Joel Santana chega para comandar o Bahia
(Foto: Eric Luis Carvalho/Globoesporte.com)
Ele chegou. 12 anos depois, Joel Natalino Santana está de volta ao
Bahia. Muita coisa mudou desde a sua última passagem. Na chegada, o
treinador não escondeu a surpresa. Recepção de pop star.
Acompanhado
pelo presidente do clube, Marcelo Guimarães Filho, não lembrava mais dos
caminhos.
- Por aqui – guiava o presidente.
- Ah, no meu tempo não tinha isso aqui, não - disse Joel, referindo-se à sala de imprensa.
Abarrotada como nunca, a sala teve cada metro disputado como território
privilegiado. Sem ligar para polêmicas, Papai Joel abriu o coração. Em
certo momento, mostrou arrependimento pela chegada tardia. Lembrou os
tempos felizes no Tricolor baiano, as férias na Boa Terra. Fez um
apanhado da carreira e pediu um pacto entre time e torcida. E voltou a
colocar na pauta o projeto “Voos Altos”.
- Para mim, é um dia muito especial. Minha vida começou aqui, em 1994.
Depois voltei em 1999 e sempre conquistei objetivos. As coisas aqui
mudaram, estão diferentes, mais organizadas, mostram que o Bahia
cresceu. A estrutura está digna de um time desse tamanho, com essa
torcida imensa. O tempo é curto, como a vida, como o futebol. Quase
voltei em outras oportunidades, andei muito por aí. Mas não foi por
acaso essa minha volta. Estava escrito. Era para ser feita no começo do
ano. Fui muito feliz aqui. E agora não pode ser diferente.
Com a consciência de que o tempo é curto para acertar o time, Joel fez
questão de mostrar serviço. Depois de sinalizar que a incômoda 15ª
posição (24 pontos) na tabela do Brasileirão não agrada a ninguém, o
treinador disse que espera ver o Bahia lutar na parte de cima.
- Não estou aqui para fazer promessas, eu vendo trabalho. E temos
ambições. Se não fosse assim, eu não viria. Temos projetos maiores do
que essa posição na tabela. Queremos estar ali no sétimo, sexto, até
quinto lugar. Estou muito feliz. Não vim fazer aventura. Temos um
projeto firme e queremos mais. Precisamos de mais.
Rapidamente o técnico falou sobre as suas duas outras experiências em 2011.
- Saí do Botafogo por uma questão minha, algo que não estava me
agradando. Mas deixamos um projeto, tanto que o Botafogo está aí nas
cabeças. Já no Cruzeiro não, foi diferente. Eu já queria ter trabalhado
lá desde 1997, mas eu não sei o que aconteceu. No entanto, isso já é
passado na minha vida. A vida de treinador é assim mesmo, como cigano,
inconstante.
Sardinha com pimenta
'Só trabalho em time campeão', diz Joel Santana
(Foto: Eric Luis Carvalho/Globoesporte.com)
Joel mostrou incômodo com a polêmica em que se envolveu quando comparou
o Bahia a um peixe pequeno, mas tratou de encerrar o assunto, sem
deixar de lado suas metafóras.
- Existem coisas que não valem a pena ficar alimentando. Eu não lembro o
que eu comi ontem, vou lembrar disso? Mas disseram que eu falei.
Quiseram levar para esse lado. Problema deles. Se eu não tivesse uma
carreira tão sincera e se não gostasse tanto desse clube, o que é que eu
viria fazer aqui agora? Não vim fazer marketing. Só quem pode nos
ajudar é a torcida, a diretoria e, principalmente, os jogadores. Então
temos que trabalhar, porque nosso torcedor vai para o estádio, vai
cantar, vai apoiar, mas vai cobrar. E a cobrança é como pimenta. Quando é
forte, arde e arde pra caramba.
Para encerrar de vez a discussão sobre o episódio, Joel foi categórico:
- Só trabalho em time campeão. Só trabalho em time grande.
Papai Joel e a torcida tricolor
Joel deu razão às cobranças do torcedor e falou sobre o sofrimento de
acompanhar a partida contra o Flamengo de longe, logo após acertar com o
clube baiano.
- A torcida está cobrando e eu costumo dizer que, quando o torcedor
cobra, é porque ele tem razão. Eu conversei com os jogadores antes do
jogo contra o Flamengo e eles tiveram uma atuação de gala. Eu sofri
muito assistindo ao jogo. Eu estava na minha, quieto, e o presidente me
ligando, dizendo “vamos lá, vamos lá”. E eu disse: “Agora eu vou”. E
como é difícil acompanhar longe do campo!
Guiado pelo presidente do clube, Joel conhece os novos caminhos do Fazendão (Foto: Eric Luis Carvalho / Globoesporte.com)
E se o assunto são os reforços, o treinador pede paciência para
analisar o grupo e ver quais posições carecem de novos jogadores.
- Eu acabei de chegar, então ainda quero ver o grupo, os jogadores que
nós temos, até porque não adianta trazer um a mais ou ter um a menos. Eu
prefiro colocar um garoto da base que está querendo levar o pão para
casa. A gente vai tomar pé do grupo, mas precisamos começar com o pé
direito diante do Grêmio, que é uma grande equipe, um clube de ponta, e
tem um time forte.
Por fim, Joel tratou de relembrar a grandeza do Bahia.
- O Bahia é o Bahia. Campeão brasileiro e maior do que qualquer coisa que a gente possa falar.
Apreciador de um bom samba, o treinador encerrou a entrevista pedindo, com uma música, paciência para que as coisas aconteçam.
- Tem uma música que, se vocês não conhecem, depois procurem saber. Ela diz assim: "Deixa acontecer naturalmente"...
FONTE:
http://globoesporte.globo.com/futebol/times/bahia/noticia/2011/09/feliz-e-sem-polemica-joel-chega-ao-bahia-so-trabalho-em-time-grande.html