quinta-feira, 3 de julho de 2014

"Lyoto é mais completo do que o Anderson Silva", afirma Weidman

Atual campeão dos médios acredita que o Dragão é mais perigoso na trocação, tem wrestling melhor e é mais forte fisicamente do que o Spider


Por Direto de Las Vegas, EUA


Chris Weidman venceu duas vezes Anderson Silva na época em que o brasileiro era considerado o melhor lutador do planeta, posto que hoje provavelmente pertence a Jon Jones. Mas o americano e atual campeão dos médios (até 84kg) acredita que um desafio ainda maior está por vir. Após participar do treino aberto de quarta-feira no Fashion Show Mall, em Las Vegas, ele comparou Anderson ao seu próximo adversário, Lyoto Machida. O combate será no UFC 175, na noite deste sábado, na Mandalay Bay Arena.

- É difícil comparar, mas acho que o Lyoto é mais completo do que o Anderson Silva. Digo isso em relação ao quanto ele é perigoso na trocação e na movimentação. O Anderson Silva também tinha isso, mas acho que o Lyoto tem mais. O wrestling dele também é melhor. E, fisicamente, é um pouco mais forte - afirmou em bate-papo com jornalistas.
Chris Weidman Treino Aberto UFC 175 (Foto: Evelyn Rodrigues)
Chris Weidman no treino aberto do UFC 175 
(Foto: Evelyn Rodrigues)

Weidman é considerado favorito no duelo contra o Dragão. Uma vitória dele está pagando três vezes do que a do adversário nas casas de apostas. Mas ele não se importa com isso:
- Não sei se ele está sendo subestimado. Eu não estou subestimando o Lyoto.

O Anderson Silva também tinha isso (a qualidade de ser perigoso
na trocação e na movimentação), mas acho que o Lyoto tem mais.

O wrestling dele também émelhor. E, fisicamente, é umpouco mais forte"
Chris Weidman

O campeão também recordou as vitórias sobre Anderson Silva e confessou que não conseguiu comemorar a segunda, onde o Spider fraturou a perna esquerda de forma chocante, o que decretou o nocaute técnico:

- Na primeira vez que nocauteei o Anderson, disseram que tive sorte porque ele estava com as mãos abaixadas. Mas é isso o que ele faz, e eu foquei nisso. O trabalho dele é dar socos na cara dos outros, e o meu também. Ele levou um soco na cara e caiu. Faz parte do esporte. A segunda luta definitivamente não terminou da maneira como eu queria. Ver uma lesão daquelas é terrível. O que você quer é nocautear ou finalizar o adversário. Aquilo não é normal. Eu não fiquei feliz depois da luta. Eu mal conseguia sorrir. Até tentei, meus treinadores me incentivavam. Mas acho que eu tive uma vitória limpa.

O Combate transmite o UFC 175 ao vivo com exclusividade no sábado, a partir de 19h30 (horário de Brasília). O Combate.com acompanha em Tempo Real no mesmo horário e transmite a primeira luta do card preliminar, entre Kevin Casey e Bubba Bush, em vídeo ao vivo. Na sexta-feira, canal e site exibem a pesagem oficial do evento ao vivo a partir de 20h.

UFC 175
5 de julho de 2014, em Las Vegas (EUA)


CARD PRINCIPAL
Peso-médio: Chris Weidman x Lyoto Machida
Peso-galo: Ronda Rousey x Alexis Davis
Peso-pesado: Stefan Struve x Matt Mitrione
Peso-médio: Uriah Hall x Thiago Marreta
Peso-galo: Russell Doane x Marcus Brimage


CARD PRELIMINAR
Peso-galo: Urijah Faber x Alex Caceres
Peso-meio-médio: Ildemar Marajó x Kenny Robertson
Peso-médio: Chris Camozzi x Bruno Carioca
Peso-galo: Rob Font x George Roop
Peso-médio: Luke Zachrich x Guilherme Bomba
Peso-médio: Kevin Casey x Bubba Bush



banner Combate UFC 175 (Foto: Combate)


saiba mais

O legado e o novo momento 20 anos após a morte de Escobar na Colômbia

Assassinado após fazer um gol contra na Copa de 1994, jogador é visto como exemplo no país, que conseguiu conter violência após o incidente


Por Medellín, Colômbia

É difícil entrevistar Santiago Escobar, especialmente no dia em que se completaram 20 anos da morte de seu irmão famoso, Andrés. Na zona nobre de Medellín, o ex-jogador e treinador é interrompido a cada cinco minutos para ser cumprimentado. As mensagens são de pêsames, mas enaltecem os feitos do zagueiro que ficou famoso em 1994, quando marcou um gol contra pela seleção colombiana na Copa do Mundo e, dias depois, acabou assassinado na cidade natal.

– Vamos ganhar do Brasil, e espero que os jogadores levantem os braços para o céu e dediquem a vitória a Andrés – diz um homem que passou para trocar algumas palavras com Santiago.



estátua de Andrés escobar Medellín (Foto: Felipe Shimidt)
Estátua em homenagem a Andrés Escobar no 
bairro de Belén (Foto: Felipe Schmidt)

Homenagens não faltaram a Andrés Escobar desde que ele foi assassinado com seis tiros na saída de uma discoteca em Medellín, poucos dias depois da eliminação da Colômbia na Copa do Mundo dos Estados Unidos. Um dos jogadores mais queridos da primeira grande geração colombiana, o "Cavalheiro dos Gramados" foi vítima de um momento bastante complicado em seu país, mas, mesmo que de forma trágica, ajudou a nação a evoluir.

Santiago Escobar é testemunha disso. Nesta quarta-feira, 2 de julho, representou o irmão numa grande homenagem realizada pelo Atlético Nacional, clube pelo qual Andrés jogou, com a presença de muitos torcedores. Para Sanchi, ali estava o exemplo da influência do ex-zagueiro para as gerações mais jovens da Colômbia.

– Fiquei impressionado com a forma como uma pessoa é recordada constantemente, mesmo depois de 20 anos. Andrés deixou um legado muito grande no nosso país e no mundo, porque sua morte teve repercussão internacional. Ele deixou o exemplo, a educação. Era uma pessoa muito honesta e trabalhadora, era querido por crianças, jovens, adultos e idosos – disse Santiago.

Um dos fãs de Andrés Escobar é o taxista Mauricio Ramirez. Crescido em Medellín, ele viu de perto como a violência da cidade levou embora um dos principais jogadores do país.

– Escobar era muito educado e amável. Ajudava muito as pessoas. Por isso, todos gostavam dele. Mas Medellín, há 20 anos, era muito diferente. Tinha bastante violência, delinquência. Todos viviam com medo. Uma vez, eu estava num campo de futebol assistindo a uma partida quando chegaram pessoas distribuindo panfletos pregando morte aos maconheiros. Todas as pessoas foram embora do estádio, porque ficaram com medo de que chegassem bandidos atirando.



Andrés Escobar Colômbia e Estados Unidos 1994 (Foto: Getty Images)
Andrés Escobar em ação contra os Estados 
Unidos, anfitriões da Copa do Mundo de 1994 
(Foto: Getty Images)

Narcotráfico e futebol

Andrés foi mais uma das vítimas do domínio do narcotráfico na Colômbia. Um ano antes de sua morte, outro Escobar famoso, o traficante Pablo, havia sido assassinado pela polícia em Medellín, cidade que controlava. Segundo as investigações da polícia, o zagueiro foi vítima de pessoas que haviam apostado fortemente na Copa do Mundo. Humberto Castro Muñoz, guarda-costas de um criminoso local, foi condenado a 43 anos de prisão pelo assassinato do jogador, mas deixou a cadeia após 11 anos, por bom comportamento.

Naquela época, o clima na Colômbia era de confiança em relação à seleção. Com nomes como Asprilla, Higuita, Rincón e Valderrama, a equipe era tida como uma das favoritas no Mundial de 1994. Mas o que aconteceu nos EUA foi o oposto: derrotas para Romênia e os anfitriões significaram a eliminação ainda na fase de grupos. Contra os donos da casa, Escobar marcou o primeiro gol do jogo, contra, ao tentar cortar um cruzamento de Harkes (veja o gol no vídeo ao lado). Era o início de seu fim.

– Ele ficou muito triste, porque nunca havia feito um gol contra, e isso aconteceu justamente quando o Milan queria contratá-lo. Depois da partida contra os EUA, fui ao hotel e o abracei. Disse para ele não se preocupar, porque havia sido um acidente. Ele estava com medo de não ser mais contratado – relatou Santiago.

A partida contra os EUA aconteceu no dia 22 de junho. A Colômbia ainda jogou sua última partida na Copa e venceu a Suíça por 2 a 0 antes de voltar para casa. Na noite do dia 1º de julho, Escobar saiu com amigos para uma discoteca no bairro El Poblado, zona nobre de Medellín. Durante a noite, foi constantemente incomodado por pessoas que insistiam em lembrar-lhe do gol contra.

– Quando meu irmão saiu da discoteca, estava no estacionamento e foi pedir respeito a estas pessoas. Mas os assassinos estavam metidos com o narcotráfico, andavam armados e supostamente haviam apostado um dinheiro importante na Copa. Eles não gostaram do pedido de Andrés e lhe deram seis tiros – contou Santiago.



Santiago Escobar, irmão de Andrés Escobar (Foto: Felipe Shimidt)
Santiago Escobar celebra o legado deixado pelo 
irmão Andrés (Foto: Felipe Schmidt)

Entretanto, há outras interpretações para o crime. Técnico da seleção colombiana em 1994, Francisco Maturana acredita que o gol contra não foi a causa da morte de Escobar, mas sim o clima de violência no país na época.

– Aquela era uma época de alta criminalidade, de intolerância. Não creio que o gol contra causou a morte de Escobar. Mas é preciso lembrar as coisas boas dele. Sua maneira de levar a vida, sua lealdade. Minha relação com ele era muito boa, e o tenho no meu coração, com recordações bonitas – defendeu o treinador.

Medellín, um novo lugar

Hoje, o consenso é de que a Colômbia evoluiu. O lugar onde Escobar foi assassinado virou um canteiro abandonado, mas no restante de Medellín o progresso é exaltado por todos. Andrés é lembrado constantemente: dá nome a um centro esportivo no bairro de Belén, onde também há uma estátua sua. Na quarta-feira, torcedores iam ao local para tirar fotos e deixar flores.

– Sem dúvida, o país está muito melhor hoje, com mais progresso e desenvolvimento. Ainda há violência, ainda acontecem coisas difíceis de compreender, mas está muito melhor. Há 20 anos as cidades conviviam com ameaças de bombas, milhares de pessoas morriam. Era um país muito inseguro – analisou Santiago Escobar.



Andrés Escobar dá nome a centro esportivo em Medellín (Foto: Felipe Shimidt)
Andrés Escobar dá nome a um centro esportivo 
no bairro de Belén, em Medellín 
(Foto: Felipe Schmidt)

O taxista Ramirez assina embaixo.

– Medellín mudou muito nos últimos anos. Melhorou uns 90%.

Um exemplo do novo momento da Colômbia é justamente a seleção nacional. A geração atual é tida como a melhor desde a de 1994, que tinha Andrés Escobar. Contra o Brasil, na próxima sexta-feira, estes novos jogadores entrarão em campo numa situação completamente diferente daquela de duas décadas atrás.

– A morte de Andrés foi atípica, espero que não volte a acontecer algo desta natureza. De uma maneira ou de outra, acho que o incidente com meu irmão serviu para que os jovens o usem como exemplo em muitos aspectos da vida – completou Sanchi.



FONTE:
http://globoesporte.globo.com/futebol/selecoes/colombia/noticia/2014/07/o-legado-e-o-novo-momento-20-anos-apos-morte-de-escobar-na-colombia.html