quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Delação de Marcelo Odebrecht ainda é posta à prova pela Lava Jato


FONTE:
http://jornalggn.com.br/autor/patricia-faermann



SEX, 05/08/2016 - 16:11
ATUALIZADO EM 05/







Jornal GGN - Em depoimento de cerca de dez horas a procuradores da República da equipe de Sergio Moro, o empresário Marcelo Odebrecht teria explicado detalhes, nesta quinta-feira (05), sobre pagamentos ilícitos feitos a políticos de diversos partidos nos últimos anos. A temida delação envolve cerca de 100 políticos, em negociação realizada desde maio.
 
Apesar de ainda não ser considerada parte do acordo, o depoimento de dez horas adiantou as informações que o executivo pode passar aos investigadores da Lava Jato. O ponto central da conversa foi a motivação da Odebrecht para fazer as transferências: se foram parte de caixa dois de campanha ou propina direta ligada a contratos de obras públicas.
 
O depoimento é um dos últimos feitos por Marcelo na tentativa de alcançar o acordo com os procuradores, que já informaram que a proposta é "satisfatória", exigindo, ainda, detalhamentos dos fatos e documentação.
 
A exemplo do que vem sendo feito pela força-tarefa, os acordos de delação não apenas impõe o testemunho e narrativa de acusações, envolvendo outras empresas e pessoas investigadas, mas também a apresentação de arquivos e documentos, para servir como provas a sustentar as informações prestadas.
 
A tática dos procuradores é que se o delator não oferece tais documentos, não traz benefícios ao Ministério Público Federal (MPF). Já se os investigados fornecem tais provas materiais, mais fácil se torna a condenação de terceiros, sustentadas nas delações.
 
Há, ainda, orientações dos investigadores a respeito do que pode oferecer aquele delator. Se a investigação já está concluída sobre um réu ou se o caso não está na mira dos procuradores da Lava Jato, também o acordo não é acertado.

Após Odebrecht incriminar PSDB e PMDB, Lava Jato não está satisfeita


FONTE:
http://jornalggn.com.br/autor/patricia-faermann









Jornal GGN - Uma semana após Marcelo Odebrecht delatar o repasse de R$ 23 milhões de caixa dois à campanha de José Serra (PSDB-SP), à Presidência em 2010, e de R$ 10 milhões em dinheiro vivo para o PMDB, a pedido de Michel Temer, um dos procuradores da força-tarefa da Lava Jato disse que o acordo com o executivo "ainda não está fechado": "Ainda temos um longo caminho à frente".
 
A revelação dos repasses provenientes de esquema de corrupção, em sistema de caixa dois para campanhas eleitorais, tanto para o PMDB, quanto para o PSDB - partidos articuladores do impeachment de Dilma Rousseff - não provocou a mesma reação à equipe de Sérgio Moro que o impacto manifestado pelos jornais e opinião pública neste final de semana.
 
Foi a Veja que revelou um jantar, em maio de 2014, na residência oficial de Temer, o Palácio do Jaburu, na presença de outro cacique do PMDB, Ediseu Padilha, braço direito e atual ministro-chefe da Casa Civil do governo interino. Na ocasião, Michel Temer pediu "apoio financeiro" a Marcelo Odebrecht, na forma de caixa dois.
 
Como Marcelo sabe que um dos requisitos exigidos pela equipe de Sérgio Moro para aceitar um acordo de delação é, além de trazer informações "novas" que outros delatores ainda não forneceram, mostrar provas materiais que confirmem os depoimentos, o executivo prometeu à força-tarefa apresentar registro de contabilidade da Odebrecht dos R$ 10 milhões de caixa dois repassados em dinheiro vivo.