quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Com 'valor zero no mercado', Adriano seria bom em marketing de superação

Segundo especialista em gestão esportiva, atacante poderia faturar como garoto-propaganda de campanhas específicas: 'Pode ser um bom símbolo de nunca desistir'

Por Rio de Janeiro

adriano flamengo (Foto: Alexandre Vidal/Fla Imagem)Adriano tenta mais mais uma cartada para voltar a jogar futebol (Foto: Fla Imagem)
 
No produto futebol, Adriano está em baixa no mercado. Sem atuar desde março de 2012, com  saída problemática do Flamengo no fim do ano passado e dúvidas sobre suas reais condições físicas e da recuperação de duas cirurgias no tendão do pé esquerdo, o Imperador tenta sair do ostracismo e adiar a aposentadoria. Sem vínculo com o Atlético-PR, o atacante usa as instalações e profissionais do Furacão para tentar aquela que pode ser a sua última cartada para voltar a jogar. Mas, ao tentar retornar para a vitrine da bola, o jogador de 31 anos é considerado um investimento de risco e com valor de mercado igual a zero. 
 
Essa é a análise de Fernando Ferreira, economista com especialização em pesquisa de mercado e gestão e marketing esportivo, e sócio da Pluri Consultoria, empresa que realiza pesquisas e análises do meio profissional esportivo.

  - O valor de mercado atual do Adriano é zero, pois a carreira está suspensa e o risco do investimento é considerável. Voltando a jogar, dá para reavaliar. O único tipo de contrato que faz sentido é o por produtividade – afirmou Fernando Ferreira. 

Desde que foi vendido pelo Flamengo (2000) por 7 milhões de euros até o ápice no Inter de Milão, em 2006, quando, aos 24 anos, atingiu um valor de mercado de € 31 milhões, Adriano se valorizou em 343%. A partir daí, porém, o atacante entrou em fase de declínio até chegar ao marco zero.
Na passagem do atacante pelo Flamengo em 2012 - quando não atuou em nenhum jogo - o clube pagou apenas R$ 15 mil referentes aos dias em que ele treinou em agosto e se resguardou diante dos riscos. Inicialmente, o Flamengo acertou com Adriano um contrato que previa R$ 50 mil mensais - referentes a direito de imagem - e mais R$ 50 mil por cada jogo disputado, sem carteira assinada. Como Adriano saiu sem entrar em campo, nada ganhou por produção. Além disso, as advertências por indisciplina suspenderam o pagamento por direitos de imagem.

Recuo do Inter, na pauta do Palmeiras e previsão de aposentadoria
Em junho, o atacante esteve próximo de um acerto com o Internacional. Mas o clube recuou depois dos resultados dos exames médicos. O diretor médico colorado, Paulo Rabello, admitiu que o tempo parado, somado aos dois procedimentos cirúrgicos no tendão do pé esquerdo, atrapalhou o acerto. Mesmo após as cirurgias, Adriano não respeitou restrições e prejudicou sua recuperação.

Na atual temporada, Adriano recebeu propostas da Ásia. Em março, o nome do jogador entrou na pauta do Palmeiras. Na ocasião, o diretor executivo José Carlos Brunoro disse que foi procurado por representantes do Imperador, que teriam manifestado o desejo dele de retomar a carreira. 

Em agosto, Fabiano Farah - empresário renomado no futebol que já trabalhou com Ronaldo e Roberto Carlos – traçou metas para Adriano, consultou médicos para recuperação do  tendão e também para a relação com o álcool. O trabalho seria realizado no Botafogo. 

O Imperador teria ficado reticente por conta da carga de trabalho e, segundo o gerente técnico do Alvinegro, Sidnei Loureiro, teria admitido pendurar as chuteiras.

- Ele disse que queria saber qual era a condição física, e disponibilizamos pessoas da nossa confiança no clube. A situação não é simples, teria que ter muito cuidado e, mesmo que tivesse a melhor dedicação, existia a chance de não ter resultado. Estipulamos mais ou menos seis meses.

O tendão dele pode não responder ao estímulo para voltar a ser de atleta, porque hoje em dia é de uma pessoa normal. Ele disse que conhece o corpo dele e sabia que algo estava errado, que não era por falta de dedicação no tratamento. Sentia que a coisa não evoluía, sabia do limite, da idade e que seis meses seriam demais sem alguma garantia. Está pensando em encerrar, mas que se mudasse de ideia voltaríamos a conversar - revelou Sidnei, na ocasião. 

Marketing da superação
 Imagine uma empresa que queira vender a ideia de superação? O Adriano pode ser um bom símbolo disso
Fernando Ferreira, economista
 
Recentemente, a Nike encerrou o contrato com Adriano. Com a imagem desgastada pela inatividade e estripulias fora de campo, o Imperador poderia ser alvo de alguma abordagem de marketing de superação.
 
- Para o marketing tradicional, o produto não é adequado no momento,  apesar do bom potencial do jogador, caso a carreira volte a engrenar. Mas algum tipo de abordagem de marketing mais específica pode fazer sentido porque é um jogador muito conhecido. Imagine uma empresa ou marca que queira vender a ideia de superação, de nunca desistir? O Adriano pode ser um bom símbolo disso - analisou Fernando Ferreira.

Desde junho de 2010, Adriano disputou apenas 16 jogos – oito pelo Roma e oito pelo Corinthians – e marcou dois gols. Nesse tempo, atuou uma única vez durante 90 minutos. Sua última partida aconteceu no dia 4 de março do ano passado. 

Adriano, Flamengo (Foto: Jorge William / Agência O Globo) 
Para levantar a cabeça: Adriano conta com estrutura 
de médico, psicólogo, nutricionista e fisioterapeuta 
no CT do Atlético-PR (Foto: Jorge William
 / Agência O Globo)
 
O Atlético-PR somente fará alguma movimentação por uma possível questão contratual depois do período de treinos e exames. Adriano chegou a Curitiba na segunda-feira e, desde então, realiza atividades no CT do Furacão. 

- Contamos com médico, psicólogo, nutricionista, fisioterapeuta, CT, estádio. É só ele se dedicar. 
Existe essa vontade dele. Eu falei com ele que não basta só falar e ter vontade, é preciso atitude, responsabilidade, disciplina. Ele está animado e isso nos anima, pois fortalece o Atlético-PR e o reconhecimento do clube nacional e internacionalmente - afirmou o vice-presidente do clube, Luiz Salim Emed, em entrevista à rádio Estadão.  

FONTE:
http://globoesporte.globo.com/futebol/noticia/2013/12/com-valor-zero-no-mercado-adriano-seria-bom-em-marketing-de-superacao.html

Ponte falha, mas arranca empate com Lanús e mantém final aberta

Macaca leva gol de falta após desatenção, mas responde na mesma moeda com Fellipe Bastos e confirma o 1 a 1. Na quarta, equipes decidem o título

A CRÔNICA 
 
por Murilo Borges
 
Falta boba na intermediária. O batedor ajeita a bola. Com carinho, coloca no ângulo e deixa o goleiro imóvel no centro da meta. Um lance que define o clima do estádio. A mesma jogada que fez o pontepretano roer as unhas causou o grito de gol mais espontâneo de toda a campanha na Copa Sul-Americana. Ponte Preta e Lanús fizeram uma típica final entre brasileiros e argentinos: muitas faltas, catimba, empurrões e técnica, que sobrou nos pés de Goltz e Fellipe Bastos.

Como um joga para cada time, a primeira metade da decisão acabou empatada em 1 a 1 nesta quarta-feira à noite, no Pacaembu abarrotado com quase 30 mil fanáticos alvinegros. A disputa pelo título se estende até a próxima quarta, em La Fortaleza, na província de Buenos Aires. Lá, às 21h50m (de Brasília), Ponte e Lanús disputam de fato o troféu sem a vantagem dos gols fora. Qualquer empate leva o jogo para a prorrogação (se permanecer a igualdade, vai para os pênaltis). Vitória confirma o título.

Fellipe Bastos comemora, Ponte Preta x Lanús (Foto: Marcos Ribolli) 
Fellipe Bastos recebe os cumprimentos dos companheiros: 
volante é peça decisiva (Foto: Marcos Ribolli)
 
Se depender do desempenho desta noite, a Macaca pode ir à Argentina confiante no primeiro título de sua história de 113 anos. O time dominou o primeiro tempo, criou várias oportunidades e falhou duas vezes. Em uma, Santiago Silva ajudou ao perder gol feito. Na outra, Goltz acertou uma bela cobrança de falta para abrir o marcador. O golpe, porém, não foi fatal. A Ponte é guerreira, como a torcida que mais uma vez pegou estrada para liderar o time fora de campo. Porque, no gramado, quem manda é Fellipe Bastos.

O camisa 15 foi dono da Ponte nos dois tempos. Teve a melhor chance na primeira etapa, mas parou em defesa segura de Marchesin. Nos 45 minutos finais, acertou um belo chute em cobrança de falta, no canto direito do camisa 1 argentino. Quase repetiu a dose pouco depois, ao acertar o travessão. Mostrou que está com o pé calibrado e pronto para decidir, como fez contra o Deportivo Pasto nas oitavas de final.

O próximo capítulo da rivalidade será na quarta-feira. A Ponte Preta, já rebaixada no Brasileirão, cumpre tabela com o Internacional em Caxias do Sul, no próximo domingo. Os titulares folgam para pensar exclusivamente na partida em La Fortaleza, no distrito de Lanús. A cabeça está boa. 

O empate, apesar de não satisfazer nenhum torcedor nesta noite, dá à Macaca o direito de esperar o Lanús, que, em casa, terá que partir para o ataque pois precisa da vitória. Aí entra a principal característica da equipe. Se contra-atacar como normalmente faz e fez, a taça pode ficar mais próxima.

Ponte Preta x Lanús (Foto: Marcos Ribolli) 
Goltz vai festejar gol com a torcida: empate na Argentina 
leva decisão aos pênaltis (Foto: Marcos Ribolli)
 
Ponte dita o ritmo, cria e toma susto
Como clube, o Lanús sabe bem o que é uma final. Venceu Copa Conmebol, faturou Campeonatos Argentinos das três divisões e já esteve em outras decisões. Mas, nesta quarta, quem pareceu expert no assunto foi a Ponte Preta. Empurrada por cerca de 30 mil torcedores no Pacaembu, a Macaca partiu organizadamente para cima desde o começo. Mordeu a saída de bola dos três zagueiros, anulou o meio-campo e as laterais do adversário e criou chances em contra-ataques. Faltou só o detalhe principal.

Ponte Preta x Lanus (Foto: Marcos Ribolli)Jogo truncado por cima e por baixo: cara de final
entre brasileiros e argentinos(Foto: Marcos Ribolli)
 
E não foi por falta de oportunidades. Fernando Bob chutou a primeira com seis minutos, mas mandou por cima. Uendel avançou pela esquerda e arriscou cruzamento fechado, que assustou o goleiro argentino. Elias experimentou de longe e parou no peito de Marchesin. A Ponte, como não fez nas outras fases, teve que atacar. A melhor chance, porém, saiu de um contragolpe. Fellipe Bastos roubou na intermediária, avançou até a área e encheu a canhota. O goleiro espalmou, para desespero da macacada.

Se o ritmo pontepretano era frenético, o argentino estava mais para o cuidadoso. Como todos os hermanos que chegam ao Brasil para uma partida decisiva, o Lanús só passou do meio-campo "na boa". Esperou um erro da Macaca para se soltar. Foi assim no cruzamento de Velázquez, que quase surpreendeu Roberto. E no inacreditável gol perdido por Santiago Silva, no último minuto de bola rolando. "El Tanque", livre na pequena área e com o gol aberto, bateu de forma displicente na bola e mandou para fora. O cuidado que sobrou ao time faltou ao centroavante. Sorte da Ponte.

Ponte Preta x Lanús (Foto: Marcos Ribolli) 
Torcida da Ponte compareceu em peso ao estádio
nesta quarta, em São Paulo (Foto: Marcos Ribolli)
 
Faltas precisas garantem 1 a 1
A Ponte voltou para o segundo tempo com uma ordem clara de Jorginho: apertar a marcação no campo de ataque. A ordem não foi muito bem assimilada. Ao contrário do primeiro tempo, a equipe brasileira deu mais espaços aos argentinos, que aos poucos começaram a se arriscar. A tática ainda era a mesma: esperar pelo erro da Macaca. Foi bem o que aconteceu.

Após chutão para frente, Santiago Silva – o mesmo que perdeu aquela chance incrível – foi agarrado por Diego Sacoman. Falta. Jorginho, do banco, pressentiu o pior. Goltz ajeitou na intermediária, tirou a bola do alcance da barreira e também de Roberto. O chute entrou na gaveta e calou o Pacaembu por alguns minutos. Logo os alvinegros pensaram: não é possível que o filme de todos aqueles vices se repetirá novamente.

Nesta primeira metade da decisão, sim. A Ponte sentiu o gol de tal forma que passes simples viraram complexos, dribles básicos foram desperdiçados e chutes tinham a linha de fundo como único caminho. Jorginho tentou com Adaílton e Chiquinho e ganhou um time mais forte e veloz, mas com a mesma falta de precisão. Os dois tiveram chances de finalizar, mas sem perigo a Marchesin.

Até que surgiu Fellipe Bastos. Ele, que quase abriu o placar em contra-ataque no primeiro tempo, respondeu a Goltz da mesma moeda. Cobrança de falta perfeita por cima da barreira e goleiro imóvel no meio do gol. O empate recolocou a Ponte na partida. Bastos ainda teve a chance de virar: em nova cobrança, acertou o travessão. Mas o placar ficou nisso. Com precisão exata, brasileiros e argentinos mantêm a igualdade por uma semana. Mas o pontepretano sabe que o empate está só no placar: no que puder disputar, a vantagem está com a Macaca. Pela torcida, pela garra, pela sorte. Para quem dominou Pasto, Vélez e São Paulo, o Lanús parece ser apenas mais uma etapa. A final.

Fellipe Bastos comemora, Ponte Preta x Lanús (Foto: Marcos Ribolli) 
Fellipe Bastos teve a chance de marcar o segundo, mas 
parou no travessão (Foto: Marcos Ribolli)
 
 
FONTE: