terça-feira, 21 de junho de 2011

Revoltado com expulsão de Bebeto, Montenegro ameaça deixar Botafogo

Ex-presidente classifica de covarde a decisão da Junta de Julgamento e Recursos e fala em 'nunca mais colocar os pés' no clube

Por Gustavo Rotstein Rio de Janeiror
carlos augusto montenegro (Foto: Agência Globo)Montenegro: solidariedade a Bebeto de Freitas
(Foto: Agência Globo)

A expulsão de Bebeto de Freitas do quadro social do Botafogo, em decisão da Junta de Julgamentos e Recursos, criou uma reação em cadeia. Depois de tomar conhecimento da resultado do julgamento, Carlos Augusto Montenegro, presidente do clube na conquista do Brasileiro de 1995, avisou que seguirá o mesmo caminho e deixará de ser sócio caso a exclusão de Bebeto seja confirmada.
- Participei da administração do Bebeto. Então, se ele for expulso, serei expulso também e nunca mais vou colocar os pés no Botafogo. Como ex-presidente, me sinto triste e agredido. Não tenho amizade, mas admiração pelo Bebeto. Além disso, sei que é um fardo ser presidente de um clube como o Botafogo, que acumula muitas dívidas passadas. Foi um ato covarde e de vingança política - disse Montenegro, que não exerce qualquer cargo atualmente no Glorioso.
Bebeto de Freitas foi acusado de não comprovar gastos do equivalente a R$ 1,5 milhão, relativos a 2008, último ano de sua administração. O ex-presidente tem cinco dias para recorrrer da decisão junto ao Conselho Deliberativo do Botafogo. Carlos Augusto Montenegro acusou a Junta de não atuar da maneira correta ao analisar o caso.
- Em seis anos, o Bebeto movimentou R$ 300 milhões e as pessoas estão discutindo sobre R$ 1,5 milhão que todos sabem que foi pago. O Conselho Fiscal e a Junta jamais convocaram para depor o Cláudio Good, que por seis anos foi vice financeiro. Além disso, todas as operações foram respaldadas pela diretoria. Nunca houve interesse em saber a verdade. O Bebeto foi o presidente que tirou o Botafogo da Segunda Divisão e que conseguiu o Engenhão - afirmou Montenegro.

Vice de futebol durante a gestão de Bebeto de Freitas, Ricardo Rotenberg foi solidário a Montenegro:
- Se o Bebeto for realmente expulso, entrego o título de sócio-proprietário que possuo há 36 anos.

Jorge Aurélio Domingues, presidente da Junta de Julgamentos e Recursos do Botafogo, garantiu que o processo relativo a Bebeto de Freitas transcorreu de forma isenta e baseada nas informações colhidas pelo Conselho Fiscal do clube.
- A Junta deu todas as oportunidades para o Bebeto se defender. Inclusive, o advogado dele poderia ter feito perguntas às testemunhas. O Conselho Fiscal, do qual não faço parte, fez um trabalho minucioso, e Junta julgou com base nesse parecer. Cláudio Good foi convidado para ser ouvido antes do julgamento, mas disse que não iria porque renunciou à vice-presidência financeira antes de tudo acontecer. Posso garantir que não houve ódio ou questão política no processo. Em relação ao Montenegro, só tenho a lamentar e ficaria triste se ele saísse. Mas isso não altera em nada nossa decisão - explicou.

Cláudio Good também se disse indignado com a decisão tomada pela Junta, acreditando em uma questão política. Segundo ele, por causa de compromissos pessoais, não foi possível comparecer à sessão desta terça-feira.
- Recebi tudo isso com indignação. Disse ao presidente da Junta que, antes de qualquer decisão, algumas coisas precisariam ser esclarecidas. Na minha opinião, a Junta nem tem poderes para fazer o que fez. Acho que tudo poderia ser submetido ao Conselho de Administração e, aí sim, os envolvidos explicarem. Quem perde com isso é o clube.

FONTE:
http://globoesporte.globo.com/futebol/times/botafogo/noticia/2011/06/revoltado-com-expulsao-de-bebeto-montenegro-ameaca-deixar-botafogo.html

Caso de Jobson pode mudar a lesgislação antidoping, diz advogado

Reconhecimento da dependência química foi usado como estratégia pela defesa do atacante em julgamento na Suíça

Por Bianca Rothier Direto de Lausanne, Suíça

Jobson, na Suíça (Foto: Bianca Rothier)Jobson, na sede do CAS, na Suíça
(Foto: Bianca Rothier/Globoesporte.com)

Se por um lado a Agência Mundial Antidoping achou insuficiente a suspensão de 6 meses para Jobson, levando o caso para a Corte Arbitral do Esporte nesta terça-feira, a defesa do jogador brasileiro acredita que, mais do que absolver o atacante de uma pena extra, a decisão do CAS poderá provocar uma revolução na legislação do tema. De acordo com os advogados que participaram do julgamento, em geral os atletas flagrados em exames indicando o uso de cocaína tentam se esquivar das punições alegando um uso pontual da droga. Jobson, ao contrário, assumiu a dependência química.
- A gente espera que essa decisão abra um precedente capaz até de mudar a legislação antidoping para abrir essa visão sobre o tratamento da dependência química e a importância do esporte para a recuperação - afirmou Carlos Francisco Portinho, um dos três advogados pessoais de Jobson que o acompanharam na audiência em Lausanne, na Suíça.

Durante o processo, o artilheiro do Bahia assumiu o uso de cocaína, crack e álcool, mas garantiu ter superado o vício depois do tratamento. Exames de sangue para monitorar a recuperação e depoimentos de médicos e de uma psicóloga reforçaram as palavras do jogador.

Para o advogado Carlos Francisco Portinho, há uma lacuna no sistema mundial antidoping, e o reconhecimento da dependência química foi a grande questão abordada neste painel na Corte Arbitral do Esporte.
- Esse caso pode representar uma decisão inédita, mudando o foco da legislação e tratando a dependência como uma questão de saúde. Afinal, se o esporte tem como princípio a promoção da saúde, é o que a gente defendeu aqui, o esporte precisa vencer as drogas.

FONTE:
http://globoesporte.globo.com/futebol/noticia/2011/06/caso-de-jobson-pode-mudar-lesgislacao-antidoping-diz-advogado.html