A
novela sobre o futuro do Maracanã ganhou um importante capítulo na
tarde de quinta-feira, no Rio de Janeiro. Uma reunião entre o Governo do
Estado, Odebrecht - acionária do Consórcio Maracanã - e a empresa
francesa Lagardère - que atua em parceria com a brasileira BWA - tratou
de uma possível transferência de comando na administração do estádio sem
a necessidade de nova licitação, que depende de um estudo realizado da
Fundação Getúlio Vargas para ser oficializada. A FGV tem até dia 20 de
novembro para entregar o documento. A informação foi inicialmente
publicada pela ESPN e confirmada pelo GloboEsporte.com.
Flamengo e Fluminense se mostraram interessados em fazer uma
gestão compartilhada do Maracanã. Com estudo em mãos, o
Rubro-Negro apontou para participação maior na exploração do estádio. O
Fluminense rejeitou a ideia e tinha em mãos um trunfo: contrato de mais
32
anos com a atual concessionária. Além dos clubes, a Federação de
Futebol do Rio (Ferj) chegou a buscar parceiros para tentar ficar no
lugar da Odebrecht, empresa que é alvo da Operação Lava Jato e tem seu presidente, Marcelo Odebrecht, preso em Curitiba.
Maracanã deve ser administrado por nova
empresa após entrega pela Rio 2016
(Foto: Editoria de Arte)
Vencedora
da licitação que aconteceu antes da Copa das Confederações de 2013, a
Odebrecht pediu, em maio deste ano, a rescisão do contrato de concessão,
alegando estar fazendo "
um trabalho
contínuo para reduzir os custos fixos, minimizar os prejuízos
operacionais e se adequar aos impactos da alteração unilateral do
contrato de concessão e aos períodos de interrupção da operação como na
Copa do Mundo (2014) e Jogos Rio 2016".
Candidato a
administrar o Maracanã, o Flamengo garante não ter recebido qualquer
informação oficial sobre a transferência de concessão. Em abril, o clube
emitiu uma nota oficial com a seguinte afirmação: "
(O Flamengo) Não irá celebrar contrato de locação com eventual sucessor do atual Consórcio Maracanã". O presidente Eduardo Bandeira de Mello, entretanto, adotou um discurso que demonstra maior flexibilidade.
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Ninguém nos informou nada, então, para o Flamengo, não está
acontecendo. Estamos trabalhando com o que foi anunciado, isto é, haverá
uma nova licitação. Independentemente de qual empresa for, o Flamengo
não joga no Maracanã se não for em boas condições. Mas não vejo motivo
para que o Governo não cumpra o que foi dito inicialmente. Fizemos
estudos e contratamos pessoas em cima do que é oficial. Não vamos nos
pautar por boatos.
A Odebrecht alega que o contrato inicial
previa a demolição do Parque Aquático Julio Delamare, o estádio de
atletismo Célio de Barros e a Escola Municipal Friedenreich. O que não
aconteceu. Seriam construídos bares, restaurantes e um estacionamento
que aumentariam o lucro da empresa, como foi mostrado um um estudo de
viabilidade feito pela mesma antes da licitação.
Sem um
acordo com o Governo do Rio de Janeiro e com dificuldades para manter os
custos do estádio, a Odebrecht pediu, no último mês de outubro,
arbitragem, que é um dispositivo jurídico previsto em contratos
público-privados. Sendo assim, três árbitros indicados pelas partes
interessadas vão avaliar o estudo da Fundação Getúlio Vargas,
responsável em julgar eventuais litígios no contrato, e podem definir
uma data p
ara a saída da concessionária.
Franceses perderam licitação
A
francesa Lagardère chegou a disputar a licitação com a Odebrecht, mas
perdeu. Ela, que administra o Castelão, em Fortaleza, e o Independência,
em Belo Horizonte, voltou a se interessar ao saber da desistência da
adversária. A empresa é um conglomerado de mídia nas áreas de
editoração, varejo, comunicação e aeroespacial.
FONTE:
http://globoesporte.globo.com/futebol/noticia/2016/11/maracana-governo-reune-odebrecht-e-lagardere-para-passar-concessao.html