Torcedores protagonizaram cenas de vandalismo no Castelão (Foto: Bruno Gomes/Agência Diário)
O
roteiro parecia muito bem definido. Festa e êxtase da torcida e dos
jogadores tricolores. O gol de Cassiano, quando as esperanças do Leão do
Pici pareciam minguar era o símbolo da redenção e da festa de um time
que não levantava uma taça desde 2010. Diante disso, era esperar o apito
do árbitro, bem próximo, e correr para o abraço. No entanto, com o fim
da partida, Marcelo Chamusca e seus comandados mal puderam dar
entrevistas e comemorar. Foram para o vestiário diante de uma confusão
generalizada entre as torcidas de Ceará e Fortaleza, que invadiram o
campo da Arena Castelão, e promoveram uma barbárie dentro das quatro
linhas.
A Federação Cearense de Futebol (FCF) chegou a
cancelar a premiação por falta de clima para a festa. Praticamente uma
hora depois, resolveram entregar a taça. Em meio aos festejos, mais
confusão e uma nova invasão. Mesmo com policiais em campo.
Depois
do título e de toda a confusão, os jogadores e a comissão técnica do
Fortaleza deixaram o Castelão e foram comemorar o título em um
restaurante da cidade. Deixaram para trás tudo de ruim, mas já pensam no
jogo da próxima quarta-feira (6), quando jogam contra o Coritiba, pela
segunda fase da Copa do Brasil, na Arena Castelão, às 21 horas. O
adversário, Ceará, que saiu derrotado, só joga de novo na próxima
sexta-feira (8), fora de casa, na Vila Capanema, contra o Paraná Clube,
na abertura da Série B do Campeonato Brasileiro, às 21 horas.
Que chapéu, Daniel!
O
primeiro tempo do Clássico-Rei decisivo mostrou um Leão do Pici
aguerrido, jogando pra frente e propondo o jogo, e um Ceará esperando o
adversário e sem tanta atitude. Embora tivesse a necessidade de vencer
para ser campeão. Com isso, o Fortaleza criava boas jogadas no setor
ofensivo. O Ceará chegava mais na pressão do que na técnica. O resultado
não podia ser outro. Em boa troca de passes, Daniel Sobralense recebeu
em impedimento, deu um belo chapéu em João Marcos, que chegou atrasado, e
chutou no canto de Luís Carlos. Indefensável.
Ceará oscilou durante o jogo e demorou a reagir
na partida decisiva (Foto: Agência Estado)
Independente
do questionamento sobre a posição do meia-atacante tricolor, o Leão do
Pici já era melhor e tinha criado chances mais claras de gol. No apito
do árbitro, o técnico Silas Pereira sabia que precisava fazer alguma
mudança urgente no modo de jogar alvinegro.
De arrancar os cabelos
Diferente
da etapa inicial, o Ceará resolveu ir para cima do Fortaleza com tudo. E
o Leão aceitou a pressão alvinegra até a expulsão de Uillian Correia,
após o segundo cartão amarelo. Daí em diante, começou a administrar a
partida e esteve tranquilo em campo até Ricardinho mandar chute forte de
fora da área. A bola, que parecia de fácil defesa, foi parar no fundo
das redes. Falha de Deola que colocou o Vovô no jogo de novo.
Adalberto e Lima comemoram título do Cearense (Foto: Bruno Gomes/Agência Diário)
A
partir daí, as arquibancadas ficaram em suspensão. Era impossível
respirar direito com a sequência de lances dos dois lados. Até que, aos
46 minutos do segundo tempo. Assisinho cabeceou certeiro. Deola olhou a
bola passar e parar no fundo das redes. Parecia o fim dos sonhos
tricolores. E a conquista do pentacampeonato voltava a ser iluminada.
Chamusca balançava a cabeça como se não acreditasse. A torcida do Vovô
ia ao delírio.
Mas quis o destino que a história da partida
virasse mais uma vez. Menos de dois minutos depois. No apagar das luzes.
A bola achou a cabeça de Cassiano, sozinho dentro da pequena área. Gol
do Fortaleza. Êxtase. Festa. E a certeza de que a alegria de levantar o
troféu havia voltado. Para saber o restante da história, é só voltar ao
começo do texto.
FONTE:
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