quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Inesperado destaque do Napoli, Allan sonha: "Chamar atenção do Dunga"


Sem guardar mágoas do Udinese, seu antigo clube, volante brasileiro celebra boa fase no atual time e garante acompanhar o drama vivido pelo Vasco: "Estou na torcida" 




Por
Rio de Janeiro



Allan Marques - Napoli (Foto: Getty Images)Allan marcou um dos gols do Napoli na goleada sobre o Milan (Foto: Getty Images)


Foram três bolas nas redes e cinco assistências em menos de meia temporada pelo Napoli. Nada mau para o brasileiro Allan, que marcou apenas dois gols durante os três anos em que jogou como volante do Udinese. Porém, como apoiador pela direita no novo time, o ex-vascaíno de 24 anos ganhou a confiança do técnico Maurizio Sarri logo na primeira oportunidade como titular, ao dar uma assistência para o gol do atacante Higuaín, no empate de 2 a 2 contra o Sampdoria.

Além disso, o jogador afirmou que ter balançado as redes na goleada por 5 a 0 sobre Milan, em pleno San Siro, e no passeio por 4 a 0 sobre o Lazio, é só o começo do longo caminho que ele busca trilhar para chegar à seleção brasileira.

-  Espero continuar fazendo um grande campeonato com o Napoli e um dia realizar esse sonho de poder vestir a camisa da Seleção. Quem sabe fazer mais alguns gols e, com grandes atuações, eu consiga chamar a atenção do Dunga, para que ele possa me dar essa chance na seleção brasileira, porque é um sonho de criança.

Allan - Napoli (Foto: Reuters)
Allan já marcou três gols pelo Napoli em 
treze jogos disputados (Foto: Reuters)


Allan chegou ao Napoli por 11 milhões de euros (aproximadamente R$ 38 milhões) no mês de julho e mudou seu posicionamento. Ao abandonar a função de protetor da zaga central do Udinese, ele consegue se aproximar um pouco mais dos atacantes e dos gols como apoiador pela direita no novo time. Desde então, o brasileiro é presença certa no esquema inicial da equipe.

Allan - Napoli (Foto: Reuters)Com bons jogos no Napoli, Allan sonha em jogar pela seleção brasileira (Foto: Reuters)


Sem perder há sete jogos pelo Campeonato Italiano e com 100% de aproveitamento na Liga Europa, o Napoli ocupa a quarta colocação da Serie A, registrando o terceiro melhor ataque (21 gols) e a segunda melhor defesa da competição (oito sofridos). Desta forma, o time de Maurizio Sarri tem a melhor campanha jogando em casa: são quatro vitórias, um empate e nenhuma derrota.

Em entrevista ao GloboEsporte.com, Allan também falou sobre os anos em que passou no Udinese, o fraco desempenho do Vasco no Campeonato Brasileiro e a experiência de conviver com jogadores mais rodados no futevol, como o goleiro Pepe Reina e o atacante Gonzalo Higuaín. Além disso, ele foi cauteloso ao projetar os rumos que o clube deverá tomar no decorrer da temporada.


Confira o bate-papo abaixo.

Como você avalia seu atual momento no Napoli?
- É um momento muito feliz. Não esperava um começo assim, fazendo gols e dando assistências neste período. Em três anos no Udinese só fiz dois. Em pouco tempo aqui já fiz três e está sendo tudo muito bom.

Vocês estão invictos na Liga Europa, com três vitórias em três jogos, e há sete jogos sem perder no Campeonato Italiano. A preparação é para disputar os dois títulos?,
 - A gente não pensa exatamente assim. Não especifica por título. Pensa sempre no próximo adversário. É o começo do campeonato e é difícil imaginar o que vai ser daqui a quatro meses. Se mantivermos os bons resultados, aí sim podemos começar a pensar em coisas maiores daqui algum tempo.

Allan Marques - Napoli - Higuaín (Foto: Getty Images)Allan conta com o argentino Higuaín para amadurecer como profissional (Foto: Getty Images)


Como é o ambiente do elenco?
- Tenho amizades boas, principalmente com os brasileiros (goleiros Rafael e Gabriel e o zagueiro Henrique). E jogar com atletas como Pepe Reina, Higuaín e o Hamsik (meia eslovaco) facilita bem. É um aprendizado muito bom e procuro, de uma maneira ou de outra, aprender com eles, pois são jogadores importantes.

A goleada sobre Lazio e Milan, a vitória sobre o Juventus ajudaram na boa campanha do time. Como foi a sensação de marcar gol no goleada sobre o Milan e sobre o Lazio e ainda vencer o Juventus?
- Fazer gols contra Lazio e Milan foi uma sensação maravilhosa. Uma alegria enorme. São times importantes mundialmente. E mais importante ainda foram as vitórias, uma de 5 a 0 e outra de 4 a 0. O San Siro é um estádio maravilhoso. São vitórias que dão moral para a nossa caminhada.

Como foi a saída do Udinese? Algo não deu certo lá para você ter marcado dois gols em três anos? Você estava infeliz?
Na verdade, no Udinese não deu nada errado, deu tudo certo. Joguei bastante, mas era diferente. Jogava na frente da defesa e tinha bem menos chance de ir ao ataque. Aqui no Napoli, jogo mais avançado, sendo mais fácil de chegar perto do gol. Acho que foi isso de poder fazer gols. No Udinese jogávamos com três jogadores na frente da defesa. Mas eu estava feliz, ainda que o time tenha ambições diferentes do Napoli. Lá, sempre começávamos o Campeoanto para se manter na primeira divisão. E graças a Deus houve um ano em que nos classificamos para a Liga Europa. Foram três anos muito importantes, onde cresci como pessoa e jogador. Foi onde aprendi a falar italiano e acho que domino o idioma.

allan vasco x universitario peru sul-americana (Foto: AP)Antes de seguir para a Europa, Allan fio revelado nas categorias de base do Vasco (Foto: AP)


Você acompanha os jogos do Vasco? Sofre com a atual situação do ex-clube?
Tenho acompanhado os resultados, porque é difícil ver os jogos, já que são no mesmo horário que os nossos. Estou na torcida para sair dessa situação. Em algumas partidas faltou um pouquinho de sorte. Mas torço para que o time tenha uma série de vitórias e possa escapar do próximo rebaixamento. É uma situação ruim. Um clube grande não merece passar por isso e tomara que no ano faça um Campeonato Brasileiro muito melhor que nesse ano - analisou o jogador, que foi campeão da Copa do Brasil com o cruzmaltino em 2011.


Nesta quinta-feira, o Napoli enfrenta o Midtjylland, da Dinamarca, pela quarta rodada da Liga Europa. Como está a preparação para o confronto?
- O pessoal está bem focado e podemos definir a classificação em primeiro com antecedência.Nosso time joga um futebol bastante intenso e vai procurar de todas as maneiras a vitória para avançar com folga.

Allan - Napoli (Foto: Reuters)
Allan comentou sobre a oportunidade de jogar 
com atletas mais experientes no 
Napoli (Foto: Reuters)


FONTE:

Ex-garoto de rua no Rio muda de vida no Azerbaijão e cogita jogar pelo país


Perto de se naturalizar, atacante Dodô relembra infância difícil, antes de duelo contra o Borussia: "Cheguei a morar com o dono do morro, perdi minha mãe, não tinha moradia"




Por
Rio de Janeiro


Dodô atacante Gabala do Azerbaijão  (Foto: Divulgação)Ídolo e especulado na seleção do Azerbaijão,
 Dodô marcou o gol do Gabala na derrota 
para o Borussia (Divulgação)


Das ruas do Rio de Janeiro para o Azerbaijão - e agora Alemanha. Até ir a campo contra o Borussia Dortmund, nesta quinta-feira, pela Liga Europa, no Westfalenstadion, a vida do atacante carioca Dodô deu algumas reviravoltas. Quando garoto, o atacante do Gabala morou na rua, perdeu a mãe e foi abrigado por um traficante. Cresceu, virou jogador de futebol e chegou à Europa com a ajuda do brasileiro naturalizado croata Eduardo da Silva. Atualmente, goza de prestígio no futebol do Azerbaijão e, perto de tirar a dupla cidadania, já estuda até a possibilidade de defender a seleção do país.

- Há intenção em todos os lados. Houve comentários de todas as partes. Do pessoal da seleção, o treinador é croata e meu viu jogar lá (na Croácia). Ele conhece meu trabalho. Claro que o passaporte é bom para levantar a minha carreira. Com isso, é mais fácil uma transferência para um time da Europa. Mas já surgiu a possibilidade por parte da seleção. Batalhei para isso, corri atrás, fui bem acolhido. Graças a Deus consegui retribuir o carinho e hoje eles me têm como ídolo e sou feliz por isso. Quero fazer história não só no Qabala, mas também no país – disse Dodô.


Dodô atacante Gabala do Azerbaijão (Foto: Divulgação)
Antes de virar camisa 10 e capitão do Gabala, 
Dodô morou na rua e foi abrigado por 
traficante (Divulgação)


Sobre a minha infância, foi muito difícil. Morava na rua, catava resto de mercado e vendia bala no cinema
Dodô

Para chegar a encarar Aubameyang, Reus, Gündogan, Hummels e companhia em campo, ele passou por poucas e boas. Voltemos até os tempos em que Dodô era garoto em Bangu e, depois, na favela do Pavão Pavãozinho, entre Ipanema e Copacabana. Além da pobreza, ele conviveu perto do crime e das drogas. Ainda perdeu a mãe e morou na rua e com um traficante.

- Sobre a minha infância, foi muito difícil. Nem sei o nível que falaria para você. Tive todas as oportunidades de fazer a coisas erradas. Cheguei a roubar, usar drogas leves. Mas foi só maconha, se tivesse usado drogas mais pesadas não estaria nem aqui. Cheguei a morar com o dono do morro, perdi minha mãe, não tinha moradia. Morava na rua, catava resto de mercado e vendia bala no cinema. Sei que tem gente em condições piores, sem braço, sem mãos, mas pelo menos tinha saúde. Sempre confiei em Deus e confio muito nele. Essa é minha história, muito triste.


O FATOR EDUARDO DAa

O segundo desafio de Dodô, ou Luiz Paulo (nome de batismo do jogador de 28 anos), foi para vencer no mundo do futebol. Tentou a sorte na escolinha do Flamengo, passou pelo Juventus de Realengo, pelo Profute de Niterói e pelo Ceres de Bangu. Foi quando a sorte começou a sorrir para o garoto, que chegou ao croata Inter Zapresic em 2009, antes de passar por Dínamo Zagreb e Lokomotiv até se transferir para o Gabala em 2011.  


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Dodô atacante Gabala do Azerbaijão (Foto: Divulgação)
Antes de chegar ao Azerbaijão, Dodô foi 
para a Croácia com a ajuda de Eduardo 
da Silva (Foto: Divulgação)


- Teve uma época difícil que voltei de Niterói para o Rio. Conheci dois garotos que me levaram até o Narley e, através deles, conheci o Eduardo da Silva. Como o Eduardo foi pequeno para a Croácia, eles me colocaram para fazer um teste lá, mas não ficaram comigo. Fiquei triste, chorei, não queria ir embora de lá. Então, o Eduardo, através do Narley, achou uma injustiça o que fizeram, disse que me ajudaria e me colocou no Inter Zapresic. Depois fui vendido para o Dínamo e fui campeão duas vezes. Só depois que o Tony Adams ex-jogador do Arsenal), que era técnico do Qabala, me viu e decidiu me contratar – disse, enfatizando a gratidão que tem por Narley, a quem considera seu melhor amigo.


OS PERIGOS DA VIDA  NO AZERBAIJÃO

Com cinco anos no país asiático (o futebol, entretanto, é ligado à Uefa, por isso a participação na Liga Europa) e prestes a se naturalizar, a rotina no Azerbaijão é bem diferente daquela vivida no Rio de Janeiro. Sem feijão, o jeito é se virar com salada, pão, sopa e muita carne de cabrito – e, no quesito qualidade de vida, as ameaças são outras.  

- Aqui é um lugar com muito cabrito e boi. No verão, eles ficam muito à vontade, transitam pela rua. Estava eu e um amigo meu baiano, o Daniel Cruz. Chamamos um táxi e pegamos a estrada. Já estava à noite e eu mexendo o celular no banco de trás, deitado, com ele na frente. De repente, escuto ele gritar e me vejo rolando até ficar preso entre um banco e outro. O motorista jogou para o lado e para não bater numa vaca que atravessava a pista. Foi um momento de desespero, por muito pouco não houve um acidente sério. Os animais ficam muito à vontade aqui e tem muita gente que compra carteira. Nunca ouvi falar de auto-escola aqui.   

Dodô atacante Gabala do Azerbaijão (Foto: Divulgação)
Dodô diz que duelo contra o Borussia é o mais 
importante da carreira (Foto: Divulgação)


É o Borussia Dortmund, que estava na final da Champions. Nunca iria imaginar que iria enfrentá-los pouco tempo depois
Dodô

 Em campo, Dodô vive o maior desafio da carreira. O camisa 10 do Gabala vai a campo às 16h (de Brasília) visitar o Borussia Dortmund, duas semanas após marcar o gol da equipe azeri na derrota por 3 a 1 para os aurinegros em casa. A missão na Liga Europa é complicada: na lanterna do Grupo C, a vitória sobre os alemães no Westfalenstadion é tão importante quanto improvável. 
 
- Com certeza (é o jogo mais importante da carreira). Não só o jogo como a competição tem sido importante na minha vida e na minha carreira. Estou feliz. Da outra vez que estive na Liga Europa, pelo Dínamo, o treinador quase não me usou e isso me frustrou um pouco. E é o Borussia Dortmund, time de tradição que até pouco tempo atrás estava na final da Champions, vencendo o Real Madrid. E eu, sentado em casa, nunca iria imaginar que iria enfrentá-los pouco tempo depois. Para mim, é muito importante – completou o atacante.


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