Alexander Zubkov e
Alexey Voevoda, da Rússia, ficam com ouro. Mas dupla caribenha domina a
festa e comemora diante da torcida: 'Jamaica ainda está viva'
Por Amanda KestelmanDireto de Sochi, Rússia
Não
é preciso ser o mais rápido para ser querido. Em Sochi, os jamaicanos
tiveram performances abaixo dos adversários, ficaram longe de qualquer
possibilidade de medalha e encararam até problemas como o extravio de seu trenó
no vôo de ida para. Mas nada disso importava. Muitas vezes conhecidos
pela frieza, os russos se deixaram levar pelo calor caribenho. Embalada
pelo sucesso do filme ''Cool Runnings'' ("Jamaica Abaixo de Zero", em
português), a dupla de bobsled país ficou marcada pelo carinho dos
espectadores no Complexo Sanki nos Jogos de Inverno e pela simpatia com
que encarou a disputa. E eles vão deixar saudades.
Torcedores vibram demais com a participação
jamaicana no bobsled (Foto:
Reprodução / SporTV)
Líder
e veterano do time jamaicano, o piloto Winston Watts tentou conter a
emoção. Em vão. O atleta de 46 anos abriu o coração ao falar que a
participação de seu país nos Jogos de Inverno tem que sempre ser tratada
como festa. Com o habitual bom-humor diante da imprensa, brincou com o
fato de seu país não ter frio e mandou até um recado aos times
brasileiros de bosled. Ele acredita que com muito trabalho, sua equipe
pode obter ainda mais força e conhecimento na modalidade.
-
Estamos tão felizes que pudemos estar aqui. A Jamaica não tem nada de
inverno, só temos altas temperaturas e o
sol brilhando, as praias. O único lugar onde os jamaicanos podem ver o
gelo é no frezeer (risos). É tão maravilhoso que pessoas tropicais
possam deixar um país tropical, vir aqui e competir tão bem. Não importa
se não temos esportes de inverno, podemos dominar o
esporte como esses caras que moram aqui. E eu te garanto, os brasileiros
que estão aqui entendem o esporte. Ele são ótimas pessoas e atletas, e
eles estão com vontade, com fome - disse Winston Watts, que prometeu
torcer pelo quarteto do Brasil, liderado pelo piloto Edson Bindilatti.
Emoção na despedida: Winston Watts agradece
o carinho do público (Foto: AFP)
Membro
do time de bobsled em 1994, 1998 e 2002, Watts tenta evitar qualquer
clima de despedida. Ele ainda não sabe se estará na próxima edição dos
Jogos Olímpicos, mas diz que planeja ser
treinador e ajudar a desenvolver ainda mais o projeto de seu país. Antes
de Sochi, Winston abandonou sua
aposentadoria para comandar o país na busca pela vaga e na disputa da
competição. O veterano também teve que se movimentar para arrecadar
fundos para o time.
- Eu espero me tornar um técnico. Deixo
isso
para os mais jovens. Mas eu não vou dizer adeus, não sou um cara que
desiste, eu sou um lutador. - disse o simpático esportista.
Não faltaram bandeiras do Bob Marley entre os
espectadores (Foto: Amanda Kestelman )
Com
mais uma lanterna na disputa da terceira bateria, os jamaicanos deram
adeus às Olimpíadas de Sochi com o tempo de 2m55s40 no somatório de
todas as performances e 58s17 na última (a melhor de todas, já que eles
tinham feito 58s42 e 58s81 nas duas outras). Como ficaram entre os 10
últimos, Watts e Dixon não participaram da descida final. Mas não faltou
afago dos presentes. Os gritos de "Jamaica! Jamaica! Jamaica!" ecoavam
no Complexo Sanki e os dois competidores foram ovacionados no final da
prova.
Atleta avisa: 'A Jamaica está viva'
No
calor da emoção e em clima de nostalgia, Winston Watts classificou a
participação jamaicana como um grande jornada. Por mais que o clima na
despedida do Complexo Sanki era de festa, ele também relembrou os
problemas enfrentados deu um aviso.
- Os obstáculos são
muitos. Fundos e questões financeiras foram um problema. Somos gratos e
felizes pelo que fizeram aqui pela gente, muitas pessoas nos ajudaram.
Foi bom ver os fãs, a mídia e mostrar ao mundo que a Jamaica ainda está
viva. Temos os atletas mais rápidos do mundo (velocistas). Nosso país é
um dos melhores lugares para praticar bobsled - completou.
Jamaicanos imitam o compatriota Usain Bolt
diante dos jornalistas (Foto: Amanda Kestelman)
Companheiro
de Watts, Marvin Dixon fez coro ao companheiro e comemorou a presença
nas Olimpíadas de Inverno de Sochi. Ele prometeu disputar pelo menos
mais dois ciclos olímpicos nas pistas de gelo.
- Me sinto
feliz. Me sinto em casa. Eu amo isso, as pessoas são legais. Então
amanhã eu vou festejar. Sou novo, quero estar aqui mais vezes
disputandos os Jogos Olímpicos - relatou o atleta, de 30 anos.
Em pista 'caseira', russos levam o ouro
Uma
das equipes da Rússia confirmou o favoritismo na disputa de bobsled nas
Olimpíadas de 2014. Com apoio da torcida da casa, Alexander Zubkov e
Alexey Voevoda, que nasceu em Sochi, levaram a medalha de ouro, com o
tempo de 3m45s39 na soma das quatro descidas. Apenas os 20 melhores
disputam a última bateria. A dupla local conhecia muito bem a pista e
soube aproveitar a vantagem.
A prata ficou com os suíços Beat
Hefti (3m46s05) e Alex Baumann. Os americanos Steven Holcomb e Steven
Langton (3m4627) fecharam o pódio.
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