domingo, 6 de novembro de 2011

Apático, Timão perde do lanterna América-MG, mas se segura na ponta

CAMPEONATO BRASILEIRO DE FUTEBOL 2011 Série A


Apático, Timão perde do lanterna América-MG, mas se segura na ponta


 A CRÔNICA
por Leandro Canônico

O Brasileirão tem cada coisa... de maluco! Neste domingo, em Uberlândia, estava tudo armado para uma festa do bando de loucos. Estádio lotado, com milhares de corintianos, e pela frente um adversário já com um pé na Série B do Brasileirão. Mas o América-MG, lanterna da competição, derrubou o líder Corinthians com uma vitória por 2 a 1. Faz algum sentido?
Fábio Júnior abriu o marcador, em pênalti mal marcado a favor do Coelho, e o Timão empatou com Chicão, de volta após oito rodadas afastado, também de pênalti. Mas o gol da heroica vitória dos mineiros saiu dos pés de Amaral, em cobrança de falta aos 42 minutos do segundo tempo. Frustração para o Timão!
A derrota para o lanterna só não teve um gosto mais amargo porque o Vasco, concorrente direto pelo título nacional, também perdeu para o Santos. O Corinthians segue líder, com 58 pontos, o mesmo que os cariocas, que têm uma vitória a menos. O América-MG, com 28, continua amargando a última colocação, com chances remotas de permanecer na elite do futebol nacional.

O próximo jogo do Corinthians será contra outro time que luta contra o rebaixamento - o Atlético Paranaense, domingo, às 17h (de Brasília), no Pacaembu. Já o América-MG pega o Fluminense, sábado, às 19h, no Engenhão.

Liedson Corinthians x América-MG (Foto: Ag. Estado)Liedson, do Corinthians, em disputa com Micão, do América-MG (Foto: Ag. Estado)

Dois pênaltis, duas medidas
O clima de Pacaembu armado pela torcida do Corinthians no Parque do Sabiá, em Uberlândia, impulsionou os alvinegros para o ataque logo de cara. Ainda mais depois que o sistema de som do estádio anunciou, com apenas um minuto de bola rolando, gol do Santos em cima do Vasco, concorrente direto ao título. O bando de loucos festejava.

Sem dar espaços ao América-MG, o Timão tentou algumas vezes com Liedson, muito acionado nos 15 minutos iniciais. Ao artilheiro da equipe no Brasileirão, no entanto, faltou pontaria e paciência. Aos 11 minutos, por exemplo, ele foi “fominha” e cabeceou cruzamento que seria para Danilo. Mandou mal!
Dois minutos depois, um problema para o Corinthians. Alex, que retornara de lesão, voltou a sentir dores musculares na coxa esquerda e deixou o gramado para a entrada de Emerson. Com três atacantes, o estilo de jogo do Timão mudou, mas a soberania alvinegra continuou. O Coelho estava apático e desorganizado.
Mesmo assim, um chute de fora da área de Rodriguinho, aos 16 minutos, obrigou Julio Cesar a grande defesa. Quase dez minutos depois, Fábio Santos criou a melhor chance do Timão até então. O lateral arrancou pela esquerda, invadiu área e bateu colocado. Neneca, porém, se esticou e fez boa intervenção.
O jogo estava bom para o Corinthians. E o gol esquentava. Mas um erro da arbitragem mudou o rumo do jogo. Aos 32 minutos, o árbitro Jean Pierre Gonçalves Lima viu falta de Alessandro em Kempes dentro da área. Na cobrança, Fábio Junior balançou as redes e colocou o Coelho em vantagem.
Aos 44 minutos, no entanto, o Timão também teve um pênalti em seu favor. Emerson disputava bola com Amaral e quando percebeu que o adversário o segurava, caiu na área. Na cobrança, Chicão, em seu retorno ao time titular, deixou tudo igual no placar do estádio João Havelange, em Uberlândia.

Pouca ação
O Corinthians voltou para o segundo tempo apostando no toque de bola para envolver o adversário. E o América-MG, ainda desorganizado e com pouca técnica, era presa fácil para os visitantes. Mais recuado, Emerson tentava buscar o jogo, armar as jogadas e ainda aparecer para finalizar.
Aos 12 minutos, o técnico Tite resolveu tirar Alessandro, pendurado com o cartão amarelo e já suspenso para o duelo com o Furacão, e colocar Weldinho. Dessa maneira, a braçadeira de capitão voltou para Chicão, que a tinha antes de se desentender com a comissão técnica e perder a vaga de titular.

Apesar de mal na partida, o Coelho levava perigo nas poucas vezes que tinha chance, como aos 15 minutos. Após vacilo de Fábio Santos, Kempes se aproveitou e obrigou Julio Cesar a importante defesa. O lance animou os mineiros, que pressionaram, mas a falta de qualidade do time impedia voos maiores na partida.

Com a partida morna, à torcida do Corinthians restou comemorar mais um gol na Vila Belmiro, quando o Santos fez 2 a 0 no Vasco. Embora tivesse recuperado o controle da partida após uma pequena pressão do Coelho, o Timão finalizava pouco no segundo tempo. Quase nada, na verdade. Neneca pouco teve trabalho.
Acalmado pela derrota do Vasco e tranquilo com a falta de força do América-MG, o Corinthians tentou administrar bem o empate. Evitou se arriscar muito, embora tenha tido algumas chance pontuais na parte final do jogo. As circunstâncias da rodada faziam o Timão olhar para essa igualdade como se fosse vitória. Acabou castigado no fim. Aos 42 minutos, Amaral, de falta, chutou à meia altura, e Julio Cesar aceitou. Gol do América. Vitória do lanterna sobre o líder. E o lanterna seguiu lanterna e o líder seguiu líder. Coisa de mal

FONTE:
http:oboesporte.globo.com/jogo/brasileirao2011/06-11-2011/america-mg-corinthians.html

Ídolo no Ceará, Dimas Filgueiras jogou com Garrincha e escrevia suas cartas

Soldado Alvinegro' volta ao comando do Vozão pela 40ª vez para tentar livrar o time da Série B. Técnico lembra passado ao lado de grandes craques no Bota


Por Raphael Andriolo Direto de Fortaleza

Dimas Filgueiras nasceu e foi criado no morro de São Carlos, no bairro do Estácio, Rio de Janeiro. Mas esse carioca de 67 anos é ídolo bem longe das suas origens. Na última semana, ele assumiu o comando técnico do Ceará pela 40ª vez e foi recebido com festa pelos torcedores. O que pouca gente sabe é que o "Soldado Alvinegro", como é carinhosamente chamado pela torcida do Vozão, jogou 12 anos pelo Botafogo e atuou ao lado de grandes craques, como Garrincha, Zagallo, Nilton Santos, entre outras feras.
- Fui tetracampeão juvenil, seleção olímpica... Depois fui bicampeão com o Botafogo na década de 60, naquele time bom que tinha Manga, Joel, Nilton Santos, Zagallo, Gérson, Jairzinho, Garrincha... O Zagallo, além de jogar comigo, foi meu treinador no Botafogo - lembrou Dimas, mostrando as fotos e os recortes de jornais da época espalhados na mesa da sua casa, em Fortaleza.

As cartas do Mané...
O convívio com o craque das pernas tortas fez de Dimas mais que um companheiro de time. O ex-lateral-esquerdo tinha a missão de escrever as cartas que Garrincha mandava para as fãs. Mané era uma espécie de Neymar da época, mas sem a badalação das mídias sociais e de tanta imprensa.
– Como eu era uma pessoa que vivia junto com o Garrincha, escrevia as cartas dele nas viagens e tínhamos uma amizade muito grande. Naquela época, o Mané tinha um reduto de fãs e várias mulheres, e era preciso responder às cartas. Aí, era eu quem respondia, né. Ele pedia para mim porque tinha uma certa dificuldade de escrever, e eu tinha essa facilidade. Depois disso, não havia uma excursão que eu não estava dentro - contou dando risadas.

Dimas Filgueiras, técnico Ceará EE (Foto: Raphael Andriolo/Globoesporte.com)Dimas Filgueiras recebe faixa de campeão pelo Botafogo (Foto: Raphael Andriolo/Globoesporte.com)

Do Botafogo Dimas foi para o Fortaleza, arquirrival do Ceará, time que o idolatra. Ele chegou no Tricolor de Aço em 1971 e ficou cerca de um ano. Quando fala sobre o passado vermelho e azul brinca com a ironia do destino:
- Os torcedores do Ceará tem que agradecer muito ao Fortaleza. Se hoje estou aqui e tenho uma história no Ceará foi por causa deles. E estou no clube há 40 anos - brincou.
Uma vida no Ceará


Dimas Filgueiras, técnico Ceará EE (Foto: Raphael Andriolo/Globoesporte.com)Dimas revive o passado com recortes de jornais e
fotos (Foto: Raphael Andriolo/Globoesporte.com

Em 1972, Dimas se transferiu para o Ceará e não saiu mais do clube. Quando se aposentou como jogador começou a ajudar o clube da forma que podia. Virou funcionário e desde então já foi supervisor, diretor, vice-presidente de futebol, coordenador da base e treinador. Ganhou o carinho da torcida e se tornou uma espécie de anjo da guarda. E essa gratidão pode ser vista nas arquibancadas do CT Vovozão e do estádio Presidente Vargas. Ao som de "Olê, olê, olê... Dimas, Dimas...", ele comanda os primeiros treinos após o seu retorno.

- Quando tem crise, chama o Dimas - disse um torcedor.
- Não existe Ceará sem Dimas, nem Dimas sem Ceará - completou outro alvinegro.
Já são 485 jogos no comando da equipe, segundo informações do clube. E Dimas não esconde de ninguém que o Ceará, para ele, é como se fosse um filho mais velho. O segredo dessa bela história? Gentileza.
– Eu não mando, eu peço. Quarenta anos não são 40 dias. O Ceará é uma coisa que mora dentro do meu coração.
O apelido "Soldado Alvinegro" veio de um repórter, que o comparou com um militar no quartel e, quando chamado, está sempre à disposição. E com a frequente dança dos técnicos no futebol brasileiro, uma pergunta ficou no ar: ainda existe amor à camisa? E se você recebesse uma bela proposta de outro time?
Dimas comanda primeiro coletivo em seu retorno ao Ceará (Foto: Divulgação / Ceará)Dimas comanda primeiro coletivo em seu retorno ao
Ceará (Foto: Divulgação / Ceará)
– Existe, pelo menos da minha parte. E nunca! Eu sou treinador do Ceará e de mais ninguém. Não tem proposta que me tire de dentro do Ceará. Nem dinheiro, o dinheiro não é tudo na vida - declarou.

Missão: xô, rebaixamento
Dimas reconhece que não esperava o 40º chamado do Ceará, mas aceitou prontamente a missão de livrar o time do rebaixamento no Campeonato Brasileiro. No primeiro desafio, derrota para o Fluminense (1 a 2). Agora o treinador tem apenas seis jogos para tirar o grupo do 17º lugar na tabela de classificação, com 32 pontos. E confiança não falta ao Soldado.

– Sempre digo que sentar naquela cadeira ali é como sentar-se numa cadeira elétrica. Acho que o Ceará tem total condições de reverter esse quadro e chegar à Sul-Americana. A fase ruim passou, agora é a fase boa. Vamos para o tudo ou nada - finalizou Dimas.

Em confronto direto para escapar da zona de perigo, o Ceará enfrenta o Avaí neste domingo, às 17h (horário de Brasília), na Ressacada. Você confere a partida em Tempo Real no
GLOBOESPORTE.COM.

FONTE:
http://globoesporte.globo.com/programas/esporte-espetacular/noticia/2011/11/idolo-no-ceara-dimas-filgueiras-jogou-com-garrincha-e-escrevia-suas-cartas.html