sexta-feira, 4 de julho de 2014

Francês é agredido por policial e sofre corte na cabeça em jogo no Maracanã

Confusão foi com um grupo de torcedores que queria ver o jogo em pé. Kevin foi atingido por golpe de cassetete e precisou tomar pontos no posto médico do estádio


Por Rio de Janeiro

 
Uma confusão na arquibancada do Maracanã marcou o primeiro tempo da partida entre França e Alemanha na tarde desta sexta-feira, pelas quartas de final da Copa do Mundo de 2014. Um grupo de franceses que queria ver o jogo em pé na arquibancada foi repreendido por stewards - funcionários responsáveis pela segurança no jogo - e policiais militares. No meio da discussão, o torcedor Kevin Borgat foi atingido na cabeça por um cassetete e sofreu um corte. Sangrando muito, ele precisou ser atendido em uma ambulância no topo da rampa da UERJ. Em seguida, foi encaminhado ao posto médico do estádio para tomar pontos no local e ser reavaliado.

Segundo o Grupamento Especial de Policiamento em Estádios (GEPE), cinco torcedores - envolvendo o que se machucou - foram detidos por estarem bêbados e coagindo as pessoas para poderem sentar juntos (quando tinham ingressos separados). O GEPE informou ainda que Kevin partiu para cima dos policiais e que não se sabe se a ferida foi causada por queda ou uma agressão. Versão bem diferente da apresentada pela tradutora que acompanhava o grupo. Eliete Santos acusou um dos policiais pela agressão e garantiu que Kevin era o menos exaltado. As imagens da confusão mostram o momento do golpe (veja no vídeo acima).

kevin borgat frances agredido maracana (Foto: Edgard Maciel de Sá)
Sangrando muito, Kevin é atendido em uma 
ambulância durante o primeiro tempo da partida 
(Foto: Edgard Maciel de Sá)

- A policia chegou e mandou todo o grupo sentar, mas eles não queriam. Kevin não estava sequer alterado, nada. Estava sentado e um policial bateu nele. Se fosse na França, esse policial já estava preso - reclamou a brasileira, que trabalha como tradutora para o grupo em que o torcedor, que sequer fala inglês, estava.

Kevin é uma espécie de torcedor oficial da França. Ele paga uma quantia anual à Federação Francesa de Futebol (FFF) para acompanhar as partidas da seleção. Chegou ao Brasil no dia 16 de junho e foi a todos os jogos de seu país até agora no Mundial. Passou por Porto Alegre, Salvador, Rio, Brasília, voltou ao Maracanã e vai para Minas Gerais caso o time de Didier Deschamps chegue à semifinal.

- É a federação que organiza tudo. Eu viajo com eles como tradutora. Fomos em 45 para Salvador, em mais de 60 agora no Rio - explicou Eliete, tremendo de nervoso.

kevin borgat frances agredido maracana (Foto: Edgard Maciel de Sá)
Ao lado de Eliete, Kevin Borgat segue para o 
posto médico já com a cabeça enfaixada 
(Foto: Edgard Maciel de Sá)


FONTE:
http://globoesporte.globo.com/futebol/copa-do-mundo/noticia/2014/07/frances-e-agredido-por-policial-e-sofre-corte-na-cabeca-em-jogo-no-maracana.html

Sempre ela: Neuer brilha, Alemanha bate França e vai enfrentar o Brasil

Gol de Hummels no primeiro tempo garante vitória de 1 a 0 em jogo duro no Maracanã e coloca alemães pela quarta vez seguida nas semifinais


 A CRÔNICA

por Alexandre Alliatti


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É como se estivesse determinado nas escrituras da Copa do Mundo, como se estivesse tatuado no espírito do futebol desde que a bola é bola: quando chegar aquele momento em que restarão poucos sobreviventes, a Alemanha será um deles. Onipresente na reta final de Mundiais, alimentada por decisões, a seleção tricampeã do mundo venceu a França por 1 a 0 nesta sexta-feira, sob um sol que chicoteava a pele no Maracanã, e está classificada para as semifinais da Copa de 2014. Vai pegar o Brasil, que mais tarde derrotou a Colômbia por 2 a 1 - será o segundo confronto das duas seleções em mundiais, e o Brasil venceu o primeiro na decisão da Copa de 2002 ao derrotar os alemães por 2 a 0.

O gol de Hummels, ainda no primeiro tempo, e duas defesas sensacionais de Neuer, uma aos 48 minutos do segundo tempo, num chute de Benzema, deram à Alemanha sua quarta presença consecutiva entre os semifinalistas – foi vice em 2002 e terceira colocada em 2006 e 2010. É a 13ª vez que a seleção germânica garante um lugar entre os quatro primeiros. Ninguém, nem o Brasil, é tão presente quanto ela.

Manter a rotina, porém, foi dos ossos mais duros de se roer. A França, no jogo de sua eliminação, mais comprovou do que questionou o bom desempenho que teve no Mundial. Encarou de frente um oponente que carregava natural favoritismo. Caiu, mas poderia ter seguido.

Alemanha x França Hummels (Foto: EFE)
Alemanha comemora gol de Hummels, o lance 
da classificação às semifinais (Foto: EFE)

Miroslav Klose, empatado com Ronaldo como maior artilheiro da história das Copas, começou o jogo como titular no Maracanã - cuja nova versão recebeu a centésima partida. Mas pouco fez. Acabou substituído no segundo tempo. Agora, tem mais dois jogos para poder bater o recorde. E um deles, quem sabe, justamente contra o Brasil. A semifinal alemã será terça-feira, às 17h, no Mineirão.

Alemanha na frente

Neuer e Benzema  Alemanha x França   (Foto: AP)
Neuer trabalha bem e evita empate da 
França no primeiro tempo (Foto: AP)

A Alemanha engana bobo. Tem um time de toque de bola, de circulação, de movimentação. É intensa, é propositiva. Parece que vai enrolar o adversário na teia de seu jogo e matá-lo assim, a conta-gotas. Aí é aquilo: quando rola um lance de bola parada, o adversário chega a respirar aliviado – aconchegado na ideia de finalmente não ver a bola girando de um lado para o outro. E se lasca. Aos 12 minutos do primeiro tempo, Hummels, de cabeça, em falta batida por Kroos, colocou a Alemanha na frente na tarde desta sexta-feira.

O primeiro gol do jogo, décimo da Alemanha na Copa, foi a quarta bola que ela mandou para a rede em lances de bola parada no torneio – o próprio Hummels marcara assim contra Portugal. É de deixar o adversário zonzo: quando não chega por baixo, chega por cima.

Mas de zonza a França não teve nada. Antes e depois do gol, foi uma equipe firme – que jamais se permitiu duvidar de sua capacidade de encarar a Alemanha. Com Griezmann entre os titulares e Giroud no banco, Didier Deschamps deu mobilidade ao time. Tornou-o ainda mais vertical.

Foram sete conclusões francesas no primeiro tempo – ou defendidas por Neuer ou para fora. 

Pogba foi o síndico do meio-campo, Valbuena movimentou-se como se disso dependesse sua vida, Griezmann apareceu sempre no lugar certo - e tudo convergendo para Benzema. O camisa 10 teve três chances. A zaga cortou a primeira por cima e acossou o atacante, sem espaço para encaixar o corpo, na segunda – após grande defesa de Neuer em conclusão de Valbuena. Na terceira, o goleiro voltou a trabalhar e evitou o empate francês.

Marchemos, marchemos
Restou à França no segundo tempo fazer aquilo que prega seu hino: “Marchemos, marchemos.” Les Bleus partiram para o ataque. Era reagir ou reagir. A posse de bola, antes favorável à Alemanha, migrou para o time de Didier Deschamps. Mas aí a zaga alemã, frágil em outros momentos da Copa, se mostrou segura.

Em nenhum momento a França conseguiu emparedar o adversário do campo de defesa. Teve bons ataques, criou boas chances, mas nada que derrubasse os alicerces do jogo do oponente. Neuer defendeu cabeceio de Varane. E nada. Benzema foi travado por Hummels (que jogo de Hummels). E nada.

Na prática, o contra-ataque alemão se tornou mais perigoso do que os ataques franceses. Chute de Müller flertou com a trave de Lloris. E o goleiro fez grande defesa com o pé em conclusão de Schürrle – o atacante depois seria bloqueado por Varane.

Conforme passava o tempo, mais a França se debatia em busca de algum espaço – e mais a Alemanha se mostrava dona do jogo. Mesmo asism, no fim teve emoção: aos 48 minutos, o chute cruzado de Benzema só não entrou porque Neuer, gigante, salvou.

A serenidade alemã, contra um adversário tão bom, talvez tenha sido o maior respaldo para sua classificação. Sem tamanha tranquilidade, talvez não fosse possível chegar às semifinais.

Mas ela chegou. A Alemanha chega sempre.




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