RIO — Não é só o torcedor do Botafogo que aguarda ansioso o desfecho
da novela em que se transformou a contratação do apoiador holandês,
Seedorf. Enquanto os dirigientes do clube asseguram que as negociações
continuam em andamento, jogadores como Vítor Júnior e Lucas torcem por
um desfecho positivo.
Vítor Júnior disse que chegou a conversar
uma vez com o grupo sobre a possível vinda do apoiador. Ele acha que
seria um grande reforço para o clube e daria um ânimo para jogadores e
torcedores. Mas prefere tratar o assunto com os pés no chão:
— A
gente fica na expectativa. Mas o futebol é complicado. É uma decisão
dele. A minha torcida é que venha jogar aqui. Seria uma grande alegria
tê-lo no grupo — disse o apoiador.
Para Lucas quanto mais
jogadores de alto nível o Botafogo contar em seu elenco mais forte vai
ficar. Mas ele prefere aguardar a evolução da negociação assim como a
possível vinda de outros jogadores para reforçar o time.
No
momento, o importante para Lucas é que a equipe entenda que precisa
reagir no Campeonato Brasileiro, superar o trauma da derrota para a
Ponte Preta dentro do Engenhão, e aprender a ter paciência para
encontrar o melhor ponto de equilíbrio entre a defesa e o ataque.
—
Nosso ataque é o mais positivo com 13 gols e a defesa a mais vazada do
Brasileiro com 12 gols. Para mim, não é culpa dos defensores este número
negativo na defesa. Somos um grupo e todos são responsáveis. Vamos ter
12 dias para encontrar o equilíbrio certo entre o ataque e a defesa, e
sobretudo, aprender a ter tranquilidade e paciência na hora de trabalhar
a bola no campo — disse Lucas.
A conta aumentou. A briga de Ronaldinho Gaúcho com o Flamengo
originou na tarde de ontem uma nova ação contra o clube. Mas, desta vez,
o irmão do jogador, Roberto de Assis, é quem cobra na Justiça R$
967.341,10, dívida referente à comissão a que teria direito como
empresário que intermediou toda a negociação que envolveu a contratação
de Ronaldinho, em janeiro de 2011.
O advogado Sérgio Queiroz
protocolou ontem na Vara Cível do Fórum Regional da Tristeza, em Porto
Alegre, a ação em nome da Planet Invest, empresa da qual Assis é
proprietário. Por telefone, ele informou ao Jogo Extra que, ao contratar
Ronaldinho, o Flamengo acertara com seu cliente a remuneração de R$ 1
milhão, em quatro parcelas de R$ 250 mil. Porém, somente a primeira cota
foi paga, e, ainda assim, com atraso. Sobre o saldo de R$ 750 mil foram
aplicados juros e multa pelo não cumprimento do acordo, totalizando o
valor de aproximadamente R$ 1 milhão reclamado agora judicialmente.
—
Assis ajustou essa comissão com o Flamengo para fechar a vinda do
Ronaldo. A primeira parcela, com vencimento em janeiro ou fevereiro de
2011, foi paga somente em dezembro. A gente queria fazer as coisas de
forma amigável, mas o Flamengo não cumpriu o acordo destacou o
advogado.
Independentemente da nova briga judicial, Assis já
estava na lista negra do Flamengo desde o dia 22 de maio, quando tentou
retirar gratuitamente produtos oficiais da loja de material esportivo do
clube. Barrado na saída, telefonou para o vice de finanças Michel Levy,
que contornou o problema. Levy transferiu sua cota particular de
camisas para Assis, encerrando a questão. Mas a atitude do empresário
jamais foi digerida.
A ação de Assis é a terceira gerada pela
briga entre Ronaldinho e o Flamengo. No dia 31 de maio, o jogador obteve
na 9ª Vara do Trabalho do Rio uma liminar que o desvinculava do clube
do qual cobrava aproximadamente R$ 40 milhões de dívida trabalhista.
Como resposta, o Flamengo entrou com ação 19 dias depois, pedindo
indenização também de R$ 40 milhões.