhermina discorda. E mostrou isso para um Estádio Olímpico lotado. Já na parte final da prova de 400m T12, o guia Guilherme Santana tropeçou e foi ao chão. A cega mais rápida do mundo ainda tinha chances de pódio, mas optou pela solidariedade. Jogou-se na pista e lá ficou, até Guilherme levantar para os dois cruzarem juntos a linha de chegada em último lugar. O ato nobre foi recompensado no dia seguinte, quando a dupla ganhou o ouro e quebrou o recorde mundial nos 100m T11. Foi o segundo ouro de Terezinha, que também venceu nos 200m.
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Amarradão paralimpíadas futebol de 5 (Foto: Getty Images)
O futebol que tem o hábito de trazer medalhas de ouro

A derrota de Neymar & Cia para o México na final das Olimpíadas ainda estava fresca na memória quando a seleção brasileira de futebol de 5 abriu sua campanha nas Paralimpíadas. A busca do ouro não era exatamente uma pressão, estava mais para rotina, já que a luta era pelo tricampeonato. E assim foi. Com uma vitória por 2 a 0 sobre a França - algoz nos campos - a equipe verde-amarela garantiu o título. Festa principalmente para Marquinhos, Bill e o goleiro Fábio, que também estavam nas campanhas de Atenas 2004 e Pequim 2008.
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Amarradão paralimpíadas bocha (Foto: Getty Images)
Brasil, o país da bocha

Nas Olimpíadas, nem tem. Pouco popular no Brasil, a bocha verde-amarela surpreendeu o torcedor em Londres. Com três ouros e um bronze, foi o terceiro esporte mais laureado do país na campanha em Londres. A trajetória vitoriosa começou com Dirceu Pinto e Eliseu dos Santos, que conquistaram o bicampeonato nas duplas. Depois, Dirceu repetiu a dose no individual, e Maciel Santos completou a trinca de ouros - Eliseu ainda ganhou um bronze.

Amarradão paralimpíadas alessandro zanardi (Foto: Getty Images)Alessandro Zanardi foi um dos destaques das Paralimpíadas de Londres (Fotos desta página: Getty Images)

Entre os gringos, o show dos super-humanos

Como era de se esperar, Oscar Pistorius atraiu todos os holofotes com os ouros nos 400m T44 e no revezamento 4x100m. Mas a maior coleção de ouros nas Paralimpíadas ficou com a australiana Jacqueline Freney. A rainha paralímpica da natação venceu todas as oito provas que disputou na piscina do Centro Aquático. No tênis de cadeira de rodas, o fenômeno atendia pelo nome de Esther Vergeer. A musa holandesa faturou mais um ouro e não perde uma partida desde 2003. No tênis de mesa, a polonesa Natalia Partyka venceu a disputa na classe 10. E lembra Pistorius por também competir nas Olimpíadas - tem duas participações.

Por fim, não dá para passar pelos Jogos de Londres sem citar a incrível história de Alessandro Zanardi. O italiano, que já foi piloto de Fórmula 1, sofreu um acidente grave aos 34 anos e teve de amputar as duas pernas. Sem esquecer a velocidade, abraçou o ciclismo paralímpico e brilhou ao conquistar dois ouros: na categoria H4 do contra-relógio e na prova de estrada. Para um evento de âmbito mundial marcado pela superação, difícil imaginar exemplo melhor.

Confira todas as medalhas do Brasil nas Paralimpíadas de Londres, dia a dia:
30 de setembro

Andre Brasil - prat
a nos 200m medley SM10
Daniel Dias - ouro nos 50m livre S5
Michele Ferreira - bronze no judô categoria até 52kg

31 de agosto
Lúcia Teixeira - prata no judô categoria até 57kg
Daniele Bernardes - bronze no judô categoria até 63kg
Andre Brasil ouro nos 50m livre S10


1º de setembro
Andre Brasil - ouro nos 100m borboleta S10
Antônio Tenório - bronze no judô da categoria até 100kg
Daniel Dias - ouro nos 200m livre da S5 de natação


2 de setembro
Yohansson Nascimento - ouro nos 200m T46
Alan Fonteles - ouro nos 200m T44
Terezinha Guilhermina e Jerusa Geber - ouro e prata nos 200m T11


3 de setembro
Odair Santos - prata nos 1.500m T11


4 de setembro
Dirceu Pinto e Eliseu dos Santos - ouro na classe BC4 na disputa de pares mistos
Andre Brasil - prata nos 100m costas S10
Daniel Dias - ouro nos 100m peito SB4
Yohansson Nascimento - prata nos 400m T46
Felipe Gomes e Daniel Silva - ouro e prata nos 200m T11
Jonathan Santos - bronze no lançamento de disco F40


5 de setembro
Jovane Guissone - ouro na categoria B da esgrima
Terezinha, Jerusa Santos e Jhulia Santos - ouro, prata e bronze nos 100m rasos T11


6 de setembro
Edênia Garcia - prata nos 50m costas S4 da natação
Daniel Dias - ouro nos 50m costas da natação
Andre Brasil e Phelipe Rodrigues - ouro e prata nos 100m livre S10 da natação


7 de setembro
Daniel Dias - ouro nos 50m borboleta da natação
Joana Silva - bronze nos 50m borboleta na natação
Goalball - prata no masculino
Lucas Prado - prata nos 400m T11

8 de setembro
Shirlene Coelho - ouro no lançamento de dardo F37/38
Eliseu dos Santos - bronze na bocha BC4
Maciel Santos - ouro na bocha BC2
Brasil - ouro no futebol de 5 (tricampeonato)
Daniel Dias - ouro 100m livre S5 na natação
Dirceu Pinto - ouro na bocha BC4 (bicampeonato)
Lucas Prado e Felipe Gomes - prata e bronze nos 100m rasos T11
Claudiney Batista - prata no lançamento de dardo F57/58

9 de setembro
Tito Sena - ouro na maratona T46


FONTE:
http://globoesporte.globo.com/paralimpiadas/noticia/2012/09/mais-dourado-brasil-fecha-os-jogos-com-brilho-na-piscina-e-nas-pistas.html