terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Sergio Moro deveria julgar o escândalo dos R$ 100 bilhões às teles, diz Lênio Streck



FONTE:
http://jornalggn.com.br/noticia/sergio-moro-deveria-julgar-o-escandalo-dos-r-100-bilhoes-as-teles-diz-lenio-streck



 

Jornal GGN - Se o combate à corrupção no Brasil fosse realmente sério, o presente de Natal que o governo Michel Temer quis dar às empresas de telecomunicação - R$ 100 bilhões em patrimônio que deveria retornar ao domínio público, entre outros benefícios - seria investigado pelos mesmos entusiastas da Lava Jato. Isso porque o caso envolveria uma corrupção cinco vezes maior do que a revelada na Petrobras. 
Em artigo publicado no Conjur, nesta terça (27), com altas doses de ironia e bom humor, o jurista Lênio Streck aproveita a seletividade da Lava Jato para mostrar o caminho das pedras:"(...) como se trata de um escândalo envolvendo telecomunicações e como todos os envolvidos possuem telefones celulares e alguns componentes dos aparelhos vem do petróleo, bingo. Eis a conexão para levar tudo para Curitiba."
Pronto, podem mandar tudo para as mãos do juiz Sergio Moro, o salvador da Pátria!
Por Lenio Streck
No Conjur
Começo com uma provocação: Em um país em que aquele que provoca tumulto em um posto de gasolina Petrobras situado em Agudo ou em Inhambu corre o risco de ser julgado em Curitiba face à competência infinita da operação "lava jato", eis, aqui, um prato cheio e uma grande oportunidade de os procuradores e o juiz estenderem seus tentáculos para um esquema de corrupção que pode ocasionar cinco vezes mais prejuízos do que o caso Petrobras.
Como a "lava jato" pode ser competente? Sei lá. Não faço a mínima ideia. Estou apenas metaforizando. Moro sempre dá um jeito de ver e encontrar uma conexão. Aqui, uma ideia: o escândalo de que falo é o da Lei Geral das Telecomunicações, que concede benefícios às teles no valor de R$ 100 bilhões. Tão escandaloso que a Ministra Cármen Lúcia concedeu liminar para trancar a tramitação relâmpago no Senado (para evitar, inclusive, de corrermos o risco de o Presidente Temer sancionar).
Qual é a tese da conexão, então? Simples: como se trata de um escândalo envolvendo telecomunicações e como todos os envolvidos possuem telefones celulares e alguns componentes dos aparelhos vem do petróleo, bingo. Eis a conexão para levar tudo para Curitiba. Tudo sempre está interligado, como na história do sujeito que dá uma bofetada no outro por tê-lo chamado, por dedução, de “corno”. Afinal, o desafeto ofereceu-lhe um pedaço de queijo. Que vem do leite. Que vem da vaca. Que tem chifres. Simples, pois.
É uma blague, mas estou provocando a seletividade reinante no combate à corrupção em Pindorama. O Procurador-Geral da República já deveria ter entrado em campo. Ele mesmo deveria ter entrado com a ação para evitar a criação desse monstrengo de mais de R$ 100 bilhões (isso é demonstrado por várias fontes: o próprio mandado de segurança, informações do Tribunal de Contas, O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), a Associação Brasileira de Procons e outras 18 organizações civis assinaram uma nota de repúdio contra o ato da Mesa Diretora do Senado Federal que rejeitou recursos parlamentares que pediam a análise em plenário do projeto de lei; basta procurar no Google).
Até a revista Veja falou no assunto, mostrando de onde veio o “presente” para as Teles. Está lá, bem claro, como f(Oi), ao vivo, tim tim por tim tim. O que quero lembrar? Quero lembrar os gritos (histéricos) dos parlamentares na hora do afastamento da Presidente Dilma: “ - pelo Brasil, por meus filhos, por um país decente, pela Lava Jato, por meus cachorros, por minha namorada, por minha amante etc”.  Como se começasse um Brasil do zero. Ora, ledo engano. Ilusão de quem acreditava nisso, hipocrisia de quem se aproveitou da situação. Basta ver o número de pessoas que estão listadas nas delações.
Portanto, um aviso aos moralistas de plantão: não existe uma sociedade sem vícios. Como já tantas vezes contei aqui, temos de reler, constantemente, a fábula das abelhas do barão de Mandeville:  Vícios privados, benefícios públicos. As abelhas que tentaram zerar os vícios a qualquer custo – que eram as abelhas moralistas - , ajudaram a colocar a sociedade no caos, a ponto de pedirem para a rainha que restaurasse os vícios. Está lá na fábula. Leiam. Daí a máxima: vícios privados, benefícios públicos. Só que, em Pindorama, o lema é: vícios públicos, benefícios privados. Invertemos a fábula do Barão.
Tentando ser mais simples, o episódio do Telegate (ou os bilhões natalinos das teles) apenas mostra que, em uma democracia, temos de seguir as regras do jogo. Não se tem como obrigar a que as pessoas sejam virtuosas. De que adianta fragilizar direitos fundamentais? De que adianta violar garantias e querer legitimar provas ilícitas obtidas de “boa fé”? De um lado se faz isso... e de outro vem um escândalo cinco vezes maior. Isso apenas prova de que o patrimonialismo brasileiro tem raízes fortes. E que, no combate à corrupção, não existem bons e maus corruptos. Não dá para ser seletivo.  Mas não dá, mesmo.
Que este escândalo das teles (o TeleGate) seja um exemplo de que não podemos escolher inimigos. Que devemos ser imparciais no combate à corrupção. E que há vários modos de fazer corrupção. Pode-se receber dinheiro de caixa dois, etc aos moldes Lava Jato; mas também é possível entregar mais de 100 bilhões para empresas – cujo dinheiro daria para tapar o dito déficit da Previdência. As abelhas entendem bem isso?
Sendo sarcástico mais uma vez: O que mais dói é ver que as multas que as Teles receberam durante esses anos foram apagadas no tal projeto. Tudo ao Vivo. Bem Claro. Com um Oi para a malta. Mas tudo Tim Tim por Tim Tim (desculpem-me o trocadilho). Todos meus telefonemas para o Procon, meus stresses com o 0800 foram em vão. Quero ver denúncias, agora, falando no clássico “lavagem de dinheiro e formação de quadrilha” ou coisas do gênero. Se o instituto da conexão “funcionar” – se me entendem a ironia – as celas de Curitiba deverão ser esvaziadas para novos hóspedes.
Ou não?

Não havia seguranças na estação quando ambulante foi morto, dizem metroviários



FONTE:
http://jornalggn.com.br/noticia/nao-havia-segurancas-na-estacao-quando-ambulante-foi-morto-dizem-metroviarios







Jornal GGN - De acordo com o Sindicato dos Metroviários, não havia seguranças na estação Pedro II quando o ambulante Luiz Carlos Ruas foi agredido e morto, na noite de Natal (25). Marcos Freire, diretor do sindicato e ativista LGBT, afirmou que somente três funcionários trabalhavam na estação naquele horário: um na bilheteria, outro na catraca e outro no Centro de Controle Operacional. 
 
Ele diz também que os casos de violência estão crescendo dentro do Metrô, mas que o número de trabalhadores é insuficiente para lidar com o problema. A empresa estatal do governo Geraldo Alckmin (PSDB) tem déficit de cerca de 600 funcionários, segundo o Portal da Transparência. 
 
O sindicato também disse que, à noite, a companhia tem apenas 68 seguranças para trabalhar em 63 estações, sendo que o trabalho dos agentes é sempre em dupla. Na tarde de hoje (27), um ato com a presença de ativista LGBT, metroviários e religiosos foi realizado no centro de São Paulo em memória do ambulante, que foi espancado após tentar defender uma travesti. 

 
Leia mais abaixo: 
 
Da Rede Brasil Atual
 
 
Trabalhadores da companhia denunciaram a situação durante ato em memória de Luiz Carlos Ruas, espancado até a morte na estação Pedro II, centro de São Paulo
 
Diretores do Sindicato dos Metroviários disseram hoje (27) que não havia seguranças na estação Pedro II, da Linha 3-Vermelha do Metrô paulista, no momento em que dois agressores mataram o vendedor ambulante Luiz Carlos Ruas, na noite do domingo de Natal (25). "Havia somente três funcionários nesta estação naquele momento. Um na bilheteria, outro na catraca e outro no CCO (Centro de Controle Operacional). Se olhar a escala vai ver que tem dois seguranças em cada estação, mas, na verdade, é a mesma dupla atuando em três estações diferentes", afirmou Marcos Freire, ativista LGBT e diretor do sindicato.
 
Segundo Freire, situações de violência vêm se repetindo no Metrô, sendo cada vez menos combatidas, devido ao número insuficiente de trabalhadores no sistema. Segundo dados do Portal da Transparência do governo Geraldo Alckmin (PSDB), responsável pela gestão do Metrô, a companhia tem déficit de aproximadamente 600 funcionários. Outros 632 aderiram ao Programa de Demissão Voluntária lançado esse ano e devem ser desligados em breve.
 
"Fazemos um apelo para que nos ajudem a denunciar essa situação e exigir do governo Alckmin que contrate trabalhadores para o Metrô. Não é possível ficar desse jeito", disse Freire. Ainda segundo o sindicato, durante a noite, o Metrô tem 68 seguranças para atuar em 63 estações. No entanto, como a atuação dever ser, no mínimo, em dupla, seria possível atuar apenas em 34 estações simultaneamente, necessitando que os agentes transitem entre os pontos de parada. Além disso, estações maiores exigem mais funcionários.
 
As declarações foram dadas durante um ato em memória de Ruas, realizado no início da tarde de hoje, na estação Pedro II, região central de São Paulo. Ativistas LGBT, trabalhadores metroviários e religiosos da Pastoral do Povo da Rua acenderam velas e estenderam bandeiras contra a homofobia e exigiram ações das autoridades para impedir que casos como esse se repitam.
 
Ruas foi brutalmente agredido após tentar defender uma travesti, identificada apenas como Brasil, que estava sendo perseguida por dois homens, após reclamar por eles estarem urinando na rua. Uma outra travesti, que também foi agredida, conseguiu escapar. O ambulante foi espancado até a morte no hall da estação Pedro II, em frente à bilheteria. No vídeo de quase dois minutos divulgado pela polícia, nenhum segurança do Metrô aparece para conter os assassinos.
 
Para o ativista LGBT Bruno Diego Alves, esse caso demonstra como a homofobia e a transfobia afetam toda a sociedade. "Eles estavam agredindo uma travesti. Ruas foi assassinado por defendê-la. Estamos aqui pra demonstrar nossa indignação, exigir punição e o fim do descaso do Metrô com a população mais vulnerável", afirmou Alves.
 
Fábio Vinícius, amigo do ambulante, que vive sob um viaduto próximo à estação, estava indignado. "Era um cara que ajudava todo mundo. Foram 20 anos aqui (sob o acesso da passarela em frente à estação), 'trampando' e ajudando quem precisasse, com comida, com remédio. E foi ajudando alguém que fizeram isso com ele. Se a pessoa é travesti, se é gay, se tá na rua, não interessa. Tem de respeitar. Mais aí vem uns desgraçados e faz isso. É muita revolta, os lixo fica e os bons vão embora", afirmou.
 
O padre Júlio Lancellotti, da Pastoral do Povo da Rua, comandou uma oração em homenagem a Ruas. Na próxima sexta-feira (30), a pastoral e outros grupos vão realizar outro ato em memória do ambulante, no mesmo local, às 15h. "Vamos reivindicar do Metrô uma justa homenagem, que troque o nome desta estação para Luiz Carlos Ruas. Foi um caso de intolerância, mas também um caso de ódio social contra a população. Foram três irmão de rua agredidos. Pessoas que não podem acessar o Metrô e nem ser protegidas por seus funcionários", afirmou o padre.
 
Para ele, a empresa do governo Alckmin atua de forma totalmente seletiva. "Quando os estudantes estão protestando, tem agentes, tem cassetete, tem equipamento. Nós mal podemos chegar perto das entradas da estação. Mas quando é uma ação de ódio contra os desassistidos, um assassinato, aí não tem segurança, não tem equipamento, não tem nada", desabafou.
 
A polícia já identificou os dois homens filmados agredindo Ruas. Seus nomes são Alípio Rogério Belo dos Santos e Ricardo Nascimento Martins. O velório e o sepultamento do ambulante serão no cemitério Vale da Paz, em Diadema.