terça-feira, 26 de novembro de 2013

As decisões da Série B: três brigam para subir, e outros três para não cair

Figueirense, Icasa e Ceará disputam a última vaga no acesso à elite. Guaratinguetá e Atlético-GO fazem final contra o descenso. Paysandu só se salva com um 'milagre'

Por Rio de Janeiro

Passados 370 jogos e 982 gols marcados, as emoções da Série B do Brasileirão 2013 agora se resumem, em sua última rodada, a duas brigas ferrenhas entre seis equipes: na parte de cima, Figueirense, Icasa e Ceará disputam a última vaga de acesso à elite em 2014 - Palmeiras, Chapecoense e Sport já garantiram as outras três. Lá no pé da tabela, apenas um entre Guaratinguetá, Atlético-GO e Paysandu conseguirá evitar o rebaixamento - dois deles se juntarão a São Caetano e ASA na Terceira Divisão do ano que vem.

Cinco jogos serão decisivos para estas definições que restam na competição, todos marcados para o próximo sábado, às 16h20m (de Brasília). Um deles é uma briga direta e com cara de decisão de campeonato. Confira como serão as disputas pelo último acesso e contra a degola.

01
última vaga para a elite

 
Ceará 
 Sérgio Soares tem bons números no comando do Vozão
 
icasa 
Torcedor mostra orgulho de torcer pelo 'Verdão do Cariri'
 
figueirenseBom astral ajuda time a superar obstáculos e  brigar pelo acesso
 
Nove equipes, quase metade das que disputaram a competição, marcaram presença no G-4 em algum momento este ano. Além dos já garantidos Palmeiras (campeão), Chapecoense (vice) e Sport (terceiro), passaram por lá os ainda postulantes Figueirense e Icasa, além dos eliminados América-MG, Avaí, Joinville e Paraná, que brigaram até as rodadas mais recentes. 

O curioso é que o Ceará, terceiro na disputa pelo acesso, não sentiu o gostinho de ficar entre os quatro nesta edição - chegou até a aparecer na zona de rebaixamento na sétima rodada. Fato parecido aconteceu em 2009, ano do último acesso do Vozão, quando a equipe alvinegra saiu da lanterna e conseguiu uma arrancada e garantiu a vaga na penúltima rodada. Um dos motivos da reação deste ano foi a chegada do técnico Sérgio Soares. Desde que assumiu o time cearense, conseguiu 12 vitórias, cinco empates e quatro derrotas (a campanha toda soma 16, 11 e 10, respectivamente). Outra boa ajuda é do veterano atacante Magno Alves, que marcou 20 dos 60 gols da equipe na competição.

A diretoria prepara uma gratificação a ser dada aos jogadores em caso de classificação à elite. A expectativa é de que a torcida lote a Arena Castelão no jogo contra o Joinville, que pode levar o Vovô novamente à elite do Brasileirão.

- Temos que fazer o nosso papel. Espero que eles (Paraná e Bragantino) possam fazer também e conseguir os resultados que precisamos - afirmou o meia Ricardinho, lembrando que o Vovô tem que secar os rivais Figueira e Icasa.

Torcida, chapeu, Icasa, Romeirão, fé, Juazeiro do Norte (Foto: Thais Jorge) 
Torcida do Icasa enche o Romeirão com um mar de 
chapéus em Juazeiro do Norte (Foto: Thais Jorge)
 
Outro time que apareceu de surpresa também veio do Ceará, como o Alvinegro, mas veste verde, como a revelação Chapecoense. O Icasa, de Juazeiro do Norte, cidade que tem Padre Cícero como símbolo, tropeçou diante da equipe de Chapecó na última rodada e, assim como o conterrâneo, não depende mais de si mesmo para conseguir o inédito acesso. Mas a torcida fez a sua parte até o último jogo em casa. Um mar de chapéus de palha tomou conta do estádio Romeirão, assim como fazem os religiosos que vão à cidade agradecer pelas graças alcançadas pelo "Padim Ciço", como é popularmente conhecido o padroeiro. Com apenas 11 anos de idade, o "Verdão do Cariri" acabou de retornar à Série B, competição que disputa pela terceira vez e já almeja entrar na elite no ano que vem.

- Independente do que aconteça, vamos fazer o nosso trabalho. Diante do Paraná, vamos honrar a camisa do Icasa - afirmou o atacante Leandro. 
 
A única equipe que depende de si mesma para subir é o Figueirense, que conseguiu entrar no G-4 na penúltima rodada, com a vitória sobre o ASA. Na 32ª, ocupava a décima colocação. O sentimento da torcida era de descrédito, afinal, restavam seis jogos, e o time olhava o G-4 com distância. Contudo, a goleada sobre o arquirrival Avaí deu o fôlego necessário (assista ao vídeo). 

A partir dali, a equipe não perdeu mais e já soma cinco jogos de invencibilidade – quatro vitórias e um empate. Quem dá o tom do momento no clube é o superintendente de esportes, Rodrigo Pastana.

— As chances eram remotas. Mas com muito trabalho, chegamos na hora certa, e precisamos agora ganhar. É hora de se conscientizar e trabalhar mais esta semana. Fazer tudo como vem sendo feito, não mudar a rotina, seguir na toada, ir lá e vencer. É a nossa única obrigação. É o que o torcedor esperou o ano inteiro. Tomara que a gente consiga realizar esse sonho do torcedor – disse o dirigente.

Os jogos da briga neste sábado (horário de Brasília):

16h20m - Bragantino x Figueirense - Nabi Abi Chedid (Bragança Paulista, SP)
16h20m - Ceará x Joinville - Castelão (Fortaleza, CE)
16h20m - Paraná x Icasa - Durival Britto (Curitiba, PR)

O que cada um precisa:
Figueirense: se vencer o Bragantino, consegue o acesso (desde que não tenha o saldo de gols inferior ao do Icasa). Se empatar, torce para que Icasa e Ceará ao menos empatem seus jogos. Se perder, precisa que seus rivais também percam e mantenha o saldo superior.

Icasa: tem que vencer o Paraná e torcer para que Figuera e Ceará tropecem. Se empatar, precisa que ambos percam. Se perder, só sobe se o time catarinense levar uma goleada história que o faça ser superior no saldo de gols.

Ceará: precisa vencer o Joinville e torcer para que Figueira e Icasa ao menos empatem. Se empatar, torce para que ambos percam. Se perder, não tem chance de subir.

02
briga direta contra a terceirona

A luta para não estar entre os rebaixados para a Série C tem uma partida com cara de decisão, onde quem vencer segue na Segundona, e quem for derrotado, cai para o abismo da Terceira Divisão. A vantagem do empate é do time visitante, o Guaratinguetá, que enfrenta o Atlético-GO dentro do Serra Dourada. Uma terceira força precisa de um verdadeiro milagre para permanecer na disputa, um ano após comemorar o acesso: o Paysandu, que precisa golear o Sport por cinco de vantagem fora de casa e torcer por um empate com poucos gols no duelo em Goiânia. Mas a descrença é tão grande no Papão, que o técnico Vagner Benazzi deixou o comando antes mesmo do fim da competição.

 
Do risco de ser rebaixado com uma rodada de antecedência, o Atlético-GO passou a depender apenas de suas próprias forças para escapar após vencer o Oeste em Itápolis (assista ao vídeo). A matemática improvável pegou de surpresa até o próprio time goiano, que ainda estuda as melhores maneiras para encher o Serra. Já é certo que o clube aumentará o número de ingressos promocionais. A carga será de 20 mil e começará a ser trocada na próxima quarta.

- O ambiente é o melhor possível após essa vitória, mas quero dizer ao torcedor que será um jogo muito tenso e difícil. Toda decisão é assim. Espero que a torcida compareça e nos apoie bastante. Já na próxima quarta-feira vamos começar a troca de ingressos – disse o diretor de futebol do Atlético-GO, Adson Batista.

Juninho Guaratinguetá x Paraná (Foto: Fábio Rubinato/ AGF) 
Juninho pede silêncio e é contido por Coelho após 
fazer o gol (Foto: Fábio Rubinato/ AGF)
 
Do lado do time paulista, a situação é preocupante: desde a 32ª rodada, quando ocupava uma confortável 12ª posição, o Guaratinguetá não vence, o que o fez despencar para 16º. No último fim de semana, após derrota para o Paraná por 4 a 3, em casa, a equipe paulista se viu tentando apagar incêndios, seja admitindo que jogou mal, ou pedindo desculpas por gestos polêmicos, como o pedido de silêncio de Juninho à própria torcida após fazer um gol.

- A gente vai ter que ser inteligente para jogar lá. Estamos jogando bem fora de casa. Vai ser uma final de campeonato lá. (...) Aproveito para pedir desculpas à torcida. Você acaba desabafando. Espero que a torcida tenha aceitado. Acredito que sim, pois eles aplaudiram. Agora é desacansar, colocar a cabeça no travesseiro e refletir sobre o que cada um pode fazer - disse Juninho logo após o jogo.

Os jogos da briga neste sábado (horário de Brasília):
16h20m - Atlético-GO x Guaratinguetá - Serra Dourada (Goiânia, GO)
16h20m - Sport x Paysandu - Ilha do Retiro (Recife, PE)


O que cada um precisa:
Guaratinguetá: vencer ou empatar no Serra Dourada (desde que mantenha o saldo superior ao do Paysandu).
Atlético-GO: vencer o Guaratinguetá em casa.
Paysandu: de um feito histórico. Golear o Sport no Recife por cinco gols de vantagem e torcer por um empate por poucos gols no Serra Dourada.

*Colaboraram Cláudio Rabha (RJ), Fernando Vasconcellos (GO), Jorge Sauma (PA), Juscelino Filho (CE) e Renan Koerich (SC)

FONTE:
http://globoesporte.globo.com/futebol/brasileirao-serie-b/noticia/2013/11/decisoes-da-serie-b-tres-brigam-para-subir-e-outros-tres-para-nao-cair.html

Ex-aposentado', Luiz Alberto espera coroar volta por cima com título

Depois de ficar um ano e meio parado, zagueiro vibra por reviver clima de decisão e quer conquistar Copa do Brasil em cima do Fla, onde foi revelado: 'Vou dar o máximo'

Por Rio de Janeiro

Há três anos, a realidade de Luiz Alberto, do Atlético-PR, era bem diferente da atual. Depois de uma rápida passagem pelo Boca Juniors, da Argentina, em 2010, o zagueiro ficou cerca de um ano e meio no ostracismo, longe dos gramados. Sua ocupação era cuidar de seu clube, onde alugava campos de futebol, e de uma oficina mecânica em Niterói. Agora, ele é um dos personagens da decisão da Copa do Brasil.

Um convite do modesto Boavista para a disputa do Campeonato Carioca fez Luiz Alberto recolocar as chuteiras e dar a si mesmo uma nova chance na carreira. Deu certo. Foi aí que o Furacão, na temporada passada, apareceu na carreira do zagueiro, hoje com 35 anos.

- Pensar em parar, não pensei. Mas durante um tempo fiquei tomando conta do negócio que eu tinha no Rio. Procurei desempenhar esse papel fora do futebol, fiquei mais concentrado em tomar conta do clube que tenho. Foi uma decisão que tomei. Agora, as coisas voltaram a dar certo para mim no futebol. Voltei a jogar pelo Boavista, e tive muito sucesso. Depois que chegou a proposta do Atlético-PR, eu viajei para Curitiba para assinar o contrato.


Luiz Alberto, zagueiro do Atlético-PR, no CT do Caju (Foto: Fernando Freire)Luiz Alberto: 'O Atlético foi uma virada importante para mim' (Foto: Fernando Freire)
 
Nesta quarta-feira, às 21h50m, no Maracanã, Luiz Alberto lutará pelo título da Copa do Brasil. E logo diante do clube onde foi revelado, o Flamengo. O zagueiro não vê a hora de reviver o clima de decisão. E sente a emoção de um iniciante.

- Estava sentindo falta. Minha vida foi praticamente assim. Surgi em um clube grande, tive muitas conquistas. Quando ficamos um tempo longe, acaba sentindo. Reviver isto agora não tem preço, ainda mais com meus filhos grandes agora. Entendem e frequentam estádio. Depois dos jogos me ligam empolgados. Espero terminar este ano bem, quem sabe com o título da Copa do Brasil.

Confira a entrevista com Luiz Alberto:

O que representou o Atlético-PR na sua vida depois do tempo em que ficou parado?

- O Atlético foi uma virada muito importante para mim, pelo fato de já ter uma certa idade e existir muita concorrência dos jovens. Isso dificulta mais ainda. Mas quando a pessoa acredita no seu potencial as coisas ficam mais fáceis. Meu pensamento era esse, voltar à elite do futebol brasileiro, eu só estava esperando uma oportunidade, um clube grande. Não quis desperdiçar. Eu e minha família tivemos uma boa adaptação ao clube e a Curitiba. No ano e meio que fiquei fora do futebol aprendi muitas coisas. É preciso respeitar o profissional, trabalhar e ficar quieto que as coisas vão acontecer naturalmente. Hoje estou muito bem, vivendo um momento maravilhoso.

 Dei a volta por cima, sim. Não é fácil retomar o futebol com 35 anos retomar o futebol depois de muito tempo parado
Luiz Alberto
 
 Este seu bom momento e do time simbolizam sua volta por cima?

Dei a volta por cima, sim. Também por causa do fator idade. Não é fácil com 35 anos retomar o futebol depois de muito tempo parado. Tenho amigos que não tiveram esta oportunidade e não conseguiram. Graças a Deus, comigo foi diferente.

O que passa pela sua cabeça ao saber que vai disputar uma final contra o Flamengo, no Maracanã?

O Flamengo conheço muito bem, foi onde surgi e tive muitas conquistas. O respeito com certeza vai existir, mas sou profissional e hoje estou do outro lado, vestindo outra camisa. Vou entrar em campo e dar o máximo para conquistar o título para mim e para o meu clube.

Quais seus planos para 2014? Pretende renovar com o Furacão?

Minha ideia é renovar por mais um ano. O contrato termina agora em dezembro. Ano que vem vai ser muito melhor do que esse. Já teremos a Arena e, com a campanha que estamos fazendo no Brasileiro e na Copa do Brasil, temos grandes chances de disputar a Libertadores. Vai ser bonito. Estádio novo e moderno. Jogador gosta disso. Espero renovar e quem sabe encerrar minha carreira no Atlético.

Então, acredita que 2014 pode ser ainda melhor?

Tem tudo para ser, sim. O ano de 2013 já está sendo muito bom, quem sabe com o título da Copa do Brasil e com essa boa campanha no Brasileiro. Em 2014 podemos começar o ano forte novamente para termos mais conquistas.

O fato de o time principal não ter disputado o Paranaense para fazer a pré-temporada realmente foi fundamental para o sucesso?

Com certeza ajuda o jogador. Ficamos menos três meses em competição. São jogos quarta, domingo... Tem equipes que jogam quatro campeonatos por ano. Acho que a ideia de deixar o time principal fora do Estadual foi boa. O resultado todos estão vendo, sempre terminamos bem os jogos. Foi uma grande vantagem.

FONTE:
http://globoesporte.globo.com/futebol/copa-do-brasil/noticia/2013/11/ex-aposentado-luiz-alberto-espera-coroar-volta-por-cima-com-titulo.html