domingo, 24 de novembro de 2013

Declaração de Júlio Baptista durante derrota para o Vasco gera polêmica

Meia diz para Cris o que parece ser 'faz logo outro' no início do segundo tempo. Cruzeirense e vascaíno dão a mesma versão após a partida

Por Rio de Janeiro

Uma curta frase dita pelo meia Júlio Baptista na noite deste sábado, no Maracanã, promete ser uma das principais polêmicas desta 36ª rodada do Campeonato Brasileiro. Durante a partida que terminou com a vitória do Vasco por 2 a 1, o jogador do Cruzeiro disse o que parece ser “faz logo outro” para o zagueiro adversário Cris. Naquele instante, aos quatro minutos do segundo tempo, os cariocas venciam por 2 a 0.

Após a partida, em entrevista ao SporTV, Júlio Baptista não negou a frase, mas explicou que o contexto era outro, numa discussão com Cris.

- A gente estava discutindo, e ele falou para amaciar: "Vai, amacia, pô'. Falei: "Vai lá e faz o terceiro". Coisas do jogo, que acontecem. Poderiam pegar a frase inteira, pegaram só o momento que falei "faz o terceiro". É normal, as pessoas podem interpretar de qualquer forma que a gente está tentando amaciar, mas em nenhum momento isso aconteceu, tanto que tentamos fazer o segundo. O primeiro foi feito, o segundo não conseguimos fazer, e infelizmente acabamos perdendo o jogo - disse o jogador na saída do estádio.

O zagueiro vascaíno deu a mesma versão.
- Foi uma pequena discussão ali entre mim e Júlio, somos amigos, mas no calor do jogo é difícil. E eu pedindo para ele, pedindo, pedindo, pedindo (para parar de pressionar). Aí ele já virou para mim, numa discussão normal, e disse: "Então vai lá e faz o terceiro". Não teve nada de presente para o Vasco, como estão anunciando aí, foi um jogo duro - afirmou à TV Alterosa.

A declaração de Júlio Baptista gerou indignação entre dirigentes de Portuguesa, Criciúma, Bahia, Fluminense e Coritiba, concorrentes na luta contra o rebaixamento. Segundo o blog Bastidores F.C., eles já estudam uma forma de agir contra Vasco e Cruzeiro na CBF e no STJD.

Júlio Baptista; Cruzeiro; entrevista (Foto: Reprodução SporTV) 
Júlio Baptista disse que frase foi dita em meio a
uma discussão com Cris (Reprodução SporTV)
 
Apesar da explicação de Júlio Baptista, o ex-jogador e comentarista Roger Flores disse ter entendido de outra forma, como se, de fato, o jogador do Cruzeiro sugerisse ao adversário que o Vasco fizesse logo o terceiro gol para amenizar a vida do clube carioca na competição.

- Lógico que ele vai tentar se defender, porque não é uma atitude correta de um atleta de futebol. Enxerguei de outra maneira, ali ele diz claramente: tenta logo fazer outro para vocês não passarem mais sufoco. Pelo menos ele se expôs, deu a declaração dele.

O técnico do Vasco, Adilson Batista, foi perguntado sobre o assunto na entrevista coletiva. Disse que, na opinião dele, o meia estaria apenas ironizando as chances de gol desperdiçadas pelos cariocas.

-  Acho que, naquele momento em que o Júlio entrou, o  Edmilson teve duas situações de gol. Thalles, Pedro (Ken) e Robinho também quase marcaram. Acho que foi mais pelo lado de "vocês não querem fazer o terceiro?". Nosso time estava prestes a fazer o terceiro e liquidar. O Cruzeiro já está pensando em 2014, mas é evidente que dificultou e valorizou nossa vitória. Não vamos tirar o mérito do Vasco, que jogou bem.

O comentarista e ex-jogador Edinho ressalta que as imagens não sugerem uma discussão entre Júlio Baptista e Cris, como explicou o jogador do Cruzeiro.

- A gente vê que ele não estava discutindo com o Cris, mas foi muito importante ele se explicar para a nação cruzeirense - ressaltou.

O meia Éverton Ribeiro, após o jogo, em entrevista ao SporTV, disse que esse assunto nem foi comentado no vestiário.

- Não fiquei sabendo disso. Acho que ele deve ter falando para a gente fazer mais um e empatar logo o jogo.

FONTE:
 http://sportv.globo.com/site/programas/troca-de-passes/noticia/2013/11/declaracao-de-julio-baptista-durante-derrota-para-o-vasco-gera-polemica.html

Vasco vence o Cruzeiro no Maracanã e mantém vivo o sonho da salvação

Cruz-Maltino faz 2 a 1 com gols de Thalles e Edmílson e agora torce por tropeços de rivais na degola neste domingo. Paulão marca para a Raposa

A CRÔNICA 
 
por GLOBOESPORTE.COM

A missão, considerada quase impossível, ficou um pouco mais provável depois deste sábado. O Vasco venceu o já campeão Cruzeiro por 2 a 1 no Maracanã e, se ainda não saiu da zona de rebaixamento, conseguiu um resultado fundamental para seguir alimentando o sonho de se livrar da Série B em 2014. Com gols do jovem Thalles e de Edmílson (Paulão descontou), o Cruz-Maltino chegou aos 41 pontos e igualou-se ao 17º colocado, o Coritiba, ficando apenas um ponto atrás do Bahia, primeira equipe fora da zona de degola. Os dois concorrentes entram em campo neste domingo.

A partida teve um momento polêmico no início do segundo tempo, quando o placar indicava 2 a 0. Julio Baptista fala o que parece ser "faz logo outro, p..." diante de Cris. O meia cruzeirense, em entrevista ao SporTV após a partida, disse que foi apenas uma resposta ao zagueiro, que teria pedido a ele para "amaciar".

A torcida, se não lotou o estádio como na partida contra o Santos, compareceu em bom número e apoiou o time durante todo o jogo (32.988 pagantes, com renda de R$ 667.340). Sofreu por 90 minutos, mas saiu satisfeita com o resultado e esperançosa para a reta final, cantando a plenos pulmões: "Eu acredito".

- Mais uma vez demonstramos o quanto queremos sair dessa situação. Entendemos as dificuldades e hoje foi totalmente coração dentro de campo. A torcida veio, ajudou e está de parabéns. É dessa energia que precisamos nessa reta final - comentou Pedro Ken.

Na próxima rodada, o Vasco enfrenta o Náutico, também no Maracanã, no domingo. No mesmo dia, o Cruzeiro recebe o Bahia no Mineirão, em resultado que também interessa muito ao time de São Januário. Os mineiros, que somam 75 pontos, ainda perseguem o recorde de um time no Brasileiro por pontos corridos desde que passou a ser disputado por 20 clubes - pertence ao São Paulo de 2006, com 78.

Durante a semana, o zagueiro Dedé pediu para não enfrentar o Vasco, dizendo-se apreensivo com a possibilidade de rebaixamento de seu ex-clube, pelo qual disse nutrir enorme admiração e respeito. Indiretamente, acabou ajudando mesmo. Desentrosada, a zaga formada por Léo e Paulão deu espaços, principalmente no primeiro tempo, quando foi construída a vantagem no Maracanã. Após a partida, torcedores na arquibancada gritaram o nome de Dedé. Outro lance curioso envolvendo um ex-vascaíno aconteceu quando Nilton cobrou uma falta muito longe do gol e ouviu seu nome sendo gritado.

- Tenho que torcer (para o Vasco ficar na Série A). Tenho amigos aqui, todos que hoje joguei contra vieram me parabenizar. É bacana o carinho, o respeito, e torço para que o Vasco consiga sair dessa situação - disse o volante.

Comemoração do Vasco contra o Cruzeiro (Foto: Marcelo Carnaval / Agência O Globo) 
Thalles e Edmílson comemoram o gol contra o Cruzeiro
 (Foto: Marcelo Carnaval / Agência O Globo)
 
Boa vantagem vascaína
Diante das circunstâncias, o início de jogo prometia tensão para os jogadores e a torcida do Vasco. Mas o jovem Thalles tratou de desarmar a bomba-relógio da forma mais simples possível: com um gol. Logo aos dois minutos, depois de cobrança de escanteio, Luan escorou, e o jovem de 18 anos marcou pela terceira vez com a camisa cruz-maltina, a primeira no Brasileiro. Sensação geral de alívio.

A vantagem, no entanto, não funcionou exatamente como um incentivo para o Cruz-Maltino se impor ao adversário. Muitos passes errados e algumas más escolhas nas jogadas deram volume de jogo ao Cruzeiro, que equilibrou as ações a partir da metade da etapa inicial. Everton Ribeiro obrigou Alessandro a grande defesa, e Fagner cortou cruzamento de Vinícius Araújo quase em cima da linha. A torcida vascaína, mesmo apreensiva, não perdeu o bom humor.

Justamente quando a Raposa pressionava mais, saiu o segundo gol vascaíno. O técnico Marcelo Oliveira decidiu poupar alguns jogadores para a partida e lançou a zaga com os reservas Léo e Paulão. O desentrosamento pesou, e o sistema defensivo foi o ponto fraco no primeiro tempo. Um bom exemplo foi o gol de Edmílson. A jogada nasceu no lado direito da defesa mineira, onde Ceará dava espaços. A bola chegou à entrada da área sem que o atacante cruz-maltino fosse importunado. Ele ajeitou e soltou a bomba, que resvalou no travessão antes de morrer no gol de Rafael.

William e Fagner Vasco e Cruzeiro (Foto: Marcelo Carnaval / Agência O Globo) 
William disputa a bola com Fagner no Maracanã (Foto: Marcelo Carnaval / Agência O Globo)
Cruzeiro desconta

O título já está garantido, e o Cruzeiro não tinha maiores aspirações na partida, mas o técnico Marcelo Oliveira não gostou da postura de seus comandados no primeiro tempo. Lançou Julio Baptista no lugar de Vinícius Araújo e cobrou mais atitude dos jogadores no intervalo. A equipe voltou, de fato, mais ligada e chegou a marcar um gol logo aos dois minutos, mas foi anulado por impedimento de Willian. O Vasco tentou responder, e Edmílson poderia ter matado o jogo logo em seguida, mas finalizou mal na frente de Rafael.

Thalles foi escalado por sua capacidade de movimentação e velocidade, e essas caraterísticas por pouco não renderam o terceiro gol. O jovem arrancou quase do meio-campo em contra-ataque, livrou-se da marcação, mas Rafael salvou na finalização. Pouco depois, o Cruzeiro diminuiu. Éverton Ribeiro cobrou falta, e Paulão desviou levemente de cabeça para vencer Alessandro. Apreensão nas arquibancadas. A cada ataque do Cruzeiro, um aperto. Nos minutos finais, Edmílson ainda teve a chance de marcar o terceiro  de cabeça, mas a bola saiu por pouco. A partir dali, o time segurou a bola até o suspiro aliviado do apito final do árbitro.

 
FONTE: