domingo, 21 de julho de 2013

Organizada veta críticas a Juvenal em protesto da torcida do São Paulo

Uniformizadas silenciam torcedores ‘comuns’ no Morumbi, focam revolta nos jogadores, poupam Ceni e Autuori, e xingam Marco Aurélio Cunha

Por Alexandre Lozetti e Carlos A. Ferrari São Paulo

A torcida do São Paulo protestou em bom número após a derrota por 3 a 0 para o Cruzeiro, em frente ao portão principal do Morumbi. Mas nem ela conseguiu se entender. Tricolores que ficaram em diversos setores do estádio durante a partida estavam aglomerados, e o principal alvo era o presidente Juvenal Juvêncio.

Porém, quando as organizadas, em número muito maior, chegaram ao local, impediram qualquer manifestação contra Juvenal Juvêncio. Um rapaz careca, de camiseta preta, comandou todos os gritos de ordem dos torcedores. Foi ele quem deu a ordem para que a diretoria não fosse citada.
- O problema não é diretoria nem técnico. O problema são esses filhos da p..., que estão com o salário em dia, e não correm, não têm raça - ordenou.

Atrás deles, alguns torcedores apelaram para que Juvenal fosse criticado, e ensaiaram um “Fora, Juvenal!”, abafado por outros cantos.

O protesto ganhou cunho ainda mais político quando Marco Aurélio Cunha, que já manifestou sua intenção de concorrer à presidência do São Paulo no ano que vem como opositor ao candidato de Juvenal, passou a ser criticado. Chamado de "santista", foi alvo de palavrões. Marco Aurélio deixou o cargo de superintendente de futebol do São Paulo há mais de dois anos.

Apesar do veto dos líderes, havia um cartaz no meio do protesto, que atacava os dirigentes: “Parabéns, diretoria. Vocês conseguiram o pior time da nossa história”.

Torcedores do São Paulo protestam em frente ao Morumbi (Foto: Carlos Augusto Ferrari) 
Torcedores do São Paulo protestam em frente ao Morumbi (Foto: Carlos Augusto Ferrari)
 
Entre um grito e outro contra atletas, Rogério Ceni foi exaltado por diversas vezes, com a tradicional música que o coloca como melhor goleiro do Brasil. Paulo Autuori também foi apoiado em coro.

- Meu nome não merece ser gritado porque estou junto com o grupo. Agradeço, mas não é o momento para isso. Espero que gritem os nomes dos jogadores pelo que eles puderem fazer de bom. Estamos na onda de protestos, são válidos. Desde que sejam pacíficos. E quem pensa o contrário tem o direito de se manifestar - disse Autuori.

A torcida, aliás, homenageou o time campeão mundial de 2005, que era dirigido por ele. Todos os jogadores tiveram seus nomes gritados, menos o meia Danilo, que defende o Corinthians desde 2010 e tem feito gols frequentemente contra o Tricolor.

Ídolos antigos também foram lembrados, como o meia Raí e o técnico Telê Santana. Alguns jogadores da atual equipe foram citados num tom de voz mais alto, casos de Ganso, Lúcio e Denilson. Pedidos de raça, e ofensas de “time sem vergonha” foram constantes. Tudo ocorreu pacificamente, em frente a um bom número de policiais, que fizeram a segurança da parte interna.

Poucos jogadores deixaram o Morumbi no ônibus do clube, casos dos laterais Douglas e Clemente Rodríguez. O técnico Paulo Autuori também estava no veículo. A torcida, sem saber quem estava dentro, aplaudiu ironicamente, e cantou o hino do São Paulo.

FONTE:
http://globoesporte.globo.com/futebol/times/sao-paulo/noticia/2013/07/organizada-veta-criticas-juvenal-em-protesto-da-torcida-do-sao-paulo.html

Com três gols de Luan, Cruzeiro vence e afunda o São Paulo na crise

Atacante brilha no segundo tempo e coloca a Raposa na vice-liderança. Tricolor sofre a maior série de derrotas da história e pode cair para o Z-4
 
A CRÔNICA 
 
por Carlos Augusto Ferrari




Não poderia haver melhor momento para o Cruzeiro quebrar o tabu de nove anos sem vencer o São Paulo no Campeonato Brasileiro. E não foi qualquer vitória. Frios e precisos como verdadeiros candidatos ao título, os mineiros contaram com a atuação inspirada do atacante Luan no segundo tempo para fazer 3 a 0 e impor ao Tricolor a maior série de derrotas de sua história - já são sete seguidas.

A Raposa teve o controle da partida durante todo o tempo. Mal tecnicamente, o São Paulo ofereceu pouco perigo e acabou sendo castigado no instante em que parecia jogar bem. Luan, aquele mesmo tão criticado pela torcida do Palmeiras, acertou um lindo chute de primeira no ângulo. Perto do fim, em contra-ataques, anotou mais dois e coroou a grande exibição azul.
Luan, que oficialmente não pode escolher música no "Fantástico", pelo fato de o jogo não ser no domingo, aproveitou a entrevista ao SporTV no fim do jogo e fez o seu pedido: "Nada como um dia após o outro dia", dos Racionais MCs.

Luan cruzeiro rogerio ceni são paulo série A (Foto: Daniel Vorley / Agência Estado) 
Luan, autor de três gols, e Ceni, goleiro de um São Paulo em crise (Foto: Daniel Vorley / Ag. Estado)
O triunfo na capital paulista, o primeiro como visitante no torneio, coloca o Cruzeiro em ótima situação. O clube de Belo Horizonte soma agora 15 pontos, atingindo a vice-liderança e torcendo por tropeços dos adversários diretos no complemento da oitava rodada. No próximo domingo, faz o clássico contra o Atlético-MG, às 16h, no Mineirão.

Já o São Paulo acumula problemas fora de campo e resultados ruins. Não faltaram protestos antes e depois do jogo. Durante a partida, as organizadas vetaram críticas ao presidente Juvenal Juvêncio. O time chegou ao décimo jogo sem vencer, apenas um a menos que nas temporadas de 51 e 86. Esta também foi a sétima derrota consecutiva, feito inédito na história do clube - em 36, havia perdido seis.

Os jogos de domingo ainda poderão colocar o Tricolor na zona do rebaixamento. A equipe dirigida por Paulo Autuori tem somente oito pontos, um acima do grupo dos quatro piores. Na próxima quarta-feira, enfrenta o Internacional, às 21h, no Morumbi, em partida adiantada da 12ª rodada.

Denilson são paulo Ricardo Goulart cruzeiro série A (Foto: Celso Pupo / Agência Estado) 
Denilson protege a bola de Ricardo Goulart  (Foto: Celso Pupo / Agência Estado)
Raposa leva mais perigo. Tricolor sofre
Um segundo de jogo foi tempo suficiente para refletir com precisão o atual momento vivido pelo São Paulo. Um segundo, um toque na bola no apito inicial, e Luis Fabiano errou o primeiro passe. Era o prenúncio da maior dificuldade que o Tricolor teria para chegar ao ataque. Chegou pouco, arrastado, sofrendo para passar pela forte marcação feita pelo Cruzeiro. Era uma pista para o 0 a 0.

A Raposa começou melhor. Marcelo Oliveira adiantou o time no campo rival e atrapalhou a saída de bola. Se a fase de Rogério Ceni fosse tão ruim como disse o diretor Adalberto Baptista, os mineiros poderiam ter obtido a vantagem. Everton Ribeiro e Vinícius Araújo pararam em duas boas defesas do camisa 1. A segunda, com os pés.

O São Paulo só conseguiu deixar a defesa quando Jadson passou a se movimentar mais na linha dos volantes para armar o time. Ganso, de novo, apareceu pouco. Lento e sem objetividade, sobrecarregou Jadson e contribuiu para os são-paulinos insistirem em demasia em passes pelo meio. Todos facilmente cortados por Bruno Rodrigo e Dedé.

As únicas oportunidades surgiram em lances isolados e, mesmo assim, sem grande trabalho para o goleiro Fábio. Luis Fabiano teve o nome gritado pela torcida ao arriscar da entrada da área, mas errando o alvo. Depois, foi a vez de Osvaldo bater fraco após roubada de bola de Douglas na intermediária. Muito pouco para quem sonha reagir.

Luan cruzeiro gol são paulo série A (Foto: Daniel Vorley / Agência Estado) 
Luan comemora um de seus três gols no Morumbi (Foto: Daniel Vorley / Agência Estado)
Luan 1, 2, 3...
Os primeiros cinco minutos do segundo tempo deram a sensação de que o São Paulo havia voltado diferente. Os erros de passes, principalmente de Denilson, continuaram, mas o Tricolor reapareceu incisivo, com mais velocidade e chegando rapidamente ao ataque. Jadson, em chute na marca do pênalti e em cruzamento com desvio, parou em boas defesas de Fábio.

Quando os paulistas pareciam deslanchar, o Cruzeiro soube usar a paciência e a precisão para abrir o placar, aos seis. E que precisão! Após cruzamento da direita, a zaga são-paulina voltou a falhar. Douglas não alcançou a bola, e Luan, de primeira, colocou no ângulo direito de Rogério Ceni. Um golaço!

Com os inúmeros problemas defensivos, Paulo Autuori optou por não abrir o time. A solução foi mexer no ataque, tirando Luis Fabiano e colocando Aloísio. O setor ganhou velocidade para abrir a defesa rival, mas não teve qualidade. O “Boi Bandido” apareceu duas vezes na cara de Fábio, mas, em ambas, concluiu errado e levou a torcida ao desespero e aos gritos de “queremos jogador”.

A mesma tranquilidade para fazer o primeiro gol o Cruzeiro teve para acabar com qualquer chance de reação do adversário. Os mineiros se posicionaram atrás da linha do meio de campo, permitiram que o rival avançasse e, na hora certa, sacramentaram a vitória.

Noite mágica de Luan. Em dois contra-ataques certeiros, o atacante recebeu livre para vencer Ceni e confirmar a Raposa como uma séria candidata ao título. Do outro lado, os gritos de "Fora, Juvenal" ecoavam pelo Morumbi quase vazio.