Venus Williams avança à final do Aberto da Austrália depois de 14 anos (Foto: Getty Images)
Onze anos separam as americanas
Venus Williams
e Coco Vandeweghe. Se na infância Coco era uma mera admiradora da irmã
mais velha de Serena, que sofreu sem o esperado autógrafo, menos de duas
décadas depois, as duas se reencontraram na semifinal do Aberto da
Austrália. No duelo de gerações, valeu a experiência de Venus. A
veterana de 36 anos mostrou frieza nos momentos de pressão e usou a
força do saque para vencer, de virada, por 6/7 (7-3), 6/2 e 6/3, na
madrugada desta quinta-feira, em Melbourne. A irmã mais velha de Serena
não chegava à uma decisão de um Grand Slam desde 2009, em Wimbledon. A
última na Austrália foi em 2003, quando perdeu a final para caçula da
família. Esta será a 15ª final de Venus em um Slam, provando que ela deu
a volta por cima depois de anos de luta contra lesões e a Síndrome de
Sjörgren, doença que afeta o nível de energia e causa fadiga e dores nas
articulações.
- Poder chegar a uma final com adversária
jogando assim é fantástico. Estou muito feliz. Estar em uma final de um
Grand Slam como o Aberto da Austrália é um sonho. Cresci sonhando em
chegar a um lugar como este. Estar aqui vai muito além do que eu
imaginava. Trabalhei muito duro e não tenho nada a fazer a não ser
seguir em frente - comemorou Venus, que nunca conquistou o troféu na
disputa de simples do Aberto da Austrália.
Ex-número um do
mundo e atual 17ª colocada do ranking, Venus havia vencido o único jogo
contra a rival, no saibro de Roma, em maio do ano passado. Venus convive
desde 2009 com a Síndrome de Sjörgren, doença não tem cura e pode ser
apenas controlada. Primeira tenista negra a alcançar o topo do ranking,
em 2002, a americana chegou à semifinal de Wimbledon, no ano passado,
mas, nos últimos torneios ficou longe das decisões. Caiu para 103º
lugar, quando se afastou das quadras para tratar a síndrome, se
recuperou e terminou 2015 em sétimo. Coco ocupa o 35º do ranking e vinha
realizando em Melbourne a sua melhor campanha em um Grand Slam, o que a
fará saltar para o top 20.
Venus Williams enfrentou a também americana
Coco Vandeweghe na semifinal (Foto: Clive
Brunskill/Getty Images)
Venus
sacou mal e cedeu a quebra logo no primeiro game do jogo. Na sequência,
a veterana reagiu, se impôs com grandes jogadas e devolveu a quebra,
não tanto pelos erros de Coco, mas pela qualidade técnica de Williams,
que matou o ponto com uma bela cruzada. As duas tenistas adotaram uma
estratégia parecida no início. Apostaram no saque como arma principal e,
com poucos erros, foram confirmando os seus serviços. Com medo de
ataques curtos, Coco tentou incomodar no fundo de quadra, mas Venus
resistiu. A disputa seguiu acirrada e, após a igualdade em 6/6, precisou
ser definida no tie-break. Coco abriu 4 a 2 em um voleio e acertou uma
paralela, seu 17º winner, para ampliar para 6 a 2. Venus salvou o
primeiro de quatro setpoints, mas cometeu um erro não-forçado de
backhand e viu a adversária largar na frente: 7/6 (7-3).
Williams
voltou a levar perigo no saque no segundo set. Coco, que vinha errando
pouco, sentiu o bom momento da rival e cedeu a quebra no terceiro game.
Irritada, jogou a raquete em um impulso de raiva e viu a irmã de Serena
confirmar o serviço na sequência: 3/1. O destempero emocional atrapalhou
a jovem, que sofreu outra quebra em uma dupla-falta. Coco se acalmou e
surpreendeu com um 0/40. Venus mostrou frieza, sacou bem e arrancou a
igualdade, mas sofreu para confirmar. Depois de cometer uma dupla-falta,
no entanto, ela se redimiu com um ace e pôs a rival para correr de um
lado ao outro, forçando o erro de Vandeweghe para chegar a 5/1. Coco
confirmou o serviço na sequência e foi com tudo para cima de Venus e
quase conseguiu uma quebra que mudaria os rumos do set. Firme, Williams
deu fim às esperanças com um ace: 6/2.
Coco não resistiu à experiência de Venus na semifinal (Foto: Cameron Spencer/Getty Images)
Venus
conseguiu mais uma quebra no primeiro game do terceiro set, mas quase
se complicou com duas duplas-faltas em seguida. Foi difícil, mas ela
quebrou o serviço de Coco, jogando a pressão para o outro lado: 2/0. A
tenista de 25 anos não esmoreceu, resistiu à ex-número um e mostrou que
estava viva no jogo ao confirmar o serviço no sétimo game: 4/3. Com a
marra habitual, ela cerrou os puxos, olhou para a rival e soltou um
grito para comemorar. O desafio de Williams era seguir com um bom volume
de jogo e evitar o desgaste. Sem tremer nos momentos difíceis, a irmã
de Serena manteve a energia, emplacou um ace e confirmou o serviço em um
erro de devolução de Coco.
Williams estava a um game da
final, mas precisava quebrar a adversária, que mostrou que venderia caro
derrota. Venus deixou escapar três matchpoints, mas se beneficiou de um
erro não-forçado de forehand de Vandeweghe para levar a melhor no
quarto.
Em busca do título inédito em Melbourne, a veterana
enfrenta Serena, hexacampeã do torneio e algoz da croata Mirjana
Lucic-Baroni na outra semifinal. A irmã mais nova leva vantagem por 16 a
11. Em oito finais de Slams, são seis vitórias de Serena contra duas de
Venus.
Venus Williams chegou à sua 15ª final em um
Grand Slam após vencer americana na
semifinal (Foto: Getty Images)