domingo, 9 de novembro de 2014

Dorival assume responsabilidade pela derrota e diz: "Demos um passo atrás"

Treinador reconhece que Atlético-MG foi superior e diz que Palmeiras "tem tido todas as chances para se firmar, mas não tem sido competente nos momentos importantes"


Por
São Paulo



O Palmeiras teve uma atuação ruim e ainda corre sério risco de rebaixamento. Foi o que disse o técnico Dorival Júnior, após a derrota para o Atlético-MG, por 2 a 0, na noite deste sábado, no Pacaembu. Chamando para si a responsabilidade pelo resultado ruim, o treinador reconheceu que "nada deu certo" contra o Galo e reiterou, várias vezes, a importância de a equipe não se deixar abater. Faltando cinco rodadas para o fim do Brasileirão, o Verdão pode terminar a 33ª rodada a apenas dois pontos do Z-4, caso o jogo entre Figueirense e Chapecoense termine empatado e o Vitória vença o São Paulo em Salvador, neste domingo.

A preocupação é ainda maior porque, na próxima rodada, o Palmeiras encara o São Paulo no Morumbi, muito provavelmente sem Valdivia, convocado pela seleção chilena e que dificilmente terá a liberação para o clássico.


Confira a entrevista coletiva de Dorival Júnior

Atuação da equipe- Hoje tudo o que tentávamos não dava certo, sempre um detalhe favorecia ao Atlético. É até difcil encontrar explicação. A equipe não vinha se comportando dessa maneira. Sucumbimos diante de um adversário que foi melhor e mereceu o resultado.
O Palmeiras vem tendo todas as oportunidades para se firmar, mas não tem sido competente em momentos importantes
Dorival Júnior


Time entrou relaxado?- Eu vinha alertando durante a semana que só valorizaria o resultado que conquistamos na Bahia se tivéssemos uma atuação igual hoje aqui. Agora é uma rodada a menos, amanhã muita gente pode encostar, o campeonato vai afunilando e nos encontramos nesta situação que não queríamos. O Palmeiras vem tendo todas as oportunidades para se firmar, mas não tem sido competente em momentos importantes.


Falta elenco?- É uma situação difícil de se analisar, o Palmeiras precisa ter forças para sair dessa situação como vinha mostrando em outros jogos. Mesmo em algumas derrotas vínhamos jogando bem, diferente de hoje, que não mostramos qualidade nenhuma. Essa questão de elenco é para ser discutida depois. O que precisamos é que todos os jogadores se doem ao máximo. Foi uma jornada terrível hoje. Pela campanha que tivemos, não podemos nos dar ao luxo de errar duas vezes seguida, e o Palmeiras precisa buscar força para se recuperar já na rodada seguinte



Falta de maturidade do time?- Jogador só amadurece quando passa por todas as situações possíveis. Nossa equipe está sendo reformulada ao longo do campeonato, a zaga é jovem. À exceção do jogo do Goiás e hoje, vínhamos fazendo boas partidas.


Dorival Junior Palmeiras (Foto: Marcos Ribolli)
Dorival Júnior admite: Palmeiras ainda corre 
risco de rebaixamento (Foto: Marcos Ribolli)


Risco de rebaixamento
- Nós que estamos deste lado aqui temos sempre um pé atrás. Eu coloquei na coletiva de ontem
(sexta-feira) pra vocês que esta situação poderia se inverter em duas rodadas. No futebol, a distância entre céu e inferno é de um palmo. Ela vira da noite para o dia. Quando almejávamos uma tranquilidade maior na competição, demos um passo atrás. Não temos como relaxar. O Palmeiras não tem esse direito. Nossa situação é muito complicada. Não aprendemos a lidar com esse tipo de situação.

No futebol, a distância entre céu e inferno é de um palmo. Ela vira da noite para o dia. Quando almejávamos uma tranquilidade maior na competição, demos um passo atrás. Não temos como relaxar. O Palmeiras não tem esse direito. Nossa situação é muito complicada
Dorival Júnior


Arrepende-se de entrar com Allione e Mazinho?
- Não, de maneira nenhuma. Tive três meias e não conseguimos criar. Erramos em que aspecto? A maneira como o Atlético-MG se comportou é que criou um desconforto pra gente. Não é a definição de nomes. Na teoria, tínhamos todas as condições de ter uma boa atuação, porque eram três meias chegando no Henrique. mas isso não aconteceu.


Sem Valdivia no clássico?Aqui são todos profissionais e sabemos que precisamos logo nos recuperar. Este clássico pode representar a reação definitiva, independentemente de quem for a campo. Sabemos que num determinado momento o Palmeiras não poderá contar com o Valdivia, mas temos de superar


Importância de jogar na Arena Palmeiras- Pode ser o diferencial, a partir do momento que você atua no seu campo, com seu torcedor, tem de buscar força para reverter esse quadro. O torcedor tem feito sua parte. Nós vínhamos fazendo também, mas no jogo de hoje, infelizmente, não.


Surpreendeu-se com os reservas do Atlético-MG?
- Nós já sabíamos desde a véspera que eles viriam com esse time, e nos preparamos para isso, mas o Atlético foi superior à nossa equipe desde os 10 minutos iniciais e mereceu o resultado. Temos de ser realistas. Nossa marcação não encaixou e nossa armação foi anulada. Nada deu certo.
Eu, como treinador, assumo o resultado. Não tem essa de caçar bruxas. O resultado é do treinador, a responsabilidade é minha, e agora temos de trabalhar para o jogo contra o São Paulo
Dorival Júnior


Postura da equipe- Nós que estamos aqui deste lado não entendemos como as pessoas criam algumas coisas. Depois da vitória sobre o Bahia, vi muita gente dizendo que o Palmeiras já estava tranquilo e não corria mais risco. Mas não é assim! A rodada da semana que vem passa a ser de risco, como vinha sendo. Não dá para relaxar num campeonato como o nosso, onde qualquer resultado pode acontecer e vitória representa três pontos. Nenhuma equipe fez com o Palmeiras o que o Atlético fez hoje. O relaxamento não pode acontecer, ainda mais com o Palmeiras, que já errou tudo o que poderia errar na competição.


Responsabilidade pela derrota- Eu, como treinador, assumo o resultado. Não tem essa de caçar bruxas. O resultado é do treinador, a responsabilidade é minha, e agora temos de trabalhar para o jogo contra o São Paulo.


Levir Culpi fica satisfeito com reservas e projeta a decisão da Copa do Brasil

Técnico volta a enaltecer empenho dos jogadores em partida onde o entrosamento fica em segundo plano. Foco agora é em clássicos sem problemas extracampo


Por
Belo Horizonte


No treino de sexta-feira, Levir Culpi chegou a fazer mistério com relação à escalação da equipe, mas o que se confirmou foi um time formado por dez reservas, além de Victor, no gol. Em campo, mesmo sem um meia de criação atuando na armação ou um atacante de características definidoras, o Atlético-MG foi bem e venceu com certa facilidade um desesperado Palmeiras por 2 a 0.


Após a partida, Levir elogiou o empenho dos jogadores naquilo que classificou como uma das vitórias mais importantes do Brasileirão. Além de enaltecer o resultado, o técnico fugiu dos clichês e afirmou que um resultado como este ajuda a elevar o moral dos jogadores para a decisão da Copa do Brasil, cujo primeiro jogo será na quarta.


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- Vitória realmente muito boa, num momento importante que nos manteve ali na região dos quatro. Posso parabenizar todos, tivemos falta de treinos e jogos, mas empenho mais uma vez admirável. Elogio para todos eles, comemoramos juntos e passamos a nos preparar para primeiro jogo da decisão contra o Cruzeiro.  

Sobre a falta de entrosamento, o treinador minimizou a questão dentro de campo, uma vez que os treinos têm sido quase sempre relacionados a vídeos e palestras.

- Estamos sempre juntos, vendo vídeos, analisando jogos e conseguimos controlar taticamente, firmes, gostei. O time foi bem defensivamente e buscando o gol, não recebeu só pressão, tivemos coragem de atacar e considero umas das vitórias mais importantes do campeonato nacional.


Veja outros trechos da entrevista do treinador atleticano:  

Moral para quarta
- Especialmente eu procuro confiar no elenco, não gosto de lamentar ausências de jogadores e é uma oportunidade, todos querem ser titulares do Atlético-MG e nessa coisa confio e acredito. Mas pegar esse pensamento e transformar em realidade é difícil, não tem ritmo de jogo, entrosamento de jogo, mas como estamos num momento iluminado as coisas caminham a nosso favor. Vamos aproveitar esse momento de realizações, e na quarta, que estejamos da mesma forma, com garra, pegada, e com a torcida do nosso lado.  


Escolha pelo time reserva  
- Se não tem resultado e ocorre algo normal como a vitória do Palmeiras sempre tem alguém que pensa de outra maneira, pode ter razão em pensar assim para manter a mesma formação, mas são decisões que tomamos com base na experiência e observação junto com toda a comissão. E optei por essa formação, deu tudo certo e estamos num momento de comemorar.  


Quando a fase é boa, dá tudo certo?  
- No Brasil eu acredito que sim, porque aqui somos assim, muito emocionais, o psicológico trabalha forte em nós brasileiros, rimos muito, ficamos felizes e depois vamos rápido para a tristeza, é uma cultura. Digo que em dois ou três jogos pode se desestabilizar um time ou estabilizar, isso é marcante, mas é fruto de nossa cultura.  

 
Clássico com 10% de torcedores rivais  
- Entendo que a decisão podia ser melhor. Não posso entender um clássico dessa magnitude com um pedacinho de torcedor de um e outro time, que história é essa? Vai ser pior, duas mil de um time e 50 mil de outro. O que posso fazer depois disso é pedir para os torcedores de Atlético-MG e Cruzeiro que façam uma demonstração, não pode ocorrer nada. Temos que passar um exemplo para todos, espero que não haja ocorrências para noticiar no outro dia. É obrigação nossa passar para outros torcedores como devemos nos portar dentro de um estádio de futebol.


Sequência em casa na Copa do Brasil e no Brasileiro
- A gente alivia nas viagens, mas a concentração aumenta, o grau de dificuldade, uma decisão de Copa do Brasil, com tensão, adrenalina e desgaste emocional grande. Temos que estar bem fechados com a torcida dando apoio, porque com eles restaura nossa energia. Isso é bacana, temos afinidade, estamos encontrando e isso facilita em campo. O que podemos fazer em campo é o que os jogadores tem feito, dado 100% ou muito próximo dos 100, e é isso que nos leva aos resultados.


Dodô
- Ele não tem sido muito usado, mas foi bem nas vezes que entrou antes, participou de dois gols e hoje foi muito bem. É um menino que surge, espero que siga um bom caminho, menino tranquilo e tem qualidade. Demonstrou isso em três jogos, deu três assistência e marcou um gol. É mais uma arma que o Atlético ganha antes de terminar o ano.


FONTE: