domingo, 15 de novembro de 2015

Clube grande comemora título de Série B? Para ídolos do Botafogo, sim


GloboEsporte.com ouve personagens que marcaram história. É quase consenso: Alvinegro deve celebrar em caso de conquista da Série B, mas Sandro discorda





Por
Rio de Janeiro



A festa do acesso foi bonita, e os jogadores foram recebidos nos braços da torcida na chegada ao Rio de Janeiro. Neste sábado, no entanto, pode ter mais comemoração. O Botafogo está próximo de garantir o título da Série B.

Uma questão, porém, divide os torcedores. Afinal, clube grande deve comemorar a conquista da Segunda Divisão? O GloboEsporte.com ouviu jogadores e personagens que marcaram a história do clube e conquistaram títulos importantes pelo Botafogo. E é quase consenso. Se vier, o troféu será muito bem vindo.


Confira abaixa as opiniões de algumas personalidades do Botafogo:

JAIRZINHO

Jairzinho, Botafogo, Engenhão (Foto: Divulgação / Botafogo)
Jairzinho (Foto: Divulgação / Botafogo)


Todo título tem que ser comemorado. Todos têm sua importância e refletem um objetivo alcançado. Título é título. Vai entrar para a história do Botafogo. Na Série A, o principal objetivo é o título. Na Série B é a mesma coisa. Temos que parabenizar essa nova diretoria do Botafogo, a comissão técnica e os jogadores. Ainda mais sabendo dos problemas financeiros que o clube enfrenta.

Jairzinho, campeão do mundo com a Seleção na Copa de 1970, bicampeão carioca e campeão brasileiro com o Botafogo em 1968.


CARLOS ALBERTO TORRES

Carlos Alberto Torres CBF (Foto: Rafael Ribeiro / CBF)
Carlos Alberto Torres  (Foto: 
Rafael Ribeiro / CBF)


Acima de tudo é obrigação do time grande voltar para a Série A, independe de ser campeão ou não.
Mas acho válido comemorar. Não é uma questão de se apequenar. É uma conquista. Temos que respeitar os outros clubes. Grande parte dos que disputam a Série B têm muita tradição e já estiveram na Série A. Na minha opinião, vale comemorar. Especialmente no caso do Botafogo, pelas dificuldades enfrentadas nos últimos dois anos. A diretoria se esforçou para pagar os salários em dia. Valeu muito esse esforço, e o time correspondeu.

Capitão da Seleção na Copa de 1970, ídolo do clube na década de 70 e treinador do Botafogo no título da Conmebol, em 1993.


CARLOS ALBERTO MONTENEGRO

Thiago Alvim, Durcesio Mello e Carlos Augusto Montenegro botafogo (Foto: Jessica Mello)
Carlos Augusto Montenegro  (Foto: Jessica Mello)


Tem que comemorar muito. Não vejo como uma mancha. Quem tem mancha é o Fluminense, que foi rebaixado e voltou à elite sem disputar a Série B. É como se um pedaço da vida deles não tivesse existido. Eu morro de orgulho de ter voltado para a Primeira sem usar nenhum advogado. O título é para ser comemorado, sim. É um momento ruim quando desce, mas depois é um momento alegre quando você dá a volta por cima.

Carlos Augusto Montenegro, presidente do Botafogo no título brasileiro de 1995


GONÇALVES

Gonçalves Botafogo em Florianópolis (Foto: Globoesporte.com)
Gonçalves (Foto: Globoesporte.com)


Tem que pensar na essência do futebol. O
 torcedor quer sempre vencer, ficar alegre e zoar os amigos que são de outros clubes. Acho que por isso a comemoração é algo natural, espontâneo, assim como você fica feliz quando vence uma pelada. Ninguém gosta de perder. Torcedor, atletas e direção têm que comemorar, mas claro que cada título tem o seu peso. Não dá para comparar com uma Série A, por exemplo. Levantar a taça e dar a volta olímpica são importantes porque significa o ápice do trabalho, o alcance de um objetivo. O que não se deve comemorar é o acesso à Série A. O Botafogo tinha obrigação total de voltar, por sua história e tradição. Todos têm o direito de ficarem alegres, mas não comemorar. Nada disso pode ser separado da conjuntura atual do clube, que ainda precisa crescer em estrutura e receitas para formar um elenco mais forte em 2016. Mesmo que não haja estrelas, precisa ser competitivo.

Gonçalves, campeão brasileiro (95) e carioca (97) pelo Botafogo


SANDRO

Frame- Sandro-Botafogo (Foto: Reprodução / youtube)
Sandro (Foto: Reprodução / youtube)


É muito estranho comemorar um título da Série B para um clube da grandeza do Botafogo, mas vai ter que comemorar. O título que a torcida precisa celebrar é o de 95. A obrigação é subir, mas não é um título que o Botafogo merece. O acesso é o mais importante. Com todo respeito, quem tem que comemorar título da Série B é Luverdense e ABC de Natal, por exemplo. Botafogo, Vasco, Corinthians e Atlético-MG, não.

Sandro, que jogou pelo Botafogo de 1999 a 2004 e foi vice campeão da Série B, em 2003


FONTE:
http://globoesporte.globo.com/futebol/times/botafogo/noticia/2015/11/clube-grande-comemora-titulo-de-serie-b-para-idolos-do-botafogo-sim.html

De coração aberto, Hamilton fala de tudo, menos de F-1: "Estou relaxado"


Tricampeão relembra luta contra discriminação no início da carreira, diz não ligar mais para críticas e admite rejuvenescimento com fase solteira: "Nunca me senti tão feliz"




Por
São Paulo


Livio Oricchio - Especialista GloboEsporte.com (Foto: GloboEsporte.com)
Lewis Hamilton, GP do Brasil, Fórmula 1 (Foto: Reuters)Hamilton revela estilo conservador e garante que não perdeu o valor do dinheiro (Foto: Reuters)


Lewis Hamilton é o tipo de piloto que tem muitos fãs no mundo todo, não apenas na Inglaterra, onde nasceu, numa área de classe média ao norte de Londres, há 30 anos. Por mais que o novo padrão de vida que os três títulos mundiais – o último deles conquistado este ano - lhe permitem ter seja até exótico, como se pode entender de suas viagens regulares, com jato próprio, pelo Caribe, Califórnia, Colorado, o primeiro piloto negro na F-1 passa um ar que não esconde sua origem simples.

Neste domingo, ele larga às 14h (de Brasília), em Interlagos, estimuladíssimo a repetir o que seu ídolo, Ayrton Senna, conseguiu em duas ocasiões, em corridas épicas, em 1991 e 1993, pela McLaren. Sai da segunda colocação no grid, pois na pole está o companheiro de Mercedes, Nico Rosberg, com quem teve algumas rusgas por ultrapassá-lo logo depois da largada.

E depois da definição do grid, neste sábado, a declaração de Hamilton não deixa dúvida sobre qual será sua estratégia logo que os faróis vermelhos apagarem: “A melhor chance que terei para assumir a liderança será na largada e nos pit stops”. O inglês vai provavelmente forçar a manobra no S do Senna se tiver a oportunidade.


+ Rosberg dá bote no final, supera Hamilton e crava quinto pole seguida
+ Após volta "no limite", pole Nico quer vencer para agarrar vice-campeonato 

O foco da conversa exclusiva do GloboEsporte.com com Hamilton, porém, não é o que ele poderá fazer no 44º GP do Brasil, em Interlagos, neste domingo, mas quem é Hamilton, por ele próprio. O piloto aceitou falar de sua vida pessoal, do que faz quando não está nos autódromos, de seus sonhos, os novos desafios e até do amor.


CONFIRA A ENTREVISTA COMPLETA

Livio Oricchio: Lewis, você é um homem diferente hoje, mais relaxado, ri com maior frequência, demonstra estar em sintonia consigo próprio. Você pode descrever melhor esse seu momento excepcional, como homem e profissional?
Lewis Hamilton: Eu vivo meus sonhos, agora, todos os dias. Desde criança eu queria ser como Ayrton Senna. Colocava enorme pressão em mim mesmo, desde os oito, nove anos (início no kart), e foi assim por muitos anos. Chegar na F-1 não foi fácil para todos nós da família e ser o primeiro negro também a chegar no topo...

Você sentiu resistência por causa disso?
Com certeza, há resistência no mundo todo para uma pessoa de cor dar um salto, conseguir uma promoção, ou seja lá o que for, em qualquer cenário. Na F-1 definitivamente também foi o caso. Comigo, pode-se dizer, tive sorte nesse sentido. Quando cheguei aqui, fui colocado numa caixa fechada e não podia manobrar, ser eu mesmo. Demorou bom tempo até eu poder sair dessa caixa e me sentir, de fato, fora dela.
O sucesso rápido que fiz ajudou a mudar essa situação, capitalizei com isso. (Aos 22 anos, em 2007, Hamilton estreou na F-1, na McLaren, e estabeleceu de cara um recorde impressionante, o de número de pódios seguidos para um novato: nove.)

Você falava das razões de todos o verem diferente este ano, mais sereno e ainda mais eficiente como piloto.Sim, me sinto mais relaxado, hoje, não preocupado com o que dizem, escrevem a meu respeito, não faz a menor diferença para mim. Ok, não é um processo simples e fácil, mas avancei muito nesse sentido.
Esse foi o ajuste que fiz em mim este ano. É como tirar um elefante dos ombros. Vale para qualquer um, no trabalho, na escola. As pessoas que se sentiam como eu na verdade encontram-se dentro de um casulo, impossibilitadas de serem elas mesmas. Tem sido fantástico sentir-se livre.
"Jesus, it is burning!". Jesus, está queimando, diz Hamilton. O sol, no fim da tarde, incide diretamente nas salas das equipes, em Interlagos. A parede para o paddock é de vidro e o ar condicionado não vence o calor gerado com a entrada dos raios solares. Como havia uma equipe do SporTV aguardando a conversa do GloboEsporte.com para realizar a sua entrevista com Hamilton, o piloto pediu o rebatedor, aquele disco grande, usado pelas equipes de TV para refletir a luz, a fim de servir de anteparo e, dessa forma, permanecer na sombra. Hamilton pessoalmente segurou no início o disco, mas depois recebeu ajuda. E quando alguém diz que a nova obra de Interlagos atendeu apenas parcialmente as necessidades da F-1 acaba por ser criticado.
Este ano, estou apenas correndo, desfrutando da minha paixão pela velocidade, e tudo parece fluir muito melhor. Nunca pilotei tão bem.

O que você faz que não fazia antes?
Se há algo que posso apontar é o fato de eu não me apegar tanto às coisas como antes, eu não me preocupo mais com quase nada. Como disse, se as pessoas começam a falar negativamente de mim, eu não deixo me afetar, não trago para dentro de mim.

Costumava incomodá-lo?
Automaticamente, sim. Acredito que a maioria aqui tem bom coração, claro, alguns não. Algumas pessoas, às vezes acontece, não têm intenção de te atingir negativamente, mas seus comentários não passam uma sensação agradável. É o mesmo que uma criança na escola ouvir que é feia, o cabelo também é feio.
Agora criei barreiras e essa negatividade fica fora. Tudo o que dizem, escrevem tem zero diferença em mim, porque sei quem eu sou, quais são os meus valores, em parte também porque estou crescendo como homem. Não preciso da avaliação de ninguém, apenas Deus pode me julgar. No fim, o importante é saber que minha família e meus amigos sabem quem eu sou e que sou uma boa pessoa.

O que você faz fora dos fins de semana de competição?
Amo carros, naturalmente, novos carros, modelos de produção limitada, música, gasto muito tempo ouvindo, tocando, nunca estudei música, mas toco guitarra desde os 13 anos. Eu a trouxe para cá, toco no hotel. Gosto também de moda, bebidas, ler, aprender sobre tudo. Deixe-me ver... gosto me manter longe da F-1 e fazer coisas diferentes. O trabalho na F-1 é quase sempre o mesmo. Vou num desfile de moda, gosto de desafios fora do esporte.

Tem namorada?
Não tenho. Estou solteiro realmente. Não ficava sem namorada, putz... desde que tinha 21, 22 anos de idade, é muito tempo atrás. (Hamilton e a cantora havaiana Nicole Scherzinger, sete anos mais velha, mantiveram uma relação, por vezes tumultuada, por vários anos. Acabou em março deste ano.)

Qual a diferença entre estar namorando e viver agora a vida de solteiro?
Quando você está num relacionamento você sacrifica muita coisa para primeiro que ele possa acontecer e depois se manter. Dedica na sequência tempo... Depende também do tipo de relacionamento. Sobre estar solteiro, tem sido uma experiência rejuvenescedora, estou aprendendo mais sobre eu mesmo, vivo período muito bom da minha vida, posso dizer fantástico, nunca me senti tão feliz. (Hamilton adora colocar nas mídias sociais fotos das festas que frequenta e com quem está, como com a cantora Rihanna, durante carnaval de rua na ilha de Barbados, em agosto.)

Que tipo de mulher você gosta?
Não tenho um tipo de mulher específico, olhando para as namoradas que tive, pode parecer que eu tenho um tipo, mas não há. Gosto de alguém divertido, que tenha bom coração, bons valores, que recebeu boa orientação da família, mais bonita por dentro que por fora, o que não é fácil encontrar, que goste de crianças, cheia de energia para ir atrás dos seus objetivos, respeito as mulheres independentes.

Planeja formar família, vem a sua mente ter filhos?
Sim, quando estava numa relação, mas agora estou sozinho, num período da vida que isso não faz parte, virei a chave, acontece de tempos em tempos. Meu foco é obter sucesso na minha atividade, me desenvolver ao máximo no que faço, acho que estou nos meus melhores anos (como piloto).
Quanto a formar a minha família, chegará uma hora que vou pensar com seriedade em ter filhos, ter um pedaço de mim correndo ao meu redor, pensar no futuro dele. Vê-lo nas corridas será um desafio completamente novo. Temos de ter sempre novos desafios, senão a vida se torna muito chata.
Eu vivo minha vida, hoje, um pouco no limite, você vê tantas coisas acontecendo, como agora em Paris, o avião que caiu no Egito, há duas semanas, os atentados na Turquia, nunca se sabe o que pode acontecer. Aprendi a viver me divertindo, seja no que for e melhor ainda ao lado de pessoas que sentem o mesmo.

Você é conservador ou agressivo com o dinheiro que ganha? (Estima-se que Hamilton fature, entre o contrato com a Mercedes e publicidade, cerca de 45 milhões de euros, R$ 190 milhões, por ano)
Eu diria que sou conservador, não faço investimentos, por exemplo, na bolsa de valores, ou algo do gênero. Eu invisto em algumas propriedades, como numa casa para a minha irmã, outra para minha família, compro carros, o que amo, um pouco em arte. Sou muito consciente com dinheiro, especial depois de 2008 (ano do primeiro título, em que assinou vários contratos publicitários).
Não preciso focar minhas ações apenas em ganhar muito mais dinheiro. Não sou daqueles que quando passa a ganhar dinheiro quer muito, muito mais. Eu entendo que existe inflação, essas coisas. Eu tenho, hoje, mais dinheiro do que já tive e achei que teria, mas minha missão não é trabalhar para ganhar mais e mais, estou contente com o que tenho, em resposta à pergunta, sou bastante conservador.

Em 2007 você disse (ao hoje repórter do GloboEsporte.com) que o preço de uma bicicleta que havia visto e o agradou era alto e não comprou. Hoje compraria?
Ainda hoje, acontece de eu dizer quando me falam o preço de algo que me interessei e achei caro: o quê? Você está louco? Claro eu compro algumas coisas que são caras, como este cordão (de ouro maciço, grande, pesado, usado no pescoço). Eu disse na hora: você está louco? Quando era pequeno, lembro, eu tinha muito pouco dinheiro, fazia economia em tudo. E por isso que quando ouço hoje certos valores pergunto se o vendedor está louco.

Acontece comigo também de estar numa loja, ver alguém perguntar o preço e eu ouvir, por exemplo, 100 libras. Então eu vou e pergunto o valor do mesmo objeto. O cidadão me olha e Ah! (identificando tratar-se de Hamilton) e responde para mim, 500 libras (Hamilton ri alto).

Tenho consciência disso, não faço essas loucuras, é injusto, odeio desperdiçar dinheiro, odeio comprar coisas e deixar lá em casa, sem uso, na garagem. Meus carros eu os adoro, compartilho com meus cachorros, ou uma namorada. Eu uso, os mantenho espalhados, ficam em Mônaco, no Colorado, em Los Angeles, Nova York, enfim, onde costumo ir, e eu me divirto com eles. (Três deles, por exemplo, são muito exclusivos, como a La Ferrari, de US$ 1,5 milhão (R$ 5,5 milhões), o Shelby 427 Street Cobra, modelo de 1967, e a Maserati Gran Cabrio. Hamilton desfila com eles em Mônaco.)

Depois de 20 minutos de papo, está na hora de colocar fim à conversa. Hamilton é quem agradece não ter falado apenas de F-1.

FONTE:
http://globoesporte.globo.com/motor/formula-1/noticia/2015/11/de-coracao-aberto-hamilton-fala-de-tudo-menos-de-f-1-estou-relaxado.html