Valdivia, em entrevista coletiva no Palmeiras (FotoLuisMoura/Agência Estado)
Valdivia
convocou uma entrevista coletiva, nesta quinta-feira, na Academia de
Futebol, para explicar o fracasso nas negociações com o Al Fujairah, dos
Emirados Árabes, e o posterior "sumiço". Ele culpou o sheik, dono do
clube, pelo problema.
O meia havia acertado tudo com o Al Fujairah, dos Emirados Árabes. Chegou até
a ser apresentado pelo clube. Mas os árabes desistiram da negociação, e Valdivia viajou para a
Florida (EUA), de férias.
- O pai do sheik teria tirado o
apoio do filho, porque disse que era muita grana, e isso poderia ser
usado para construir hospitais e escolas. Para o Palmeiras, foi passado
que eu não teria acertado os valores, o que eu desminto, já mostrei as
provas. Fiquei muito surpreso - disse o meia.
Fui recebido na sala do sheik. Ganhei a camisa do Al Fujairah, com o
número 10. O sheik subiu foto no Facebook dele, falando que estava
apresentando o novo reforço. Fiz exames médicos e ficou tudo acertado (...) Fiquei surpreso de ver depois que tinham desistido
Valdivia, sobre problema com o Al Fujairah
Valdivia
relatou, passo a passo, a negociação com os árabes. Contou que foi
recebido por torcedores e jornalistas nos Emirados Árabes, e depois pelo
dono do clube. A transação era de 5,5 milhões de euros (R$ 16,6
milhões, sendo R$ 10,5 milhões do Verdão e o restante do conselheiro e
investidor). Uma multa de 2 milhões de euros também seria paga ao Al
Ain, ex-clube de Mago nos Emirados Árabes. Ele teria de se apresentar na
Alemanha, no dia 5 de agosto, onde o clube iniciaria a pré-temporada.
-
Fui recebido na sala do sheik. Ganhei a camisa do Al Fujairah, com o
número 10. O sheik subiu foto no Facebook dele, falando que estava
apresentando o novo reforço. Fiz exames médicos e ficou tudo acertado.
Não assinei o contrato porque era o período do Ramadã, e isso é
diferente de tudo o que temos aqui. Mas ficou acertado que eu deveria me
apresentar na Alemanha, no dia 5, onde o time faria a pré-temporada.
Foi exatamente da mesma forma que eu fui para o mundo árabe pela
primeira vez (em 2009, também vendido pelo Palmeiras, ao Al Ain). Ganhei
alguns dias de férias e fui para a Disney com a minha mulher. Não
imaginava que aconteceria tudo isso - disse o meia.
-
Quando eu voltei dos Estados Unidos, eu fiquei em choque. A única coisa
que não estava acordada são os termos de pagamento: luva,
adiantamento... Mas valores econômicos, que é o motivo apontado por eles
para o negócio cancelar, não. O documento que o Palmeiras tem mostra o
contrário. O Brunoro acredita no que expliquei a eles anteontem, que de
fato aconteceu - emendou o meio-campista chileno (confira a primeira parte da entrevista no vídeo acima).
Valdivia
afirmou também que não estava "sumido". Ele justificou que não
precisava avisar ao Palmeiras seu paradeiro porque já havia assinado a
rescisão com o clube.
- Eu não estava sumido. Eu
estava na
Disney! E já não era mais jogador do Palmeiras. Eu fui vendido. Eu era
jogador do Al Fujairah. Se estivesse sumido, falaria para minha mulher
não postar foto nossa na Disney.
É difícil não ter internet na Disney, mas eu não entrei em momento
nenhum.
Fui para descansar e para me apresentar no dia 5 no Al Fujairah (...)
Eu tenho 30 anos. Fiz tudo pela família. Dei uma casa para meus pais
logo depois que assinei o primeiro contrato com o Colo-Colo. Mas não
preciso ligar para meu pai, "olha, vou sair de férias"
Valdivia, sobre "sumiço"
Valdivia explicou que, como estava de férias na Disney, não quis saber de procurar informações na internet sobre seu futuro.
- Eu tinha as provas suficientes de que estava tudo certo (com o Al Fujairah). Saíamos do hotel 8h
ou 9h para passear e voltávamos muito tarde, para dormir. A minha
mulher publicou fotos pelo celular da irmã dela. Tinha internet, sim, é
difícil não ter internet na Disney, mas eu não entrei em momento nenhum.
Fui para descansar e para me apresentar no dia 5 no Al Fujairah.
O
Mago foi questionado sobre o motivo de não ter dado informações nem
para o pai dele, Luis, sobre seu paradeiro. Em várias entrevistas por
telefone, Luis Valdivia disse que não sabia onde estava o filho.
-
Eu tenho 30 anos. Fiz tudo pela família. Dei uma casa para meus pais
logo depois que assinei o primeiro contrato com o Colo-Colo. Mas não
preciso ligar para meu pai, "olha, vou sair de férias".
Valdivia se mostrou chateado com as críticas:
- Sempre que houve problemas esclareci e fui bem homem. Alguns falam que
não sou comprometido. Tem de ter parcela de comprometimento, mas não é
tudo no futebol: caráter, qualidade, personalidade, vontade, fome e
perseverança. Não é tudo comprometimento.
Valdivia treinou com os companheiros na Academia de Futebol, na manhã desta quinta-feira. Ele correu em volta do gramado,
ao lado de Rodolfo e Josimar, ambos em recuperação física. Segundo o
diretor executivo do Palmeiras, José Carlos Brunoro, Valdivia será
reintegrado ao elenco. O dirigente afirmou que vai processar o Al
Fujairah.
- Nós também ficamos surpresos com a não confirmação
da negociação. Estava tudo acertado. Neste momento, ele está
reintegrado ao elenco. Faremos uma ação jurídica por termos sido
prejudicados, para que os direitos do clube e do jogador sejam
preservados - disse Brunoro.
Parte 2
Confira a segunda parte da entrevista
de Valdivia
parte 3
Confira a terceira parte da entrevista
de Valdivia
parte 4
Confira a quarta parte da entrevista de
Valdivia
Valdivia confirmou que também moverá uma ação contra o clube árabe.
- Acho que sim, ganhar é mais fácil. Mas também
vou entrar com meu estafe de advogados, porque são coisas diferentes. As
duas partes foram enganadas. Eu fui exposto ridiculamente, posando com
camisa do clube, falando com a imprensa e submetido a exames médicos.
Tive de tirar meus filhos da escola. Passei para minha mulher que
iríamos morar em Dubai. Até postou uma foto de Dubai - disse o Mago.
- Fui exposto e tratado como uma criança. E não
vou deixar passar. Vou conversar com meus advogados para entrar na
Justiça, e o Palmeiras também. As duas partes têm de estar claras em
todos os sentidos - emendou.
O capitão Lúcio aprovou a folga de Valdivia e disse querer contar com o meia no time novamente. O Mago, porém, deixou seu futuro nas mãos do clube.
O Palmeiras precisa de dinheiro. O presidente disse muitas vezes que
ninguém é inegociável (...) Se vier mais uma proposta, quem decide primeiro é o clube.
Se decidirem se é boa, ou não, eu sou chamado. Esse é o procedimento
normal
Valdivia, sobre seu futuro no clube
- O Palmeiras precisa de dinheiro. O presidente disse muitas vezes que
ninguém é inegociável. O clube recebeu uma proposta e assinou todos os
documentos, que garantiam a minha saída do clube. O Palmeiras precisava de grana, chegou uma grana que o clube aceitou.
Abri mão de 10% para ajudar o clube. Concordamos em todos os termos e
fui vendido. Se vier mais uma proposta, quem decide primeiro é o clube.
Se decidirem se é boa, ou não, eu sou chamado. Esse é o procedimento
normal - disse Valdivia.
- O Palmeiras sempre declarou que não
há jogador inegociável. Negociou Barcos, Henrique, que era o capitão, e
mais alguns que estavam para se tornar referência no clube. E foram
vendidos. Abrir mão de jogadores importantes não é comum. Isso quer
dizer que precisa da grana. Se o Palmeiras não quisesse vender, teria
rejeitado a proposta do clube árabe. Agora quando senta para conversar
que tem proposta, que agrada ao clube, você tem uma brecha para negociar
- emendou o jogador.
Valdivia, durante a entrevista coletiva
na sala de imprensa do Palmeiras
(Foto: Daniel Vorley/Agif/Agência Estado)
Valdivia explicou que não tem como jogar no domingo, contra o Atlético-MG, no Independência, por estar sem ritmo de jogo.
- Já conversei francamente com o
treinador. O planejamento foi montado. Se jogar domingo, atrapalho mais
do que ajudo. Vamos trabalhar duro e fazer o possível para voltar logo.
Não posso passar por cima de quem está treinando e jogando. Preciso
respeitar a decisão do técnico, como sempre fiz - disse o chileno.
- Já
conversei com a comissão técnica e montaram um planejamento. Começamos
treinamentos em dois períodos e vamos acelerar o máximo possível. Mas a
minha vontade é recuperar os dias que fiquei sem treinar. Agora, iria mais atrapalhar - completou.
O
meia afirmou, porém, que pretende continuar jogando no Palmeiras. Ele
diz não prever nenhum tipo de problema na relação com o torcedor a
partir de agora, por conta da negociação frustrada.
A mensagem que passo é: da minha parte não muda nada. Desde ontem voltei
a ser jogador do Palmeiras. Quero conquistar coisas e disputar um jogo
no nosso novo estádio. A minha motivação não muda nada
Valdivia, sobre a relação com o torcedor
- É uma instituição que me deu tudo. Tenho cinco anos aqui no clube e
nunca fiquei em lugar algum tanto tempo. A motivação é a mesma de querer
jogar. O Palmeiras vive um momento complicado, mas tenho certeza que
sairemos dessa. A motivação existe sempre. Se não tiver motivação de
treinar, é melhor ficar em casa deitado - disse o Mago.
- A mensagem que passo é: da minha parte não muda nada. Desde ontem voltei
a ser jogador do Palmeiras. Quero conquistar coisas e disputar um jogo
no nosso novo estádio. A minha motivação não muda nada - emendou.
Valdivia se irritou ao ser questionado por um repórter se teria regalias no clube.
- Meus direitos são iguais. Tenho a mesma vaga no estacionamento. É sério.
A minha vaga é do lado do Juninho. É sério. O café da manhã é o mesmo.
Quando o Palmeiras paga o salário é no mesmo dia. Não sei quantas
camisas vendem com o meu nome. Meu horário e dos outros é 9h30. Quando
tem coletiva, venho contra a minha vontade. Esta não, eu que pedi. Mas
os direitos são os mesmos.
"alcoólatra em recuperação"
Valdivia aproveitou para confirmar que não jogará mais pela seleção do Chile:
- Minha decisão não muda (de não jogar mais pelo Chile). Sou agradecido à
comissão técnica, mas a minha volta ao Palmeiras não muda nada. Bem ou
mal, com coisas negativas que a seleção passou, agradeço à seleção e à
torcida. Representar meu país é o mais importante.
Não posso ser julgado pelo que fiz. O que fiz já paguei e fui punido,
criticado. Mas quando quer melhorar, tem o direito de melhorar. Esse é o
meu direito. Tenho melhorado e mostrado isso. Se for para viver de culpa é melhor
não ter vida, porque se não já acorda pensando nos problemas
Valdivia, sobre problemas na seleção
Ele foi questionado sobre problemas envolvendo a seleção chilena. O Mago foi perguntado se tem culpa nas polêmicas
- Sim, mas viver só sentindo culpa seria
melhor jogar em um time sem tanta expressão e que a pressão não seja
como é aqui. Sentir culpa sempre é tipo o cara alcoólatra. Ele quer se
recuperar e tem direito, melhorar a vida e uma família. Tenho direito de
passar a mensagem que mudei, não sou a mesma pessoa. O mesmo direito do
cara que tem de se recuperar de um problema, é o meu direito - disse Valdivia.
- Não posso ser julgado pelo que fiz. O que fiz já paguei e fui punido,
criticado. Mas quando quer melhorar, tem o direito de melhorar. Esse é o
meu direito. Tenho melhorado e mostrado isso. Se for para viver de culpa é melhor
não ter vida, porque se não já acorda pensando nos problemas - emendou.
José Carlos Brunoro diz que Valdivia foi
reintegrado ao elenco e vai processar
clube árabe (Foto: Marcelo Hazan)