terça-feira, 25 de setembro de 2012

Assis toma rédeas, afasta 'parceiros', e Ronaldinho cresce no Atlético-MG


Em Belo Horizonte, irmão passa a controlar as companhias e até os horários do jogador. Polêmicas dos tempos de Fla desaparecem

Por Richard Souza Rio de Janeiro

Foi um reinado curto, quase silencioso, mas incendiário. Um ano e quatro meses de regalias, com advertências internas que funcionaram mais na teoria do que na prática. Ronaldinho Gaúcho fez o que quis no Flamengo, sem alarde, sem discussões públicas, travando guerras frias com quem tentava fazer valer a hierarquia rubro-negra. Há quase quatro meses, o camisa 10 deixou o clube carioca pela porta dos fundos, com uma cobrança de R$ 40 milhões na Justiça e um histórico de indisciplinas quase sempre camufladas pelo departamento de futebol.

Ronaldinho, Atlético-MG (Foto: Leonardo Simonini / Globoesporte.com)Ronaldinho cercado por fãs: cena comum na Cidade do Galo (Foto: Leonardo Simonini / Globoesporte.com)

Nesta quarta-feira, Ronaldinho será adversário do Flamengo pela primeira vez desde a saída conturbada. O Rubro-Negro recebe o Atlético-MG no Engenhão, às 22h (de Brasília), em jogo adiado da 14ª rodada do Campeonato Brasileiro. Quem conhece bem o jogador diz que ele está diferente dentro e fora de campo. No Galo, reencontrou o bom futebol e é protagonista de uma equipe bem armada, que briga pelo título do Brasileirão. R49 é adorado pelos torcedores. Na Cidade do Galo, são comuns as filas de fãs em busca de fotos, autógrafos ou um simples aceno. Pelo menos por enquanto, comparecer aos treinamentos não foi problema para ele. Sempre pontual, sempre em campo. Cometeu apenas um deslize. Certa vez, já com o time concentrado dentro do CT, atrasou-se para descer do hotel até o gramado e chegou depois dos companheiros.
Diferentemente do que ocorria no Rio, o noticiário sobre a presença do jogador na noite de Belo Horizonte quase não existe. No Flamengo, houve um período em que a diretoria recorreu ao irmão e empresário do jogador, Roberto Assis, para controlar os excessos. Pediram a Ronaldinho que trocasse a diversão pública pelas longas festas privadas na mansão dele na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio. A polêmica coincidiu com a queda de rendimento do meia-atacante e os resultados ruins do time no Brasileirão. Depois, já com os salários do craque atrasados, o clube tentou, mas não conseguiu contê-lo.

Mas o que teria mudado tanto na vida de Ronaldinho em BH? A exposição é menor na capital mineira? Ou o comprometimento dele é maior no Atlético-MG? Pessoas próximas ao astro dizem que sim. Segundo amigos, Assis é o responsável pela mudança no comportamento do jogador.
Ronaldinho não se desfez de sua casa no Rio e promoveu festa no lugar quando esteve na cidade
para enfrentar o Fluminense

- Não é que ele tenha parado de sair, entende? Nada disso. Ele continua saindo sempre, fazendo as coisas de que gosta. Mas houve uma mudança importante. O Assis tomou as rédeas. Os aliados do Ronaldo, as amizades, não são mais os mesmos depois que ele saiu do Rio – contou um amigo do camisa 49.

No tempo em que jogou no Flamengo, Ronaldinho Gaúcho tinha um fiel escudeiro. Gibão, amigo e cunhado, era o responsável direto por levar e buscar o jogador aos treinos no Ninho do Urubu e até por acordá-lo depois das madrugadas animadas. Com a mudança para Belo Horizonte, Gibão não o acompanhou e hoje vive em Florianópolis. A decisão foi de Assis, que pelo menos uma vez por semana assiste ao treino do irmão no CT.

- A vida que ele levava no Rio não é a mesma em Belo Horizonte. O Assis afastou os parceiros, entre aspas, porque percebeu que a carreira do Ronaldo estava sendo destruída. Derrubou todo mundo. O Assis está praticamente morando em Minas, virou o despertador dele. Depois de tantos anos na Europa, o Ronaldo começou a se deslumbrar, porque no Rio ele tinha tudo de que gosta. É mulher, samba, pagode, funk, praia. E aí juntou com a falta de pagamento do Flamengo, ele começou a dizer que não ia treinar, que não ia jogar. No Atlético-MG o Ronaldo é outro – conta outro amigo do jogador.

À vontade no Galo
Na chegada ao Atlético-MG, Ronaldinho morou por um tempo no hotel da Cidade do Galo. Chegou a ser vizinho do técnico Cuca, morador do CT. Depois, o jogador se mudou para um hotel cinco estrelas, o principal da capital mineira. Hoje, Ronaldinho vive em um condomínio de casas de luxo em Lagoa Santa, região metropolitana de Belo Horizonte. Mudou de clube, de cidade, de endereço, mas continua promovendo festas grandiosas que invadem a madrugada.

Aos amigos, o meia-atacante diz com frequência que está completamente à vontade no clube mineiro. O contrato termina em dezembro, mas ele cogita a possibilidade de ficar se o Atlético-MG for campeão ou conquistar a vaga na Libertadores. Apesar de algumas sondagens, entre elas uma do futebol grego, Ronaldinho não se mostra muito disposto a jogar fora do Brasil novamente.

Ronaldinho Gaúcho no show do Revelação (Foto: Divulgação)Ronaldinho era figura fácil na noite carioca em sua
passagem pelo Flamengo (Foto: Divulgação)

No Galo, os jogadores mais próximos dele são Jô e Danilinho. No tempo em que jogou no Flamengo, Ronaldinho era o capitão dentro e fora de campo. O camisa 10 liderava a ala dos solteiros do grupo, mas a falta de compromisso do jogador passou a incomodar até mesmo os atletas mais próximos. O episódio mais marcante da passagem dele ocorreu em 16 de maio, às vésperas da estreia do time no Brasileirão. Ronaldinho chegou ao Ninho para o treino da manhã em más condições físicas e pediu para não treinar, segundo membros da comissão técnica. Recém-chegado, o diretor de futebol do clube, Zinho, precisou agir de maneira enérgica.

- Eu ia para as festas na casa dele, bebia com ele, curtia, mas falava: cara, você está errado. Está fazendo as coisas erradas. Ele me respeitava – afirmou um antigo companheiro, que preferiu não se identificar.

A relação de Ronaldinho Gaúcho com o Rio continua. Ele decidiu não se desfazer da casa que comprou quando foi contratado pelo Flamengo. Recentemente, aproveitou a passagem pela cidade e organizou uma festa na mansão após uma partida do Atlético-MG contra o Fluminense, no Engenhão, no primeiro turno.

Numa casa de shows na Zona Oeste do Rio, a ausência do jogador tem sido sentida. Ronaldinho era um frequentador fiel do lugar, batia cartão num camarote que é cercado por vidros escuros e garante privacidade aos frequentadores. Desde a saída do Rubro-Negro, no entanto, ele nunca mais apareceu.

O único problema
Se no Flamengo os dirigentes temiam Ronaldinho e se viam de mãos atadas para cobrar dedicação e responsabilidade do jogador, no Atlético-MG a direção age de maneira diferente. Antes do jogo contra o Vasco, em Belo Horizonte, o presidente Alexandre Kalil determinou que a concentração fosse antecipada em um dia. Capitaneado por Ronaldinho, o grupo atleticano contestou a decisão. Houve uma discussão entre o jogador e o mandatário diante de atletas e membros da comissão técnica. Kalil chegou a afastar o camisa 49 do jogo. A pedido dos jogadores, no entanto, reconsiderou, e o meia-atacante foi o melhor em campo na vitória por 1 a 0 sobre os cruz-maltinos.

FONTE:
http://globoesporte.globo.com/futebol/brasileirao-serie-a/noticia/2012/09/assis-toma-redeas-afasta-parceiros-e-ronaldinho-cresce-no-atletico-mg.html

Meu Jogo Inesquecível: Byafra e o Bota que voou e subiu ao bi de 68


(Obseervação do Bloguista: "eu também esta lá .... era um dos 141.689 pagantes ..... foi maravilhoso")


Fã de Seedorf, autor-intérprete de "Sonho de Ícaro" atropelado por parapente relembra goleada sobre Vasco por 4 a 0, que garantiu bi carioca

Por Thiago Quintella Niterói, RJ

cantor byafra botafogo (Foto: Thiago Quintella / Globoesporte.com)Byafra estava no Maracanã no bicampeonato de 68
(Foto: Thiago Quintella / Globoesporte.com)

A formação que tinha, entre outros, Carlos Roberto, Gérson, Rogério, Roberto, Jairzinho e Paulo Cezar Caju ainda está na ponta da língua de Byafra. Lembrar os tempos de garoto o remete também ao Botafogo da década de 60, quando ia com o pai assistir aos jogos do clube de coração no Maracanã. Dessa época, guarda recordação por uma partida em especial: a goleada sobre o rival Vasco por 4 a 0, que garantiu o bicampeonato estadual ao Glorioso, em junho de 1968.

Naqueles tempos, o Botafogo atropelava os adversários. Tal como o cantor acabou atropelado por um parapente, em 2009, durante gravação para um documentário.

- Eu não peguei a fase de Garrincha, Didi,  era muito pequeno. Mas estava no Maracanã e lembro que meu pai me levou para ver o bicampeonato do Botafogo de 1967 e 1968. O time com Rogério, Roberto, Jairzinho e Paulo Cezar... Aqueles jogos, contra Bangu e Vasco, foram inesquecíveis para mim – lembrou o cantor.

E foram os ídolos de Byafra que resolveram o jogo daquela tarde. Logo aos 15 minutos, Roberto recebeu lançamento e tocou na saída do goleiro, abrindo o placar. Aos 33, Paulo Cézar Caju avançou pela esquerda e cruzou rasteiro para Rogério escorar e balançar a rede. A primeira etapa só terminou 2 a 0 porque a trave ainda salvou o Vasco. No entanto, não tardou para se desenhar a goleada. Jairzinho, aos 14 do segundo tempo, recebeu livre e chutou forte, sem defesa para Pedro Paulo. O placar histórico se concretizou aos 22, em cobrança de falta de Gérson, com a famosa canhotinha, no ângulo da meta vascaína. Foi questão de tempo para o apito final e o ínicio da festa em preto e branco. 

Os confrontos diante do Bangu e Vasco ainda estão frescos na memória do cantor, que tinha apenas 11 anos quando seu clube de coração ergueu a taça de bicampeão carioca. O título sobre o rival, em especial, traz cada gol narrado como se tivesse acontecido no dia anterior.

- Aquele 4 a 0 no Vasco foi sensacional. O Roberto abriu o placar, depois o Rogério fez 2 a 0, Jairzinho fez o terceiro e o Gérson, de falta, marcou o quarto gol. Eu me lembro bem. Era pequeno, mas me lembro de passar o dia seguinte andando pelo bairro todo orgulhoso, com a bandeira do Botafogo - contou.

O saudosismo daquela época, aliás, é inevitável para Byafra. Os lances protagonizados pelos ídolos de sua geração dourada, em especial Gérson, ficaram mais raros. Com o futebol "mais pegado", no Botafogo atual Byafra enxerga no grande reforço da temporada, o meia holandês Seedorf, traços do temido Glorioso dos anos 1960.


Gerson, Botafogo e São Paulo 1968 (Foto: Arquivo / AGência Estado)Byafra elegeu Gérson como o principal jogador da época (Foto: Arquivo / AGência Estado)

- O Gérson era fundamental naquele time. Era ele que colocava os jogadores na cara do gol. Mas era outro tempo, tinha mais espaço para jogar. Ele recebia a bola e tinha tempo para pensar e fazer aqueles lançamentos lindos. Um exemplo é aquele para o Pelé, contra a Tchecoslováquia (na Copa de 70). Claro que os outros também faziam a diferença. O Paulo Cézar, o Jairizinho, o Rogério... eram craques. Hoje, quem mais se assemelha àquele futebol é o Seedorf, apesar de ter um estilo diferente, de toque de bola. Mas são outros tempos. Ele domina a bola e já tem dois ou três em cima. É difícil comparar porque são épocas completamente diferentes - disse.

Os anos 60 marcavam também o início da trajetória de Maurício Pinheiro Reis. Nascido em 1957, ele já entoava os primeiros cantos no Centro Educacional de Niterói, cidade em que nasceu e vive até hoje. Foi na escola também que recebeu o apelido que viria a ser seu nome artístico. Muito magro, era chamado de “Biafra” em referência à guerra ocorrida no estado de mesmo nome, na Nigéria, que tomava os noticiários da época. A variação para “Byafra” foi uma ideia do próprio cantor, já nos anos 90, para facilitar as buscas na internet a quem procurava por suas obras.

O futebol o acompanha também desde garoto. Entre as aulas e as participações nos corais do colégio, sobrava tempo para uma fuga aos campos de pelada do bairro. A torcida pelo Botafogo, no entanto, o remete ainda às primeiras palavras que aprendeu.



cantor byafra botafogo (Foto: Thiago Quintella / Globoesporte.com)Morador de Niterói, Byafra acompanha o Botafogo desde criança  (Foto: Thiago Quintella / Globoesporte.com)

- Da parte do meu pai, meus tios todos eram botafoguenses. E minha mãe, que era flamenguista, queria acabar com esse paradigma. Antes de eu aprender a falar, ela colocava a camisa do Flamengo em mim, mas eu não sabia do que se tratava. Quando comecei a falar, ela me perguntava ‘qual seu time?’ e eu respondia ‘Botafogo’ – contou Byafra, em meio aos risos.

O Flamengo, aliás, é assunto recorrente do artista. Afinal, sua filha é torcedora do Rubro-Negro e já o fez passar por uma das situações mais difíceis da vida, segundo ele conta.
O Botafogo, na verdade, é um estado de espírito "
Byafra

- Ela me obrigou a ir na Raça Rubro-Negra ver um Botafogo x Flamengo. Isso é risco de vida (risos)! E o Botafogo ganhou de 2 a 1. Quando a gente fazia um gol, eu tinha que fazer cara de triste. Mas levei na boa. O que a gente não faz por um filho? – brincou.

Ao falar do rival, Byafra faz uma reflexão filosófica sobre os torcedores. Para ele, a torcida do Flamengo é “a paixão acima de tudo”, independentemente de o time estar bem ou mal na tabela de classificação. Por outro lado, os botafoguenses são mais "racionais" na hora de torcer pelo time de coração.

- O Botafogo na verdade é um estado de espírito. Embora seja um torcedor muito exigente, reclame muito, isso faz parte do botafoguense. É um torcedor mais crítico. Talvez explique a quantidade de intelectuais do Rio de Janeiro que eram botafoguenses.

Atualmente, ele prefere acompanhar as partidas do time de coração pela TV. As atividades como cantor acontecem normalmente nos fins de semana e o impedem de ir ao estádio com a frequência que gostaria. Ainda assim, se empolga:

- É um dos meus programas favoritos. Ver um jogo do Botafogo e ficar reclamando (risos).


Byafra leva mesmo a vida com bom humor. A instabilidade do time de coração no Campeonato Brasileiro é motivo de brincadeira, assim como quando lembra o “atropelamento” por um parapente durante as gravações para o documentário “Alô, Alô, Terezinha”, em 2009. O caso ganhou repercussão e o recolocou em evidência na mídia, inclusive com uma reportagem no Fantástico, em 2009 (veja no vídeo ao lado).

- Foi totalmente surreal. O câmera pediu para eu cantar “Sonho de Ícaro" com o voo de um parapente ao fundo, para ilustrar a música. Só que ninguém podia imaginar que o cara viria em cima de mim. Foi uma bobagem. E as pessoas me ligavam para saber se eu estava bem de saúde, se estava no hospital. O rapaz que estava no parapente ainda ligou para minha mãe um tempo depois e pediu desculpas, porque tinha medo que o processasse. Fala sério! (risos) – relembrou.


Botafogo 4 x 0 vasco
Cao, Moreira, Zé Carlos, Leônidas e Waltencir; Carlos Roberto e Gérson; Rogério, Roberto, Jairzinho e Paulo Cézar Caju Pedro Paulo, Jorge Luiz, Brito, Ananias (Sérgio) e Ferreira; Bougleux e Danilo Meneses; Nado (Alcir), Ney, Walfrido e Silvinho
Técnico: Zagallo Técnico: Paulinho de Almeida
Gols: Roberto, aos 15, e Rogério, aos 33 minutos do primeiro tempo; Jairzinho, aos 14, e Gérson, aos 22 minutos do segundo tempo.
Árbitro: Armando Marques
Local: Estádio do Maracanã. Data: 09/06/1968. Competição: Campeonato Carioca (Guanabara).
Público: 141.689 presentes. Renda: NCr$ 141.689
,00.

FONTE:
http://globoesporte.globo.com/futebol/times/botafogo/noticia/2012/09/meu-jogo-inesquecivel-byafra-e-o-bota-que-voou-e-subiu-ao-bi-de-68.html