domingo, 1 de fevereiro de 2015

Berna, Macaé e Ferj acusam invasão de vestiário por torcedores do Fla


Goleiro é agredido e fica com corte no queixo antes do jogo no Moacyrzão. Políciafala em 10 agressores, mas clube diz que foram cerca de 100 e desmente o Gepe


Por
Macaé, RJ

 

A bola nem tinha rolado e uma confusão marcou a estreia de Macaé e Flamengo no Campeonato Carioca - as equipes empatariam por 1 a 1, posteriormente. Ao entrar no gramado do Estádio Moacyrzão para o aquecimento, o goleiro Ricardo Berna mostrou o queixo sangrando e acusou de agressão uma torcida organizada do Rubro-Negro. O fato teria ocorrido durante uma invasão, feita por um grupo de aproximadamente 100 pessoas, ao vestiário do time mandante (veja no vídeo acima).

- Uma torcida organizada do Flamengo invadiu o vestiário - disse Berna aos repórteres.


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De acordo com o relato do jogador (veja vídeo abaixo), a invasão ocorreu no momento em que a delegação do Macaé entrou no estádio. O grupo driblou a segurança e entrou numa área reservada aos profissionais envolvidos na partida. Indignado com a situação, o goleiro de 35 anos, ex-Fluminense e Náutico, pediu mudanças no futebol brasileiro:



- Vou jogar e respeitar as pessoas. Cerca de 95% vieram a campo ver o espetáculo. Que fique na consciência dos governantes e da CBF: o futebol brasileiro está uma vergonha. Que isso sirva de exemplo para uma punição severa. Tem de respeitar os jogadores do Bom Senso. Há manobra política para não ouvi-los. Que se escutem os treinadores, os árbitros e os jogadores.


No intervalo do jogo, dois suspeitos foram levados pela Polícia ao vestiário do Macaé, mas Ricardo Berna disse que não tinha condições de identificá-los como agressores. De acordo com o que o repórter Chandy Teixeira disse ao SporTV, um deles estava com a mão machucada.
Diretor de competições da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj), Marcelo Vianna confirmou a invasão por parte da torcida do Flamengo (veja vídeo acima). Não especificou qual organizada, mas revelou que alguns pertences do Macaé também foram levados, como chuteiras e frutas.

- O Berna, realmente, sofreu agressão. O segurança que cuida do portão que dá acesso ao vestiário seguiu a metodologia recomendada, mas houve um problema. Nunca tivemos algo assim, mas hoje um grupo de uma organizada, que ainda não sei precisar, então não falarei nome, invadiu o vestiário. Vou conversar agora com o comandante do Gepe que está na partida e encaminharei os fatos ao Ministério Público para punição. Eles invadiram o vestiário, levaram alguns pertences, frutas, um saco com chuteiras, tênis... E o goleiro foi agredido. Lamento esta atitude selvagem de um pequeno grupo de torcedores. Foi apenas um corte no goleiro, mas poderia ter sido muito pior - detalhou o dirigente.

Gepe desmente o Macaé, que desmente o Gepe

De acordo com o capitão Ricardo dos Santos, do Grupamento Especial de Policiamento em Estádios (Gepe), a ação dos torcedores se deu após o não fechamento de um portão de entrada. Segundo ele, um grupo era de apenas 10 pessoas e fugiu após o incidente.

- Tem um portão e um funcionário, que não é de responsabilidade da polícia, que devia fechá-lo por dentro, mas não fechou. Quando o grupo de torcedores viu que o portão estava encostado, acessou o estádio. O policiamento próximo, quando viu, fez a intervenção. O grupo correu e não foi possível fazer a identificação. Alguns portões ficam lacrados e sob responsabilidade da polícia, que são os de acesso do público. Estes portões contam com a presença policial. Foi uma correria grande, era um grupo que não chega a 10 torcedores - explicou.


A discordância entre o Macaé e o Gepe não ficou apenas no número de invasores. Atual administrador do Moacyrzão, Valter Bittencourt negou que a invasão tenha acontecido porque um funcionário deixou o portão aberto – conhecido como Valtinho, ele é filho de Mirinho, presidente do clube.

- Na verdade, o que chegou ao meu conhecimento, através do chefe de segurança do estádio, é que arrombaram o cadeado. Inclusive, chegaram aqui (na sala da administração) com o cadeado arrombado, forçado. Não tinha como deixar o portão aberto, até porque tinha vigia - disse Valtinho, voltando a desmentir o chefe do Gepe:


- Ver (o portão aberto), ele não viu. Caso contrário, isso não teria acontecido. Eles arrombaram a porta do estacionamento do Macaé.
Diante da probabilidade de o Macaé ser punido, Valtinho saiu em defesa do estádio onde o clube manda seus jogos:

- Tomamos todas as providências possíveis. Seguranças, um quadro imenso, fizemos tudo para coibir. Se tiver alguém para ser punido, não é o Macaé. O estádio nem é do Macaé, é da prefeitura. Foi cedido ao Macaé e ao Flamengo para a partida. O estádio está superlotado, talvez seja a maior renda da história do estádio. Quem deveria tomar mais cuidado é a polícia.

Oficialmente, o Moacyrzão tem capacidade para 15.000 torcedores, e o público presente na partida da noite deste sábado foi de 14.550 pessoas (12.550 pagantes) – antes de a bola rolar, rubro-negros precisaram ocupar o setor vermelho, destinado aos donos da casa, e a polícia teve de improvisar um cordão de isolamento.

Regulamento Geral deixa responsabilidade sob o mandante

Segundo a Ferj, o caso será analisado pelo Tribunal de Justiça Desportiva (TJD), e o Regulamento Geral das Competições da entidade (RGC-2015), em seu Capítulo III – Da ordem e da segurança das partidas, estabelece a responsabilidade total ao anfitrião. O Artigo 19 diz que "à associação mandante, para a realização da partida, além das medidas administrativas e técnicas indispensáveis à segurança e à normalidade do espetáculo, compete, entre outras, as obrigações e providências" de todas as série de questões relativas.

O capítulo ainda fala de punições financeira – "A violação ou o descumprimento pelo clube mandante das obrigações descritas neste artigo sujeitará o infrator ao pagamento de multa no valor de R$ 100 (cem reais) a R$ 100.000 (cem mil reais), após decisão do TJD" – e de perda de mando de campo sob decisão do Tribunal – "(...) estabelecida em função de penalidade determinada pela Justiça Desportiva ou interdição da praça de desportos, mantém todas as obrigações da associação, sejam administrativas e/ou financeiras, como se detentora do mando de campo fosse, ou se a partida fosse realizada em seu estádio."

Presidente do Fla mostra-se surpreso com estranha agressão

O presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, foi surpreendido pelo relato (veja no vídeo acima) ao mesmo tempo em que achou estranha a agressão a Ricardo Berna. Manteve a postura inclusive após a partida.

- O que acho estranho é como que um grupo de bandidos, porque não são torcedores, se aconteceu isso, como que conseguem entrar e sair pela porta da frente e ninguém ser identificado ou preso? Afinal de contas, é um evento da primeira divisão do Carioca. Imaginamos que estamos em um ambiente seguro. Se fosse em um lugar sem policiamento... Mas logo em um lugar sagrado, que é o vestiário, ser invadido? - questionou.

O mandatário rubro-negro disse não ver motivos para que seu clube seja punido, uma vez que o Macaé é o responsável pela organização da partida. Caso seja comprovado que torcedores do Flamengo provocaram o tumulto, no entanto, há, sim, risco de punição.

- O Flamengo não tem responsabilidade nenhuma nisso. A responsabilidade pela segurança não é do Flamengo e não imagino um motivo que faça o Flamengo ser punido - destacou.

Por fim, Bandeira não confirmou a realização do jogo com o Barra Mansa, quarta-feira, no Moacyrzão:

- Até onde eu soube, o nosso pedido não foi deferido. Estamos aguardando.

O técnico do Macaé, por sua vez, responsabiliza Vanderlei Luxemburgo pelo ocorrido (veja no vídeo abaixo), por declarações feitas na quinta-feira, de que haveria um clima hostil entre as duas equipes.

- Não foi uma suposta agressão. Houve uma agressão. Estávamos terminando a nossa preleção quando um grupo de torcedores do Flamengo entrou, saqueou o material dos jogadores, agrediu os jogadores, agrediu membros da comissão técnica. Isso aconteceu depois de uma declaração mal dada do Luxemburgo, na quinta-feira, dizendo que havia um clima hostil entre Macaé e Flamengo. Gerou isso, o que nunca aconteceu em Macaé, nunca aconteceu no interior. O responsável foi ele - disse.


A lenda voltou! Spider joga Nick Diaz para escanteio, vence e cai no choro

Anderson Silva não cai em provocações exageradas do americano, chuta sem medo com a recuperada perna esquerda e se emociona. Futuro é deixado em aberto


Por
Direto de Las Vegas, EUA


A agonia de ficar longe do que mais ama durou 398 dias. Dúvidas e questionamentos não deixaram Anderson Silva em paz desde a fratura na perna esquerda na revanche contra Chris Weidman, em 28 de dezembro de 2013. Mas tudo isso se transformou em energia e força para o esperado retorno ao octógono. Os fãs de MMA aguardaram um bom tempo e agora podem desfrutar: a lenda está de volta. O Spider teve pela frente o americano Nick Diaz na noite deste sábado em Las Vegas (madrugada no Brasil), na luta principal do UFC 183, e cumpriu seu papel com êxito. Precisou de cinco rounds, é verdade, mas saiu com a vitória.

O brasileiro, que costuma tentar desestabilizar os adversários emocionalmente, experimentou o outro lado da moeda com Diaz e jogou as provocações e palhaçadas exageradas do rival para escanteio. Não teve medo de chutar com a recuperada perna esquerda e se sagrou vencedor por decisão unânime dos jurados (49 a 46, 50 a 45 e 50 a 45) após cinco rounds, em sua primeira luta a terminar na buzina final desde que bateu Demian Maia em 10 de abril de 2010. Na comemoração, o alívio, e Anderson caiu no choro, aos prantos. Foi o fim de um capítulo emocionante na história do maior nome das artes marciais mistas na atualidade.

Anderson Silva x Nick Diaz, UFC 183 (Foto: Getty Images)
Spider cai no chão e chora após ser anunciado 
vencedor em sua primeira luta pós-lesão 
(Foto: Getty Images)


- Eu não sei o que dizer. Obrigado, Deus, por me dar mais uma chance. Obrigado aos meus amigos e à minha família. Esse momento é muito importante para mim, para toda a minha família e para todos os brasileiros. Queria agradecer a todos vocês que estiveram aqui, a todos os brasileiros. Esse momento, para mim, é muito importante por conta de tudo o que sofri neste um ano. Achei que não ia voltar a lutar no começo. Queria agradecer ao Dr. Márcio Tannure, ao médico que me operou aqui, ao Dana White, ao Lorenzo Fertitta e a todo mundo que me apoiou até aqui - disse Anderson, emocionado, ao fim do duelo.


Veja o evento novamente no Combate Play!

O futuro de Anderson Silva é uma incógnita. Com mais 14 lutas no contrato com o UFC, ele está com 39 anos e vive recebendo pedidos da família para que se aposente. Se depender do público, ele ainda lutará por muitos anos.

- Vou voltar para a minha família agora. Meu filho Kalyl pediu para eu parar de lutar. Então eu vou voltar para a minha casa para ficar com meus filhos e, não sei, talvez eu volte.



Anderson Silva x Nick Diaz, UFC 183 (Foto: Getty Images)
Anderson Silva venceu Nick Diaz por decisão 
unânime no UFC 183 (Foto: Getty Images)



A luta: domínio do spider

O frio na barriga na hora da entrada de Anderson foi geral na MGM Grand Garden Arena, mesmo palco de quando ele quebrou a perna, 13 meses atrás. O suspense até que as luzes fossem ligadas, após a escuridão momentânea, contribuiu para o cenário. E ele caminhou aparentando a maior tranquilidade do mundo. Cantou sua clássica música "Ain't no sunshine" e cumprimentou todos da sua equipe. Subiu no octógono. Era chegado o momento, era para valer. Antes de começar, pediu proteção a Deus, apontando para o céu.

Bem ao seu estilo, Nick Diaz começou a falar e a fazer provocações a Anderson logo de cara. O americano tentou entrar na mente do Spider e até se jogou no chão. Foi para a grade e chamou o brasileiro, que ficou parado. Foi apenas uma prévia do que faria no decorrer da luta.

Anderson Silva x Nick Diaz, UFC 183 (Foto: Getty Images)
Nick Diaz deita e provoca Anderson Silva 
(Foto: Getty Images)


O ex-campeão soltou bons cruzados e acertou Diaz, que não esboçou reação. Nick jogou bons golpes. Anderson respondeu com chute baixo com a perna esquerda, aquela fraturada. E a torcida inteira passou a apoiá-lo. O brasileiro também fez as suas provocações. Ele encurralou Diaz e conectou bons jabs. Nick tentou um chute alto que pegou de raspão. A essa altura, o campeão dos pesos-meio-pesados, Jon Jones, e o desafiante número 1 dos pesos-penas, Conor McGregor, já estavam de pé na primeira fila. Jones, por sinal, praticamente trabalhou como instrutor de Anderson no combate, gritando dicas para Spider o tempo todo.

As provocações continuaram no segundo round, e a torcida brasileira passou a xingar Diaz com palavrões. Focado, Anderson não deu brecha para o azar. Nick jogou chutes baixos, e Anderson respondeu com um direto e outro chute com a perna esquerda. Diaz jogou boa combinação e por pouco não levou uma cotovelada no contra-ataque. Anderson conectou um chutaço na barriga; na sequência, botou a mão na cabeça do americano e levou três diretos, mas não sentiu.



Provocações de diaz não surtem efeito

No terceiro assalto, Anderson deu um pisão no joelho de Nick Diaz e emendou outro chute baixo com a esquerda. Foi para cima e conectou joelhadas, mais golpes de boxe. Nick, com o rosto parcialmente ensanguentado, cuspiu o protetor bucal e sem ele ficou até o fim do round, sem que o árbitro John McCarthy percebesse. Sem ter resultado nas provocações, o americano foi perdendo cada vez mais espaço na luta, enquanto Anderson ia soltando o jogo.

Anderson Silva x Nick Diaz, UFC 183 (Foto: Getty Images)
Nick Diaz vira de costas para o brasileiro 
durante o combate (Foto: Getty Images)


- Eu estava dizendo: "Vamos lá. Me bata, venha apanhar um pouco". Eu vou falar o que falo, fazer o que faço. Esse foi um grande show. Esse é Anderson Silva - explicou Nick Diaz, que foi elogiado por Anderson, apesar das palhaçadas.

- Nick é o melhor. Eu já estou aqui há muito tempo. É a primeira vez na minha vida que eu luto contra um cara mentalmente forte, que tem golpes e chutes potentes. Esse é um grande show para as pessoas. Ele é um bom show, eu também. Ele não é um cara mau. É apenas Nick Diaz.

Os dois se movimentaram muito no começo do quarto round, e Diaz acertou bela combinação de boxe. Com a guarda baixa, Anderson saiu de vários golpes do americano. Nick foi no chute baixo e levou prejuízo no contra-ataque. O chute alto passou raspando o rosto dele. Diaz voltou a provocar e fez polichinelo no octógono. O ritmo do combate diminuiu, e o público ensaiou algumas vaias.

Diaz deu a cara para Anderson bater no início do quinto assalto, dançou e foi vaiado. Anderson foi para cima no boxe, mas ficou na defesa. O americano deu leve balançada em Anderson com um cruzado de esquerda e levou um chute alto na cabeça como resposta. Nick se animou, mas foi para trás com um jab potente. O Spider jogou joelhada voadora e chute alto rodado, ambos passando perto. Nos momentos finais do duelo, o brasileiro não deu brecha para uma surpresa de Nick e, ao soar do gongo, saiu comemorando. Ele sabia o que estava por vir: a vitória que consagrou seu retorno ao MMA após 13 meses longe de seu habitat natural.



Banner UFC 183 (Foto: Combate)



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