Medida é
anunciada nesta segunda, após morte e brigas antes e depois do clássico
de domingo. Além de veto a organizadas, haverá mudança na venda de
ingressos
Por Yan Resende
São Paulo
(OBS. DO BLOG:
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MATÉRIA ABAIXO)
Até
o fim deste ano, todos os clássicos disputados no estado de São Paulo
envolvendo Corinthians, São Paulo, Palmeiras e Santos serão disputados
com apenas uma torcida no estádio, a do time mandante. A medida, pedida
pelo Ministério Público à Federação Paulista de Futebol, foi anunciada
no início da noite desta segunda-feira após reunião realizada na
Secretaria de Segurança Pública, no centro da capital paulista.
Isso
deve acontecer pela primeira vez na fase semifinal do Campeonato
Paulista, marcada para o dia 24 deste mês, quando os quatro grandes
clubes paulistas podem se encontrar em disputa eliminatória de jogo
único.
Medidas para o combate à violência no futebol
foram anunciadas na Secretaria de Segurança
Pública (Foto: Yan Resende)
A
ação aconteceu no dia seguinte à morte de uma pessoa em São Miguel
Paulista, na zona leste de São Paulo, durante briga entre torcedores de
Palmeiras e Corinthians, que disputaram no Pacaembu, na zona oeste, um
clássico válido pela 14ª rodada do Paulistão. Em confronto antes e
depois do jogo,
quase 60 integrantes de torcidas organizadas foram detidos.
Vítima morta na zona leste não participava
da briga, segundo a PM (Foto: Helio
Torchi/Simapress/Estadão Conteúdo)
A
Inglaterra é o país mais citado em relação ao combate à violência das
torcidas organizadas. No início da década de 80, por causa da má conduta
dos hooligans, os clubes ingleses foram proibidos de disputar
competições europeias por cinco anos. Na ocasião, houve também forte
repressão policial e isolamento das facções. Na Argentina, após um 2013
violento, todos os jogos passaram a ter torcida única.
No
Brasil, em 2013, a federação gaúcha chegou a marcar um clássico entre
Grêmio e Internacional somente com torcedores tricolores, mas a decisão
da Brigada Militar do RS foi revertida. No ano seguinte, em Minas
Gerais, por
causa de brigas entre seus próprios torcedores, o Cruzeiro abriu mão de
sua parte de ingressos em algumas partidas contra o Atlético-MG. No ano
passado, as autoridades paulistas cogitaram que Palmeiras e Corinthians
jogassem apenas para palmeirenses na arena alviverde, mas a ideia não
progrediu.
Mais duas medidas
Em
entrevista coletiva, o secretário de segurança pública do estado,
Alexandre de Moraes, e o promotor Paulo Castilho, do Ministério Público,
também anunciaram que todas as torcidas organizadas estão proibidas de
entrar nos estádios paulistas com faixas, instrumentos ou qualquer
utensílio que as identifique. Isso vale para todas as partidas no
estado, não só clássicos, também para torcedores de times de outros
estados que jogarem em São Paulo.
E MAIS: Presos de Oruro são detidos por briga antes de clássico paulista
A
terceira medida anunciada, mas que só valera a partir do Campeonato
Brasileiro, em maio, é a proibição de doação de ingressos dos clubes
para as torcidas organizadas. Para isso, toda a comercialização de
bilhetes para jogos no estado será feita somente pela internet, sem
venda em bilheterias.
– Nenhuma medida será mágica, mas
acreditamos que esse conjunto será efetivo. Já reduzimos a violência
dentro dos estádios... Vamos seguir tomando medidas para que tenha
efeito também fora deles – disse o secretário Alexandre de Moraes.
Barras de ferro, de madeira e rojões foram
apreendidos no domingo (Foto: Helio
Torchi/Simapress/Estadão Conteúdo)
Torcedores identificados
Segundo
a SSP, quase 50 pessoas foram identificadas nas brigas de domingo
através de câmeras de segurança do metrô. Além disso, o Ministério
Publico pedirá que a organizada palmeirense Mancha Alvi Verde e a
corintiana Camisa 12, identificadas na confusão, respondam judicialmente
pelo crime de vandalismo.
– A impunidade alimenta a
criminalidade das torcidas. O modelo de hoje incita a violência entre
elas, mas o cerco está se fechando – afirmou o promotor Paulo Castilho.
Apesar
das identificações, todos os 57 torcedores detidos antes e depois do
clássico foram soltos após prestar depoimento ainda no domingo. Moraes
acredita que houve
um erro de tipificação.
– No momento em que houve o crime, eu
entendo a tipificação pelo artigo
41 (promover tumulto, praticar ou incitar a violência), mas, olhando
posteriormente, com mais calma, eu tipificaria por
participação em homicídio por dolo eventual – opinou o secretário, que
classificou a legislação atual como "arcaica e extremamente frágil".
FONTE:
http://globoesporte.globo.com/sp/futebol/noticia/2016/04/classicos-em-sao-paulo-terao-torcida-unica-ate-o-fim-deste-ano.html