Dois jogos no mesmo dia, duas derrotas para os Estados Unidos. Primeiro, no Grand Prix, o Brasil perdeu por 3 a 0 na final em Omaha.
Depois, na decisão dos Jogos Pan-Americanos de Toronto, o filme se
repetiu. O placar foi o mesmo: 3 a 0. Em Toronto, a seleção de José
Roberto Guimarães foi derrotada com as parciais de 22/25, 21/15 e 28 a
26. Assim, ficou com a medalha de prata. As americanas não sabiam o que
era ganhar um Pan desde a edição de 1967, coincidentemente em Winnipeg,
também em solo canadense.
- O time lutou até o final, e o que definiu o jogo foram os finais de
set. Nos momentos decisivos, nossa equipe estava errando muito. Não dá
para errar tanto com uma equipe com o poderio delas. De experiência,
fica a união do grupo. Não tivemos jogos fáceis. Desde o começo, acho
que todo mundo se dedicou. Foi muito empenho, mas agora é trabalhar para
ver o que precisamos melhorar e chegar bem para as Olimpíadas e outros
campeonatos - comentou Mari Paraíba.

Brasileiras abatidas com a derrota na final dos
Jogos Pan-Americanos de Toronto
(Foto: EFE/Orlando Barría)
O
primeiro set foi apertado, principalmente no início, mas Nicole Fawcett
estava bem demais e ajudou os EUA a fecharem a parcial. Foi ela, aliás,
a maior pontuadora, com 21 pontos. Na segunda parcial, o Brasil começou
mal e chegou a estar perdendo por uma vantagem de cinco pontos. Jaque
foi a solução. No banco até então por um problema na lombar que a tirou
de um jogo e a fez atuar apenas um set na semi, ela entrou e encheu o
jogo de energia. Mas as estrangeiras eram superiores e abriram 2 a 0. O
terceiro set parecia da equipe verde e amarela mas, após estar vencendo
por oito pontos, o Brasil levou a virada, e a derrota se confirmou.
-
Não conseguimos colocar em prática hoje tudo que sabíamos. A gente
sabia que tinha que sacar bem. Estados Unidos, não importa qual time é, a
conduta deles é bola rápida sempre. Quebramos poucos passes delas, e o
jogo foi difícil. Enroscamos em uma passagem no terceiro set, foi indo,
indo, indo, e quando atacávamos, elas defendiam muito bem. Fizeram um
jogo excelente, estão de parabéns e mereceram a vitória - completou a
líbero Camila Brait.
Antes do Pan de Toronto, o Brasil venceu em
Chicago 1959 sobre os EUA; em São Paulo 1963, novamente contra as
americanas; em Winnipeg 1999, ao bater Cuba; e em Guadalajara 2011, mais
uma vez, diante das cubanas. Fora isso, o Brasil foi prata no Rio de
Janeiro, em 2007, e na cidade de Havana, em 1991, as duas derrotas para
Cuba. O bronze veio na Cidade do México, em 1955, e San Juan, em 1979.
Os EUA só tinham levado mesmo em 1967.
vôlei; brasil; jogos pan-americanos; estados
unidos (Foto: Jeff Swinger/Reuters)
O Brasil teve uma campanha apertada, mas saiu invicto da primeira fase do Pan. Venceu Porto Rico por 3 a 2, derrotou o Peru por 3 a 1 e, contra os Estados Unidos, sofreu para virar no tie-break e triunfar por 3 a 2. Dessa forma, ficou em primeiro lugar do grupo e foi direto para as semis. De novo contra Porto Rico, fez 3 a 2 e conquistou o direito de disputar a medalha de ouro. Mas sucumbiu para os EUA e foi prata.
O bronze ficou com a República Dominicana, que fez 3 a 1 sobre Porto Rico.
O jogo
A
partida começou com cara de Brasil e EUA. Um jogo duro, mas com alto
nível técnico. Com 1 a 0 para as americanas, houve um longo rali. Macris
tentou virar de segunda, mas o ponto foi das rivais. O time de Zé
Roberto fez duas vezes. A partida era parelha, mas as estrangeiras
estavam um pouco melhor e retomaram a ponta. Os times passaram a
disputar ponto a ponto. Mas Nicole Fawcett fez a diferença com seus
ataques. Após uma tentativa frustrada do Brasil de salvar uma bola, Fê
Garay até diminuiu. Mas os Estados Unidos estavam melhores. Zé Roberto
orientou as meninas, mas não adiantou. Lauren Paolini fechou em 25 a 22.
Norte-americanas dominaram o jogo nos dois
primeiros sets (Foto: Jeff Swinger/Reuters)
Se
o jogo começou duro no primeiro set, no segundo, a situação foi bem
diferente. O time americano aproveitou o embalo do finzinho da parcial
anterior e saiu abrindo uma boa vantagem desde o início. O Brasil
parecia não se encontrar em quadra. Em um saque relativamente fraco de
Fawcett, por exemplo, Fê Garay errou na recepção e deu um ponto de
graça: 8 a 3. Zé Roberto pediu tempo para orientar a seleção.
A
solução foi chamar Jaqueline, que chegou ficar fora do jogo da primeira
fase contra os EUA e atuou só um set na semi por uma contratura na
lombar. Ela entrou no lugar de Mari Paraíba com "sangue nos olhos".
Estava 9 a 4 para as americanas. A energia da bicampeã olímpica
contagiou não só as arquibancadas, mas as companheiras, e o Brasil
chegou ao empate de forma incrível em 13 a 13. A número 8 fez três
pontos da reação.
Brasil chegou a alternar bons e maus momentos
durante o jogo (Foto: Gaspar Nobrega/inovafoto)
A
virada foi na sequência. Jaque fez mais um, e o técnico rival, Daniel
Fisher, pediu tempo. Mas, na volta, quem pontuou foi Adenízia: 17 a 15.
Os EUA empataram no bloqueio de Paolini e passaram. Angélica deixou tudo
igual pela ponta. A disputa foi parelha até o fim da segunda parcial,
mas as americanas se aproveitaram de algumas falhas do Brasil e fizeram
25 a 21 no forte golpe de Krista Vansant em uma jogada que, antes, teve
uma bela salvada de Carli Lloyd.
Os EUA seguiam bem, mas a
torcida brasileira resolveu empurrar mais o time no terceiro set.
Vaiavam as americanas, vibravam a cada ponto brasileiro. O time do
Brasil melhorou bastante. Fê Garay fez dois pontos importantes, e Joyce
pôs o Brasil na frente: 11 a 10. Jaque fez duas vezes. A vantagem era de
oito pontos, mas as americanas acordaram, foram chegando perto e
empataram em 24 a 24. A equipe de Zé Roberto teve dois set points, mas
Lloyd marcou com um toque bonito e, depois, com mais um ataque, chegou
ao match point. Jaque mandou para fora, e as americanas venceram o duelo
com 28 a 26. As meninas brasileiras se emocionaram, e a camisa 8
chorou.
FONTE:
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