terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Neymar chega a tribunal em Madri e recebe apoio de fã: "Você é o melhor!"


Craque brasileiro dará depoimento em Madri em processo movido pela DIS sobre sua transferência do Santos para o Barcelona em 2013




Por
Madri



Audiência Neymar Madri (Foto: AP)
Neymar e o pai chegam para a audiência 
em Madri (Foto: AP)


O depoimento de Neymar na Audiência Nacional - principal órgão do Judiciário espanhol - estava marcado para 14h (de Brasília), mas pelo menos duas horas antes a rua Génova, em Madri, estava repleta de jornalistas e curiosos que aguardavam a passagem do capitão da seleção brasileira pelo tribunal da capital espanhola. O craque chegou às 13h50 (de Brasília) e recebeu apoio dos fãs:
- Você é o melhor! - gritou um torcedor.

Acompanhado de advogados, do amigo Joclécio e do seu pai, Neymar da Silva, o craque chegou ao tribunal e parou até para dar autógrafo a alguns torcedores no caminho. A mãe do atacante, Nadine, está no Brasil e vai participar por teleconferência.

Neymar será interrogado na condição de investigado no processo que envolveu a sua transferência do Santos para o Barcelona em 2013. A audiência vai ser conduzida pelo juiz José de la Mata, que, na segunda-feira, ouviu as explicações – muito curtas, segundo a imprensa espanhola - de Josep Maria Bartomeu e Sandro Rosell, atual e antigo presidentes do Barcelona. O pai, Neymar Da Silva Santos, e a mãe, Nadine Gonçalves da Silva, também se apresentarão ao juiz na mesma audiência e condição do camisa 11 do Barça.

Audiência Neymar Madri (Foto: Reuters)
Neymar mostra estilo na chegada ao tribunal 
em Madri para depor sobre saída do Santos 
para o Barça (Foto: Reuters)


Os três são investigados no mesmo processo que é dividido em duas fases distintas: em uma primeira, os dirigentes do Barcelona foram ouvidos sobre presumíveis crimes fiscais ligados à transferência. A Justiça espanhola investiga se o pagamento de imposto relativo ao montante total da transferência foi cumprido pelo Barcelona. No caso de Neymar e da família, a justiça pretende saber se eles tentaram ocultar do grupo DIS outras ofertas que o craque recebeu naquele período e o montante total da transferência, e, com isso, enganar o fundo.

Pai Neymar Audiência Neymar Madri (Foto: Claudia Garcia)
Pai acompanha o craque na audiência, mas 
a mãe participará por teleconferência 
(Foto: Claudia Garcia)


O DIS alega ter direito a receber 40% do valor total da transferência, que, de acordo com a Audiência Nacional espanhola, alcançou os € 83,3 milhões (R$ 356 milhões). A empresa, no entanto, só recebeu a porcentagem dos € 17 milhões (R$ 74 milhões) pagos pelo Barcelona ao Santos pela contratação do jogador.

A imprensa espanhola aposta numa participação “muito curta” de Neymar diante do juiz. Segundo os jornais esportivos, o brasileiro afirmará que é seu pai quem cuida de seus assuntos econômicos e não se alongará mais no discurso.

Na manhã desta terça, o craque treinou normalmente com os companheiros de Barcelona na véspera da semifinal da Copa do Rei contra o Valencia. Em entrevista coletiva, o técnico Luis Enrique afirmou que o brasileiro está em perfeitas condições e que os problemas na Justiça não o abalam dentro de campo.

- Acredito que, de zero a um milhão, isso o afeta 0,0001. É um tema tão repetitivo, levamos anos com isso. No ano passado já me faziam essa pergunta e é um cenário que cada vez cansa mais. Nada a comentar. Não tem nada a ver com futebol, é um tema pontual. Vai se resolver como tem que se resolver - disse o treinador.

Audiência Neymar Madri (Foto: Reuters)
Polícia protege Neymar na entrada do tribunal 
ao lado do pai, advogados e amigo (Foto: Reuters)


PROCESSO DIFERENTE NO BRASIL

O processo na Espanha é diferente do problema que Neymar tem vivido com a imprensa brasileira nos últimos dias. Na semana passada, o GloboEsporte.com revelou que o craque fora denunciado pelo Ministério Público Federal pelos crimes de sonegação fiscal e falsidade ideológica.

Além do jogador, também foram denunciados Neymar da Silva Santos, pai do atleta, Sandro Rosell, ex-presidente do Barcelona, e Josep Maria Bartomeu, atual mandatário da equipe catalã. A denúncia, assinada pelo procurador-chefe do MPF de São Paulo, Thiago Lacerda Nobre, é sobre a suspeita do dinheiro recebido pelas empresas do atacante durante as negociações que o levaram para atuar na Espanha.

Em seguida, a revista "Veja" revelou detalhes sobre a denúncia.
De acordo com a reportagem, o atacante e o pai criaram três empresas de fachada e adulteraram documentos com o objetivo de pagar menos impostos. A ideia seria fugir das taxas cobradas a pessoas físicas (27,5%), criando as empresas para receber a maior parte dos salários pagos pelo Santos e dos contratos de publicidade. A manobra teria feito com que o jogador abatesse mais de 50% dos impostos a pagar.

No domingo, Neymar e seu pai deram entrevista ao "Fantástico" e se defenderam das acusações do MPF. Nesta terça, o site oficial do craque soltou um comunicado questionando os motivos do promotor Thiago Lacerda Nobre de levar a denúncia adiante e mostrou documentos da época do Santos para explicar a criação de empresas.

Imprensa Audiência Neymar Madri (Foto: Claudia Garcia)
"Neymar, sou seu amigo", diz a mensagem do 
pequeno fã de Neymar na porta do tribunal 
(Foto: Claudia Garcia)


Imprensa Audiência Neymar Madri (Foto: Claudia Garcia)
Imprensa e fãs de Neymar se aglomeram na 
porta do tribunal à espera do craque 
(Foto: Claudia Garcia)


Em depoimento, ex-presidente da Conmebol admite que lesava clubes


Preso na Suíça e extraditado ao Uruguai, Eugenio Figueredo declara que empresas de marketing esportivo subornavam dirigentes para evitar novos concorrentes




Por
São Paulo




Eugenio Figueredo, ex-presidente da Conmebol, chega ao Uruguai (Foto: MIGUEL ROJO / AFP)Eugenio Figueredo, ex-presidente da Conmebol, chega ao Uruguai (Foto: MIGUEL ROJO / AFP)


Eugenio Figueredo, ex-presidente da Conmebol preso no Uruguai, declarou em depoimento ao Ministério Público de seu país que o esquema de corrupção na entidade se traduzia "em prejuízo a clubes e jogadores". O ex-dirigente afirmou também que os presidentes das dez associações que compõem a Conmebol receberam subornos milionários.

Junto com José Maria Marin e vários outros, Figueredo foi preso em maio de ano passado em Zurique, por policiais suíços que cumpriam um pedido de autoridades americanas. Mas, à diferença dos demais, não foi extraditado para os Estados Unidos e sim para o Uruguai, onde já havia uma investigação em curso sobre a Conmebol. Figueredo está preso e teve milhões de dólares em bens e dinheiro confiscados.

A Justiça do Uruguai publicou trechos do depoimento de Figueredo, de 83 anos, que presidiu a Conmebol entre 2013 e 2014. Tanto seu sucessor (Juan Angel Napout) quanto seu antecessor (Nicolas Leoz) estão em prisão domicilar. O primeiro em Nova York, o segundo em Assunção - enquanto aguarda o julgamento de um pedido de extradição aos EUA.

Figueredo deixa claro como as coisas funcionavam na Conmebol. A cúpula recebia subornos de empresas de marketing esportivo (Traffic, Torneos y Competencias, Full Play) para entregar a elas os direitos de transmissão e direitos comerciais sobre os torneios no continente - Copa Libertadores, Copa América por exemplo - e evitar concorrência. O pagamento de propinas a cartolas é o centro da investigação americana que levou dezenas de dirigentes de futebol do continente para a cadeia.

- Desde que época em que assumiu como integrante do Comitê Executivo da Conmebol [1993] recebia importantes somas de dinheiro [...] com a finalidade de manter o status quo de uma perversa forma de corrupção. [...] Desta forma evitava outras ofertas para a comercialização dos direitos de transmissão dos torneios organizados pela confederação. Expressamente reconhece que tal modo de atuar se traduzia em prejuízo a clubes e jogadores profissionais, no caso do Uruguai reduzindo notoriamente o dinheiro que deveriam receber aqueles e estes.

Figueredo declarou que recebia, de salário, US$ 40 mil mensais - e que cada presidente de federação nacional embolsa US$ 20 mil. Esses valores nunca constaram dos balanços da entidade. Durante a passagem de Figueredo pela cúpula da Conmebol, os presidentes da CBF foram Ricardo Teixeira (até 2012) e José Maria Marin (2012-2015). Quando Marco Polo Del Nero assumiu (2015), o presidente da Conmebol já era Juan Angel Napout.

Além do salário, o uruguaio declarou que recebia uma mesada de US$ 50 mil mensais das empresas de marketing esportivo. Cita a T&T (Torneos e Traffic) e a Torneos y Competencias, todas investigadas pelas autoridades dos Estados Unidos.

O ex-presidente da Conmebol disse ainda que recebeu "importantes somas de dinheiro" da Full Play, empresa que em 2011 tomou da Traffic os direitos de transmissão da Copa América. A disputa entre Traffic e Full Play foi resolvida com a criação de outra empresa - Datisa - que passou a fazer negócios com a Conmebol.

-  [Figueredo] confessa ter recebido importantes somas de dinheiro da empresa Full Play Group SA [...] Recebeu somas superiores às que diz terem recebido os presidentes das diversas associações, no caso 400.000 dólares cada um [...] Seu conhecimento de tal fato emerge de ter recebido vários pagamentos por este conceito e por estar informado pelo próprio HJ [Hugo Jinkis], um dos sócios daquela empresa.