sexta-feira, 7 de junho de 2013

Meia de origem, Alex completa 400 gols em 18 anos de carreira no futebol

Atleta relembra o caminho que o transformou em um meia de qualidade até o goleador nato. Zico, conta ele, serviu de modelo e mentor

Por Gabriel Hamilko Curitiba



Uma história passou diante dos olhos do meia Alex quando ele marcou o 400º gol da carreira profissional, que garantiu a vitória do Coritiba sobre o Fluminense por 2 a 1. Não teve como, por um minuto o jogo ficou parado, enquanto o grito de gol se estendia na boca da torcida alviverde, e o craque realizava uma meia volta olímpica, agradecendo e sendo ovacionado.

Demorou, mas valeu. Alex teve que esperar cinco jogos para conseguir balançar as redes. No período, ele perdeu pênalti, colocou bola na trave e perdeu gols cara a cara com o goleiro. Enquanto o craque aplaudia a torcida alviverde, vários times foram representados pelo chutaço de Alex.

Palmeiras, Cruzeiro, Fenerbahçe, Parma, Flamengo e Seleção Brasileira também foram beneficiados pelo instinto do artilheiro - alguns com poucos gols, outros com mais.

Para um meio-campista, cuja função principal é armar jogadas e não balançar as redes, o número é um fato invejável, ainda mais por ser o jogador da função em atividade no Brasil que mais balançou as redes. Além dos 400 gols, comemorados nesta quinta-feira, Alex acumula outras marcas individuais relevantes, como ter se tornado o segundo maior goleador da história do Fener em competições turcas e o principal do Palmeiras em Taça Libertadores da América.

Alex comemora, Coritiba x Fluminense (Foto: Geraldo Bubniak/Agência Estado)Alex comemora, e Coritiba termina rodada na liderança (Foto: Geraldo Bubniak/Agência Estado)

O "Menino de Ouro" do Coritiba começou no gramado do Alto da Glória, mas não teve uma participação notável quando defendeu a camisa alviverde pela primeira vez. O que mais se destacava era a sua habilidade em se livrar dos marcadores e a ginga para servir os companheiros. O primeiro grande mestre da lembrança de Alex foi o técnico Paulo César Carpegiani, que o promoveu da categoria de base coxa-branca.

A passagem do meia habilidoso para o goleador está bem viva na memória de Alex. Um pouco antes de se transferir para o Palmeiras, o jogador conta que começou a acertar o pé e acumular a fama de artilheiro durante o Campeonato Paranaense de 1997.

- Quando estava no Coxa, eu jogava aberto com o Carpegiani. No meu segundo ano, vim um pouco para dentro, mas ainda estava recuado, entrando um pouco na área. Mas, se analisar a minha passagem no Coritiba, o ano que mais fiz gols foi o de 97. E não foi nem um ano, foram cinco meses. Ali já começava.

Mudança tática e ensinamentos de Felipão e Luxemburgo dão novo patamar

A crescente empolgação do jovem garoto aumentou com a mudança para o Palmeiras, clube em que se projetou como uma revelação do futebol brasileiro. Sob o comando de Luiz Felipe Scolari, o camisa 10 fez atuações magistrais no Palestra Itália e participou de um super time, campeão da Libertadores da América em 1999.

Alex confessa que ainda não estava na melhor forma para fazer gols, mas que os ensinamentos e dicas de Felipão já davam a entender que o jogador tinha qualidade para se infiltrar na área e chutar.

- No Palmeiras, o Felipão também pedia isso para mim, que eu entrasse na área. Tanto que se olhar os números do Palmeiras, eu sou o maior goleador da história do clube na Libertadores. Isso é uma prova de que fiz bastante gols.

Alex Palmeiras 1999 (Foto: Ag. Estado)Alex começou período de artilheiro no Palmeiras, mas se aperfeiçou no Cruzeiro (Foto: Agência Estado)

Luxemburgo incentivou que Alex fosse mais ofensivo

Mas o principal diferencial, que Alex sempre lembra em suas entrevistas, é sua chegada no Cruzeiro para trabalhar com Vanderlei Luxemburgo. Os dois já se conheciam do período em que o treinador esteve à frente da seleção brasileira, de 2000 a 2002, durante as eliminatórias da Copa do Mundo de 2002 e o pré-Olímpico.

Segundo Alex, Luxemburgo observou que el tinha muito mais a oferecer se seguisse o caminho certo nas jogadas ofensivas. Além disso, o meio-campista começou a treinar exaustivamente cobranças de faltas. Atualmente, a bola parada frontal é uma arma mortal e responsável por boa parte dos gols do jogador.

- Com insistência, a melhor fase começou com o Vanderlei, no Cruzeiro. Um pouco antes na Seleção, porém mais no Cruzeiro, onde ficamos trabalhando dois anos juntos. Ele exigia e insistia que eu entrasse na área, para que eu treinasse as faltas com maior frequência (no Palmeiras ainda dividia s tarefa com o Arce). No Cruzeiro eu era o batedor oficial - explicou.
Gols de Alex:
 
Fener: 182
Palmeiras: 78
Cruzeiro: 64
Coritiba: 49
Brasil: 20
Flamengo:3
Parma:3

Zico: de inspiração para ser treinador pelo mestre

Além das orientações básicas, Vanderlei Luxemburgo usou o exemplo de Zico para Alex. Assim como o meia coxa-branca, o Galinho de Quintino era armador na década de 80 e se destacou pela habilidade no toque de bola, além dos gols. Luxa teve uma convivência próxima com Zico e tentou passar o modelo para Alex no Cruzeiro.

- Ele usava muito o exemplo do Zico, pois o Vanderlei e o Zico se conhecem desde criança. A referência de número 10 dele era o Zico.

O que Alex não esperava era que o próprio Zico fosse seu treinador alguns anos depois, quando se encontraram no Fenerbahçe, entre 2006 e 2008. Se Luxemburgo tinha lhe passado o básico, Zico se encarregou de aprofundar o conteúdo e ver o surgimento de um "deus" na Turquia.

- Por uma grande coincidência, dois anos depois eu fui treinado pelo Zico na Turquia. Tudo aquilo que o Vanderlei dizia para mim, o Zico repetia. Minha média de 2003 para cá é de 20 gols a mais por temporada. Isso fez com que eu chegasse a um número tão elevado de gols.

Mesmo após Zico deixar o Fener, Alex continuou com a orientação em mente, com um futebol veloz e sempre aproveitando os espaços no ataque. No total, o camisa 20 do time turco fez 182 gols e virou celebridade. Até hoje, com o seu retorno ao Coxa, o meia é reverenciado e motiva peregrinos turcos até Curitiba, que se deslocam em busca de uma foto, autógrafo ou apenas para conhecer a cidade natal do ídolo.

De volta ao Coritiba, Alex mantém os números impressionantes, se candidatando a uma vaga de artilheiro do ano. Em 17 jogos pelo Verdão do Alto da Glória, o capitão e ídolo alviverde já balançou as redes em 15 oportunidades. Além de conquistar o primeiro título pelo clube do coração, Alex também foi artilheiro do Campeonato Paranaense.

Alex e zico, Fenerbahce (Foto: Divulgação)Zico serviu de modelo e mestre para a fama de artilheiro no Fenerbahçe (Foto: Divulgação)

FONTE:

Caneta, passe e gol: Alex comanda vitória do líder Coritiba sobre o Flu

Após primeira etapa animada, jogo cai muito de nível no segundo tempo, Tricolor é melhor, mas meia faz seu 400º gol na carreira e resolve a parada

 A

 CRÔNICA

por GLOBOESPORTE.COM

A queda de produção no segundo tempo, o princípio de vaias da torcida e o domínio do Fluminense apenas maquiaram o que viria a ser um desfecho mágico de jogo para o Coritiba e para Alex na noite desta quinta-feira, no Couto Pereira. Com um gol de fora da área do meia aos 42 minutos do segundo tempo, o time alviverde bateu o Tricolor por 2 a 1 e assumiu a liderança do Campeonato Brasileiro pela primeira vez na era dos pontos corridos, mantendo a invencibilidade até esta quarta rodada. De quebra, ele balançou a rede pela 400ª vez na carreira e festejou muito com a torcida e companheiros antes de sair de campo.

E não foi só isso. O craque de 35 anos deu a assistência para o gol de Robinho e um belo drible por baixo das pernas de Wellington Silva. Na jogada decisiva, é verdade, contou com a ajuda do goleiro Ricardo Berna, que saltou de forma estranha deixou a bola passar entre seus braços, apesar da força do chute. Um público pagante de 15.554 (17.306 presentes) presenciou a vitória coxa-branca, com renda de R$ 223.684,00.

Com o resultado, o Coritiba saltou dez posições e, com oito pontos, se isolou na ponta. Já o Flu é o oitavo colocado, com seis. No entanto, o clube das Laranjeiras tem um jogo a menos. No dia 12, enfrenta a Portuguesa, válido pela segunda rodada. Se conseguir se reabilitar, dependendo dos resultados do fim de semana, pode até terminar na liderança antes da parada para a disputa da Copa das Confederações.


Na próxima rodada, o Coxa defende seu posto ilustre contra o Náutico, domingo, às 18h30m (horário de Brasília) também em casa. Já os comandados de Abel Braga pegam o Goiás, no mesmo dia e horário, em Macaé.

Apesar da euforia após o apito final, Alex foi ponderado ao comentar a fase alviverde.
- Pensamos (em título), mas temos muito para melhorar, não adianta se iludir com os bons resultados. Temos que comemorar, pois não é todo dia que você vence dessa forma - disse.

Autor do gol tricolor, o lateral Carlinhos citou a superioridade do time, mas lamentou o golpe.
- O time foi bem, criou jogadas, teve oportunidade de gol, mas não fizemos. Acho até que fomos melhores, mas infelizmente saímos com a derrota. É muito difícil jogar aqui - crê.

Alex comemora, Coritiba x Fluminense (Foto: Geraldo Bubniak/Agência Estado)Alex comemora seu gol, o da vitória e o 400º da carreira (Foto: Geraldo Bubniak/Agência Estado)

Gols e alternância de domínio

O início da partida foi marcado pela confusa arbitragem de Elmo Alves Resende, que irritou os dois times com inversões, falta de pulso e até "roubada de bola". Isso não inibiu, porém, a pressão que o Coxa tentou exercer, empurrado por sua torcida. Alex parou em Berna após cobrança de falta, aos dez minutos. A blitz fez efeito logo depois: o próprio Alex, em passe genial, deixou Robinho na cara do gol, e o meia só teve o trabalho de completar para abrir o placar.

A desvantagem fez bem ao Flu, que partiu para cima, encaixou a marcação e cresceu. Em antiga jogada ensaiada, o lateral Carlinhos se posicionou no primeiro pau e surpreendeu ao cabecear para o fundo da rede, aos 22. Daí para frente, aliás, o Tricolor foi soberano. Soube controlar o mandante, que perdeu a intensidade. A equipe de Abel Braga liderou a posse de bola e perdeu pelo menos duas chances para virar, com Wagner e Wellington Silva.

Wagner jogo Coritiba Fluminense (Foto: Photocamera)Wagner tenta superar a marcação de Leandro
Almeida ainda na etapa inicial (Foto: Photocamera)

Bola é maltratada. Menos por Alex

Na volta do intervalo, Alex continuou desfilando seu repertório, com dribles e lançamentos. Um deles foi desconcertante: entre as pernas de Wellington Silva. Mas o Fluminense era superior coletivamente e aproveitava as brechas defensivas dadas pelo rival. O duelo, no entanto, era aberto: Rhayner e Alex, mais uma vez, tiveram a possibilidade de movimentar o G-4, mas esbarraram em noite inspirada de Vanderlei e Berna, respectivamente.

Então, o técnico Marquinhos Santos ousou, sacando o volante Gil para aumentar o poderio ofensivo com Bottinelli. Não deu certo. Só serviu mesmo para dar mais espaços aos cariocas, cujo segundo gol amadurecia cada vez mais. Erros (foram 33 passes errados), lentidão e insegurança eram as marcas do Coritiba, e os torcedores já vaiavam em meio ao iminente mau resultado. Antes dos 30 minutos, Junior Urso, outro marcador, saiu para a entrada do meia-atacante Everton Costa, deixando claras as intenções.

A partida se encaminhava para um fim apático até que Alex chamou a responsabilidade e reapareceu em grande estilo. Ele, que até havia recuado para compor e ajudar na marcação, acertou uma bomba de longe, aos 42, para fazer 2 a 1 e explodir o estádio. Berna, dessa vez, vacilou ao não conseguir tocar na bola, que passou entre seus braços. Não houve tempo para o Flu reagir. Só restou lamentar o castigo depois de dominar as ações.


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