quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Livio Oricchio: para o bem da F-1, prevaleceu o bom senso em Genebra

Pacote de mudanças proposto nesta terça-feira por Grupo de Estratégia já para 2016 poderia "esvaziar" a atual temporada da categoria, que começa no dia 15 de março


Por
Nice, França


Livio Oricchio - Especialista GloboEsporte.com (Foto: GloboEsporte.com)


saiba mais

Se a Comissão de F1 tivesse aprovado, nesta terça-feira em Genebra, o pacote de mudanças proposto pelo Grupo de Estratégia já para a próxima temporada, como alguns queriam, o campeonato deste ano, que ainda nem começou, já estaria esvaziado. Pior: os muitos benefícios que a F-1 deverá ter ao estender sua adoção para 2017 provavelmente não seriam obtidos.

Bem poucos não concordam com a revisão do regulamento sugerida, como a reintrodução de motores com 1000 cavalos de potência, mas nem todos enxergaram as sérias consequências para os interesses da própria F-1 de adotar tantas alterações, e tão radicais, já em 2016. Sem mencionar a impossibilidade de três, das nove equipes, poderem bancar as despesas do novo projeto.

É bem provável que se na votação da Comissão de F-1 a proposta vencedora fosse a da Ferrari e RBR, ávidas para reduzir a força da Mercedes, sem que com isso não tenham razão nas medidas desejadas, pois todas tendem mesmo a melhorar o espetáculo, o andamento dos trabalhos dos times, nesta quinta-feira em Barcelona, primeiro dia da segunda série de testes, já seria distinto do planejado.

ecclestone brasil 8/11/2014 (Foto: Getty Images)
Chefão da F-1, Ecclestone queria mudanças 
já para 2016, mas vai ter que esperar um 
pouco mais (Foto: Getty Images)


Os diretores técnicos das nove equipes estariam agendando para os próximos dias, enquanto seus pilotos treinassem visando o Mundial que começará dia 15 de março na Austrália, novas e urgentes reuniões.

Mas não para discutir o eventual avanço proporcionado por novos componentes testados nos modelos de 2015 ou os que estão por vir, senão para começar a planejar, a toque de caixa, a temporada do ano que vem, 2016.

A exemplo do que aconteceu em 2014, quando a F-1 experimentou a sua maior revolução conceitual, com a introdução das unidades motrizes, já haveria outra em curso. Sem que aquela fosse ainda totalmente absorvida. E tudo a um custo desproporcional com a realidade do mundo.

Motores de potência impensável, carros mais largos, pneus maiores, ruído elevado, limite de pilotagem altíssimo, permitido para poucos, ao menos no nível máximo, tudo isso representa um bem para a F-1. E é assim que a F-1 será a partir de 2017. Não já em 2016.

Largada GP da Austrália 2014 (Foto: AFP)
Temporada 2015 da Fórmula 1 começa no dia 
15 de março, em Melbourne, com o GP da 
Austrália (Foto: AFP)


Os membros da Comissão de F-1, felizmente para a competição, viram que tudo poderá ser feito, agora, com maior planejamento. Haverá tempo para as escuderias manterem o foco no belo campeonato que se está se desenhando, apesar da aparente vantagem inicial, novamente, da Mercedes, e com calma cada equipe se reestruturar para o que vem aí, uma nova F-1, mas concebida e produzida com inteligência, resultado de estudos aprofundados, não fruto de uma decisão de urgência, como defendem Bernie Ecclestone, promotor do show, Christian Horner, diretor da RBR, e Maurizio Arrivabene, da Ferrari.

Pode parecer presunção demais afrontar a opinião de profissionais da mais alta competência, ao menos quanto aos dois primeiros. Mas sua posição sugere não levar em conta que Lotus, Sauber e Force India não teriam como manter seu grupo de engenheiros planejando algo profundamente distinto do que está aí e ao mesmo tempo cuidando da temporada em curso.

Ainda mais importante: como iriam prosseguir nos trabalhos se, por exemplo, a Force India ainda não pagou seus credores, a ponto de não ter o modelo de 2015 pronto, a Lotus dever mais de 15 milhões de euros só para a Renault e a dívida da Sauber com a Ferrari ser ainda maior. Isso para ficar só no que deve ainda ser pago aos fornecedores das unidades motrizes. E todos têm dezenas na F-1.

Para as três continuarem na F-1 faz sentido imaginar que haveria uma solução tipo meia sola, costurada por Ecclestone com a colaboração dos grandes, como repasse maior da sua verba a elas. Não é o que as garantiria no Mundial depois.

Apenas Mercedes, também contrária a introdução do pacote já em 2016, Ferrari, RBR e seu satélite, STR, e McLaren não teriam dificuldades financeiras para tocar os dois projetos, sendo que o de 2016 é impensavelmente caro, pois quase não aproveita nada do que já existe. A Williams, não associada a nenhuma montadora e sem um lastro por trás de uma empresa como a Red Bull, certamente chamaria Ecclestone para uma conversa.

mclaren formula 1 carro novo (Foto: Site Oficial McLaren)
Mudanças imediatas fariam com que equipes 
passassem 2015 pensando no carro de 2016 
(Foto: Site Oficial McLaren)


O orçamento da Williams, intermediário entre o das cinco maiores e das três com dificuldades, a obrigaria a se concentrar nos estudos para 2016. Seria uma coisa ou outra. E de novo o campeonato promissor deste ano seria quase ignorado.

Em resumo, a boa notícia para a F-1 é que ela irá mudar realmente muito. Caminhará na direção do que o fã mais deseja. Ao contrário de hoje, que ignora a opinião pública e já paga um preço alto por isso.

As unidades motrizes serão mantidas, mas gerando bem mais potência, e a figura do piloto herói provavelmente será resgatada. Não será para qualquer um pilotar seus carros. E como acréscimo à boa notícia está o fato de essas mudanças, de novo conceituais, virão em 2017.

Até lá muita coisa poderá ser discutida com maior lucidez entre todos sobre como adotar esse complexo novo modelo de competição, onde a segurança terá de ser visto com uma atenção especial. Até mesmo os responsáveis pelos autódromos devem ser envolvidos. Uma coisa, porém, já ficou clara: pela reação geral, a F-1 de 2017 parece que atenderá aos interesses de todos. Existe já uma superexpectativa, coisa que há muito a F-1 não gerava.


FONTE:
http://glo.bo/1FpiQH7

Chefe da Ferrari exalta Vettel: "Ele é uma cópia carbono de Schumacher"

Maurizio Arrivabene diz que novo titular do time italiano é parecido com heptacampeão mundial em inúmeros aspectos: "Quem teve contato com ambos ficará impressionado"


Por
Maranello, Itália


A Ferrari está mesmo confiante de que Sebastian Vettel pode ser a peça que faltava para retomar seu sucesso na Fórmula 1. O chefe da escuderia italiana, Maurizio Arrivabene, afirma que tem ficado surpreso com inúmeras semelhanças entre o alemão de 27 anos e Michael Schumacher - que comandou o último ciclo de glórias do time de Maranello nas pistas, com a conquista de cinco títulos mundiais entre 2000 e 2004. 

- Eu acompanhei de perto a época de Michael, que era o coração da equipe, e devo confessar que há muitos momentos em que vejo Vettel e fico emocionando e espantado com alguns aspectos em que ele é uma cópia carbono do Schumi. As pessoas que tiveram contato com ambos ficarão impressionadas com as semelhanças. Esperamos que, com o tempo, os resultados também sejam os mesmos - disse Arrivabene, que começou a se envolver com a Ferrari no final da década de 1990 e foi alçado ao posto de chefe da escuderia em novembro do ano passado.

Novo chefe da Ferrari vê muitas semelhanças entre Sebastian Vettel e Michael Schumacher (Foto: Montagem com fotos da Getty Images)
Novo chefe da Ferrari vê muitas semelhanças 
entre Vettel e Schumacher (Foto: Montagem 
com fotos da Getty Images)


Antes de Vettel, a aposta da Ferrari para repetir o ciclo de sucesso de Schumacher havia sido Fernando Alonso, que chegou à escuderia italiana em 2010. O espanhol conseguiu chegar bem perto do título em duas ocasiões (2010 e 2012), mas não contou com um carro competitivo o bastante para fazer frente aos adversários. No ano passado, a situação se complicou ainda mais, e o time não marcou nenhuma vitória ao longo da temporada - algo que não acontecia desde 1993. Frustrado, Alonso rumou para a McLaren, abrindo espaço para a contratação de Vettel.

Os fãs estão esperançosos de que o cenário mudará em 2015. Na primeira sessão de testes da pré-temporada, em Jerez, na Espanha, a Ferrari mostrou que tem potencial para competir em pé de igualdade com as rivais, emplacando o finlandês Kimi Raikkonen e Vettel no topo da tabela de tempos. Arrivabene não esconde a empolgação com os primeiros resultados, mas repete o discurso do presidente Sergio Marchionne e prefere não subestimar o poder de suas principais concorrentes.

- O teste mais importante está por vir, porque na Austrália todas as equipes devem mostrar suas cartas e jogar as máscaras fora. A Mercedes estava escondendo seu potencial em Jerez. E a Honda pode trazer surpresas positivas, então não podemos exclui-la do jogo. Eu tenho grandes sonhos, mas meus pés estão no chão. Nós olhamos para o futuro e, desde que cheguei a Maranello, fiquei impressionado com o desejo de todos que trabalham aqui em voltar a vencer, e isso é o mais importante - arrematou.

Sebastian Vettel Michael Schumacher Copa das Nações Corrida dos Campeões (Foto: Divulgação/ROC)
Vettel é a esperança da Ferrari para repetir 
tempos de sucesso de Michael Schumacher 
(Foto: Divulgação/ROC)


Nesta quinta-feira, Barcelona se torna palco da segunda sessão de testes da pré-temporada, com duração até o domingo. A capital da Catalunha recebe ainda mais uma bateria de atividades, de 26/02 a 1º/03. A primeira etapa do campeonato está marcada para o dia 15 de março, na Austrália. Clique aqui e confira o calendário completo.


FONTE:
http://glo.bo/1DrjaV4