terça-feira, 19 de março de 2013

Prestes a dar à luz, Walsh teme novo sistema e vê 'pesadelo' de brasileiros


Grávida de 36 semanas, tricampeã olímpica se preocupa com mudanças, pede mais diálogo e espera voltar a jogar já no verão do hemisfério norte

Por Helena Rebello Rio de Janeiro

kerri walsh gravida volei de praia (Foto: Reprodução)Grávida de 36 semanas, Walsh se preocupa com novo formato do Circuito Mundial (Foto: Reprodução)

Prestes a dar à luz o seu terceiro filho, Kerri Walsh se vê rodeada de preocupações que passam longe do tema maternidade. Enquanto se prepara para a chegada de mais uma filha – a americana já é mãe de Sundance e Joseph -, a tricampeã olímpica está apreensiva com as mudanças no sistema de disputa do Circuito Mundial de Vôlei de Praia. Com medo do poder concedido às Federações Nacionais pela Federação Internacional (FIVB), a ex-parceira de Misty May fez um apelo em nome dos atletas e classificou como “pesadelo” a situação vivida por Márcio, Benjamin, Harley e Juliana, no momento impedidos de disputar competições internacionais. Contando com o sucesso do diálogo aberto entre as partes, ela espera voltar às quadras no meio do ano sem que nenhum incidente tumultue o espetáculo.

Grávida de 36 semanas, Walsh respondeu a sete perguntas enviadas pelo SporTV.com por e-mail. Em todas as respostas a americana fez questão de frisar o clima de tensão e apreensão vivido por jogadores, técnicos e patrocinadores com o novo formato da principal competição anual da modalidade – além das diferenças entre a praia e a modalidade indoor. Apesar de ver os brasileiros intimidados pela proximidade com Ary Graça, ex-presidente da Confederação Brasileira (CBV) e atual mandatário da FIVB, a campeã olímpica acredita que terá apoio tanto do dirigente quanto dos atletas verde-amarelos em suas reivindicações. Confira a entrevista na íntegra.*
 

SporTV.com: Qual sua maior queixa sobre o novo sistema do Circuito Mundial? Você está com medo?
Walsh: Meu maior medo é que estas mudanças propostas impeçam o crescimento do nosso esporte. Meu medo é que essas mudanças criem um caminho menos “aberto” para os novos times, assim como para aqueles já estabelecidos que estão lutando por um lugar no ranking (para entrar já nas chaves principais). Meu medo é que as Federações Nacionais exerçam este novo poder para controlar os atletas e que os atletas então se submetam aos caprichos e agendas das Federações.

O Vôlei de Praia é um esporte único, diferente de qualquer outro. Não somos vôlei de quadra. Somos diferentes em toda e cada forma além do aspecto “defesa, saque, ataque”. Eu me oponho fortemente e temo quaisquer mudanças que forcem o vôlei de praia nos moldes do indoor. Isto é inapropriado. Isto mata o único, independente espírito do vôlei de praia e transforma nosso belo jogo em algo menor: menos atraente, de mais baixa qualidade e feio.

Os patrocinadores estão reclamando? Os atletas temem perder este apoio?
Ouvi preocupações de cada parte que será afetada por estas mudanças: atletas, patrocinadores, fãs, promotores de eventos. A lista é longa, e estou esperançosa de que a FIVB vai nos ouvir e nos ajudar (assim como esperamos ajuda-los) a fazer o esporte crescer em status, integridade, estabilidade e oportunidades.


vôlei de praia arena Stare Jablonki (Foto: Divulgação / FIVB)Mundial da modalidade será Stare Jablonki. Clique na foto e veja o calendário (Foto: Divulgação / FIVB)

Outros atletas estrangeiros também apóiam suas reclamações? Qual a percepção geral das mudanças?
Há um número incontável de jogadores e outros que compartilham nossas preocupações e apóiam nossas contra-propostas. Isso é algo maravilhoso! Eu acredito que estamos mais próximos da FIVB, na maioria das questões, do que parece – nós simplesmente precisamos ficar na mesma sala para discutir tudo. Estou orgulhosa em dizer que este processo começou e estou muito esperançosa que ficaremos todo felizes ao final dele!

Você acha que os jogadores brasileiros têm medo de enfrentar o Ary Graça? Você espera apoio deles?
É sempre intimidante falar contra aqueles que estão no comando. A natureza do nosso esporte requer um bom relacionamento entre os atletas e aqueles no comando. Quando as coisas estão bem e sem complicações, é maravilhoso. Quando há discordâncias se torna muito assustador para os atletas, porque nossas vidas ficam nas mãos dos outros.

Os atletas no Brasil e ao redor do mundo merecem oportunidades para seguir seus sonhos e para fazer uma boa vida no esporte – eles merecem a oportunidade por lutar por suas carreiras no vôlei de praia SEM ter que viver sob o jugo das Federações Nacionais. Os critérios para competir devem ser objetivos, e as novas mudanças dão margem a determinações subjetivas das federações.  Nós deveríamos manter o que conquistamos sem medo de ver as oportunidades serem tiradas. Isso já aconteceu no Brasil com algumas lendas do esporte. Márcio, Benjamin, Juliana, Harley... Pelo que ouvi, esses atletas estão vivendo o pesadelo que eu temo, e isso tem que parar!


vôlei de praia Harley e Benjamin (Foto: Divulgação/CBV)Walsh se solidariza com veteranos que estão fora da seleção, como Harley e Benjamin (Foto: CBV)

Você tem planos de organizar uma greve ou algo do gênero?
Neste momento os atletas estão tendo conversas muito positivas com a FIVB e estou esperançosa que a temporada vá começar a seu tempo e sem incidentes. As conversas estão em andamento, e as atletas se sentem fortes em certos pontos que deixaram claros para a FIVB. Temos uma grande história de resolver as coisas no nosso esporte. Angelo Squeo tem sido uma importante figura,  advogando para os atletas e para o vôlei de praia. Sou eternamente grata por seu trabalho com nosso esporte. Sei que o senhor Ary Graça também ama nosso grande esporte e que irá ouvir os atletas que fazem nosso esporte. E JUNTOS nós vamos encontrar grandes soluções.


Você acha que os atletas deveriam ter mais poder nas decisões da FIVB? Acha que os jogadores tinham mais poderes antes?
Acredito que precisa haver uma comunicação adequada e consistente dos atletas para a FIVB e vice-versa. A força do nosso esporte está na nossa “comunidade”. Nós fazemos melhor quando trabalhamos juntos pelos mesmo objetivos.

Quando você acredita que estará apta a competir no novo Circuito Mundial?
Estou ansiosa para voltar para a praia e para as competições. Planejo voltar a jogar em algum ponto deste verão (do hemisfério norte), mas quero voltar pronta para vencer. Não apenas pela diversão, mesmo que vá ser muito divertido. A AVP (Circuito Americano) voltará em breve, e este incrível torneio, juntamente com o mundial, vão se combinar para fazer um verão fantástico para o vôlei de praia.

*O SporTV.com manteve a pontuação e o uso de caixa alta feito por Walsh.


FONTE:
http://sportv.globo.com/site/eventos/circuito-mundial-de-volei-de-praia/noticia/2013/03/prestes-dar-luz-walsh-teme-novo-sistema-e-ve-pesadelo-de-brasileiros.html

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