quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Fileira Z: pior vista do mundo vale experiência divertida no US Open


Bilhete de R$ 90 dá direito a dois jogos por noite, passeio por todo complexo de Flushing Meadows e um eventual encontro com uma celebridade do tênis

Por Alexandre Cossenza Direto de Nova York

São 19h10m em Nova York, e Feliciano López aparece no telão durante sua entrevista pré-jogo. Pouco depois, é a vez de Andy Murray, e enquanto o britânico fala, os primeiros aplausos são ouvidos na plateia. Quando os dois entram em quadra, a bandana e as munhequeiras de López o deixam parecido com Rafael Nadal. Não fosse o telão, na outra extremidade do estádio, seria difícil reconhecê-lo. Murray é minúsculo, e seus traços são irreconhecíveis. Assim é a visão da fileira Z, a última do Estádio Arthur Ashe, o maior do planeta feito para o tênis, com 23.767 assentos. Será que a pior vista é também o pior lugar do mundo para ver uma partida?
Fila Z estádio Arthur Ashe tênis US Open (Foto: Alexandre Cossenza)Vista da fileira Z, a última do Estádio Arthur Ashe (Foto: Alexandre Cossenza)

Para tirar a dúvida, o GLOBOESPORTE.COM passou uma noite no topo do Arthur Ashe e conversou com espectadores que foram ao complexo de Flushing Meadows no domingo. O resultado é unânime: não são os ingressos dos sonhos de nenhum fã da modalidade, mas ninguém sai do US Open insatisfeito com o que viu (ou não viu) lá do alto.
Quando Murray e López começam o aquecimento, é possível enxergar a bola perfeitamente. O contraste da amarelinha com o piso ajuda. O áudio, por outro lado, pode ser um problema. O saque é fácil de ouvir, mas o som dos golpes mais fracos não chega tão nítido. Saber ao certo se algumas bolas quicaram dentro ou fora da quadra é impossível, mas o mesmo vale para 90% dos outros assentos. Com a potência do tênis atual, só mesmo os árbitros, colocados estrategicamente na quadra, têm capacidade para fazê-lo.
Foi ótimo. Não é uma vista ruim. Você não está colado na quadra, mas consegue ver o que está acontecendo, não perde nada. Além disso, não tem ninguém atrás de mim."
James Delena, espectador
Sentar no terceiro nível do estádio tem um grande inconveniente. Chegar até lá requer subir 52 lances de escada (dois para cada letra do alfabeto). Para compensar, uma vantagem: o lugar é tão alto que a movimentação de pessoas não atrapalha os atletas. Assim, não é preciso esperar a troca de lados para entrar ou sair. Ninguém passa aperto para ir ao banheiro. E o Ashe tem muitos deles - todos quase sempre em boas condições de uso.
Os organizadores tratam uma visita a Flushing Meadows como uma "experiência", e ela fica ainda melhor para quem tem um smartphone ou um tablet. O aplicativo do torneio dá informações de toda espécie sobre o evento. É possível conferir a chave ou o placar dos jogos nas outras quadras. Se a conexão for 4G (bastante popular nos EUA), dá para ver nitidamente um dos outros jogos sendo disputados ao mesmo tempo em outras quadras. Neste domingo, na Grandstand, Sam Stosur e Maria Kirilenko disputaram um emocionante tie-break no segundo set. Um clique no aplicativo colocava as belas tenistas na frente do dono do aparelho.
Murray domina López, e a partida não fica parelha em momento algum. Mesmo assim, o telão mantém os espectadores entretidos durante os intervalos. Ainda há a opção de ouvir a rádio do torneio. Uma bandeira de cartão de crédito distribui fones de ouvido para que seus clientes tenham acesso aos comentários dos locutores.
Várias pessoas deixam a quadra quando o escocês vence o segundo set. Vão às compras nas lojas oficiais do torneio ou no estande da marca que vende produtos iguais aos usados por Roger Federer, Rafael Nadal, Maria Sharapova e Serena Williams. Outros param em uma das várias lanchonetes no anel externo do Ashe. Pit-stops nos banheiros também são opções populares. Muitos correram para a Grandstand para ver o fim de Stosur x Kirilenko. O mais importante é que para todas essas opções, o ingresso da fila Z vale tanto quanto o ingresso de quem está sentado na beira da quadra.
Espectador James Delena tênis US Open Arthur Ashe (Foto: Alexandre Cossenza)Atrás de James e Stephanie, apenas o muro e o poste de iluminação do estádio (Foto: Alexandre Cossenza)

- Foi ótimo. Não é uma vista ruim. Você não está colado na quadra, mas consegue ver o que está acontecendo, não perde nada. Além disso, não tem ninguém atrás de mim. Às vezes, é só uma questão de vir para os jogos. Aqui, por algum motivo, os jogos são transmitidos em um canal só de tênis. Então eu não poderia ver de casa porque não tenho esse canal. Aqui, já estou vendo. Esta vista é melhor do que não ver nada - disse James Delena, que foi acompanhado da namorada, Stephanie, e pagou US$ 55 (R$ 90) por cada bilhete.
Delena ainda festejou o fato de ter encontrado a ex-tenista Mary Joe Fernandez no complexo e comprou camisetas para lembrar de lembrança da visita. "Sempre que se vai a um evento desses, é preciso comprar algo", ressaltou.
Murray já derrotou López, e Vera Zvonareva vai passando com facilidade por Sabine Lisicki no segundo jogo da noite. O DJ mantém o público animado. Ainda são 23h em Nova York, mas Thriller, de Michael Jackson, no sistema de som, lembra: it's close to midnight ("é perto de meia-noite). Várias pessoas imitam a coreografia famosa.

Mais uma quebra de saque e a partida acaba. É hora de descer as escadas. Além dos 52 lances até o anel externo, mais uma centena até o térreo. As escadas rolantes da subida não são usadas para descer. Há, porém, elevadores para os idosos. Na saída, ainda há lojas abertas, o metrô está funcionando e os ônibus param no portão sul do complexo. Chegar em casa é seguro e o trânsito de Nova York, pelo menos nesta hora, vai colaborar.

FONTE>
http://sportv.globo.com/site/eventos/US-Open/noticia/2011/09/fileira-z-pior-vista-do-mundo-vale-experiencia-divertida-no-us-open.html

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