sexta-feira, 14 de março de 2014

Enderson exalta mudança de postura no 2º tempo: 'A equipe está madura'

Técnico gremista também destaca a qualidade do time do Newell's

Todo o grupo do Grêmio saiu do gramado da Arena com um gosto amargo. É consenso: a vitória escapou por entre os dedos na noite desta quinta-feira contra o Newell's Old Boys. Porém, apesar de uma ponta de tristeza, a atuação da equipe no segundo tempo encheu os olhos do técnico Enderson Moreira. Ele comemorou a facilidade com que os jogadores aos vários sistemas táticos que ele impõe ao time durante as partidas. 

- A equipe está madura. Eles sabem muito bem o que fazer, ele sabem como se modificar para poder encaixar melhor no adversario, para poder buscar o controle da partida. Nossa equipe tem feito isso e isso é prova de maturidade.

Enderson Moreira técnico do Grêmio no jogo contra o Newell's Old Boys na Arena em Porto Alegre (Foto: Lucas Uebel/Divulgação Grêmio) 
Enderson Moreira orienta o Grêmio no jogo 
contra o Newell's Old Boys (Foto: Lucas 
Uebel/Divulgação Grêmio)

O treinador gremistas admitiu que a equipe foi envolvida pelos argentinos no primeiro tempo, mas celebrou o poder de reação do time da etapa complementar.

- Nós enfrentamos uma grande equipe uma equipe, experiente, bem no perfil do futebol argentino. Eles têm a capacidade de jogar bem fora de casa, não abrem mão da filosia de jogo. Tivemos muitas dificuldades no primeiro tempo. Eles contralaram, não conseguimos impor nosso ritmo. No segundo tempo fomos melhores. Merecíamos sair com uma vitória. Mas futebol não tem justiça. O time teve uma reação muito boa no segundo tempo - disse.

Enderson ainda destacou o fato de o Grêmio ter a melhor campanha entre todos os times da Libertadores.

- Não podemos esquecer que temos a melhor camapnha da fase classificatória. Não podemos falar que esse empate foi absurdo. Estamos bem posicionandos num grupo extremamente difícil - concluiu.


 
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A 
CRÔNICA 
 
por Diego Guichard
 
O grupo é o da morte. O adversário, o mais temido na chave mais forte da Taça Libertadores. E as dificuldades que se avizinhavam acabaram se concretizando na noite desta quinta-feira, numa Arena repleta por 43.628 mil torcedores. O Grêmio fez um primeiro tempo ruim, cresceu na segunda etapa, mas não conseguiu sair do 0 a 0 com o bom time do Newell's Old Boys.
O Tricolor saiu de campo com a sensação de que enfrentou o adversário mais forte do grupo. Muito conscientes, os argentinos tocaram a bola com qualidade durante boa parte do jogo. Ao longo da partida, o time de Enderson Moreira encontrou uma forma de atacar e perdeu várias boas oportunidades de gol na segunda etapa. Barcos e Pará desperdiçaram as melhores e não deram ao Grêmio a importante e merecida vitória.
Com o resultado, o Grêmio foi aos sete pontos e se manteve na primeira colocação do Grupo 6. Já o Newell's foi a quatro e divide a segunda colocação com o Nacional de Medellín. Os dois times voltam a se enfrentar na próxima rodada da Libertadores, quarta-feira, às 22h (de Brasília), no caldeirão do El Coloso del Parque.
Newell's toca, Grêmio assiste
Os primeiros minutos de jogo tiveram cara de Libertadores. Catimba argentina, toque de bola do Newell's e muito contato físico. Mas pouco a pouco o Grêmio passou a se impor. Aos cinco minutos, após boa trama com Luan, Zé Roberto saiu na cara de Guzmán e tentou driblá-lo, mas o goleiro argentino deu um tapa e evitou o pior. Um minuto depois, quase um gol antológico. Wendell arrancou da esquerda para o meio, passou por seis jogadores – isso mesmo, seis –, mas foi desarmado antes de entrar de frente para o gol.
Barcos no jogo contra o Newell's (Foto: Wesley Santos/Agência PressDigital) 
Barcos perdeu boas chances contra o Newell's 
(Foto: Wesley Santos/Agência PressDigital)
 
O trabalho de bola do Newell's se mantinha invejável. Muita troca de passes, de pé em pé, mas sem muita objetividade. Quem tinha as melhores ações ofensivas era mesmo o Grêmio. Isso até os 20 minutos, quando os argentinos construíram uma ótima oportunidade. Maxi Rodríguez fez bom lançamento para o jovem Ponce, de apenas 16 anos, que pegou de primeira e mandou na rede pelo lado de fora. A Arena, mesmo que por alguns segundos, emudeceu.

Depois do início insinuante, o Grêmio arrefeceu. Passou a forçar as jogadas com o garoto Luan, que não fez um bom primeiro tempo. Com isso, os argentinos passaram a ficar ainda mais à vontade em campo e quase abriram o placar aos 29. Maxi Rodriguéz, o melhor jogador da etapa inicial, recebeu com liberdade na intermediária e mandou uma bomba. A bola fez uma curva e passou raspando a trave da meta defendida por Marcelo Grohe.

O tempo passou, mas o panorama do jogo não se alterou. O Newell's se assentou em campo e passou a trocar passes com ainda mais naturalidade. O Grêmio não conseguiu mais atacar, não conseguiu dar um chute a gol sequer e parecia torcer pelo apito do árbitro para tentar se restabelecer no vestiário. Quando isso aconteceu, a fala do lateral-esquerdo Wendell comprovou que o time não estava confortável em campo.

– Os caras estão tocando muito a bola, estamos deixando. Isso está nos incomodando. Vamos ter que corrigir isso para voltar e conquistar a vitória – disse.

Um time mais veloz

Com um minuto de segundo tempo, o Grêmio fez algo que não havia feito durante toda a primeira etapa: chutou a gol. Ramiro recebeu com liberdade pela intermediária e arriscou, mas a gola saiu à direita do gol de Guzmán.

Luan domina a bola contra o Newell's Old Boys (Foto: Wesley Santos/Agência PressDigital) 
Luan domina a bola contra o Newell's Old Boys 
(Foto: Wesley Santos/Agência PressDigital)
 
O Newell's não mudou a sua forma de jogar. A impressão que passava é de que jamais mudaria, não importava o placar ou contexto do jogo. Porém, o Grêmio decidiu alterar. Nos primeiros minutos já estava mais agressivo, amparado nas boas arrancadas de Luan. Mas a principal alteração veio mesmo do banco. Dudu entrou na vaga de Riveros e deixou a equipe mais ofensiva. No seu primeiro lance, ele avançou pelo meio e bateu para boa defesa do goleiro.

Dois minutos depois, aos 16, surgiu a melhor oportunidade do Grêmio em todo o jogo. Luan fez boa jogada pela direita e serviu a Pará, que, enfim, acertou um cruzamento. Colocou a bola na cabeça de Zé Roberto, que tocou, mas mandou a bola por cima do gol com muito perigo. Mas o gol não saia. Nem mesmo aquela pressão que deixa o torcedor na iminência de comemorar. Então, Enderson Moreira virou-se ao banco outra vez. Colocou o argentino Alan Ruiz na vaga de Zé Roberto aos 22 minutos.

O time cresceu. Se empolgou. Passou a empurrar o Newell's para o seu campo de defesa e criou boas situações para marcar. Em uma das mais claras, Alan Ruiz fez grande jogada, deu um chapéu no marcador e depois serviu a Barcos. O Pirata, livre, na frente do goleiro, bateu de perna esquerda para fora. Dois minutos depois, um lance inacreditável. Barcos recebeu na área, a zaga afastou e a bola se pfereceu a Pará, que mandou uma bomba. Ela parou no travessão e não entrou. E se não entrou neste lance, não iria mais entrar. O Grêmio seguiu em cima, mas não conseguiu chegar às redes e perdeu os seus primeiros pontos na Libertadores.


 
 
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